Tinta Ferreira reitera independência das escolas face ao município

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O Dia do Professor realiza-se há 28 anos e reúne largas dezenas de docentes | Fátima Ferreira

O município das Caldas voltou a juntar os docentes do primeiro ciclo e pré-escolar do concelho para assinalar o Dia do Professor. A iniciativa, que já decorre há 28 anos, não teve desta vez homenagens e foi aproveitada pelos autarcas para dar nota do trabalho desenvolvido na área da educação.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, reiterou que não defende uma descentralização na Educação e deixou a garantia que, caso esta se concretize, o município “não irá intervir na forma como a escola se organiza e funciona”. Uma postura contrária à do município vizinho de Óbidos que gosta de se apresentar como um exemplo de municipalização da educação.

 


“A relação do município, freguesias e agrupamento de escolas é de colaboração, não é de interferência”, disse o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, na cerimónia que reuniu dezenas de professores no CCC. Referindo-se à política de descentralização do governo, que “parece ser universal e sem hipótese de escolha”, o autarca admite que a autarquia poderá vir a ficar com responsabilidades nos edifícios e pessoal não docente até ao 12º ano (em vez de ser só até ao 1º ciclo como acontece actualmente). A verificar-se essa situação, Tinta Ferreira perspectiva que o município passará dos 400 para mais de 700 funcionários, o que acarretará constrangimentos de ordem financeira.
No entanto, e apesar de manifestar que não defende uma descentralização na Educação, o edil garantiu que  caso venham a ter essa responsabilidade, não irão interferir na forma como a escola se organiza e funciona. Uma posição que levou a que fosse aplaudido de pé pelos professores.
“Percebo que haja municípios que pretendam ver melhorados os seus resultados e por isso tenham optado por aderir de uma forma mais efectiva no processo”, acrescentou, destacando que isso não se passa nas Caldas, que nos últimos anos tem estado no topo dos rankings, a nível nacional, na categoria com mais de mil exames.

Cinco milhões para obras

Na sua intervenção, a vereadora da Educação, Maria João Domingos, baseou-se em dados do INE, divulgados no início do mês passado, que dão conta  da descida nas últimas décadas do abandono escolar, uma tendência que tem vindo a ser acompanhada pelo concelho.
A responsável enalteceu as lideranças dos agrupamentos e das escolas e destacou o percurso que tem sido feito com a autarquia e outros parceiros, e que permitem que as Caldas seja considerada um concelho de referência ao nível da Educação.
Referindo-se aos equipamentos, depois da construção dos centros escolares de Nossa Sra. do Pópulo, Santo Onofre, Salir de Matos, Alvorninha e Sta. Catarina, será continuado o investimento na requalificação de escolas. Após a conclusão da EB dos Arneiros, será este ano concluída a EB de Tornada e está em concurso de execução a EB da Encosta do Sol e contractualizada a execução de projecto para a EB do Avenal.
As escolas têm ganho equipamentos, mobiliário e materiais, mas a vereadora reconhece que é necessário um “significativo esforço” na modernização dos meios informáticos. Garantiu que irão continuar esse investimento, de forma faseada. Neste mandato, o município conta investir cinco milhões de euros nas escolas do concelho.
Também presente na cerimónia, o presidente da Assembleia Municipal, Lalanda Ribeiro, destacou que o ensino do pré-escolar e 1º ciclo são fundamentais para o desenvolvimento da criança. O autarca destacou ainda a preocupação deste município com a Educação, assim como a presença na cerimónia dos anteriores vereadores da Educação, Rui Gomes, Tinta Ferreira e Alberto Pereira.
A cerimónia contou com a animação musical dos “Acordes do Pátio”, composto por Melanie Russo e Luís Agostinho.

 

A vereadora da Educação, Maria João Domingos, falou das obras e investimentos que o município está a fazer  nas escolas | Fátima Ferreira
A vereadora da Educação, Maria João Domingos, falou das obras e investimentos que o município está a fazer nas escolas | Fátima Ferreira