Fabíola Cardoso recordou luta pelos direitos LGBTQI+

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Encontro reuniu cerca de uma dezena de pessoas no Spacy Bar

Ativista e deputada do Bloco de Esquerda recordou o caminho percorrido e traçou as linhas estratégicas do futuro nas Caldas, na preparação do primeiro fórum LGBTQI+ que vai decorrer no Porto

“Eu venho de outra geração, quando nasci, em Portugal, era crime ser homosexual e foi assim até 1982, muito depois da revolução do 25 de abril”, salientou a ativista e deputada do Bloco de Esquerda, Fabíola Cardoso, que esteve nas Caldas na tarde do passado sábado.
As marcas da criminalização, da doença e da influência da Igreja, que condenava e perseguia a homossexualidade, ainda são hoje sentidos, fez notar a ativista que em 1996 fundou, em conjunto com outras mulheres, uma associação para combater o silêncio que existia relativamente à comunidade lésbica em Portugal.
A antiga dirigente sindical admitiu que tem chegado ao Bloco muita gente devido a esta causa e defendeu que o BE se distingue da restante esquerda, que apelidou de “castrada, que nega a diversidade”, porque durante largos anos a única luta que a restante esquerda travou foi a de classes, esquecendo a luta contra o racismo e pela comunidade LGBT, por exemplo. “Temos que atacar todas as formas de opressão”, afirmou.
Fabíola Cardoso disse que, nesta luta, o Bloco “foi essencial, não controlando o movimento, mas participando nele” e que o seu partido “nunca viu a causa LGBT como um adereço”.
A professora notou ainda que na Constituição portuguesa não está ainda incluída a identidade de género, estando “apenas” a orientação sexual. “Mas já está na proposta do Bloco para a próxima revisão constitucional”. Ainda assim, e elogiando a legislação existente em Portugal, a antiga dirigente sindical defendeu que “não basta mudar as leis, é preciso mudar a sociedade”.
A importância das marchas que se estabeleceram em Portugal e que, ano após ano, crescem, também foi notada na sessão, que decorreu no Spacy Bar, com cerca de uma dezena de participantes. A primeira marcha em Portugal aconteceu em 2000, em Lisboa. Mais de duas décadas depois, há mais de 20 marchas pelo país, várias fora dos grandes centros urbanos e cosmopolitas, incluindo uma nas Caldas, que no último ano contou com cerca de três centenas de participantes.
Patente na partilha de testemunhos que decorreu durante a sessão ficou ainda o desconhecimento que existe na sociedade relativamente aos temas LGBTQI+ e como seria fácil, em certos casos, resolver os problemas que os membros desta comunidade enfrentam no seu quotidiano.
Primeiro fórum no Porto
A vinda de Fabíola Cardoso à cidade termal decorreu no âmbito de um encontro de preparação do primeiro fórum LGBTQI+, que vai decorrer nos dias 11 e 12 de fevereiro, no Porto, e que será aberto a todos os interessados.
A logística do evento está atualmente a ser preparada, assim como a programação. Está prevista a existência de painéis de discussão sobre diversos assuntos, mas também a realização de workshops, exposições e outras atividades culturais, um mercado e também um momento de festa. O apoio ao transporte, às refeições e às dormidas está a ser preparado. ■