Recriação das regatas do séc. XIX proporciona momentos de diversão no parque D. Carlos I

Um tempo ameno de Outono, um parque que é bonito em todos os dias do ano e um evento bem organizado que envolveu milhares de pessoas. Eis como se pode resumir a Grande Regata da Gazeta das Caldas, que ocorreu no passado sábado, 28 de Setembro e que se saldou com a vitória da equipa Lepus Sanctorum. Mas mais do que a competição – houve 158 participantes distribuídos por 32 equipas que disputaram quatro eliminatórios e uma final – o que contou foram as actividades que decorreram durante todo o dia até perto das 23h00 e o forte impacto que tiveram na cidade.

Mais do que ganhar ou perder, importou sobretudo o convívio e a boa disposição. Equipas houve que até vieram trajadas para a regata, como a dos Marinheiros de Água Doce, composta por um avô Popeye e quatro netos marujos, a das Termas, com elementos femininos que traziam toucas e era capitaneadas por um pirata das Caraíbas, a Fuga dos Cisnes, que traziam um cisne no boné, ou a da Associação do Bairro Azul que demonstrou ser a mais florida.
Os fantásticos atletas que navegaram no lago do Parque D. Carlos I não podiam ser mais heterogéneos. Havia desde famílias divertidas a grupos de musculados remadores. Havia “marinheiros” desajeitados que não atinaram com o sentido dos remos nem com o rumo da navegação (e chegaram ao fim da prova sem terem aprendido) e havia sincronizados grupos de remadores que eram autênticas máquinas de guerra. Por isso, em mais do que uma eliminatória aconteceu aparecer um barco vitorioso sob a ponte do lago, com a volta já feita, quando, no lado oposto ainda havia barcos encalhados que mal haviam começado a prova e com equipas perdidas nos movimentos (e perdidas de riso).

TUDO DEPENDE DA SAÍDA

O momento da saída é sempre um dos pontos mais decisivos para o desfecho da volta e o local onde o barco está atracado (no meio dos outros ou nas extremidades) pode ter influência. Depois existe o problema dos abalroamentos, que quando ocorrem, conseguem roubar bastante tempo às equipas.
A partir daí, tudo depende do jeito e empenho de cada um. Há equipas que preferem remar ao estilo dos gondoleiros de Veneza e há quem, além dos remos, tente usar os braços para dar mais impulso. Há ainda embarcações que contam com autênticos “comandantes”, que dão ordens ao remador sobre a melhor trajectória a seguir para se livrar dos obstáculos que vão aparecendo pelo caminho.
No fim, e como a competição acaba por ser o que menos conta neste convívio, muitos acabam por levar um autêntico banho – ainda que ninguém tenha caído ou se tenha atirado ao lago, apesar das promessas que o apresentador fez sobre o júri mandar um mergulho. As remadas dos outros barcos ou, consoante o jeito ou a falta dele, da própria embarcação, acabam por deixar os concorrentes molhados, mas bem dispostos.
Os momentos de entrada, mas principalmente da saída dos barcos, também costumam ser pródigos em humor e este ano não foi excepção. Muitas vezes a pressa acaba por levar os concorrentes a desequilibrar-se e quase experimentar a temperatura da água.

PROMOÇÃO DE MARCAS

Das 32 equipas, cinco eram empresas (duas das quais com duas equipas), o que demonstra que esta iniciativa da Gazeta das Caldas é uma boa oportunidade para jogos acções de team building e para promoção de marcas. As restantes equipas eram sobretudo grupos de amigos, mas também várias colectividades, entre elas os Pimpões, os Bombeiros, o Clube Desportivo dos CTT.
Palmas e gritos de incentivo acompanharam os intrépidos remadores na volta ao lago, mas o que mais caracterizou o público neste sábado bem passado no Parque D. Carlos I foi a gente sorridente e bem disposta que se envolveu no evento, uns por curiosidade e para apoiarem familiares e amigos, e outros que ali foram levados pelo acaso.

OS LEPUS SANCTORUM

Apesar de a iniciativa promover sobretudo o convívio a diversão, também há lugar a vencedores. A prova foi dividida em quatro séries, nas quais os dois primeiros se apuravam para uma final na qual os barcos tinham que dar duas voltas ao lago. Os mais rápidos a fazê-lo foram os Lepus Sanctorum, equipa composta por Ivo Santos, Maria João Coelho, Miguel Lalanda e Luís Lalanda.
No final da prova, Luís Lalanda falou à Gazeta das Caldas em nome da equipa vencedora e disse que “é fantástico participar na regata, neste cenário fabuloso, no meio dos amigos e contra amigos também”. O que os trouxe à regata foi mesmo o convívio e a oportunidade de participar em eventos que dão vida ao Parque, “que é um espaço fabuloso”. Ganhar foi a cereja no topo do bolo e também o resultado de “meses e meses de treino intensivo”, gracejou.
Pouco depois dos Lepus Sanctorum chegou o Caldas SC, com os marujos Susana Oliveira, Vítor Formiga, Maria João Formiga e José Mário Rafael. O pódio ficou completo com a Caixa Agrícola, composta por Cristiana Lage, Cristina Belém, Marco Leal e José Manuel Almeida.
Antes do tiro de partida para a final, o director da Gazeta das Caldas, José Luiz de Almeida e Silva, agradeceu a presença das equipas e de todas as pessoas que estiveram presentes nas bancas de artesanato e de comércio, que contribuíram para o sucesso da iniciativa. E deixou a promessa de repensar alguns aspectos para a próxima edição, nomeadamente a questão da partida, na qual a saída dos barcos do cais é mais complicada para quem sai do meio em relação a quem está nas pontas, e também o hiato de tempo entre as eliminatórias e as finais, durante o qual há uma desmobilização.

ACTIVIDADES DESPORTIVAS

O evento de sábado teve a regata como ponto alto, mas a edição deste ano teve uma novidade – é que o dia foi também pontuado por actividades desportivas que começaram logo de manhã, com jogos de futebol, xadrez, dominó, dados e cartas. Como preâmbulo da grande prova da tarde, houve no lago demonstrações de paddle e de canoagem.
A Grande Regata no Lago foi uma organização da Gazeta das Caldas em parceria com o Museu do Hospital e das Caldas, a Câmara das Caldas, a União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, o Centro Hospitalar do Oeste e a rádio 91FM.

Artesanato Local

Esta é também uma boa altura para conhecer o que de melhor se faz em relação ao artesanato local. Este ano não foi excepção e a iniciativa contou com uma forte presença da Associação de Artesãos.
Ao todo estiveram presentes 20 autores que aproveitaram a ocasião para dar a conhecer (e vender) as suas peças de cerâmica, têxteis, trabalhos em madeira, bordados das Caldas, bijuteria, porcelana fria, e muitas artes decorativas. Aos têxteis infantis da Loja da Avó Mina e às peças de madeira do Papa Lulu, juntaram-se a bijuteria da SoCriArte e o atelier de carpintaria de João Ricardo. Vítor Pires, Teresa Alves e Jorge Lindinho foram alguns dos ceramistas presentes.
Jorge Lindinho disse que o evento foi “muito bom”, acrescentando que a cidade precisa de momentos como este “fora do mês de Agosto”, de modo a continuar a chamar as pessoas à rua. Apesar de ter sido a primeira vez que participou como expositor na regata, achou boa a afluência e acrescentou estar satisfeito com o negócio que gerou.

GASTRONOMIA PARA RETEMPERAR FORÇAS

A regata é sempre uma actividade cansativa (até para quem só assiste) e por isso Os Pimpões serviram bifanas no pão, as Gramas com Sabor levaram as suas bolachas artesanais e Ana Duarte oferecia frutas desidratadas. Na banca do lado estiveram também as compotas caseiras e sumos naturais que são habitualmente vendidos na Praça da Fruta. A proposta para a regata de vender salada de fruta em copos foi uma das que fez mais sucesso entre o público. Por um euro, muitos foram os que saborearam fruta fresca à beira do lago.
A Mercearia Zen marcou presença com a venda de chás, enquanto que o café Local serviu petiscos e cervejas artesanais. Os responsáveis pelos Doces Artesanais trouxeram Paçoquinha brasileira que vendiam e davam a provar. Por seu lado, o mini-mercado Smak, que fica próximo da Praça de Touros, trouxe produtos de vários países de Leste, alguns dos quais davam a provar aos transeuntes. Vários tipos de bolachas, aperitivos e cubos de fruta foram dados aos potenciais compradores.
Érika e Juan Pitzer estiveram presentes pela primeira vez neste evento com os seus produtos de amendoim e ficaram satisfeitos, não só pela adesão aos seus produtos, como pelo próprio evento em si. “De tarde esteve bastante gente, foi bastante proveitoso, e a regata foi bastante animada, demos algumas risadas, porque o apresentador [João Carlos Costa] também é muito bom”, disse Érika Pitzer. A única coisa que mudava no evento era a interrupção entre as eliminatórias e a final, “podia haver alguma coisa que mantivesse aqui as pessoas”, observou.

DESENHO E PINTURA

Durante o evento, a Casa dos Barcos acolheu uma exposição de desenho e pintura, numa parceria entre a União de Freguesias e a ESAD, onde estiveram retratadas as espécies de árvores que existem no parque D. Carlos I. Os trabalhos contaram com a colaboração de várias famílias que, no final da exposição, prevista para 4 de Outubro, poderão levar as obras, efectuadas com a ajuda de docentes da ESAD.