Duas centenas de peregrinos da Palestina visitaram Óbidos após JMJ

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O grupo de cerca de 200 palestinianos realizou uma visita guiada às Igrejas de São Pedro e de Santa Maria com um diácono

Vieram da terra onde o Cristianismo nasceu para participar no maior encontro de jovens cristãos

“Somos cerca de 200 palestinos que viemos para a JMJ, mas trouxemos umas 300 bandeiras do nosso país. Lá, não podemos transportá-la, a bandeira da nossa terra santa, nem anunciar a nossa cultura de forma muito segura, por causa da ocupação [israelita]. Mas aqui somos livres, por isso, cada um de nós transportou mais do que uma bandeira, grande ou pequena, enquanto gritava ‘From the river to the sea, Palestine must be free’ [desde o rio até ao mar, a Palestina há que libertar]”, contou Rafi Ghattas, de 26 anos, coordenador da Juventude Cristã na Palestina e no Médio Oriente, à margem da visita a Óbidos, no dia 7 de agosto, guiada pelo diácono Raúl Penha às Igrejas de São Pedro e Santa Maria, e integrada no périplo por Portugal que incluiu estadia em Braga, até onde o grupo rumou naquele mesmo dia, visita ao Porto e uma peregrinação a Santiago de Compostela, e que culminou em Fátima, a 13 de agosto. A visita guiada foi possibilitada pela intermediação de Mariana Julião, residente no Nadadouro, Caldas da Rainha, que já conhecia o grupo, bem como o almoço que se lhe seguiu, no restaurante Paraíso do Coto.

O grupo de jovens natural de toda a área da Palestina, que foi acompanhado por cinco padres e duas freiras, participou na XXXIII Jornada Mundial da Juventude, tendo ficado alojado na Ameixoeira, Lisboa, com famílias de acolhimento e na escola local. “Os peregrinos são de Jerusalém, Cisjordânia e Galileia. Infelizmente, os dois peregrinos da Faixa de Gaza que se tinham inscrito não puderam sair devido ao bloqueio dos israelitas”, explicou.
Rafi Ghattas afirmou que foram “muito bem acolhidos”, tendo ainda sido recebidos e reconhecidos entusiasticamente pelos peregrinos dos diversos países, que exclamavam: “Vocês vêm da Palestina, a sério?! Ainda lá estão! Nós conhecemos as vossas lutas, vemos nos telejornais, e queremos dizer que estamos convosco!”, contou Rafi. A seguir, alguns pediam se podiam beijar ou mesmo ficar com bandeiras, por os considerarem “pedras vivas da terra onde a crucificação aconteceu” , e o jovem distribuiu ainda terços abençoados na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.
“Hoje em dia, estamos a carregar esta cruz pesada, da ocupação, dos cristãos serem apenas cerca de 1% da população da Palestina. Mas temos fé e o sonho que se irá realizar, que esta cruz nos conduza, um dia, à Salvação. Assim, quando oferecemos um terço às pessoas, elas lembrar-se-ão de nós nas suas orações, e que, na terra do Evangelho, ainda existem cristãos”, continuou.
Rafi conta que a experiência na JMJ foi “muito especial” por terem conhecido “outros peregrinos de todo o mundo, e especialmente juventude cristã dos países árabes, porque a nossa situação política impede-nos de ir ter com eles e vice-versa, por isso, para nós, um momento muito importante foi quando orámos a uma só voz e quando nos levantámos todos juntos no momento do Rise Up durante a Vigília”, a que Rafi pôde assistir, devido a ter sido selecionado, juntamente com outros quatro compatriotas, nas cadeiras colocadas defronte do altar-palco.
Para além disso, o jovem que, aos 21 anos, foi eleito secretário-geral para a Juventude Cristã na Palestina – o mais novo de sempre -, participou numa atividade incluída no Festival da Juventude, que teve lugar na Basílica dos Mártires, durante a qual partilhou o seu testemunho enquanto cristão numa zona onde a sua comunidade é uma minoria.
“Esta experiência encorajou-nos a continuar a nossa missão e a não ter medo de permanecer na nossa terra, dando testemunho de retidão e do Evangelho para o mundo inteiro”, confessou o jovem, que é também jornalista e guia turístico para peregrinos de visita à Terra Santa.
Após a JMJ, o grupo decidiu permanecer ainda no país para o conhecer, destacando a vontade de visitar Fátima. “Há quatro anos, quando anunciaram, no Panamá, que a próxima jornada seria em Portugal, ficámos muito felizes, porque partilhamos alguns aspetos culturais. E queríamos muito conhecer Fátima, pois todos conhecemos a história, e nas nossas igrejas e casas temos imagens de Nossa Senhora de Fátima”, concluiu Rafi Ghattas. ■