Na Amoreira há uma azenha centenária que vai voltar a moer

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Um grupo de voluntários, em parceria com a junta e a proprietária, está a recuperar a azenha

Este moinho de água pode ser visitado no fim-de-semana no âmbito da iniciativa Moinhos Abertos, que integra caminhadas com visitas guiadas, uma exposição, um mercado e animação

Uma azenha com perto de 200 anos e a última a laborar na Amoreira, até há pouco mais de três décadas, está a ser recuperada e pode ser visitada no próximo fim-de-semana, integrada na iniciativa Moinhos Abertos, que decorre na Amoreira.
Propriedade privada, este moinho de água, um dos oito que já existiram na Amoreira, está a ser recuperado por um grupo de voluntários, Amigos dos Moinhos, com o apoio da Junta de Freguesia local apostada em recuperar o património molinológico. Orlando Carvalho, filho do último moleiro daquela azenha, é um dos voluntários, juntamente com Carlos Penteado, trineto dos primeiros proprietários e sobrinho dos engenheiros de moagem, que criaram os engenhos. “É a parte afetiva que nos une”, conta Carlos Penteado, acrescentando que a sua mãe nasceu numa azenha de água, localizada junto ao Rio Travesso, na localidade da Amoreira.
Orlando Carvalho que, também ele, ajudou o pai neste moinho de água até aos 17 anos, explica o seu funcionamento: a água chega por uma vala e vai “tocar” duas rodas exteriores em madeira, com uns copos que, ao rodarem, vão acionar um veio em madeira, com uma entrosga, que liga a outro veio que faz a mó girar e moer o cereal. Mas também as características das mós são distintas consoante o cereal, explica Carlos Penteado, acrescentando que pretendem colocar, pelo menos, uma das duas mós daquela azenha a funcionar.
A denominada Azenha do Retiro é propriedade de Paula Monteiro, que começou também a produzir trigo barbela nas suas terras. “Acho que é um património que deve ser recuperado, até pelo resgate do conhecimento ancestral e dar testemunho às gerações mais novas do que é preciso fazer”, referiu à Gazeta das Caldas.

“Da terra à mesa”
No próximo fim de semana, para além da azenha, será possível visitar o Moinho do Hipólito, um moinho de vento situado na serra da Amoreira e que foi totalmente recuperado por Vítor Hipólito. O moinho tem mais de 200 anos, está há mais de 150 anos na família Hipólito e moeu, até meados da década de 1960. Recentemente, o proprietário semeou as terras com trigo barbela, possibilitando o conhecimento de todo o circuito do pão, desde a plantação do trigo até à sua transformação em farinha.
O Dia Nacional dos Moinhos celebrou-se a 7 de abril, que este ano coincidiu com a Sexta-Feira Santa. Nesse dia os moinhos estiveram abertos durante o período da manhã, mas as comemorações foram adiadas para o próximo fim-de-semana. No sábado de manhã terá lugar um workshop de confeção de pão com massa mãe, com Chez chef Carlitos, enquanto que à tarde decorrerá a palestra “da terra à mesa”, na Praça Dr. Azevedo Perdigão, com a participação de Miguel Nobre, Carlos Penteado, Orlando Carvalho e Chez chef Carlitos. Ainda nessa tarde realiza-se o concurso “Mão na massa em família”, em que cada família participante terá direito a dois quilos de farinha, cedida pelo moleiro, e que utilizará na confeção do pão, que depois irá a concurso, explica Célia Pedro, da junta de freguesia. O dia termina com animação musical, com as Concertinas d’Óbidos. Já no domingo terá lugar um almoço solidário no CCSRA, cujas receitas revertem a favor daquela instituição. À tarde o Rancho Folclórico e Etnográfico “As Ceifeiras da Fanadia” irá dançar e fazer uma recriação da vivência e dizeres da época. Nos dois dias haverá uma caminhada com visita guiada ao Moinho do Hipólito e Azenha do Retiro e, na Praça Dr. Azeredo Perdigão, decorrerá o Mercado Primavera e a exposição “da Terra à Mesa”. ■