Jorge Mangorrinha preside às comemorações do centenário do Turismo em Portugal

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Jorge Mangorrinha diz que o futuro do turismo passa “por um maior respeito pela morfologia do território e para figurinos diferentes relativamente aos habituais resorts”

O caldense Jorge Mangorrinha preside à Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal, entidade que pretende celebrar os 100 anos da institucionalização deste sector no país.
De 12 a 19 de Maio de 1911 teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa um congresso internacional cujas conclusões sublinhavam a necessidade da criação em Portugal de um organismo oficial de turismo.
No encerramento desse Congresso, a 16 de Maio, o governo provisório da República decretou a criação de um Conselho de Turismo, coadjuvado por uma Repartição de Turismo no Ministério do Fomento.

Actualmente a comissão presidida por Jorge Mangorrinha está a organizar o congresso do centenário, que se iniciará no mesmo local e na mesma data do encontro de 1911.
Em 2008, no âmbito do Centro de Estudos do Turismo, Jorge Mangorrinha tinha proposto celebrar esta efeméride, ideia que foi bem acolhida por várias entidades.
“Esta celebração partiu da comunidade científica, bem como de empresas ligadas ao sector e de entidades políticas e culturais de todo o país”, explicou à Gazeta das Caldas o investigador.
A comissão tem o alto patrocínio do Presidente da República, que preside à comissão de honra, e o apoio do Turismo de Portugal, para além da adesão de meia centena de entidades públicas e privadas.
Desde Fevereiro, durante a realização da Bolsa de Turismo de Lisboa, está disponível na Internet o sítio das comemorações (www.centenariodotur ismo.org) e uma página no Facebook.
Para o ex-vereador na Câmara das Caldas, o facto  de ter sido nomeado para presidir esta comissão é “uma honra” e partiu da iniciativa das entidades que fazem parte da organização. “É uma nomeação que parte das bases e logo reconhecida pelas entidades governativas”, referiu.
Doutorado em Urbanismo pela Universidade Técnica de Lisboa, Jorge Mangorrinha é professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, técnico superior da Câmara Municipal de Lisboa e consultor em ordenamento do território turístico. Foi gestor técnico na Parque Expo’98, vereador do planeamento urbanístico, património e termalismo nas Caldas da Rainha e coordenador científico do rastreio e levantamento dos conjuntos termais portugueses para o Ministério da Cultura.

Celebrações divididas em vários eixos

Para além do congresso do centenário, há actividades a realizar em todo o país, com conferências, seminários e workshops, mas também exposições e edições de livros.
“Queremos dar a possibilidade às parcerias locais e polinuclear acções, até porque estas incentivam a viagem pelo país junto de quem queira assistir ao programa deste centenário”, salientou Jorge Mangorrinha.
Para o Eixo Escolas estão a ser preparadas iniciativas com os estabelecimentos de ensino básico e secundário. No Eixo Visitar Portugal serão organizadas visitas com diferentes entidades e no Eixo Músicas do Centenário  estão a ser programados concertos.
“Dado o momento de crise económica que se vive, a sua programação é realista, mas clara na mensagem e abrangente no envolvimento colectivo”, comentou o responsável.
Em Maio será protocolocada a criação de uma Rede Portuguesa de Centros de Investigação em Turismo.
“Este é um momento importante para celebrarmos um centenário de um sector tão importante para Portugal, com desafios precisos. O turismo português, confrontado com a crise económica e as novas tendências de procura, tem de se reinventar no quadro de um novo paradigma”, considera Jorge Mangorrinha.
O arquitecto dá o exemplo do território e da arquitectura, que “devem ser tratados como um valor de mercado, pelo que devemos caminhar para o maior respeito pela morfologia do território e para figurinos diferentes relativamente aos habituais resorts”.
Por outro lado, defende que as populações residentes deverão estar sensibilizadas para as oportunidades de emprego do turismo e para a sua capacidade de acolhimento e de socialização.

 

Comemorações passam pelas Caldas

Uma das primeiras acções do eixo Rede de Conhecimento das comemorações terão lugar amanhã, 19 de Março, no Casal da Eira Branca, nos Infantes (Salir de Matos).
A partir das 15h00, Jorge Mangorrinha vai abordar o tema “O Agro Turismo como Pólo de Desenvolvimento Local”, às 15h30 Tomás Vasques irá abordar o tema “A importância do Turismo Rural no contexto nacional”, pelas 16h00 será projectado um filme sobre a cerâmica das Caldas da Rainha e às 16h55, o mestre Herculano Elias dará uma palestra sobre “A Cerâmica de Outrora”.
Às 17h00 será inaugurada a exposição de cerâmica contemporânea de autor “À Volta da Eira” com peças de Carlos Enxuto, Carmina Anastácio, Mário Reis e de Martim Santa Rita.
Ao final da tarde será servido pelos alunos do curso de Turismo da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, um buffet preparado pelo restaurante Pachá. “Creio que é um bom exemplo da capacidade de interagir”, referiu Jorge Mangorrinha.
Em relação às Caldas, Jorge Mangorrinha já reuniu com o seu ex-colega na Câmara, Hugo Oliveira (que tem o pelouro do turismo), “a quem lancei algumas pistas de actuação, com a chancela do centenário, pelo que espero mais notícias”.
No entanto, sublinha que há espaço para iniciativas de âmbito inter-concelhio, até pela natureza transversal da actividade turística. “Vamos ver se estes agentes locais e regionais assim o entendem. Noutros pontos do país assim acontece”, disse.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Seria muito bom para a regiao das Caldas da Rainha que a gazeta das Caldas publicasse opinioes dos leitores; penso que o jornal adquiriria outra credibilidade, outra seriedade e outro idealismo mais puro e perto das geraçoes anti-rasca.
    Muito obrigado.