Ode à Primavera atraiu centenas de pessoas ao centro da cidade

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Os organizadores com os elementos da autarquia

Iniciativa de rua que teve como mote dar as boas -vindas à primavera contou com forte adesão da comunidade e até de outras localidades

No sábado de manhã, 23 de março, houve grande concentração de transeuntes na Rua dr. Miguel Barbosa. O espaço pedonal foi ocupado por gente de todas as idades que quis assistir às atuações de música e de dança que deram o pontapé de saída à “Ode à Primavera”, iniciativa comunitária que juntou mil andorinhas nas ruas e nas montras de dezenas de lojas caldenses.
“O mais incrível foi a enorme adesão de toda a comunidade”, disseram os organizadores Ana Hermenegildo, Mónica Correia, Manuel Bandeira Duarte e Zélia Évora à Gazeta, horas antes da inauguração do evento que ultrapassou as melhores expectativas do grupo que reuniu autores, designers e docentes de várias áreas e que quiseram concretizar a ideia.
Dar as boas vindas à primavera com andorinhas foi uma ideia que surgiu no verão passado e que ganhou asas no passado mês de outubro. “Quisémos envolver toda a comunidade como escolas, lares, centros de dia, empresas, lojas, CEERDL e estabelecimento prisional e que todos dessem asas à imaginação”, contou Mónica Correia, acrescentando que receberam mil entregas que terão, ao todo ,envolvido cerca de três mil pessoas.
As andorinhas – que agora “voam” sobre a R. das Montras e nas lojas caldenses – foram feitas por autores de nove distritos e de três países pois, para além de autores lusos foram recebidas aves feitas na Áustria e em França.
“A primeira que nos chegou foi de uma artista do Porto”, disse Zélia Évora, acrescentando que as primeiras vieram todas do Norte e chegaram através dos correios. Nesta iniciativa de estreia há andorinhas feitas em madeira, tecido, de grande e de pequena escala, de plástico, cartão ou em Lego.
“Houve por exemplo uma garrafeira que fez a sua andorinha reaproveitando as rolhas de cortiça”, contou Ana Hermenegildo. A docente explicou que a organização realizou um workshop no Reguengo da Parada e as famílias que participaram “levaram algumas andorinhas já feitas, mostrando um pouco da sua identidade ou dos materiais que mais gostam de trabalhar”.

Os transeuntes captando as diferentes propostas

E se no início as andorinhas chegavam a conta gotas, nos últimos dias foi uma loucura de exemplares a chegar, de lojas a pedir para participar ou até de empresas da área alimentar a querer participar trazendo bolachas em formato de andorinhas.
“As nossas redes sociais encheram-se de sugestões para as pessoas seguirem e fazerem as suas próprias propostas de andorinhas”, disse Manuel Bandeira Duarte que esteve a receber a disponibilidade das lojas em receber os trabalhos até à última da hora.
“As pessoas acharam piada e, de alguma forma, tivemos colaborações de todas as freguesias do concelho caldense”, contaram os mentores, explicando que as escolas tiveram uma participação importante nesta primeira “Ode à Primavera”. O passa a palavra funcionou “muito bem” e fez com que o projeto das andorinhas extravasasse as fronteiras caldenses e tivessem recebido as mais diversas colaborações de outras zonas do país.

Abertura com música e dança
No dia da inauguração, 23 de março, não faltou gente interessada em conhecer as muitas propostas que agora decoram o centro da cidade.
A iniciativa arrancou a meio da manhã com momentos de música e dança do grupo Dançarém, de Santarém que fizeram questão em vir às Caldas para fazer parte do evento já que o seu slogan é As Andorinha Dançarão. Viveram-se momentos animados com os transeuntes a dar um pezinho de dança a convite de elementos daquele grupo.
Os organizadores Zélia Évora, e Manuel Bandeira Duarte deram a conhecer a essência da iniciativa e sublinharam o cariz comunitário e voluntário dos mentores, tendo ainda agradecido os apoios dados por várias entidades caldenses.

Familias inteiras apreciando as diferentes andorinhas nas lojas

O presidente da Câmara, Vítor Marques, referiu que “ficamos mais ricos com este tipo de realizações” e sublinhou a capacidade dos organizadores “em mobilizar tanta gente em volta deste projeto”.
Segundo o edil caldense, “esta dinâmica é fundamental para as Caldas e temos que dar palco aos nossos criativos que criam iniciativas como esta que valem mesmo a pena”. Pedro Braz, presidente da União de Freguesias de N. Sra. do Pópulo, Coto e S. Gregório, destacou igualmente a capacidade dos organizadores em realizar o evento. “As autoridades locais estão disponíveis para apoiar iniciativas como esta, vindas da sociedade civil”, acrescentou. Seguiu-se um percurso entre a Rua Miguel Bombarda e a Praça da Fruta para apreciar as andorinhas presentes nas montras e colocadas em bando sobre a Rua das Montras.
A “Ode à Primavera” ainda incluiu DJ set, apresentação de instalações e até a pintura de um mural. Participaram também contadoras de histórias e comes e bebes que complementaram a Ode à Primavera. “Creio que a palavra chave desta iniciativa foi contagiar. E foi uma boa desculpa para fazer algo em nome da nossa cidade”, resumiu Zélia Évora, uma das mentoras desta Ode, que via iniciativas similares noutras terras e quis realizar algo que distinguisse a sua cidade.

Há um bando de propostas ao longo da R. das Montras

O grupo organizador diz que a Ode à Primavera “acabou por ser uma verdadeira aprendizagem para todos” e que as andorinhas nas montras poderão ser apreciadas até ao dia 5 de maio. Em relação ao bando central que agora alegra a Rua das Montras “já nos estão a pedir para estender um pouco mais a data”, contaram. Ao longo de todo o dia da inauguração não faltaram famílias a apreciar as andorinhas e muitos foram os que vieram às Caldas para procurar onde estava colocado o seu exemplar, feito nas mais diversas entidades desta região e que quis fazer parte desta iniciativa de estreia. ■