Livro sobre património reúne apontamentos sobre a Benedita

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Lançamento decorreu na sede da Terra Mágica das Lendas na tarde de sábado

O lançamento da publicação com breves apontamentos sobre a Quinta da Serra juntou dezenas de pessoas na Terra Mágica das Lendas, na Benedita

O lançamento do livro com os apontamentos reunidos pelo grupo de trabalho S.O.S. Património Benedita sobre a Quinta da Serra reuniu, na tarde de sábado, 29 de janeiro, dezenas de pessoas na sede da cooperativa Terra Mágica das Lendas, que se tornou pequena para tantos interessados.
O evento pretendia chamar a atenção da população para o projeto da Área de Localização Empresarial da Benedita (ALEB) e para a existência do património da Quinta da Serra. “Que história vamos mostrar da nossa identidade?”, questionou Lúcia Serralheiro, da Direção da cooperativa, frisando que não estão contra a construção da ALEB, mas a favor de uma solução que conjugue “o passado com o presente, para alimentar o futuro”, até porque dentro de dez anos celebram-se os cinco séculos de existência da Benedita.
O beneditense Fernando Maurício, um interessado pela história local e que doou à associação 34 dossiês com informações que foi recolhendo sobre temas interessantes sobre a Benedita, contou que, em 1972, fotografou a Quinta da Serra, quando esta ainda não estava destruída.
“Doze anos depois, quando lá voltei, fiquei destroçado com a destruição do património para colocação de um eucaliptal”, disse. Já nos anos 1990 foi destruída a capela barroca que ali existia e que remontaria ao século XVIII.
Naquela sessão, a geóloga Sandra Lourenço Amaro, também ela beneditense, focou a atenção no parecer da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) sobre a Quinta da Serra e a construção da ALEB. A DGPC que recomendou à autarquia que procedesse à classificação de parte do património com o desígnio de interesse municipal e que considerasse construir um espaço de memória, onde fosse possível guardar alguns elementos históricos.
“Esperamos que este livro seja o pontapé de saída para o interesse da comunidade”, afirmou a geóloga.
Um dos grandes momentos da sessão foi quando Teresa Maria, natural do Bairro da Figueira, cantou uma cantiga popular que decorou ao ouvir, em criança, a sua mãe a cantar. A cantiga contava a história de dois filhos dos caseiros da Quinta da Serra que haviam sido mandados para a prisão em Angola depois de, numa rixa, terem morto um homem.
O livro foi editado pela Terra Mágica das Lendas. ■