Movimento Cívico lança petição a exigir uma draga permanente na Lagoa

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O movimento diz que os trabalhos não deveriam iniciar-se pela zona das praias, mas sim pelos braços da lagoa

Um movimento cívico está a dinamizar uma petição onde é exigida a dragagem permanente da Lagoa de Óbidos. Os preponentes querem também que o Ministério do Ambiente garanta a execução de um plano de recuperação dos dragados, em conjunto com as autarquias das Caldas e Óbidos, passando pela criação de uma estação de recuperação dos inertes e, posteriormente, a sua venda.
O grupo diz ainda que a dragagem que está a ser realizada, e que deverá estar concluída em Março, não resolve os problemas de poluição e assoreamento daquele ecossistema.

A petição “Pela salvaguarda da Lagoa de Óbidos” conta actualmente com a participação de 1363 pessoas e quer alcançar as 4000 assinaturas para ser entregue na Assembleia da República.
A apresentação pública do documento foi feita no passado dia 8 de Fevereiro por quatro dos 49 promotores, que defenderam que só uma acção “segura, contínua e abrangente” poderá mudar o rumo da Lagoa de Óbidos, um ecossistema “frágil com tendência natural para o desaparecimento”.

A petição foi apresentada num restaurante do Nadadouro por quatro dos seus promotores

Os promotores querem na lagoa uma draga em permanência, que seria sustentada pelos dragados retirados e depois vendidos. Ao Ministério do Ambiente caberá a responsabilidade de assegurar o equipamento, assim como a garantia de execução de um plano de recuperação dos inertes retirados do interior da Lagoa, em colaboração com os municípios das Caldas da Rainha e Óbidos. Deveria ser criada uma estação de recuperação dos dragados e a sua venda seria “controlada e fiscalizada” pelas autarquias, defendeu João Penedos, um dos promotores da petição.
Este responsável considera também que a intervenção que está a ser feita na zona da aberta – que prevê a remoção de 350 mil metros cúbicos de areia do seu interior para reforçar as dunas nas margens – não é a melhor solução para os problemas da lagoa, que são adiados “sine die”. “Concordamos que era necessária uma intervenção naquela zona, mas defendemos que ela devia começar com a limpeza dos rios, Braços da Barrosa e do Bom Sucesso e daí para jusante”, disse.
Também Graciete Morgado, do mesmo movimento cívico, considera que estar a tratar a lagoa na zona da aberta é o equivalente a “fazer uma casa pelo telhado”, uma vez que não há intervenção na parte mais poluída, que é a dos braços. “Estamos muito preocupados com a zona que o turista vê, mas não estamos preocupados com o que não se vê”, adverte.
Graciete Morgado destaca ainda que a remoção das areias do interior do corpo da lagoa para as margens não é a melhor solução, uma vez que estas “não estão fixas” e quando vierem as marés vivas essas areias regressam para dentro de água. A técnica de gestão ambiental defendeu também que o alargamento da praia da Foz do Arelho tem que ser acompanhado de infra-estruturas de saneamento básico.
Graciete Morgado lembra que a ideia de fazer a petição resultou de conversas existentes no facebook, onde várias pessoas começaram a trocar ideia sobre os problemas da Lagoa.
“Está a ser desassoreada, no entanto achamos que a intervenção é insuficiente e de curto prazo pois  vai acabar por voltar ao mesmo”, justifica. Entretanto decidiram apresentar-se publicamente pois querem que as “pessoas saibam que estamos a tentar fazer um trabalho sério e que quando nos encontrarem na rua nos identifiquem com o movimento”.
Seguem-se agora campanhas de ruas para recolher assinaturas, nomeadamente junto à Praça da Fruta, Lagoa e Bom Sucesso.
A petição está disponível através do link  http:/peticaopublica.com/?Pi=LAGOAOB

“Estão a matar o nosso pão” queixam-se os mariscadores

O mariscador Fernando Baltasar mostra o mexilhão que fica debaixo da areia que é depositada nas margens

Os mariscadores da Lagoa queixam-se que a intervenção que está a ser feita põe em risco o seu trabalho e que já lhes trouxe prejuízos.
“A área onde estavam habituados a tirar amêijoa e mexilhão está neste momento a ser soterrada e calcada com milhões de quilos de areia, na zona junto ao cais”, denuncia João Penedos, tornando pública a queixa de muitos dos que tiram o sustento daquele local.
Fernando Baltasar, mais conhecido por Fernando Loca, é um desses casos. Mariscador e pescador há 35 anos, diz que “estão a matar o nosso pão”, com a colocação de areia na zona do cais, no local onde antes apanhavam amêijoa, berbigão e mexilhão.
“Estou farto de correr empreiteiros para ver se encontro alguma coisa para fazer”, conta Fernando Loca que, sem outro meio de subsistência, nos últimos tempos tem recorrido ao apoio de amigos.
Também Rodrigo Gomes, pescador e mariscador desde 1997, está a deparar-se com dificuldades e tem que contar com a ajuda de familiares.
Diz sentir revolta ao ver a intervenção que está a ser feita e que põe em causa o seu sustento. “Vão matar o marisco com esta areia que estão a colocar nas margens pois deixa de ter oxigenação”, explica.
A esta situação junta-se a proibição, por parte do IPIMAR (Instituto das Pescas da Investigação e do Mar) – a entidade que regula a apanha de bivalves –  da captura de marisco, entre os meses de Janeiro e Maio.
Esta entidade atribui a classificação de A, B e C à qualidade da água e dos bivalves que nela vivem numa escala que vai da comercialização sem restrições (A) à obrigatoriedade de transformação e depuração (C). Habitualmente, na lagoa não há classificação A, sendo a B permitida para os meses de Verão e a C para o Inverno.
Os mariscadores queixam-se que têm as licenças pagas e que não podem trabalhar.

Fátima Ferreira
fferreira@gazetadascaldas.pt

1 COMENTÁRIO

  1. No geral estou de acordo com o foi exposto, no entanto o verbo “exigir” é demagógico, porque não se pode exigir na posição em que se está. O que se pode exigir é a divulgação dos elementos que estão na base da acção actual na Lagoa. Onde está o estudo que nortea a intervenção, tem uma ou 50 páginas ? Quem a fez? Quero saber quem a assinou do ponto de vista técnico