Geoparque Oeste celebrou chancela da Unesco nas Caldas

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Cada autarca recebeu “uma parte” do território do Geoparque Oeste

A distinção atribuída ao território do Geoparque Oeste foi celebrada, a 11 de março, no CCC. Na cerimónia foram reconhecidos todos os que contribuíram para o sucesso do processo e evidenciado o trabalho em rede para a sua obtenção

“Este geoparque [do Oeste] congrega aquilo que temos de melhor no nosso país”, considera o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado. O governante recordou os 10 ativos estratégicos do turismo para os encontrar todos na região, dando nota do seu potencial. Realçou também a dinâmica dos municípios em trabalhar em rede, enfatizando que “o Oeste é mais forte com os seus 12 municípios e o geoparque será mais forte à medida que for consagrando e assimilando novos municípios para este grande projeto”.
Para além disso, é preciso acrescentar a componente privada, criando valor e saber “vender” a região, sobretudo, do ponto de vista internacional. “Hoje somos um país bem percepcionado do ponto de vista internacional, mas associados a um país cujo valor é baixo”, disse, defendendo que este precisa de mostrar a sua relevância, afirmando-se na sua singularidade. Para Pedro Machado o Geoparque Oeste pode ser um contributo para esse acrescentar de valor, sobretudo ao nível da história.
Pelas contas do antigo presidente do Turismo do Centro, só esta região possui 14 selos Unesco, entre património material classificado, cidades criativas, geoparques e a chancela da Biosfera (Berlenga), o que faz dela um “destino extraordinário” para a rede global da Unesco.

Identidade Oestina
O Geoparque do Oeste é reconhecido, desde 27 de março, como geoparque mundial da Unesco. Um facto que “há uns anos para uns impossível de alcançar e para outros muito difícil de atingir, mas que hoje é uma realidade, só possível porque as autarquias, os técnicos e uma equipa muito dedicada, acreditaram desde o início”, lembrou João Serra, presidente da Associação Geoparque Oeste (AGEO). O também vereador da Câmara da Lourinhã deixou um agradecimento a todos quantos contribuíram para o sucesso da candidatura e manifestou a sua alegria por registar que a maioria se encontrava presente para celebrar este património natural e cultural.
João Serra considera que a chancela Unesco veio reconhecer a “garra, vontade e espírito” do território e acredita que, no futuro, o Geoparque Oeste continuará a crescer e a desenvolver o seu projeto de geoconservação, geoeducação e geoturismo no Oeste. E deverá fazê-lo em “parceria com os principais atores locais e regionais, mas sem nunca esquecer as comunidades locais, o seu património natural e a cola que nos une a todos, esta identidade oestina”, concretizou.
Para o anfitrião da cerimónia, o presidente da Câmara das Caldas, Vítor Marques, a integração na rede portuguesa de geoparques mundiais da Unesco é um “marco importantíssimo” na estratégia do desenvolvimento regional do Oeste mas também das Caldas, que está ligada desde a sua génese aos recursos geológicos. Desde logo, pelas suas águas termais com propriedades medicinais, que originaram a edificação do “mais antigo hospital termal do mundo”, mas também pelo aproveitamento da argila para a indústria cerâmica.
“O desafio que assumimos ao integrar o Geoparque Oeste é o de garantir a valorização destes locais e paisagens de importância geológica internacional, honrando o quanto foram determinantes para todos e comprometemo-nos a geri-los juntos numa perspetiva integrada de proteção, educação e desenvolvimento sustentável”, referiu Vítor Marques. O autarca mencionou ainda que a chancela reflete a “sintonia, partilha e cooperação intermunicipal que desde o início norteou os líderes políticos envolvidos neste projeto, demonstrando que juntos vamos mais longe”.

Um processo iniciado em 2017
Em 2017 os municípios do Bombarral, Lourinhã, Peniche, Óbidos e Torres Vedras assinaram um memorando de entendimento comunicando à Comissão Nacional da Unesco as suas pretensões relativamente a uma futura candidatura. Em 2018 foi criada a Associação Geoparque Oeste (AGEO) e em 2022 foi submetida a candidatura à rede global de Geoparques Unesco. No verão de 2023 o território foi visitado por uma equipa de peritos da Unesco e, em setembro, desse ano o conselho executivo, que coordena a rede global de geoparques, aprovou a candidatura do Geoparque Oeste a Geoparque Mundial da Unesco. Em março deste ano o conselho executivo da Unesco validou esta decisão. O coordenador do Geoparque Oeste, Miguel Reis Silva, destacou a “coragem, visão e audácia” dos autarcas, por “quererem e acreditarem que é possível trabalhar em conjunto em prol do desenvolvimento sustentável de uma região, colocando para segundo plano os interesses políticos e locais, mas sem nunca esquecer a identidade dos seus territórios”. A cada um deles foi entregue “uma parte” do Geoparque Oeste, para que todos os dias sintam que “integram algo excepcional e que só em conjunto conseguirão elevar este território no seu todo”, concretizou o responsável que, no final, foi também distinguido com uma peça da Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro.
Na cerimónia foram reconhecidas as entidades parceiras (entre elas a Gazeta das Caldas) e distinguidas diversas personalidades e entidades. Foi ainda apresentado o novo logótipo Geoparque Oeste e lançado o vídeo promocional.
Os Rufinhos – Oficina de Percussão e Movimento Torres Vedras, foram os primeiros a animar a noite, que contou ainda com a atuação do Rancho de Geraldes e do Coro Municipal da Lourinhã com o Grupo de Cantares dos Bons Reis Magos, do Cadaval. ■