Presidente da Câmara de Torres Vedras pergunta ao ministro da Saúde quantas pessoas irão morrer a caminho das urgências

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Entre o início de Abril de 2011 e final de Março deste ano 96 pessoas morreram nas ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, a caminho do Centro Hospitalar local. Um número que o presidente da autarquia torreense, Carlos Miguel, acredita que vai aumentar se a urgência médico-cirúrgica local for encerrada no âmbito da reorganização dos cuidados hospitalares da região.
O alerta foi feito pelo autarca numa carta enviada no passado dia 17 de Abril ao ministro da Saúde, Paulo Macedo. Na missiva, Carlos Miguel salienta que actualmente “da ponta mais longínqua do concelho a Torres Vedras, onde se situa o Centro Hospitalar, não dista mais de 12 quilómetros”. Mas caso as urgências passem a ser encaminhadas para a unidade hospitalar caldense, “as pessoas carenciadas de tais serviços deixarão de fazer, no máximo, 12 km até serem assistidas devidamente, para fazerem mais de 40 km até às Caldas da Rainha e demorar quatro vezes mais tempo até terem assistência médica devida”.
Na carta enviada a Paulo Macedo, Carlos Miguel questiona “quantas mais pessoas irão morrer” a caminho das urgências e “quem é o responsável pelo aumento previsível do número de pessoas que venham a morrer sem terem a assistência médica de vida”.
“Quem vai pagar estas vidas?”, pergunta o autarca, numa missiva onde volta a reclamar a manutenção da urgência médico-cirúrgica em Torres Vedras.
No dia seguinte ao envio da carta, a Comissão de Utentes de Saúde de Torres Vedras foi ouvida na Comissão de Saúde da Assembleia da República, na sequência da entrega da petição onde mais de 11 mil signatários defendiam a manutenção da urgência médico-cirúrgica, da urgência pediátrica, da maternidade, do serviço de ginecologia e obstetrícia e do Hospital do Barro, onde funciona actualmente a medicina física e de reabilitação.
Em comunicado, a Comissão de Utentes diz que os representantes do grupo tiveram oportunidade, não só de refutar a proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, mas também de apresentar propostas de melhoria dos cuidados hospitalares oestinos, como “a partilha de especialidades entre hospitais ao nível das consultas externas, ou a eventual mudança de estatuto destas unidades, do Sector Público Administrativo (SPA) para Entidades Públicas Empresariais (EPE), com as vantagens que daí decorrem na aquisição de bens e serviços e na contratação de recursos humanos”.

Joana Fialho
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