Zé Povinho 01-12 – 2017

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Gazeta das Caldas
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Caldas da Rainha às vezes vê escrever direito por linhas tortas e esta semana podem ter havido duas ocorrências que vão marcar uma certa viragem no destino de algumas organizações locais que podem marcar a vida do concelho no sentido mais positivo e sustentável.

Uma delas já vem de longe, e resultou de uma proposta de um deputado municipal do MVC, em 2015, e que só agora viu luz, cujo objectivo era consagrar a fusão das associações CulturCaldas, ADJ e ADIO, no que agora se intitula quase ironicamente “Caldas XXI – Associação de Desenvolvimento Cultural, Empresarial e da Juventude”.
A proposta foi aprovada por unanimidade e nunca mereceu nenhuma oposição objectiva, para além da inércia que tudo trava e não permite alterações de monta no statos quo. Periodicamente, a oposição lembrava a proposta e havia sempre algo que faltava para a mesma ver a luz do dia. Finalmente, e já depois das eleições de Outubro, na sessão do executivo camarário de segunda-feira da passada semana, foi aprovado um documento guia que cria esta nova Associação que funde três organizações paralelas à actividade municipal, que não têm dependência objectiva mas que subjectivamente tudo devem ao município, incluindo o necessário financiamento para sobreviverem. Agora juntas deverão tornar mais eficiente a alocação de recursos e a obtenção de melhores resultados.
Outro acontecimento que pode marcar a viragem do termalismo em Portugal e de que as Caldas da Rainha e as suas termas podem ser também directos beneficiários, foi a decisão de incluir no Orçamento de Estado o reembolso de parte dos tratamentos termais, bem como considerar estas despesas para efeitos fiscais, quando receitados por um médico.
Neste caso era o próprio Estado que havia dado uma machadada há quatro anos com a troika nos cuidados médicos que podiam ser assegurados por recursos endógenos (como é o caso do termalismo) e que criam emprego, em vez de depender e de financiar os laboratórios internacionais que fornecem a medicação tradicional de origem química provenientes na maior parte dos casos do estrangeiro.
Assim, de uma assentada Caldas da Rainha vê resolver-se dois problemas que pareciam que eram intransponíveis, apenas devido à inacção ou ao imobilismo de autoridades locais e centrais. Foi bom assistir a este passo, que pareceu de gigante, e que pode dar novas forças ao termalismo, à actividade cultural e de apoio à animação juvenil diminuindo custos e potenciando receitas. Caldas da Rainha estará de parabéns se tudo isto for devidamente concretizado e aproveitado.

Gazeta das Caldas
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A Dra. Celeste Amaro, ilustre directora regional de Cultura do Centro, com a tutela dos museus caldenses, proibiu o jovem Tiago Mileu de continuar as suas actuações de piano no Museu Malhoa.
É que alguém se queixou que os acordes daquele instrumento musical perturbavam o funcionamento do museu e a senhora directora mandou logo cortar a eito e proibiu o jovem pianista de aproximar os dedos das teclas. É que toda a gente sabe que umas notas soltas de Chopin, de Beethoven, de Mozart ou de Rachmaninoff são uma espécie de diabo à solta nos corredores de um museu. Piano e cultura é coisa que não rima. Pior ainda: piano e museus é uma coisa do outro mundo e por isso a Dra. Celeste Amaro apressou-se rapidamente a resolvê-lo, quiçá sem atender às circunstâncias nem aos pormenores.
Zé Povinho pergunta-se mesmo se não terá havido por ali algum síndrome de Panteonite, agora que está na moda questionarem-se os eventos que têm como cenário o património cultural do Estado. Pelo sim, pelo não, e tendo a directora sido nomeada pelo governo anterior, não quererá estar às avessas com o actual. E por isso resolveu mostrar a sua fibra e lá assinou a proibição.
Ainda se as actuações do jovem pianista fossem de índole a pôr os ditos clássicos a dar volta no túmulo, ainda se compreendia. Mas toda a gente diz – e Zé Povinho, apesar da sua idade, ainda tem bom ouvido – que o músico Tiago Mileu é mesmo um excelente intérprete, digno de figurar nos melhores palcos.
Consta agora que os concertos vão regressar em 2018, mas mais disciplinados, fora das horas do funcionamento do museu e com bilhetes pagos. Do mal o menos. Mas a Dra. Celeste Amaro bem que podia dedicar o seu tempo a tentar resolver os problemas do Museu da Cerâmica (que bem precisa de obras de ampliação), do Museu da Nazaré (que está literalmente a cair) e a cumprir as promessas que fez para o Museu Malhoa (instalar uma cafetaria e uma nova linha de merchandising). Promessas que ficaram por cumprir…

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