Perda de valências hospitalares com o fim do CHON preocupa autarcas

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Fernando Costa diz que junção dos hospitais é “uma necessidade” (Foto de arquivo)

Apenas dois anos após a criação do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), que agrupou os hospitais das Caldas, Alcobaça e Peniche, a organização das unidades hospitalares da região está prestes a sofrer nova alteração.
A junção do CHON com o Centro Hospitalar de Torres Vedras, noticiada na última edição da Gazeta das Caldas, deverá avançar, criando-se o Centro Hospitalar do Oeste (CHO). Esta foi a forma encontrada para racionalizar recursos e evitar que as duas unidades colapsem perante a dívida que foram acumulando nos últimos anos.
Mas ainda que nada esteja aparentemente definido, os rumores de transferência do centro de decisão para Torres Vedras e de perda de diversas especialidades, algumas das quais consideradas essenciais, estão a deixar população e forças políticas em estado de nervos.
O PS foi o primeiro a reagir e em conferência de imprensa considerou que a possibilidade de se perderem especialidades como Cirurgia Geral, Obstetrícia, Pediatria e Ortopedia “é um perfeito disparate”. Já o PCP faz saber em comunicado que considera que “isto é absolutamente vergonhoso e altamente prejudicial para os interesses dos cidadãos”. E tanto um como outro partido apelam à mobilização da população para que lutem pelos serviços hospitalares antes que seja tarde demais.
Já o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, que na passada terça-feira esteve reunido com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), diz-se convicto de que a fusão do CHON ao Hospital de Torres Vedras “pode evitar que algumas valências fechem e vai criar novas valências que agora nem um nem outro têm”.

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Os socialistas apelam à luta da população e manifestam total desacordo quanto a supostos encerramentos

Quanto ao vereador do CDS-PP, Manuel Isaac, diz que “há que saber o que vai acontecer antes de reagir”. O também deputado na Assembleia da República e responsável distrital pelo partido, promete “defender os interesses das Caldas da Rainha”, mas para reagir, “é preciso saber quais são as valências que se perdem e quais se ganham”.
A incerteza marca o tom das primeiras reacções, que admitem estar perante o que podem não passar de rumores. Ainda assim, todos concordam que há que estar alerta, para evitar que razões puramente economicistas levem ao fim dos serviços hospitalares na região, ou à perda da sua qualidade, que consideram estar já muito aquém do que era desejável.

“Situação lamentável”, diz PS

Dias depois das primeiras suspeições sobre a reorganização das unidades hospitalares da região, o PS caldense levantava a voz e reclamava que “nunca, em muitas décadas, foi esta região e este concelho sujeito a uma ofensiva tão brutal”. Ao final da tarde da passada segunda-feira, 6 de Fevereiro, eleitos e históricos do partido garantiam não aceitar que “alguém em Lisboa pense que pode desprezar olimpicamente os interesses de todos nós”.
Na voz do presidente da concelhia, Delfim Azevedo, é “inaceitável” que se crie uma região que se estende entre Alcobaça e Torres Vedras e se coloque “o que se tem de melhor na periferia da região, para cúmulo, a 20 minutos do novo hospital de Loures”. A confirmar-se esta previsão, tornar-se-ia impossível gerir de forma séria “os fracos recursos da saúde que temos à disposição”, apontam.

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Ainda ninguém sabe o que ganha e o que perde o hospital das Caldas ao fundir-se com Torres Vedras

A distância de algumas das localidades mais populosas da região actualmente servida pelo CHON relativamente a Torres Vedras não foi esquecida. Tal como não foi a necessidade de união em torno de uma luta que o PS entende ser de todos.
“Esta não é altura para partidarismos, esta é uma altura para cerrar fileiras e, se necessário, voltar à rua”, apelam. E nesta batalha querem ver envolvidos os responsáveis locais e distritais e eleitos à Assembleia da República pelos partidos que governam em coligação: PSD e CDS-PP. “Têm de explicar o porquê do seu silêncio, da sua apatia e dos seus braços caídos. Está na hora de demonstrarem o seu apego à sua terra e não anuir aos interesses dúbios desta decisão do governo”, reclamam os socialistas.
Mais exaltado do que o presidente da concelhia, Jorge Sobral, disse que aquilo que está em marcha é a tentativa de retirar às Caldas da Rainha mais-valias que foram consolidadas ao longo dos anos. E ainda que se esteja no campo das incertezas, o deputado municipal acredita que “quando se retira daqui o centro de decisão, retiram-se cuidados” e exige que mudanças tão significativas sejam discutidas com a população. Por isso, apelou a uma luta “objectiva e dinâmica, que deixe claro que nós nas Caldas da Rainha não vamos aceitar mais este roubo”.
Presentes na conferência estiveram os antigos administradores do Hospital das Caldas da Rainha Mário Gonçalves e Vasco Trancoso e ambos consideraram estar perante “uma situação lamentável” que vem pôr fim a uma evolução alcançada durante anos. E em questões de cuidados essenciais de saúde “não é admissível que a política se meta de permeio”.
Mário Gonçalves afirmou mesmo que a confirmarem-se estas suspeições, tratar-se-ia de uma decisão tomada por “indivíduos que vivem na ignorância crassa”. E caso se percam especialidades essenciais, “o hospital não tem razão de ser”.
O encontro com os jornalistas motivou ainda a vinda às Caldas da Rainha do responsável pela Federação Distrital do PS, João Paulo Pedrosa, que garantiu que o partido se vai “manter firme na defesa dos serviços hospitalares nas Caldas da Rainha”. Salientando que o governo de Passos Coelho tem recuado em muitas das intenções de encerramento de serviços, o também deputado na Assembleia da República diz que urge lutar contra as supostas intenções da tutela.
Os socialistas pediram desde logo a marcação de uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal para debater esta questão. À hora de fecho desta edição a hipótese que parecia mais plausível era, em alternativa, a antecipação da sessão ordinária do mês de Fevereiro para a terça-feira, 21 de Fevereiro, dia de Carnaval, para que o assunto fosse debatido o mais depressa possível.
Além disso, os socialistas entendem que devia haver um encontro de responsáveis do partidos dos vários concelhos afectados por esta reorganização.

Fernando Costa acha que Caldas não ficará prejudicada

No dia seguinte à conferência do PS, o presidente da autarquia caldense era recebido na ARSLVT. À Gazeta das Caldas Fernando Costa não entrou em pormenores sobre o que tinha sido discutido na reunião, mas admitiu que “a união dos dois centros hospitalares é uma necessidade face ao momento dramático das finanças do país”.
Para o edil, “a funcionarem como estão, os hospitais podem morrer do défice” e a junção dos dois pode trazer vantagens além de um maior equilíbrio financeiro. “Pode haver uma melhoria nesta união”, aponta.
Fernando Costa diz que se os hospitais se fundirem, “é normal que haja valências que fiquem nos dois, sobretudo as mais importantes, e é normal que haja especialidades a mudarem de um hospital para outro, com o objectivo de racionalizar o funcionamento”.
Depois da ARSLVT, Fernando Costa quer reunir com o ministro da Saúde. “Estou plenamente convencido e tudo farei para que as valências principais continuem no nosso hospital. Também temos que perceber que os outros hospitais da região não podem perder as suas valências principais”.
Quanto à transferência do centro de decisão, Fernando Costa admite que este terá que ter uma sede, mas defende que a administração do novo centro hospitalar deve funcionar nos diversos hospitais que o integram. O autarca admite que “nunca podemos estar descansados, mas a minha convicção é que Caldas não sairá prejudicada nesta reorganização”.
Fernando Costa defende que a situação a que chegou o Serviço Nacional de Saúde e o CHON “não é culpa do actual governo, nem da actual administração” e “deviam ser chamados à responsabilidade criminal os que puseram o país na falência e deixaram os hospitais na falência”.

Administração do CHON nada esclarece

O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), Carlos Sá, salienta que a questão da reorganização dos hospitais da região “transcende as competências da administração” a que preside. Ainda assim, afirma que “os conselhos de administração dos dois hospitais envolvidos têm estado a par do que tem sido discutido”.
Sem prestar mais esclarecimentos sobre este assunto, Carlos Sá diz apenas que “é seguramente objectivo do ministério manter a qualidade dos serviços prestados à população”.
Já quanto à situação actual do CHON, o administrador adianta que “estão a ser desenvolvidas todas as iniciativas para retomar, o mais depressa possível e com elevada qualidade” as especialidades de Reumatologia, Urologia e Oftalmologia, actualmente suspensas por falta de médicos.

10 COMENTÁRIOS

  1. O costa parece estar amestrado. Quem o viu e quem o vê! Andou a discutir com o sapinho a localização do um novo hospital e agora dá este de mão beijada. E andamos nós nas mãos destes senhores.
    Está provado que a constituição de centros hospitalares são o maior erro que se pode fazer. O CHON também era para conter os gastos e veja-se no que deu. Para mim nem CHO nem CHON…. volta CHCR pq estás perdoado ….

  2. Se o Sr. Fernando Costa está tão preocupado com “a necessidade face ao momento dramático das finanças do país” e “com o objectivo de racionalizar o funcionamento” porque é que não junta o corso carnavalesco das Caldas ao de Torres Vedras! E esta hemm!

  3. Segundo soube de fonte segura, a administração do CHON e o Ministério da Saúde aproveitaram consciente e propositadamente a excitação da imprensa local e a distracção de alguns contestatários com a Linha do Oeste para fazer sair a notícia da perda de valências hospitalares por parte do hospital das Caldas. E parece que deu resultado porque a malta contestatária ainda não deu verdadeiramente pela coisa…

  4. Era uma vez um projecto hospitalar ” hospital oeste norte” do qual foi mentor e que defendo desde Setembro de 2001, e que ficou plasmado na Resolução do Conselho de Ministros, de 28 de Agosto de 2008, integrado no plano de acção para os municípios do Oeste e da Lezíria do Tejo, a realizar entre 2008 e 2017. Neste diploma o HON foi confirmado como um instrumento, regional, de interesse estratégico.

    Acontece que 2 vizinhos autarcas entraram numa disputa sobre a sua localização.

    Como do: Porreiro Pá! Passámos para: E agora pá!

    Entretanto Troika chegou! do antes de Troika passámos para o depois de Troika

    De uma solução ganhadora para 250 000 Oestinos iremos passar para uma solução perdedora!

    O que está a acontecer é o resultado de um erro estratégico básico

    E agora depois de uma gestão danosa do CHON, o castigo é o que está à vista.

    Agora resta-nos minorar os prejuízos!

    É preciso garantir um perfil de valências que não provoquem a descaracterização e despromoção do Hospital de Caldas, garantam pelos menos 90% dos empregos e não reduzam drásticamente a acessibilidade das população aos cuidados hospitalares actualmente existentes.

    ” O sucesso de uma região depende da compreensão das necessidades e expectativas, presentes e futuras dos munícipes e dos visitantes , actuais e potenciais , assim como a compreensão e percepção das necessidades e expectativas do país” adaptado da norma ISO 9001/ 2000.

    Peço minha parte peço desculpa aos 250 000 Oestinos do Norte( população residente e flutuante).

    Mesmo contando com a decisão governamental favorável, com apoio de professores: Correia de Campos, Daniel Bessa , Augusto Mateus, Fonseca Ferreira( CCDR LVT ) e Dr. António carneiro da Região de Turismo do Oeste, não foi possível, por falta de visão estratégica e entendimento entre a autarquia de Caldas e Alcobaça a concretização deste projecto de elevado interesse regional e turístico.

    O resultado está à vista: fim do CHON e a criação do CHO

    O Oeste Norte não pode desistir da edificação do HON, pois a sua necessidade existe e a justificação técnica já está, por demais, fundamentada e argumentada.

    Compete as autarcas da OESTCIM assumir a co-responsabilidade por este falhanço na defesa dos superiores interesses regionais e de 250 000 Oestinos!

    Façam o favor de pedir desculpa! Eu já o fiz!

    O que estamos a viver é o resultado das decisões erradas de ontem!

    Boa Sorte! Continuo a acreditar no HON! Só falta que a população e os autarcas acreditam e façam qualquer coisa que preparar o futuro do HON, aparecerem com o terreno nas Caldas da Rainha para a sua implantação para que logo que sejam possível avançar num prazo de três anos!…nem seja um promotor privado, com a assinatura de um protocolo com O SNS.

  5. Como se pode ver o CHON é o CHCR, (os outros 2 apendices não contam, são os “pacóvios pobres”) e este é um bluff comercial, presume-se o melhor de todos, o centro organizado mas não é: tem muitas deficiências estruturais e organizacionais (tem serviços que deveriam ser encerrados por inseguros),c/ mtª indisciplina económico-financeira. É uma casa muito desarrumada e desarmoniosa.A prática de 1º desarruma-me, desorganiza-se e depois logo se vê, levou a que serviços produtivos e que funcionavam bem a diminuirem a produção e a causarem insatisfação nos clientes internos e externos. O 1º CA do CHON esbanjou recursos em vez de investir na produção com qualidade, investiu em vaidades,ignorou que o CHON seria para servir as populações sem discriminações, melhorando a qualidade, aumentando a produção,diminuindo custos, continuou a política do S. Puxa cada um a braza aos seus interesses, Caldas é a capital do comércio, a filosofia do CHCR está contaminada com isso. Caldas deve ficar ligado a Santarém. Ligado a Torres Vedras vai contaminá-lo e lá se vai a Paz

  6. Caladinho que nem um rato, não levanta ondas!! Ou não sabem que o SR fernando Costa está no ultimo ano de mandato. E já deve ter o tacho encomendado!! É uma vergonha que fez uma barafunda por causa do terreno do novo hospital ser em Alfazeirão e agora diz que não faz mal perder umas especialidades e ganhar outras. Não se trata de cuidados de saude de uma cidade, mas sim de toda uma região.

  7. Desmantelaram o hospital de Peniche para não fazer sombra, para Caldas ser o rei absoluto ? De que é que Caldas tem medo? Agora têm medo que Torres Vedras faça o mesmo ao hospital e ao pessoal de Caldas que fizeram com Peniche ? Fiquem descansados, Torres é superior a Caldas !

  8. Não consigo perceber o silêncio dos contestatários do costume quanto à perda de parte das valências do Hospital das Caldas (o CHON que nos transforma a todos em chonés…). Por causa da Linha do Oeste, arrepelaram-se, berraram, brandiram estudos e mais estudos, fizeram vigílias e manifestaram-se na rua, derramaram-se pelas páginas dos jornais complacentes mas agora… nicles.
    Ficaram cansados, foi?
    (o-das-caldas.blogspot.com/2012/02/quando-e-que-comecam-protestar-contra.html)

  9. A assembleia realizada no CCC foi o mesmo que nada! Desde insultos a pessoas que até estavam a dar a cara, discusão de outros temas sem ser o CHON e por fim ainda querem dar um abraço colectivo pela causa! Valha-nos Santa Ingrácia!
    As pessoas que lá deviam estar, não estavam: Admnistrações anteriores e actual, Directora Clinica e Autarcas dos concelhos envolvidos.
    Não vai ser assim que se vai conseguir ir a algum lado….