Cerca de 50 vendedores marcaram presença no regresso do mercado à Praça da República, agora limitado a três entradas e com medidas de segurança

A Praça da Fruta voltou ao tabuleiro centenário na passada quarta-feira, 12 de Agosto, depois de quatro meses a funcionar na Expoeste, devido à Covid-19. No primeiro dia o mercado esteve a “meio gás” mas serviu de teste para as medidas de segurança sanitária implementadas e de preparação para a prova de fogo em termos de afluência: o próximo sábado

Foi um dia de chuva em pleno mês de Agosto que marcou o regresso da Praça da Fruta ao seu local de origem, a céu aberto, no coração da cidade. Com o tabuleiro “a meio gás”, cerca de 50 vendedores ocuparam as coloridas barracas, que nos últimos quatro meses estiveram arrumadas.
Filipa Militão, vendedora de flores há mais de 30 anos na praça, não esconde as saudades que tinha deste local. No entanto, tem algumas dúvidas se esta foi a melhor altura para a mudança. “O tempo nos dirá, mas acho que foi uma medida um pouco precoce, devíamos ter esperado mais um pouco”, refere, receosa que uma segunda vaga da pandemia os leve a regressar à Expoeste.
Também Adélia Gomes, vendedora há mais de 40 anos, está com alguma expectativa em relação ao futuro. “Se for como antigamente, aqui é melhor, pois temos mais clientes, mas tudo vai depender do que aí vem” nota, acrescentando que a alternativa no pavilhão revelou-se muito boa para os comerciantes.
Luís Camacho nem costuma ir vender todas as quartas-feiras, mas como era o primeiro dia no regresso às origens foi ver como “isto vai correr”. Está satisfeito que o mercado tenha regressado ao centro da cidade, onde “é o lugar dele”. “Sempre aqui estivemos e é aqui que devemos estar, mas lá em baixo [na Expoeste] havia mais condições para os vendedores e compradores, mais estacionamento. Neste caso está mais restringido, e acaba por ser tudo uma novidade. Vamos ver como vai correr”, refere o comerciante.
O facto de a Câmara assegurar a montagem das barracas é uma ajuda, porque, caso não o fizesse, este vendedor que mora na Quinta do Carvalhedo (Óbidos) teria que vir de propósito, de madrugada, montar os pesados ferros pois a esposa sozinha não o consegue fazer. “Desta forma a minha esposa já pode vir sozinha vender, ajuda bastante, agora vamos ver se será para continuar. Para os vendedores seria óptimo”, concretiza.

“DÁ VIDA À CIDADE”

Entre os clientes, o contentamento era visível. “Nunca fui à praça enquanto esteve na Expoeste, agora que abriu vim ver como estava”, conta Adelina Moura, cliente assídua deste mercado, mas na Praça da República. “Acho que deve estar aqui porque dá vida à cidade”, acrescenta a moradora no Bairro da Ponte, que garante que voltará a fazer o percurso diariamente.
Mascarado de fruta, Américo Barros não podia faltar nesta praça. Era um frequentador do mercado no centro da cidade, mas nunca a visitou enquanto esteve na Expoeste. Considera que é importante esta animação e quer fazer parte dela.
Em pequena Maria Costa acompanhava a mãe, que se deslocava frequentemente do Bairro da Ponte à Praça da República. Décadas mais tarde, continua a fazê-lo. “Sempre gostei da praça neste local, mas também compreendo que para os vendedores é difícil estarem à chuva e ao vento”. A caldense foi duas vezes à praça à Expoeste e sentiu-se sufocada, pelo que não voltou. “Acho que aqui [no centro da cidade] dá animação e as baias à volta, com fotos dos vendedores, também ficam muito bem”, conta Maria Costa, dando nota que há uma relação muito próxima entre quem compra e quem vende.

AS NOVAS REGRAS

Quem chega a uma das três entradas (Rua das Montras e topos sul e norte) tem de colocar máscara e desinfectar as mãos para aceder à praça. A delimitação dos acessos e tentativa de organização do espaço pretendem transmitir segurança e funcionalidade.
Os veículos não podem circular em redor do tabuleiro, mas apenas aceder para cargas e descargas. “O desafogamento do arruamento sul vem transmitir também alguma calma e organização”, explica o vereador Pedro Raposo, acrescentando que tentaram arranjar soluções às condições de conforto que a Expoeste proporcionava.
Esta protecção do recinto, por baias decoradas com fotografias em grande formato dos vendedores, “transmite segurança a clientes e vendedores”, acrescenta o autarca, que prevê, para breve, a instalação do sistema de controlo de acessos.
Nos últimos quatro meses o mercado mudou-se para a Expoeste por questões de segurança e chegou a ter dias bastante movimentados. De acordo com Pedro Raposo no primeiro fim-de-semana de Junho registaram um pico de 7000 entradas no pavilhão.
O vereador considera que na Expoeste, a praça conquistou outro tipo de público, aquele que vai fazer compras podendo estacionar o carro perto, e tem a expectativa de que a qualidade dos produtos e os comerciantes tenham “agarrado” essas pessoas. É certo que o estacionamento é mais difícil, mas o autarca responde que estes poderão estacionar nos parques existentes nas proximidades e que têm a gratuitidade da primeira hora.
A Câmara vai também a assegurar a montagem das barracas até Dezembro.

“A retoma começa hoje”, considera presidente da ACCCRO

“A retoma começa hoje”. Quem o diz é do presidente da ACCCRO, Luís Gomes, que considera que o regresso da praça da Fruta ao centro da cidade é o passo necessário para que as coisas comecem a voltar a uma nova normalidade.
O dirigente associativo destaca que este mercado a céu aberto é um ex-libris turístico das Caldas e que faz parte integrante da cidade. Realça também que os clientes que vão à praça vão também às lojas e que, no caso dos cafés e pastelarias em redor, os vendedores são os grandes clientes.
“Desde o início que achámos que fazia sentido ir para a Expoeste por razões de segurança, mas que esta teria que ser uma situação temporária”, referiu Luís Gomes.
Maria Clara Silva, comerciante do Granel da Rainha, refere que era notória a falta de movimento naquela zona, resultado da deslocação da praça. “Sentia-se a falta, era um vazio”, conta, realçando que havia pessoas que vinham a passeio e quando chegavam perguntavam o que tinha acontecido.
Também Hugo Almeida, proprietário do estabelecimento Citrus, corrobora da opinião de que a praça é o coração da cidade e que o seu regresso é de saudar. No entanto, lamenta que a saída para a Rua da Liberdade tenha sido anulada, pois limita a circulação para a zona do parque e Hospital Termal. “Espero que os responsáveis verifiquem essa situação e a rectifiquem, porque acho que esta saída é essencial”, conclui.