Rainha D. Leonor inspirou a 10ª caminhada da Farmácia Rosa

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Caminhada
Os caminheiros passaram por vários locais relacionados com a Rainha D. Leonor, como a Igreja Nª Sra. do Pópulo |Beatriz Raposo

Depois de Bordalo Pinheiro em 2016, este ano a Rainha D. Leonor foi o tema da caminhada organizada pela Farmácia Rosa. Esta iniciativa vai já na 10ª edição e juntou no passado domingo, dia 7 de Maio, 350 pessoas que percorreram quase sete quilómetros (9140 passos). Além de fazerem exercício físico, os participantes tiveram oportunidade de conhecer a história da Rainha D. Leonor e observar várias espécies de plantas que habitam no Parque.
O dinheiro angariado com as inscrições será agora entregue à Liga dos Amigos do Hospital das Caldas.

A manhã estava solarenga, ideal para uma caminhada. No domingo, pelas 9h30, 350 t-shirts brancas aguardavam o sinal de partida em frente à Farmácia Rosa. A contagem decrescente foi feita por João Carlos Costa, já depois dos participantes terem feito um aquecimento com instrutores do ginásio Balance Club, que pela primeira vez se juntou à iniciativa.
Os caminheiros de passo mais acelerado seguem à frente, enquanto os que trouxeram a família, principalmente crianças, ou mesmo animais de estimação, preferem ir mais devagar. São mais de 300 pessoas e por isso o grupo não passa despercebido pelos locais por onde vai passando.
Partem da Avenida, seguem pela Rua Raul Proença, passam pelo Hotel Cristal, Praça 5 de Outubro, cumprimentam a estátua da Rainha D. Leonor, entram no Parque D. Carlos I e, no largo do Hospital Termal fazem a primeira paragem. É aqui que Isabel Xavier, presidente do Património Histórico, faz uma pequena apresentação da rainha que fundou as Caldas.
“A Rainha D. Leonor foi uma rainha construtora de cidades que soube valorizar o seu património. Era uma verdadeira princesa do renascimento cuja acção se desenrolou nos reinados de D. João II, D. Manuel I e D. João III”, explica a professora, realçando que foi esta quem encomendou a peça “Auto de S. Martinho” a Gil Vicente para que fosse encenada na Igreja Nª Sra. do Pópulo.
Depois desta contextualização histórica, os caminheiros seguem pela Igreja Nª Sra. do Pópulo, Museu do Hospital e das Caldas e pelo Jardim d’Água, apreciando a obra de Ferreira da Silva. Neste local muitas são as pessoas que tiram o telemóvel do bolso para fazer fotografias. Segue-se uma longa subida até à Mata. Como aqui decorre uma prova de BTT, o percurso é ligeiramente alterado: em vez de passarem pelo interior da Mata, os caminheiros contornam-na pela Quinta da Boneca. Curiosamente, a maioria não conhecia aqueles trilhos, mas elogiou a sua paisagem verde.
Chegado à Rua La Codesera, o grupo desce até à Escola Primária do Avenal, terminando a caminhada no Largo do Termal, onde são distribuídas flores às mulheres, num gesto comemorativo do Dia da Mãe. Ao longo do percurso eram vários os pontos de abastecimento de água e maçãs.
Catarina Tacanho, gerente da farmácia Rosa, disse à Gazeta das Caldas que “ano após anos as caminhadas conseguem afirmar-se não só como actividade que promove a prática de exercício físico, mas também a cultura e o conhecimento da História da cidade”.
Desde 2008 que a farmácia Rosa organiza estas caminhadas e desde 2014 que fez deste evento uma iniciativa solidária. Já foram apoiadas as associações Ordem do Trevo e Refood e este ano os fundos angariados com as inscrições (dois euros cada) revertem na totalidade a favor da Liga dos Amigos do Hospital das Caldas.
A farmácia Rosa faz parte do grupo Correia Rosa, que também detém as farmácias Caldense e de Sta. Catarina e, mais recentemente, a loja Articular – Ortopedia & Bem-Estar.

PARQUE JÁ FOI UMA QUINTA DO HOSPITAL

Actualmente são 11 hectares com 158 espécies de árvores e arbustos, plantas exóticas, um rico sub-bosque mediterrânico e também um eucaliptal. Mas nem sempre o Parque D. Carlos teve o aspecto de hoje. Quem o explicou foi Mercês Sousa, professora de Biologia que no final da caminhada guiou os participantes pela plantas do Parque.
“Por exemplo, quando o Hospital foi construído era necessário poupar recursos, por isso os terrenos aqui à volta foram aproveitados para plantar vinhas, hortas e pomares que serviam de abastecimento ao Hospital”, disse Mercês Sousa, revelando que mais tarde, no século XVIII, foi construído um jardim barroco, de estilo semelhante aos jardins de Versalhes.
“Coincidiu com a altura em que com a evolução da ciência passou a dar-se importância à saúde mental, então considerou-se que o jardim ajudaria os pacientes a distraírem-se”, acrescentou.
Mercês Sousa explicou também que foi Rodrigo Berquó o grande responsável pela mudança Parque. “Era um visionário, mandou construir o coreto e o lago e trouxe muitas das árvores que aqui encontramos hoje”, disse a professora.