Oftalmologia – a fraca resposta de um serviço interminente

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A Oftalmologia do hospital das Caldas reabriu em 2013 com uma médica a tempo inteiro e outra em part-time (Foto de arquivo) | Natacha Narciso

Não tem sido pacífica a vida do serviço de Oftalmologia do Hospital das Caldas, que começou a funcionar nos anos 80. Entre 2011 e 2013 o hospital caldense simplesmente não tinha oftalmologista porque o único especialista que havia se reformou.

Em Novembro de 2013, após um investimento de 40 mil euros (dos quais metade foi doado pela Liga de Amigos do Hospital), o serviço voltou a abrir, desta vez com uma médica a tempo inteiro e outro em part-time. O então presidente do CHO, Carlos Sá, anunciou que estava aberto um concurso para a contratação de mais dois especialistas. Explicava na altura que só com novos profissionais seria possível abrir um serviço de cirurgia de ambulatório de Oftalmologia nas Caldas com o objectivo de fazer operações às cataratas e outras intervenções simples. Entre os muitos utentes destas consultas contavam-se crianças, doentes diabéticos e idosos com baixa visão.
A médica a tempo inteiro, que ainda hoje se mantém como responsável daquele serviço,  dizia à Gazeta das Caldas (em 2013) que tinha condições “para atender os cerca de mil doentes em lista de espera desde que o serviço foi suspenso”.
Outro objectivo daquele serviço era que, a partir de 2014, os médicos de família da região pudessem encaminhar os seus doentes para aquela consulta externa.
Actualmente o serviço não está a funcionar bem dado que é necessário aguardar 832 dias para uma primeira consulta e 813 dias para os casos “muito prioritários”.

Um protocolo com Instituto Gama Pinto

Em Fevereiro de 2017, Gazeta das Caldas deu a conhecer que o CHO assinou um protocolo de cooperação com o Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto. Este permitia que médicos do instituto tratassem doentes do Oeste, reduzindo assim a lista de espera para atendimento neste centro hospitalar. Os utentes que aguardam por uma consulta de Oftalmologia eram contactados pelo CHO para saber se aceitavam deslocar-se a Lisboa para serem tratados por profissionais daquele instituto.
O protocolo foi assinado no passado dia 7 de Fevereiro e está em vigor desde essa altura. Actualmente, o CHO tem apenas dois oftalmologistas, um nas Caldas e outro em Torres Vedras.
Gazeta das Caldas questionou o CHO e tentou perceber como decorria a relação entre o CHO e o Instituto Gama Pinto, em Lisboa. Perguntou ainda quantos dos seus doentes eram atendidos por mês e procurou explicações para um tão elevado tempo de espera. Mas, como é habitual, a administração do CHO não respondeu.