Sugerida nova rota da rainha fundadora nas Caldas

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Presidente do Património Histórico admira o percurso da fundadora das Caldas e até sugere uma nova rota

A Rainha D. Leonor (1458-1525), nascida em Beja, é a figura histórica a quem se deve origem das Caldas. Isabel Xavier, historiadora e presidente da Associação Património Histórico, frisa que à monarca se deve a construção do Hospital, equipamento que acabou por dar origem à própria localidade.
“Estamos próximos de celebrar os 500 anos da morte desta Rainha que percorreu três reinados. Foi Rainha com o marido, com o irmão, D. Manuel I e ainda lhe sobreviveu e viveu nos primeiros anos do reinado de D. João III”, esclareceu a historiadora.
Isabel Xavier conta que D. Leonor, membro da aristocracia portuguesa, “era uma mulher culta que tinha preocupações sociais, sobretudo com os mais desfavorecidos”. Sabia latim e mandou efetuar traduções de livros estrangeiros, além de ter sido mecenas.
No apoio às artes contam-se, por exemplo, encomendas de obras a Gil Vicente como, por exemplo, “O Auto de S. Martinho” que se comprova que foi representado na Igreja do Pópulo em 1504.

“Tenho uma grande admiração por D. Leonor”, afirmou a presidente do PH, que lamenta o facto de associarem a rainha a um potencial envenenamento do marido, algo que nunca se comprovou e que surgiu “muitos anos muito tarde”.
Os casamentos naquela época eram acordos diplomáticos e políticos e D. Leonor teve uma ação no que diz ao trono do país. O seu filho único morreu, tragédia muito marcante e a rainha não aceitou que o marido quisesse um filho ilegítimo para lhe suceder no poder, D. Jorge. E conseguiu, assim, que o escolhido fosse o irmão, D. Manuel…
“E mesmo depois de ter ido viver para o Convento da Madre Deus, continua a ter influência política”, referiu a investigadora. Apesar de viver no convento, D. Leonor “não professa e não se torna freira, pois teria de fazer voto de pobreza e deixar a gestão dos seus bens”, algo que a rainha não pretendia, dado que era uma das mulheres mais ricas do reino.
“Já no seu enxoval vão muitos bens, terras, joias e panejaria e ainda aufere das vantagens da Casa das Rainhas,tendo até alargado os seus domínios”, referiu Isabel Xavier. Em 1506 por morte da mãe, D. Leonor herda ainda mais bens, terras e património.
A lenda contou que a rainha encontrou doentes que se banhavam em poças de água fumegantes quando ia assistir às exéquias do seu sogro, à Batalha em 1484.
Um ano depois mandava iniciar as obras de construção do Hospital e da Igreja.
A própria Rainha escreve o Compromisso, documento que data de 1512 onde regulamenta os princípios de utilização daquele equipamento com normas relativas à higiene, aos tratamentos e à forma como deveria ser feito o acompanhamento dos enfermos.
“Essa sua vontade de criar e gerir um hospital é de facto algo inovador para a época”, afirmou a presidente do PH, recordando que a rainha implantou algumas normas relativas aos doentes que chegavam ao hospital. Estes tinham de “tratar primeiro da alma (confissão) e só depois então tratava os seus males físicos”.
D. Leonor foi também uma grande promotora da publicação de obras e promove a edição da primeira obra, em português, “Vita Christi“, em 1495.

Em busca dos rostos de Leonor
A historiadora tem há vários anos um projeto de pesquisa relacionado com os rostos da própria Rainha. D. Leonor. Dedica-se à recolha de imagens dos vários locais onde a rainha se encontra retratada nas Caldas e leva os seus alunos da Secundária Raul Proença a conhecê-los. E Isabel Xavier lembrou que o próprio Museu Malhoa nasceu após ter sido pedido ao pintor naturalista que pintasse a rainha e esse é um dos retratos onde D. Leonor é apresentada jovem e bela como é possível constatar-se hoje no próprio museu.
No Tribunal também há obras que retratam a rainha, assim como se encontram nos Paços do Concelho obras de Armando Correia e de Ferreira da Silva.
Nesta futura rota de Rostos para Leonor poderiam incluir-se, ainda, os exemplares que se encontram patentes no Museu do Hospital e das Caldas, assim como a estátua da fundadora , na entrada da cidade, no Largo do Conde de Fontalva. Mas há muitos mais, para descobrir por toda a cidade.