Três autoras ilustraram a Revolução

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Joana Mundana é arquiteta e ilustradora e chama a atenção para a fragilidade da Liberdade. Trabalhos em pintura digital vão estar na Suíça, numa mostra sobre Revoluções

“Liberdade Ilustrada” é a mostra, dedicada 25 de Abril que abriu na Casa da Mãe Joana

 

Abriu ao público a19 de abril, na Casa da Mãe Joana (Tv. Infante Dom Henrique 5 b), uma exposição de três ilustradoras sobre Abril. Uma delas é Joana Ribeiro, mais conhecida por Joana Mundana.Para a autora, o 25 de Abril “é a festa mais bonita que o nosso país tem e de que muito me orgulho”.
A caldense formou-se em Arquitetura no Porto e regressou à terra natal em 2015. “Antes da pandemia despedi-me do atelier para me dedicar à ilustração e às artes gráficas”, contou a autora de 32 anos que tem atelier nos Silos.
“Percebi que, com a ilustração, também conseguia ter um papel na sociedade”, disse a autora que faz artivismo, usando o seu trabalho para defender causas em que acredita. A mulher, o feminismo, o Ambiente e a Saúde Mental são temas a que se dedica. Nos trabalhos desta mostra, Joana Mundana aborda a fragilidade da Liberdade “que tem que se cuidar ativamente, pois se deixamos espaços vazios, estes serão ocupados por quem não a respeita”, contou sobre uma das obras expostas. Nascida vários anos depois de Abril, Joana Mundana defende os valores que a Revolução representa. “E pensava que toda a gente era assim!”, disse a ilustradora que considera
Thais Aragão, conhecida como Oh Thais!, tem 36 anos e é do Rio de Janeiro. Veio viver para cá há nove anos, depois de se ter formado em Design Gráfico e em Design de Moda.
Gosta de viver nas Caldas, de onde trabalha de forma remota em projetos de criação de identidade gráfica e também ligados à moda, como na criação de padrões . “Cheguei em abril a Portugal e adorei celebrar a Revolução. Infelizmente no Brasil não temos uma data que assinale o fim da ditadura”, disse a ilustradora que lamenta que “haja quem negue os horrores que existiram”. “Estar em Portugal é como se me fosse permitido fazer parte da história e viver e celebrar a Revolução”, salienta.
Thais trouxe um padrão, estilizando um cravo, assim como uma sardinha que tem como configuração a temática de Abril. Além de uma ilustração com 50 cravos, todos representados de forma diferente. Thais apresenta a Dança da Liberdade, inspirada na Dança de Matisse. A caldense Beatriz Penas (aPenas Illustrator), 29 anos, é ilustradora e trabalha na área há nove anos. “Entre a minha família damos muita importância à Revolução”, disse a autora que considera que a democracia e a liberdade precisam de ser protegidas nestes tempos onde surgem pessoas “que não defendem a Revolução”. Os seus trabalhos abordam os valores da Liberdade, como alude ao fim da censura, com a quebra do lápis azul. Deisi Correia, da Casa da Mãe Joana, também é defensora do espírito revolucionário de Abril e considera que em tempos de crescimento da extrema direita “é preciso reforçar os valores da Revolução”. Quis fazê-lo de forma delicada e, por isso, convidou estas três autoras “para combater o horror da ditadura com beleza”. Esta mostra vai estar patente durante durante um mês. ■