Montepio avança para novo Hospital em parceria com Grupo Luz Saúde

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Protocolo entre associação mutualista e grupo privado está fechado, faltando, apenas, selar o entendimento com a assinatura

Entidades estabelecem protocolo de relacionamento, que não será apresentado aos sócios para ser votado. Presidente da associação mutualista diz que acordo está dentro da esfera da administração

O Montepio – Rainha D. Leonor estabeleceu um princípio de acordo com o Grupo Luz Saúde para proceder à instalação do novo hospital da instituição no antigo edifício da EDP. A confirmação do entendimento surgiu por intermédio de Francisco Rita no podcast “Céu de Vidro”, na passada segunda-feira. No dia seguinte, o presidente do Conselho de Administração da associação mutualista explicou à Gazeta das Caldas que “só falta assinar” o protocolo e que o mesmo “não precisa” de ser sufragado pela assembleia geral.
“Consideramos que esta medida está dentro do âmbito das funções da administração, pelo que a apresentaremos aos associados numa futura assembleia”, explicou o dirigente.
Francisco Rita sublinhou que o entendimento entre o Montepio e o Grupo Luz Saúde tem “várias vertentes”, desde logo no apoio clínico que o grupo privado poderá conceder, “nomeadamente no desenvolvimento de ações no sentido da contratação de médicos”.
Uma das mais-valias do protocolo, na leitura do presidente do Conselho de Administração, passa pela capacidade que o Luz Saúde terá na formação dos profissionais de saúde do Montepio. Os médicos, enfermeiros e outro pessoal “poderão recorrer, em condições vantajosas”, ao Hospital da Luz Learning Health, estrutura que se dedica à formação profissional, investigação e inovação na área da saúde.
“Dado já termos criado a carreira de enfermagem dentro da instituição, os nossos profissionais podem complementar essa formação”, nota o médico, que assumiu a liderança do Montepio em maio do ano passado, sucedendo no cargo a João Marques Pereira, num ato eleitoral muito concorrido.
O protocolo com o Grupo Luz Saúde representa, ainda, para a associação mutualista a possibilidade de obter “poupanças de escala” ao nível dos custos na aquisição de equipamento médico. “Temos abertura por parte do nosso parceiro para recorrermos ao centro de compras, o que nos permitirá adquirir material em condições muito mais vantajosas do que temos hoje em dia”, nota.
Neste momento, e ainda antes da oficialização da parceria, as entidades estão a definir os interlocutores na ligação entre as partes. “Da nossa parte, já criámos uma equipa que fará essa ligação e falta indicar a equipa da Luz para termos um canal aberto de comunicação”, salienta Francisco Rita, esclarecendo que os associados e utentes do Montepio terão acesso à marcação de exames complementares de diagnóstico e aos respetivos resultados de “forma direta”, o que permitirá “evitar deslocações desnecessárias dos utentes”, bem como aos serviços de Ginecologia e Obstetrícia, nomeadamente ao bloco de partos do Hospital da Luz.

Hospital em desenho
A construção do novo Hospital é um desígnio assumido pela instituição há décadas e suscitou celeuma nas últimas eleições, com a lista de João Marques Pereira a revelar o entendimento com o grupo Sanfil para avançar com uma obra avaliada em 6 milhões de euros e a lista de Francisco Rita a reservar para o Montepio a gestão do futuro equipamento em consonância com o parceiro privado.
A solução com o Grupo Luz Saúde passa pela construção de um edifício adjacente ao prédio da antiga EDP, que concentrará a área clínica, mas ainda “é prematuro” falar em números. “Ainda não temos os custos avaliados. Já fizemos o layout, sabemos as áreas que vamos ocupar, mas não temos valores definidos”, explica Francisco Rita, que já tinha revelado à Gazeta que o projeto será alvo de uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “Estamos a desenvolver todos os esforços para que o projeto esteja em condições de ser apresentado na Câmara o mais rapidamente possível, para que a Câmara se pronuncie e possamos fazer a candidatura, assim que abram os avisos para a área social”, frisou o dirigente.

Instituição procura garantir equilíbrio financeiro

Investimentos em curso permitem aumentar receitas e melhorar resultados. Expetativa é sair do vermelho este ano

O Conselho de Administração de Montepio acredita que o conjunto de medidas internas implementadas nos últimos dez meses permitirão à instituição garantir o equilíbrio financeiro a curto prazo, depois de um prejuízo de meio milhão de euros registado em 2020.
“Estamos a lutar para que a situação financeira melhore e contamos, a breve prazo, ter resultdos operacionais positivos”, salienta Francisco Rita, que considera que as contas de 2021 já deverão evidenciar uma melhoria e que em 2022 será possível sair do vermelho. O dirigente, recorde-se, optou por não receber o vencimento pelas funções que desempenha desde maio de 2021 enquanto a entidade não apresentasse resultados positivos, sendo essa uma promessa da campanha eleitoral.

Aposta nos serviços
O médico sublinha que o Montepio tem “vindo a apostar em novas consultas”, evidencia “uma nova dinâmica”, o que permite “melhorar a qualidade dos serviços, aumentando as receitas e baixando custos”. Francisco Rita valoriza, ainda, o empenho dos funcionários, que têm sido “excecionais, com todos os sacrifícios que têm passado”.
Um exemplo da “capacidade” que o Montepio tem revelado em adaptar a oferta às necessidades do mercado é o centro de testes covid-19 drive thru, instalado no espaço de estacionamento do edifício da antiga EDP. Aquela parceria com a Lumilabo deu “um grande apoio às pessoas de toda a região”, frisa o dirigente, revelando que, em mês e meio, aquele equipamento realizou cerca de 6 mil testes.
Entretanto, as obras de remodelação do Centro de Apoio aos Idosos Dr. Ernesto Moreira já terminaram, faltando apenas acabamentos exteriores, que “em nada interferem com o bem-estar” dos utentes, que, assume o presidente da associação mutualista, foram “muito prejudicados” pela demora na conclusão da empreitada.
Por resolver está, ainda, a questão do Condomínio Residencial, tudo indicando que será agendada uma assembleia geral de condóminos, em meados de março, por forma a começar a cobrar a quota de condomínio aos proprietários dos apartamentos.
Também durante o próximo mês de março, os associados do Montepio – Rainha D. Leonor serão chamados a pronunciar-se sobre as contas de 2021 e o orçamento e plano de ação para 2022.