Ordem do Trevo fez 12 anos e quer ser vista “com outros olhos” pela comunidade

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Associação comemorou 12 anos e juntou os voluntários e parceiros

Instituição de solidariedade homenageou parceiros e destacou o seu contributo para poder continuar a apoiar os mais necessitados, sem recurso a subsídios

A Ordem do Trevo (OT) apoia 70 famílias, cerca de 350 pessoas. Fazem-no há 12 anos e o seu presidente, José Viegas, quer que a associação de solidariedade seja vista “com outros olhos”. Na cerimónia de aniversário, que decorreu no passado dia 23 de março e que juntou mais de uma centena de pessoas no restaurante A Lareira, José Viegas reconheceu que se trata de uma associação “muito discreta, mas que está todos os dias a trabalhar para os que precisam do nosso apoio”. Entende que os utentes não devem ser expostos, não se põem em “bicos de pés” e não pedem subsídios, mas pediu para que olhem para eles como uma associação diferente, que é boa naquilo que faz e que é reconhecida por isso. “O importante é que haja uma associação como a OT que, de forma discreta mas eficaz, consegue apoiar a pessoa, até ao dia em que deixa de precisar”, disse, apelando aos presentes para transmitirem a mensagem de que existem para ajudar. Até porque, como frisou, “pode acontecer a qualquer um, basta ficarmos desempregados, termos uma doença, um conflito familiar…”
José Viegas destacou o empenho, diário, dos voluntários no apoio às 70 famílias, com cabazes alimentares, a que acrescem sempre “mais umas cinco ou seis e a quem arranjamos o cabaz extraordinário”, disse, acrescentando que têm recebido muitos pedidos de ajuda, sobretudo por parte de cidadãos angolanos e brasileiros que chegaram à região. Para responder às necessidades contam com a boa vontade dos parceiros, que lhes fazem chegar os alimentos, ou estabelecem protocolos que permitem que as crianças carenciadas possam praticar desporto ou ter apoio escolar ou ao nível da saúde. Também, em setembro de cada ano, é entregue a cada um dos meninos beneficiados uma mochila com todo o material escolar que possa precisar para levar para a escola, e “que não haja o estigma da criança pobre no seio escolar”, concretizou.
O vice-presidente da Câmara das Caldas, Joaquim Beato, destacou o espírito de missão da associação, que “não é subsídio-dependente mas, acima de tudo, é solidária e estruturante com quem precisa”. Manifestou o apoio à OT e ao trabalho que executa, que “não se esgota no tempo e nas pessoas. Vai ter continuidade e vai ser necessária”, realçou.

Mais de uma centena de pessoas marcou presença no evento

Reconhecimento a parceiros
Na cerimónia foram distinguidos 16 parceiros, entre eles a Gazeta das Caldas, e atribuídos prémios especiais de reconhecimento às entidades que mais colaboram nas suas atividades, como foi o caso de The Milky Angels e do Montepio Rainha D. Leonor. O parceiro do ano foi a ACCCRO. Em noite de agradecimentos, foi reconhecido o trabalho da voluntária Emília Sousa, a dedicação e mérito de Paula Botas (da direção da associação) e o reconhecimento especial, por parte de todos os voluntários, a José Viegas. A cantora Júlia Valentim, acompanhada à guitarra por Fernando Lopes, animaram a noite do “obrigado”.
O próximo projeto será concretizado a 21 de abril. Trata-se de uma Egg Run (corrida de ovos), um evento de solidariedade organizado por um grupo de motards para com as crianças desfavorecidas apoiadas pela OT. Foi também já contactado o CEERDL para estar presente com os seus utentes e participarem na iniciativa.
Atualmente a OT conta com 21 voluntários, alguns deles da comunidade estrangeira residente na região, mas precisa de mais. Também o número de pedidos de ajuda tem vindo a aumentar, não só ao nível da alimentação, mas também da saúde. “Há muitas crianças, em idade escolar, a precisar de um psicólogo, e outras com problemas de doença, mas que não vão ao médico por dificuldades monetárias, pelo que temos sempre consultas de Pediatria também para eles”, concluiu José Viegas. ■