Secretária de Estado do Turismo diz que Caldas pode ter uma “agradável surpresa” no acesso a fundos comunitários

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A comitiva junto ao Padre, uma das figuras bordalianas que compõem a rota agora visitada pela governante | FÁTIMA FERREIRA

A Rota Bordaliana serviu de pretexto para o presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, mostrar à secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, os projectos que a autarquia tem para aproveitamento do património e relançamento do termalismo.
A governante mostrou-se agradada com o que viu e disse que o governo vai investir em 30 monumentos nacionais, através de fundos comunitários, permitindo-lhes uma nova utilização. Escusou-se a adiantar se os Pavilhões do Parque fazem parte dessa lista, dizendo apenas que esta poderá ser uma “agradável surpresa para as Caldas”.

Estimular o trabalho articulado entre as entidades do poder central e local, entidades privadas e associações, de modo a criar escala, é também, o papel de uma secretária de Estado do Turismo. É assim que pensa Ana Mendes Godinho, que durante uma visita à Rota Bordaliana, no passado dia 7 de Julho, foi deixando pistas para potenciar este percurso e o destino turístico Caldas da Rainha.
Depois de ver grande parte das criações de Bordalo Pinheiro e de conhecer um pouco da história por detrás de cada uma – através de uma extraordinária interpretação de José Ramalho – a governante sugeriu que a Câmara abordasse a TAP para integrar este roteiro numa campanha que aquela empresa tem em curso (em articulação com o Turismo de Portugal) destinada a incentivar os passageiros em trânsito a fazerem escala de mais um dia em Portugal.
A preocupação em valorizar o património foi vincada após a visita aos Pavilhões do Parque e Hospital Termal. Ana Mendes Godinho destacou que aqueles edifícios não podem cair e devem ser criadas condições para que voltem a ser utilizados. Nessa medida, o governo está a trabalhar num programa, que será lançado em breve, de incentivos ao acesso a fundos comunitários para investimento em 30 monumentos nacionais, promovendo assim a sua recuperação por parte de privados.
Ana Mendes Godinho não quis adiantar quais são os 30 imóveis que farão parte deste programa, referindo apenas que “poderá ser uma agradável surpresa para as Caldas”.
Já na semana passada o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, disse que o governo está disponível para apoiar as candidaturas feitas pela autarquia e privados, a fundos comunitários, para o relançamento do termalismo caldense. Os projectos de natureza privada, como a conversão dos pavilhões do Parque em hotel, pela sua dimensão, poderão ser objecto de negociação, mas também neste caso o governo está disponível para colaborar.
A governante visitou a piscina da rainha, no Hospital Termal, e destacou a sua unicidade. “Não fazia ideia de que havia aquele activo tão fantástico, que dificilmente encontramos noutro lugar”, disse, destacando que são estes aspectos que se devem valorizar, pois são o que diferencia este local de todos os outros no mundo.
O desafio do Turismo passa por mostrar e dar a usufruir o património existente, mas também de fidelizar as pessoas, dando-lhes algo de original. A governante encontrou isso nas Caldas, também com as peças de Bordalo Pinheiro e a sua ligação à cerâmica, que tanto contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Aliar o comboio ao turismo

A visita de Ana Mendes Godinho estava prometida desde o início do ano e após um adiamento concretizou-se a semana passada. Junto à estação de comboios e de frente para a rotunda da rã, a governante ficou a saber que o investimento de Bordalo Pinheiro nas Caldas esteve intimamente ligado com existência da linha férrea, que permitia o escoamento da produção da sua fábrica.
Questionada pelos jornalistas sobre a importância do comboio, dois séculos depois, para trazer turistas às Caldas,  a governante  não escondeu a sua crença nas potencialidades deste meio de transporte. “Acredito imenso no comboio como um meio para levar os turistas a conhecer o nosso território e farei tudo para apostar nele como forma de permitir a descoberta do país”, disse, acrescentando que cada vez mais as pessoas procuram modos de deslocação alternativos ao carro e que sejam mais sustentáveis.“Na Europa os jovens cada vez mais viajam de comboio,  temos que criar as condições para que seja um meio de transporte que, de facto, responda às necessidades dos turistas”, concretizou.De acordo com o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, a Rota Bordaliana é bastante procurada por turistas quando visitam a cidade. “É um elemento de ocupação dos tempos livres para quem está a fazer turismo”, disse o autarca, acrescentando que as pessoas podem optar pelo apoio em formato papel ou digital, para fazer o roteiro.
Já a sua dramatização, como foi o caso nesta visita com o actor José Ramalho a encarnar Rafael Bordalo Pinheiro a explicar as peças, não é possível devido aos custos que comporta. “Temos um orçamento reduzido e não há condições para ter um aumento de recursos humanos nessa área porque a rentabilidade que daí se tira não é compensadora em relação aos custos”, concretizou.