Veterinária paga pela Câmara garante funcionamento de matadouro de codornizes

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Estrutura no Landal necessita de um inspetor sanitário e autarquia resolveu problema que a Direção-Geral de Veterinária não conseguiu

A Câmara Municipal das Caldas da Rainha está a assegurar a contratação de uma médica veterinária, em regime de avença, no matadouro Manuel Louro Miguel, no Landal.
Esta medida visa garantir o normal funcionamento daquela estrutura, tendo em conta que a Direção-Geral de Veterinária (DGV) exige que os matadouros tenham um inspetor sanitário a acompanhar e a inspecionar o seu funcionamento, sem o qual não pode laborar.
“E cabe ao Estado, através desse mesmo organismo, destacar um médico veterinário para esse acompanhamento das atividades”, refere o presidente da Câmara, Tinta Ferreira. No entanto, e tendo em conta que a DGAV manifestou algumas dificuldades em garantir esse acompanhamento, pois não tinha técnicos disponíveis e não reunia condições para contratar, foi protocolado com a autarquia a contratação de um médico veterinário para que o matadouro não tivesse de encerrar, explicou o autarca à Gazeta das Caldas.
Esta colaboração, que acontece pelo segundo ano, está contratualizada até ao final deste ano e traduz-se numa despesa anual para autarquia na ordem dos 19 mil euros.
Tinta Ferreira considera que o encerramento do matadouro teria consequências “muito negativas” ao nível do emprego e da economia local. Destaca que a criação e abate de codorniz no Landal é um setor de grande importância, não só porque representa cerca de metade das codornizes consumidas a nível nacional, mas porque é um dos ativos diferenciadores das Caldas da Rainha. O autarca destacou este apoio na última Assembleia Municipal, onde também referiu a necessidade de manutenção dos produtos que se afirmam como elemento diferenciador do concelho.

“Não é difícil perceber o porquê da justeza da categoria de capital da codorniz, pois o Landal concentra 60% da produção nacional”

Armando Monteiro,
presidente da Junta de Freguesia do Landal

Em cativeiro, as codornizes começaram a ser exploradas em 1976, no Landal, por iniciativa de Manuel Louro Miguel, regressado das ex-colónias, e que se radicou no lugar de Santa Susana. Começou com a criação e abate de codornizes, tendo lançado bases para esse negócio que viria a ser de grande importância para economia local, recorda o presidente da Junta de Freguesia do Landal, Armando Monteiro.
O desenvolvimento das redes de supermercados levou a que um maior número de pessoas o conhecimento desta carne, “de textura suave, branca e magra, e rica em proteína e aminoácidos essenciais” e que é cada vez mais presente na mesa dos portugueses.
Nas últimas décadas, a localidade, que faz fronteira com os concelhos do Cadaval e Rio Maior, tornou-se muito conhecida como capital da codorniz, marca devidamente registada. “E não é difícil perceber o porquê da justeza daquela categoria, dado que o Landal concentra 60% da produção anual de codornizes a nível nacional”, explica o autarca, acrescentado que a relevância económica da atividade é tão evidente que a freguesia realiza, normalmente em junho, o Festival da Codorniz.
A pandemia veio impossibilitar a realização do certame, mas estão previstas outras formas de divulgação e promoção deste produto local, como é o caso da criação da Confraria da Codorniz, cujo processo está a ser ultimado pela junta de freguesia em parceria com a ETEO. ■