Visabeira aguarda sondagens para construir hotel

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Os Pavilhões do Parque darão lugar ao Montebelo Bordallo Pinheiro Hotel | Solange Filipe

Previstas estarem concluídas em finais deste ano, as obras para o hotel
de cinco estrelas a ser constituído nos Pavilhões do Parque ainda nem arrancaram. A causa para este atraso está a necessidade de pareceres de diversas entidades, que leva a sucessivas paragens e reanálise do projeto

Está prevista a realização, nos próximos dias, das sondagens geotécnicas exigidas pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) para a zona dos pavilhões do Parque. Esta intervenção irá aferir se as obras previstas não constituem dano para a conservação e exploração do recurso hidromineral das Caldas da Rainha.
A partir desses estudos, o projeto de construção do hotel de cinco estrelas naquele imóvel poderá vir a sofrer algumas alterações e será, depois, apresentado ao município, para aprovação e emissão da licença que permitirá ao promotor dar início à obra.
Só após a emissão da licença de obra, se poderá “com rigor definir um calendário”, explica à Gazeta das Caldas Jorge Costa, administrador da Visabeira Turismo, Imobiliária e Serviços SGPS.

Só após a emissão da licença de obra para o hotel é que a Visabeira poderá, com rigor, definir um calendário para a sua concretização

A obra, que inicialmente estava prevista começar ainda em 2018 para estar concluída em 2021, sofreu atrasos. De acordo com o responsável da Visabeira, a intervenção nos edifícios dos Pavilhões do Parque, coordenada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e outras entidades, “impõe muito rigor e sucessivas paragens e reanálise do projeto”. Um dos exemplos deste tipo de constrangimentos é a questão já assinalada e relacionada com os lençóis freáticos que poderão passar por baixo do edifício e que terão de ser salvaguardados. Contudo, e de acordo com Jorge Costa, o projeto deverá manter-se.

Contrato de 48 anos
O contrato de concessão dos pavilhões do Parque, por parte do município ao grupo Visabeira, foi celebrado em setembro de 2017 e por um período de 48 anos, com vista à recuperação e à instalação de um hotel de cinco estrelas. O Montebelo Bordallo Pinheiro Hotel prevê um investimento de 14,4 milhões de euros, com 214 camas, piscina exterior e outra interior com espaço para tratamento com águas termais, restaurante e salas para realização de eventos.
O projeto de arquitetura, já foi entregue na Câmara, prevê um aumento do número de pisos dos pavilhões, o que levou a que tivesse que ser feita uma alteração ao regulamento do centro histórico da cidade para acomodar essa intenção do promotor. Esta modificação, já aprovada em sessão de Câmara e Assembleia Municipal, permite que cada piso dos pavilhões, que tem seis metros, possa ser dividido em dois.
O contrato de concessão entre a Câmara das Caldas e a Visabeira dava como data limite de abertura ao público o dia 2 de dezembro de 2020, mas este prazo não poderá ser cumprido, até porque entretanto foram necessários pareceres de entidades externas da administração central, como é o caso do Turismo de Portugal, que já deu parecer favorável ao projeto, embora sem caráter vinculativo.
Foi também assinado um contrato no âmbito do programa REVIVE, um instrumento financeiro lançado pelo governo para a recuperação e valorização de património edificado cultural e histórico.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, acredita que o atraso não colocará em causa o programa. “Sempre tivemos a noção que este não era um processo simples pois estamos a falar de um imóvel em vias de classificação [com as mesmas regras de um imóvel classificado], inserido no centro histórico das Caldas”, concretizou. Também Jorge Costa, administrador da Visabeira Turismo, Imobiliária e Serviços SGPS, realça que “um dos pressupostos do projeto é precisamente o REVIVE”.
A Visabeira deverá começar a pagar à Câmara das Caldas 3500 euros mensais pela concessão do espaço no quinto ano após a data de abertura da unidade hoteleira.
O projeto entregue na Câmara das Caldas prevê a construção de um hotel com 124 unidades de alojamento. Os quartos situam-se nos pisos superiores dos pavilhões, enquanto que os restantes pisos albergarão salas de reuniões e eventos, uma piscina coberta, com circuito de água termal e spa. A entrada para o hotel far-se-á pelo Céu de Vidro, que continuará a manter-se aberto à passagem das pessoas para o Parque.
O parque de estacionamento, que inicialmente estava previsto ser subterrâneo e com acesso pela Rua de Camões, fica situado no edifício multiusos, que é criado no local onde existiu o Salão Ibéria, e que acolherá também uma sala multiusos e uma piscina exterior. A entrada e saída do estacionamento far-se-á pela Rua Bordalo Pinheiro.
A Casa dos Arcos e um outro edifício, de apoio aos pavilhões, serão reabilitados para galeria de arte e ateliê de cerâmica, com ligação à fábrica e museu Bordalo Pinheiro, com projetos de residências artísticas internacionais.
O grupo Visabeira possui a cadeia Montebelo Hotels & Resorts em Portugal e Moçambique. No nosso país é detentor do Montebelo Viseu Hotel & Spa, Montebelo Aguieira Lake resort & Spa, Casa da Insua (Penalva do Castelo), Hotel Palácio dos Melos (Viseu), Hotel Principe Perfeito (Viseu), Montebelo Vista Alegre (Ílhavo).


Hotel no Mosteiro de Alcobaça abre em finais da primavera

O hotel de luxo que está a ser construído no Mosteiro de Alcobaça deverá abrir portas em regime de “soft opening” para o final da primavera de 2021. A informação foi dada à Gazeta das Caldas por Jorge Costa, administrador da Visabeira Turismo, Imobiliária e Serviços SGPS. A unidade hoteleira, com três pisos, 80 quartos, incluindo 9 suites, piscina interior e spa, ginásio e espaços para organização de congressos e eventos, resulta de uma concessão a 50 anos e inclui a área do Claustro do Rachadouro e alas adjacentes entre o rio Alcoa e a Rua Silvério Raposo. No contrato é concessionado ainda um terreno onde será criado o estacionamento.
Neste empreendimento de cinco estrelas, o Grupo Visabeira vai investir cerca de 15 milhões de euros.
De acordo com Jorge Costa, esta unidade hoteleira, com projeto do premiado arquiteto Souto Moura, terá uma forte vertente cultural e de lazer, numa lógica de proximidade com a comunidade. “Será comum, por isso, aos hóspedes e visitantes encontrar elementos como a doçaria conventual, a gastronomia, a louça de Alcobaça, o cristal – por via da Atlantis, unidade da Vista Alegre/ Grupo Visabeira localizada no Casal da Areia – em vários espaços do hotel”, realçou. A par do lazer, o segmento empresarial será outros dos eixos da exploração turística. Ainda de acordo com o responsável, “será um privilégio para uma empresa reunir no espaço da antiga biblioteca do Mosteiro, saborear a gastronomia local numa refeição servida no nosso restaurante e poder usufruir de outros espaços do hotel integrado num património mundial”.

Obras no monumento classificado pela Unesco estão em curso | DR

Acredita que ainda vai ser construído o hotel de cinco estrelas nos Pavilhões do Parque?

 

João Forsado Gonçalves
CDS-PP

“Acreditar é relativo e no contexto que vivemos uma autêntica lotaria. Tenho esperança que sim, seria importante para a cidade, consiga ele ser reflexo real do seu potencial turístico, cultural e comercial. Se assim for, além do projeto de qualidade que está previsto, será uma infraestrutura que per si, não chegará para o que as Caldas, enquanto cidade com pretensões turísticas e comerciais, necessita. Contudo a realidade é que é urgente intervir no edificado dos pavilhões e da antiga casa da cultura sob pena de se perder para sempre este património de tanta relevância histórica para a cidade.”

 

Arnaldo Sarroeira
Bloco de Esquerda

“O Bloco de Esquerda considera natural que o processo de requalificação dos Pavilhões do Parque sofra algum atraso, atendendo à situação criada pela pandemia. No entanto, seria positivo que as partes envolvidas, a Câmara Municipal e a empresa Visabeira clarificassem o calendário da intervenção nos Pavilhões.”

 

 

Sara Velez
PS

“A integração dos Pavilhões do Parque no Programa Revive levado a cabo pelo Governo permitiu dar uma nova esperança quanto ao futuro deste nosso assinalável património. Não temos nenhum motivo para não acreditar que o projeto do Hotel não vá ser construído. O projeto já tem, aliás parecer favorável da Direção-Geral do Património Cultural e faltará agora o resultado de sondagens pedidas pela Direção-Geral de Energia e Geologia, pelo que, concluído este processo sem nenhum percalço, acreditamos que a obra possa começar.”

 

José Carlos Faria
PCP

“O PCP sempre foi contra a construção do hotel nos Pavilhões porque o programa da Visabeira é demasiado impositivo para aquele património. Além disso, o Estado tinha a possibilidade de uma linha de crédito e abdicou dela em favor de privados, mas no âmbito do programa REVIVE, continua a ser avalista. Por outro lado, o edifício tem uma tipologia, que não será preservada, tendo para isso sido feita uma alteração do PDM. Os munícipes deixam de ter acesso ao Parque pelo lado do Hospital Termal e haverá uma construção de raiz em edifícios que nunca tiveram ligação orgânica e funcional.”

 

Hugo Oliveira
PSD

“Não tenho razões para não acreditar. A Visabeira ganhou a concessão e, pelo que sei, em breve serão feitas as sondagens (exigidas pela DGPC), elemento essencial para o parecer que permitirá à empresa entregar o projeto final na Câmara. Licenciamentos e autorizações que envolvem mais do que uma entidade sofrem atrasos, acresce que o momento pandémico criou entraves à celeridade dos processos. No entanto, ressalvo que num momento tão difícil e indefinido como este é de saudar a postura da empresa de não abandonar o projeto.”