Jovens das Gaeiras e parceiros europeus criam ferramentas de comunicação para unir gerações

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Os representantes dos cinco países estiveram reunidos nas Gaeiras

Unir gerações através da comunicação é o objectivo do projecto Communities Communication (Comm.Comm), liderado pelo grupo Jovens Voluntários das Gaeiras e que junta associações da Grécia, Estónia, Roménia e Espanha.
Durante 24 meses de trabalho foram criadas várias ferramentas, como uma aplicação informática, um jogo de cartas, um inquérito sobre redes sociais e um manual de boas práticas nestes cinco países, que poderá agora ser utilizado pela comunidade.
O evento final deste projecto decorreu nas Gaeiras, no passado dia 26 de Julho, e contou com a participação de jovens e idosos que interagiram em jogos, na confecção de pão, ou ainda na pintura de um mural na sede do JVG, que perpetua, através da arte, a comunicação intergeracional.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt

Uma aplicação móvel que tem por intuito juntar as pessoas em discussões sobre o património imaterial da sua comunidade – no fundo como se se tratasse de uma conversa de café mas realizada numa comunidade digital – é uma das ferramentas criadas pelo projecto Comm.Comm
Foi também inventado um jogo de cartas que permite aos jovens criar actividades e desenvolvê-las na sua comunidade. Coisas simples como apanhar o lixo ou visitar um museu, são algumas das propostas, assim como a aproximação dos jovens ao poder local, com o desafio de tirarem uma selfie com o presidente da junta.
Há um afastamento que é prejudicial porque quando precisam de alguma coisa, os jovens também não sabem onde devem de a ir pedir”, diz o coordenador do projecto, Cláudio Rodrigues, acrescentando que é necessário esse contacto para que se criem novas iniciativas, indo de encontro às necessidades dos jovens. O jogo permite ainda a criação de cartas que apontem para pessoas específicas da comunidade cujos saberes tradicionais sejam importante preservar.
Este baralho vai fazer com que os miúdos encontrem as pessoas com conhecimento que não deve ser perdido e que absorvam as suas histórias”, conta Cláudio Rodrigues, acrescentando que o momento é registado com uma foto, que depois se traduzirá em pontos do jogo. Poderá haver, ou não, prémios consoante a associação ou entidade que dinamiza o jogo assim o entender.
Também no âmbito deste projecto, foi feito um inquérito a mais de 800 pessoas nos vários países, sobre a utilização das redes sociais. Ficaram a saber, por exemplo, que os jovens valorizam menos as redes sociais como método de comunicação do que os adultos e que quem têm menos de 16 anos já não utiliza o Facebook. Perceberam ainda que os jovens estão muito disponíveis para o “detox digital”, ou seja, deixarem de lado o mundo digital, procurando mais jogos físicos, como os de tabuleiro.
Os resultados obtidos no inquérito serão disponibilizados no futuro, a todos os interessados, para análise dos dados, ou outras utilizações académicas.
Foi ainda criado um manual com ferramentas e boas práticas dos cinco países envolvidos no projecto.

Idosos aprender a utilizar emojis

No complexo do Alvito, por exemplo, as crianças escreveram cartas para os utentes do centro de dia das Gaeiras a fim de perceberem que esta forma de comunicação, que é a que os mais idosos utilizaram, não é tão rápida quanto o envio de uma mensagem por telemóvel. “É preciso entender esse tempo que é necessário para também perceber como pensar mais e melhor”, defende o coordenador do projecto.
Por outro lado, os frequentadores do centro de dia foram à escola aprender com os mais novos como são utilizados os emoji (símbolos utilizados para representar expressões em mensagens digitais).
Este projecto é muito intergeracional. Se queremos fortalecer uma comunidade e criar laços de comunicação, é importante envolver todas as gerações”, explicou Cláudio Rodrigues à Gazeta das Caldas. Com um financiamento comunitário de 80 mil euros, no âmbito do programa Erasmus +, o Comm.Comm foi o primeiro grande projecto internacional da associação de jovens das Gaeiras.
Cláudio Rodrigues destaca a sua importância com o facto de ser a partir das bases que deve fortalecer uma comunidade. “É como criar várias aldeias dentro de uma cidade e, ao fazê-lo, criamos um poderio muito maior de desenvolvimento interpessoal e intercomunitário”, conclui.