Traçado do TGV mantém Oeste fora da primeira fase

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A linha de alta velocidade Porto-Lisboa, que pretende ligar as duas cidades numa hora e 15 minutos, não terá paragens. A Linha do Oeste e a ligação a Leiria ficam para a segunda fase.

Enquanto não há decisão sobre a localização do futuro Aeroporto Internacional de Lisboa, o Governo anunciou, na semana passada, no Porto, o projeto da linha de alta velocidade, sem novidades no que diz respeito à Linha do Oeste, que apenas será “contemplada” na segunda fase.
O TGV, que terá via dupla, permitirá fazer a ligação Porto-Lisboa numa hora e 15 minutos no serviço direto. A linha não terá paragens e será construída em três fases, mas a Linha do Oeste só será impactada na construção do segundo troço, entre Soure e o Carregado, que deverá estar concluído até 2030. Dois anos antes prevê-se que esteja pronto o troço entre Porto e Soure.
A terceira fase, entre Carregado e Lisboa, “será construída mais tarde”, disse Carlos Fernandes, do Conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal (IP), na apresentação do projeto, que decorreu na Campanhã.
O responsável assegurou que estão previstas “múltiplas ligações” entre a linha de alta velocidade e o resto da rede ferroviária nacional, mas as estações centrais – em Lisboa e no Porto – serão servidas “sem ter de construir novos troços” porque “os comboios poderão usar ou a Linha do Norte ou a Linha do Oeste e servir as estações sem necessidade de novas construções”.
“Isto não será um eixo autónomo, um eixo independente, será um eixo totalmente integrado na rede ferroviária nacional”, referiu Carlos Fernandes, que apontou como “grande benefício” da integração da linha de alta velocidade na linha ferroviária nacional “permitir que a construção desta nova linha se estenda ao resto do país”.
No Porto, a estação ficará preparada para esta nova linha, bem como para ligações a Norte, incluindo a cidade espanhola de Vigo, e preparada para uma ligação “a construir no futuro” de ligação ao aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Carlos Fernandes disse que a IP está a trabalhar em parceria com a Câmara do Porto para desenvolver um projeto que integre a “nova” estação de Campanhã na cidade.
Na cerimónia de apresentação da linha de alta velocidade, o presidente da IP, Miguel Cruz, recordou que este projeto está incluído no investimento global de 43 mil milhões de euros a realizar até ao final da década na área dos transportes, sendo que 11 mil milhões de euros serão investidos na ferrovia. Miguel Cruz descreveu os objetivos deste investimento, sublinhando que este está enquadrado nos objetivos de diminuição do impacto ecológico, pretendendo-se “contribuir para a descarbonização do setor dos transportes”.
No Facebook, o presidente da Câmara de Leiria, que esteve presente na cerimónia, garantiu que está a acompanhar o tema. “Muito em breve vamos dar início ao trabalho para a definição do projeto da estação em Leiria, que estabelecerá uma ponte entre a Linha de Alta Velocidade e a Linha do Oeste, que será também requalificada”, advertiu Gonçalo Lopes (PS).