Industriais da cutelaria de Santa Catarina e Benedita juntam-se para ganhar escala no mercado externo

0
2303
Cutelarias Santa Catarina e Benedita
O evento juntou representantes das oito empresas, autarcas de Alcobaça e Caldas e responsáveis da AIRO e do IAPMEI. - Joel Ribeiro

Oito empresas da indústria da cutelaria de Santa Catarina e Benedita assinaram no passado dia 3 de Maio o acordo de associação à marca “Cutelarias de Santa Catarina e Benedita”. A nova denominação pretende fortalecer no mercado externo este que é um dos cinco maiores clusters da cutelaria europeia e também proteger a indústria local de falsificações. A cutelaria emprega nas duas freguesias mais de 1000 pessoas de forma directa, factura por ano acima dos 30 milhões de euros e exporta cerca de 85% da produção.

Oito empresas de cutelaria das freguesias de Santa Catarina, no concelho das Caldas da Rainha, e da Benedita, no concelho de Alcobaça, juntaram-se para formar a marca “Cutelarias de Santa Catarina e Benedita”. A principal mensagem deixada pelos oito empresários que assinaram o protocolo no passado dia 3 de Maio foi a de que o trabalho em associação era um desejo antigo, pelo que este passo agora dado será muito importante para o futuro do sector.
Manuel Serrazina, representante da beneditense Jero, realçou que este é um dos cinco maiores clusters na produção de cutelaria profissional, responsável pela produção de mais de 15 milhões de peças por ano. A região é apenas suplantada no velho continente por Soligen (Alemanha), Thiérry (França), Sheffield (Inglaterra) e Albacete (Espanha).
A criação desta marca vai permitir o reconhecimento “do know-how que existe nesta zona e a qualidade dos nossos produtos e das nossas marcas”, observou.
António Peralta, da Ivo Cutelarias (Santa Catarina), recordou que, ainda jovem, participou em reuniões de empresários que visavam a criação de uma associação que nunca chegou a existir, pelo que considera a criação da marca um passo fundamental para o futuro das empresas. “É a garantia que o nosso produto é feito na Benedita e Santa Catarina”, realçou, acrescentando que isto será importante para evitar falsificações.
Este foi também um ponto focado por Vasco Matias, da Curel, de Santa Catarina. O administrador desta empresa realçou o papel de Rui Rocha, presidente da Junta de Freguesia de Santa Catarina no pontapé de saída dado há oito anos no processo que culminou com o registo desta marca.
Além destas três empresas, assinaram naquele dia o protocolo as empresas Nicul, Socutel e Lombo do Ferreiro, de Santa Catarina, e as beneditenses Sicoeste e Icel. Ainda no mesmo dia juntaram-se ao projecto as empresas Ciol e Femar, ambas de Santa Catarina, embora já não a tempo de participarem naquele acto. No futuro, o objectivo é que mais empresas e artesãos possam integrar a marca.
Durante a sessão, que decorreu no Centro Paroquial de Santa Catarina, foi apresentada a denominação e a imagem da marca cujo processo de registo foi conduzido pela AIRO – Associação Empresarial da Região Oeste, tal como o concurso de design da imagem corporativa. Este concurso contou com a participação de 16 alunos da ESAD e teve como vencedora Inês Ferreira, que curiosamente também trabalha em cutelaria.
O protocolo incide nas condições de utilização da imagem da marca agora criada, na defesa das cutelarias e na criação de futuros eventos ligados a esta indústria.
O sector emprega na região mais de 1000 pessoas de forma directa e o sector contribui também para a economia local com fornecedores como empresas de moldes, embalagens e cortantes.
Esta indústria representa para a economia nacional cerca de 50 milhões de euros anuais, dos quais mais de 30 milhões têm origem nas freguesias de Santa Catarina e Benedita. As exportações representam cerca de 85% do volume de negócios das empresas desta região.

UM PASSO A SEGUIR NOUTRAS ÁREAS

Rui Rocha, presidente da Junta de Freguesia de Santa Catarina, iniciou a sessão de apresentação da “Cutelarias de Santa Catarina e Benedita” manifestando que se trata de um marco para as freguesias e para a indústria “porque juntos somos mais fortes”.
O autarca realçou que a cutelaria é um dos maiores símbolos da cultura, do passado, do presente “e certamente também do futuro” da sua freguesia, realçando que estas empresas são criadoras de emprego e riqueza.
Rui Rocha aproveitou para dizer que este acto poderá ser igualmente um passo importante na salvaguarda dos interesses comuns das duas freguesias que pode ser replicado noutras áreas, “como a saúde e a educação”. E não perdeu ainda a oportunidade para relembrar os autarcas de Caldas da Rainha e Alcobaça da necessidade de uma melhor ligação rodoviária entre Santa Catarina e a Benedita e também de uma ligação “rápida” entre o IC2 e a A8.
Tinta Ferreira, presidente da Câmara das Caldas, disse que fica agora a faltar a concretização de uma associação que congregue as várias empresas deste cluster, que será um “parceiro importante para a afirmação da actividade” em aspectos como a valorização das marcas, ou a sua promoção. O edil lembrou que estas empresas empregam já muita gente, mas quando precisam de recrutar já têm dificuldade em encontrar mão de obra especializada, pelo que é preciso “atrair trabalhadores de outras zonas do país”.
Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça, realçou o nível de maturidade das empresas, que que apesar de concorrentes viram mais vantagens no trabalho conjunto e incentivou os empresários para a partilha de know-how entre os diferentes sectores da economia.

Logótipo da Marca
O logótipo da marca é baseado no corte e união das extremidades de uma faca: o cabo e a lâmina – Joel Ribeiro