Novo hospital no Oeste é prioritário. Localização discute-se mais tarde.

0
918
Marta Temido e o presidente da Câmara do Bombarral, Ricardo Fernandes. Ministra diz que os estudos prévios são mais importantes do que decidir já a localização do hospital.

A criação de um novo hospital no Oeste é cada vez mais defendida pelos autarcas da região. Aproveitando a vinda ao Bombarral da ministra da Saúde, Marta Temido, para a inauguração do Fórum da Saúde, a 17 de Março, o presidente da Câmara, Ricardo Fernandes, apelou a que se encontre a melhor solução para “esta enorme necessidade”. A governante não se comprometeu com a obra, referindo que antes é preciso trabalhar na captação de investimento e na definição exacta do perfil deste novo hospital.

Para a ministra da Saúde, antes de se avançar com a decisão de criação de um novo hospital no Oeste, há que saber qual a população que este virá a servir e qual a carteira de serviços que deverá ter. Marta Temido quer que sejam feitos levantamentos epidemiológicos, com necessidades assistenciais e com programação das valências e as especialidades médicas que uma nova estrutura necessite. Depois há que encontrar uma solução financeira, “que não está ao virar da esquina”, reconheceu a governante.
Marta Temido destacou a aposta que tem sido feita pelo governo na resolução do problema da falta de recursos humanos na saúde e levou boas notícias ao Bombarral: a abertura de uma vaga para um médico de família naquele concelho e de 18 vagas para medidos especialistas hospitalares para o CHO. Reconheceu que o maior problema destas unidades não é a atribuição de vagas, mas a captação de médicos, que as não acham atractivas.
A construção de um novo hospital no Oeste esteve também em debate no fórum Saúde. Miguel Carpinteiro, da administração do Centro Hospitalar de Setúbal, defendeu que é importante cobrir esta região com uma unidade “robusta” e que dê uma resposta mais centralizada. Considera que as infraestruturas existentes são antigas e disfuncionais e que não têm nada a ver com a actual realidade hospitalar. As ampliações podem ser soluções a curto prazo, mas “não passam de retalhos”, disse o orador, defendendo a criação de um hospital de raiz, moderno e que possa ser mais atractivo para novos médicos.
Nelson Baltazar, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, disse que nos próximos 10 anos serão inaugurados cinco novos hospitais em Lisboa, Madeira, Alentejo, Seixal e Sintra. Explicou que os custos mais avultados não são com a construção, mas com os recursos humanos e que, em média, “cada hospital gasta, por ano, o montante do que custou a construir”.
Em sua opinião a decisão sobre um novo hospital resulta de um trabalho conjunto entre autarcas, deputados na Assembleia da República e a própria população. “Num processo destes não há cores políticas”, defendeu. Opinião partilhada pelo presidente da Câmara do Bombarral, Ricardo Fernandes.
O autarca garantiu que estão a falar a “uma só voz” e informou que a OesteCIM irá lançar concurso para um estudo sobre o novo hospital, nomeadamente a sua localização. Sublinhou, contudo, que decidir a localização não é a prioridade.