Reeditado livro que conta a história do concelho do Bombarral

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Descendentes do escritor bombarralense Augusto José Ramos autografaram alguns exemplares durante a cerimónia

Obra do bombarralense Augusto José Ramos, há muito esgotado, foi reimpresso pela autarquia

O livro ‘Bombarral e seu concelho – Subsídios para a sua História’, de Augusto José Ramos, de 1939, acaba de ser reeditado pelo Município do Bombarral. Trata-se de uma obra importante que, ainda hoje, é a que mais fala sobre a história do concelho, criado em 1914 na sequência da implantação da República, após desanexação do concelho de Óbidos. A apresentação ocorreu nos Paços do Município, no passado sábado, com a presença de autarcas e de três familiares do autor: neta, bisneta e trisneto.
A primeira edição deste livro teve a chancela da já desaparecida Tipografia Judícibus, onde foram impressos muitos jornais e livros do concelho, tendo depois uma reedição em 1982 pela Grafibom, uma tipografia que também fechou as portas há alguns anos. O livro de Augusto José Ramos é até hoje o único que aborda exclusivamente as raízes históricas do concelho, mas há muito que se encontrava esgotada. Mas esta reedição é de apenas 300 exemplares e não vai estar à venda, sendo apenas disponibilizado para oferta. Poderá, no entanto, ser encontrada futuramente no museu e biblioteca municipais, que se encontram fechados devido às obras de recuperação do Palácio Gorjão. São poucas as diferenças que o distinguem e das anteriores edições e mantém as 117 páginas. Para além de ser um pouco mais pequeno que o original, tem também uma capa e contracapa diferentes e, nas badanas, um prefácio do presidente do executivo camarário, Ricardo Fernandes, e uma breve biografia do autor.
Augusto José Ramos, filho de um alfaiate de uma aldeia de Castelo Branco e de uma costureira algarvia de Vila do Bispo, nasceu no Bombarral em 1890, onde casou e teve dois filhos. Teve uma grande participação cívica e desportiva: integrou a equipa de futebol do Sport Clube Escolar Bombarralense e o pequeno grupo de notáveis da terra que integrou várias instituições importantes, como o Centro Republicano João Chagas, Associação Comercial, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e, ainda, o executivo da Câmara Municipal. O investigador municipal Nuno Ferreira considera que o escritor e também jornalista deixou como legado para a comunidade “o primeiro livro que se dedica a falar sobre a história e cultura do Bombarral e é um trabalho extraordinário”.
Esta reedição é a primeira de várias obras que irão constituir o acervo do futuro centro documental municipal do conhecimento sobre o Bombarral. Em abril deverá ser editado um livro sobre a raiz e a identidade do concelho da autoria do técnico municipal Nuno Ferreira e, a 17 de agosto, uma obra que compilará os testemunhos de vários bombarralenses e seus descendentes espalhados pelo mundo, entre os quais do cientista e médico Sobrinho Simões, bisneto de Alberto Martins dos Santos, personalidade que teve grande relevância para a vila e que construiu o belo palacete já degradado defronte do Teatro Eduardo Brazão.
Por editar continua a Monografia do Bombarral, que sintetize por especialistas a história do concelho. A sua importância foi escrita numa moção aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal há três mandatos, mas que nunca chegou a ser concretizada pela edilidade. Contudo, a vereadora Fátima Coelho afiançou à Gazeta que “este é um dos objetivos” do executivo camarário e que está inserido neste projeto de novas edições literárias. ■