Óbidos Vila Natal 2017

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Gazeta das Caldas

Gazeta das CaldasFoi a primeira vez que o Pai Natal trocou as renas e o trenó pelo camião vermelho da Coca-Cola para dar as boas vindas aos primeiros visitantes da Óbidos Vila Natal. No dia 30 de Novembro, dezenas de crianças e muitas famílias aguardavam a chegada do velhinho das barbas brancas que vai estar até ao final deste mês no seu chalet para ouvir os pedidos de Natal dos mais novos.
Espectáculos de comédia e magia, concertos, duas pistas e uma rampa de gelo, jogos tradicionais, exposições, carrosséis e pinturas faciais são as principais atracções deste ano. São esperados mais de 150 mil visitantes nesta edição que contou com um investimento de 300 mil euros.

1 COMENTÁRIO

  1. É uma questão de opinião mas é sempre pertinente questionar. Além disso, duvidar é saber. Numa época, talvez mesmo “era”, em que a corrupção mina e ameaça os alicerces do Estado de Direito democrático, em que o endividamento das autarquias é uma realidade insofismável (e nem todo o dinheiro a elas atribuído provem de receitas locais), numa era de alterações climáticas em que as preocupações ambientais deviam estar na ordem do dia, numa época em que há carências esquecidas e desde há muito abafadas por uma política autárquica que ainda “brilha” mais do que “aquece”, há mesmo que duvidar de cerros investimentos. Há uma cena no célebre filme Titanic em que uma criança olha o “fogo de artifício” que de súbito a alegrou por instantes ( que na verdade era um pedido de socorro) fazendo-a por momentos esquecer o trágico e inevitável afundamento do barco onde viajava. Assim parece ser a política de investimentos de muitas autarquias. É como a história dos três porquinhos que sempre que construíam uma casa em madeira lá vinha um lobo mauzão soprar com tal força e deixá-los sem abrigo. Uma política demasiado “sorridente” é sem dúvida aprazível e agradável mas, tal como o sorriso de uma pessoa (tirando alguns exceções decerto), nem sempre corresponde ao estado real e profundo. Do frenesim de algumas décadas de “obreirismo” passou-se para a política do “brilhantismo”, muita luz, muita cor, “cosmética”, muita diversão, lazer, quais breves fogachos que iludem mais do que consolam a longo prazo. Decerto que se compreende que todo o investimento beneficia sazonalmente uma população que ainda vive num estádio inicial da lenta recuperação após uma longa crise, mas há que questionar se não valeria mais fazer investimentos estruturantes, mais sustentáveis, do género de “barcos salva-vidas” do Titanic que foram preteridos porque ocupavam espaço, mas que se revelavam bem mais úteis do que o bonito chamariz do “fogo de artifício”, qual último e desesperado recurso. Investimentos na melhoria da qualidade das canalizações ( e da água), numa rede de ciclovias que incrementasse o desporto e hábitos de vida saudável, na melhoria da educação apetrechando as bibliotecas para incrementar ( e recuperar) o gosto e prazer da leitura nas populações juvenis (infelizmente “tomadas de assalto” por telemóveis com novidades e aplicações quase infinitas na sua variedade), na recuperação do património histórico cultural local, nas estradas municipais,no embelezamento e mobiliário urban, sem esquecer os apoios sociais. Todos estes investimentos geram mais bem estar e melhoram a qualidade de vida a médio e longo prazo e contribuem para uma mudança de atitudes e comportamentos rumo a uma sociedade mais desenvolvida construída não sobre estacas de madeira mas sobre estacas bem mais firmes e sustentáveis.