Mais de 50 pessoas pela liberdade da Palestina

0
538
Depois de verem um filme na Casa dos Barcos, os participantes seguiram para a vigília na Praça da Fruta

Iniciativa que se realizou no sábado partiu de Filipa Silva depois de este ano ter feito uma visita à Palestina

Mais de meia centena de pessoas juntou-se nas Caldas na tarde de  sábado para uma conversa e uma vigília por uma Palestina livre. O evento começou na Casa dos Barcos com a projeção do filme “5 broken cameras”, realizado por um palestino e um israelita e que retrata a luta da população de Bil’in contra a ocupação e construção de um muro nas suas terras, resistindo pacificamente às ações violentas do exército israelita.
Depois da projeção houve uma emocionada conversa em que se destacou a falta de capacidade para resolver o problema. Seguiu-se uma vigília na Praça da Fruta, com velas, cartazes, cravos e partilha de experiências e emoções.
A ideia do evento partiu de Filipa Silva, caldense que este ano visitou a Palestina, de onde é uma das suas melhores amigas. “Tive que apagar tudo do telemóvel e quando cheguei ao aeroporto não podia dizer que ia ter com uma pessoa da Palestina”, conta. A sua amiga nasceu em Jerusalém, pelo que consegue circular livremente, “mas conheci muitas pessoas que não podem ir a Jerusalém, não podem passar além do que é a muralha de 700 quilómetros que envolve a Cisjordânia”.
No dia 25 de abril, dia tão simbólico em Portugal, Filipa estava em Bil’in, nesse símbolo da resistência palestina.A viagem decorreu de 24 de abril a 9 de maio e quando chegou vinha com vontade de fazer algo para parar as atrocidades. Contactou movimentos internacionais, participou em manifestações em Lisboa e depois pensou: “porque não fazer na minha cidade?”. A CoopCASA, a Casa da Mãe Joana e o Cineclube das Caldas juntaram-se e assim nasceu o evento.
Durante a conversa e a vigília houve quem também partilhasse momentos de viagens à Palestina com relatos aterradores, como um almoço num campo de refugiados, com snipers a apontar para as pessoas enquanto comiam, algo encarado com naturalidade lá.
Filipa Silva alerta que “os interesses económicos e políticos não podem continuar a sobrepor-se à vida humana” e pediu ação: “nós temos uma voz!”, exclamou, salientando a importância de votar. “O movimento Palestina em Português quer levar à Assembleia da República uma petição que insta o governo português a apoiar a queixa da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça contra Israel”, informou. Mas “a ação pode começar aqui mesmo, na Praça da Fruta, onde se vendem tâmaras vindas de territórios ocupados”. ■