Óbidos abandona GeoParque do Oeste

0
86
Enquanto uns saem, outros entram: Caldas da Rainha e Cadaval aprovaram, nos últimos dias, adesão à associação

Aumento das despesas municipais no combate à pandemia na base da decisão da autarquia

Dificuldades financeiras levaram a câmara de Óbidos a sair da AGEO – Associação Geoparque do Oeste, estrutura criada para gerir o processo de candidatura regional à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O presidente da câmara, Humberto Marques, justificou a saída da autarquia da associação, na qual estava desde o início, devido ao agravamento das contas municipais causadas pela pandemia.
Numa carta dirigida ao colega da câmara da Lourinhã, João Duarte Carvalho, o edil obidense apanhou de surpresa os restantes autarcas, justificando a decisão com “o esforço financeiro que esta crise impôs” ao município e que tomou a decisão “com muita pena” mas espera que possa regressar no futuro à associação. Na missiva, assinada a 18 de novembro do ano passado, mas que não foi dado conhecimento público, o autarca argumenta que “algumas parcerias inicialmente assumidas, tiveram de ser suspensas face a necessidades e políticas de apoio social mais prementes”.
Na carta, Humberto Marques, que não comenta a decisão, reitera “o interesse inegável deste projeto a vários níveis: geostratégico, turístico, cultural, económico e social”, acreditando que será “uma candidatura que irá defender e divulgar um dos mais importantes patrimónios geológicos do país”. Contudo, o município nunca chegou a concretizar a adesão à AGEO, tal como fizeram as restantes quatro autarquias: Lourinhã, Peniche, Bombarral e Torres Vedras.
Segundo o director-executivo da associação, Miguel Reis Silva, a câmara de Óbidos “não chegou a ser associada da entidade gestora do projeto da candidatura a Geoparque Mundial da Unesco, apesar de participar ativamente em todas as decisões de gestão entre 2017 e 2020”.
A quota anual de 25 mil euros nunca foi paga pelo município e, segundo apurou a Gazeta, a dívida não será liquidada, apesar de o corpo técnico da autarquia continuar a colaborar com a AGEO no processo.

Caldas e Cadaval entram
Enquanto Óbidos sai, dá-se a entrada de dois novos associados na AGEO. As câmaras das Caldas da Rainha e do Cadaval aprovaram nos últimos dias a adesão ao projeto, aceitando o novo memorando de entendimento que vai ser assinado entre todos os municípios e que substitui o anterior, de 2017.
Para além das autarquias, o Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã, a Sociedade de História Natural de Torres Vedras, a Universidade Nova de Lisboa, bem como outros signatários a título individual, fundaram aquela entidade.
A câmara de Alenquer, que partilha com o município do Cadaval a gestão da Serra do Montejunto, ainda chegou a equacionar a adesão ao projeto, mas optou por continuar de fora. Ao invés, o presidente da câmara do Cadaval acredita na candidatura: “O que pretendemos é que a Serra do Montejunto não fique de fora de um projeto de valorização patrimonial de êmbito internacional, que visa uma candidatura à Unesco e que, a concretizar-se, dará notoriedade global àquele terimónio natural único, potenciando vários sectores, nomeadamente o turístico”.
A AGEO tem sede na Lourinhã e terá, a prazo, o Centro de Interpretação do Geoparque do Oeste no concelho do Bombarral, como porta de entrada no futuro território certificado pela UNESCO. ■