Testes para dragagens “sujam” água no Bom Sucesso

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É visível a cor escura dos sedimentos provenientes das cabeceiras da Lagoa e que foram enviados para o areal junto ao Gronho

A cor escura dos sedimentos repulsados para junto ao mar geraram preocupação, mas não são nocivos, diz a APA

Os testes com o envio para o mar de sedimentos da zona a dragar, nas cabeceiras da Lagoa de Óbidos, tornaram a água castanha, levando a que muitos muitos veraneantes mostrassem o seu desagrado e questionassem sobre a perigosidade do material dragado.
Estes testes decorreram a 20 de agosto e levaram o presidente da Junta de Freguesia do Vau, Frederico Lopes, a mostrar o seu desagrado e a pedir explicações à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), sobre o que estava a acontecer e quais os impactos dos sedimentos colocados no areal em plena época balnear. Embora defenda o avanço das dragagens, o autarca questiona a intenção em dragar em plena época balnear e quando existe um caderno de encargos de execução da obra que refere que se deve “assegurar que as operações de dragagem de sedimentos se realizem em articulação com o usufruto balnear, preferencialmente fora do período de 15 de junho a 15 de setembro”.
O autarca não obteve resposta por parte do vice-presidente da APA, no entanto, um relatório emitido pela própria agência sobre a análise feita à água no mar a 21 de agosto, conclui que a sua qualidade é compatível com o uso balnear, referindo tratar-se de “água própria para banhos”, garantiu Frederico Lopes à Gazeta das Caldas.
A APA esclarece que houve um teste de dragagem na lagoa a 20 de agosto (com a duração de 2h30), com o objetivo de “aferir do correto funcionamento do equipamento de dragagem e do posicionamento definitivo do mecanismo de repulsão por arco de dispersão (rainbow)”. Justifica que os sedimentos repulsados apresentavam cor escura, dado serem parcialmente constituídos por argilas, siltes e areias lodosas, “não tendo sido detetado qualquer tipo de contaminação” conforme atestam os resultados dos ensaios de sedimentos e de monitorização da qualidade da água realizados na zona de deposição após o teste.
Após o reposicionamento do mecanismo de repulsão será realizado novo teste para avaliação final da conformidade do processo de dragagem, dando-se início às dragagens, o que deverá acontecer nos últimos dias desta semana ou no início da próxima, referiu a APA à Gazeta das Caldas.

Informações no estaleiro
Entretanto, a Comissão Cívica de Proteção das Linhas de Água e Ambiente emitiu um comunicado, dando conta que será colocada uma placa informativa no estaleiro, disponibilizando toda a informação das fases e formas de intervenção, que vão sendo elaboradas. “Todas as quartas-feiras da primeira e terceira semana de cada mês, das 9h00 às 12h30, encontra-se uma pessoa disponível no referido estaleiro, para prestar todos os esclarecimentos e bem assim tirar quaisquer dúvidas, a quem o desejar”, refere a comissão.
O mesmo comunicado salienta que as análises da qualidade da água, a fazer durante a intervenção, vão ser públicas e que, relativamente às análises aos dragados, as mesmas foram feitas recentemente de forma repetida, e acusaram “grau 2 e nalguns casos um pouco ligeiramente acima”. Posteriormente “não serão feitas mais análises aos dragados uma vez que tudo indica que não haverá alteração no grau anteriormente informado”, refere a comissão, que promete estar atenta ao decorrer da intervenção na Lagoa. ■