Olavo Bilac contou com uma noite de Verão para encher a Avenida

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Milhares de caldenses vieram ao concerto no palco colocado junto à estação

Uma noite quente, seca e sem brisa, algo muito raro no Oeste, ajudou a que milhares de pessoas saíssem à rua e assistissem ao concerto de Olavo Bilac na Avenida 1º de Maio. O cantor não desiludiu os fãs, sobretudo quando cantou os seus êxitos mais conhecidos, mas o momento alto da noite foi o já habitual fogo-de-artifício que este ano durou 11 minutos.

Eram cerca das 22h00 e a Avenida 1º de Maio ia aos poucos enchendo-se de gente. Famílias, grupos de amigos e muitos jovens “invadiram” o coração da cidade.
Por todo lado comenta-se o serão agradável, algo raro para os oestinos. O espaço da avenida até à estação foi transformado em recinto de festa e não faltaram as farturas, algodão doce, a venda de balões e pequenos quiosques de venda de cerveja.
O cantor Olavo Bilac não desanimou os seus fãs, que se concentraram nas primeiras filas para ouvir os seus grandes êxitos. Não faltaram no alinhamento canções que são clássicos deste artista, como Fala-me de Amor ou Momento Final. Bilac deu também voz a vários temas do panorama musical português como Jardins Proibidos, Por quem não esqueci ou ainda Venham mais cinco, este último de Zeca Afonso. Também deu a conhecer os novos temas Maior e Estou aqui.
“As pessoas cantam de princípio a fim”, disse o cantor aos jornalistas, horas antes do espectáculo. O músico está satisfeito com a reacção positiva dos seus fãs ao seu regresso aos palcos com um novo disco, Oya. No ano passado, Olavo esteve nas Caldas com os Resistência e conta que também actuou por cá com Santos & Pecadores, a sua primeira banda, há 12 anos. “Sinto-me feliz por poder voltar a cantar estas canções”, disse o artista que já actuou nos Açores e Madeira e também já deu concertos na Bélgica e nos EUA, mostrando aos seus fãs que, aos 50 anos, está em grande forma em palco. “É bom assinalar 25 anos de carreira, mas também quero mostrar um pouco do que se vai passar no futuro”, disse.
Enquanto aguardava o final do concerto para subir ao palco para os habituais agradecimentos, o presidente da Câmara, Tinta Ferreira afirmou à Gazeta das Caldas que Olavo Bilac “está a dar um grande espectáculo, com grande envolvimento do público”. Questionado sobre o custo do espectáculo, o edil caldense afirmou que a festa do 14 de Maio custou 30 mil euros, incluindo o concerto e o fogo de artifício.
Lola Borges, uma das espectadoras do concerto disse à Gazeta que tinha adorado a actuação. É fã de Bilac há muitos anos e não quis perder esta actuação na sua terra. “Adoro a sua voz. É inconfundível!”, disse a caldense. Questionada sobre que outro artista gostaria que actuasse nas Festas da Cidade, Lola Borges referiu a fadista Mariza.

Actuar em grandes palcos

A primeira parte do concerto foi assegurada pelos Voodoo Childs. Os músicos caldenses, habituados ao circuito de bares, estão nesta formação há um ano e anteriormente dedicavam-se aos covers. Quando souberam que os vencedores do concurso Toma Lá Talento actuariam no 15 de Maio, colocaram mãos à obra e compuseram temas originais para poder concorrer.
“Começámos a trabalhar 15 dias antes e, correu tudo bem pois vencemos o concurso”, disse Carlos Alves, o vocalista do grupo que já não quer abandonar os grandes palcos.
Antes da actuação, os músicos dos Voodoo Childs explicaram que o seu som se situa entre o pop rock e os blues. A banda tocou nove temas, entre os quais os seus temas originais, Diabo do Dia e Eco da Memória.
Da banda fazem parte Carlos Alves (guitarrista e vocalista), Diogo Duarte (baterista), Daniel Marques (guitarrista), Cláudio Duarte (teclista) e Miguel Carepa (baixista).
Gazeta das Caldas questionou alguns dos músicos sobre qual os artistas que gostariam que actuassem nas Caldas. Diogo Duarte sugeriu os Moonspell, Daniel Marques preferia Diogo Piçarra e Carlos Alves não se importaria de abrir um concerto da cantora Áurea.
Entre o público presente, a caldense Diana Dias gostava de ouvir o grupo Capitão Fausto e o DJ Stereossauro que, como é caldense, “poderia actuar na primeira parte”.
Márcia Inês, de 18 anos, sugeriu um concerto dos Xutos & Pontapés enquanto Ana Carolina Santos, de 19 anos, preferia a fadista Mariza.

Os bastidores do evento

Compete à Protecção Civil coordenar as várias forças que estão no terreno e que assegura a segurança de quem assiste ao concerto. Na noite do 14 de Maio estiveram no evento os Bombeiros das Caldas com 24 operacionais e sete viaturas: uma de comunicações, três ambulâncias e duas de combate a incêndios urbanos. O INEM esteve no recinto com dois operacionais (médico e enfermeiro) e uma viatura de urgência, ao passo que a Cruz Vermelha esteve na Avenida com sete elementos.
No recinto estiveram também 12 elementos da PSP enquanto que a Protecção Civil tinha dois operacionais e uma viatura.
Foram estes os operacionais que estiveram na Avenida sob a coordenação de Gui Caldas, responsável pela Protecção Civil das Caldas. Os principais problemas de um evento deste tipo têm a ver “com a ingestão exagerada de álcool ou de estupefacientes, problemas de saúde como os AVCs, desaparecimento de menores, desacatos, tumultos, ameaças ou roubos”, disse à Gazeta das Caldas, horas antes do evento ter lugar.
Gui Caldas explicou que toda a acção no local é feita sempre com bom senso, de forma adequada e proporcional. “Se há uma queda, basta que a pessoa seja assistida por dois operacionais”, exemplificou, acrescentando que, sempre que possível, age-se com discrição, até para não causar alarme entre os presentes.
O responsável da Protecção Civil diz que cabe à coordenação prever como agir nas mais inesperadas situações e deu como exemplos o colapso de estruturas, a queda de drones ou um inusitado atropelamento. Pode também haver uma explosão, um incêndio, um sismo, ou até poderá ser necessário enfrentar situações climatéricas adversas. “É preciso ter tudo acutelado”, referiu o responsável, que tinha delineados pelo menos dois corredores de emergência: um pela Rua da Estação e um outro atrás do edifício dos Paços do Concelho.
Quando acaba o concerto, começa um momento tenso para as forças de segurança por causa do fogo-de-artifício. É estabelecido um perímetro de segurança ao edifício da autarquia, tendo em conta a velocidade e a direcção do vento. São posicionadas duas viaturas de incêndios urbanos que estão prontas a actuar em caso de acidente. “Se um foguete cai num telhado velho, pode haver um incêndio”, disse o responsável, explicando que na altura do espectáculo há vários operacionais com extintores preparados para alguma eventualidade. Quando termina o fogo, parte das forças no terreno desmobilizam. No recinto mantêm-se elementos da PSP e da Protecção Civil que têm que lidar com situações relacionadas com a continuação da festa. Normalmente são provocadas por excesso de estupefacientes e álcool.

Mais de 30 pessoas na produção

Protecção Civil, INEM, bombeiros, Cruz Vermelha e PSP têm um papel decisivo (e discreto) para que o evento decorra com normalidade

Amadeu Sousa é o director executivo da empresa Icconica, responsável pela produção do espectáculo. Enquanto se ultimavam os pormenores para a actuação de Olavo Bilac, o este responsável explicou que são precisas quatro pessoas para montar a estrutura do palco. Segue-se a equipa de seis elementos que instala os equipamentos de som e que asseguram que está tudo pronto para as bandas começarem os ensaios. A equipa de Bilac, entre músicos e técnicos, soma 16 elementos.
Nesta altura, cinco elementos da Icconica já trataram de todas as questões relacionadas com a pré-produção (marcação de hotéis e refeições). “Temos ainda dois seguranças, entre as dez da noite e as quatro da manhã que, entre várias funções, vigiam os equipamentos”, contou Amadeu Sousa, explicando que, por norma, se começa a trabalhar nas tarefas de montar um espectáculo com um mês de antecedência.
O director executivo ainda referiu que, por volta das cinco da manhã do dia 15 de Maio, a equipa de palco desmonta toda a estrutura e quatro horas depois, “está tudo limpo” e portanto reabre-se o espaço ao trânsito.
Marco Costa trabalha há 20 anos com pirotecnia e foi o responsável pelos momentos mais aguardados da noite. O lançamento dos foguetes decorreu, como é hábito, a partir do topo do edifício da Câmara. Horas antes, o técnico prometia “um bailado de fogo-de-artifício com muita cor, energia e intensidade”. E assim foi. Perto da meia noite, os foguetes foram apresentados em sincronia com temas de música comercial. No total, para 11 minutos deste espectáculo foram necessários 2500 quilos de material pirotécnico.