AdC identifica obstáculos na rede de mobilidade elétrica

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AdC quer mais concorrência no mercado do carregamento de elétricos

Estudo aponta falhas na regulamentação e na equidade nos preços

O estudo “Concorrência e Mobilidade Elétrica em Portugal”, da Autoridade da Concorrência (AdC), identificou uma série de entraves que podem comprometer o desenvolvimento de uma rede eficiente e competitiva de pontos de carregamento para veículos elétricos.
De acordo com o estudo, um dos principais problemas reside na concentração dos pontos de carregamento nas autoestradas em apenas seis operadores, que estão vinculados a empresas petrolíferas. Esta concentração levanta preocupações sérias sobre a falta de diversidade e competição no setor. Além disso, a complexidade do modelo organizativo da mobilidade elétrica, que envolve Operadores de Pontos de Carregamento (OPC) e Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME), também foi identificada como um desafio, requerendo uma recolha adicional de dados para a faturação entre os diversos agentes.
Outra questão crítica identificada pela AdC é a dificuldade enfrentada pelos utilizadores de veículos elétricos no que diz respeito ao pagamento e à comparabilidade de preços nos pontos de carregamento. A falta de transparência nos preços e as diferentes estruturas de custos consoante o tipo de ponto contribuem para uma experiência pouco uniforme, tornando difícil de prever o custo final do carregamento.
O estudo aponta ainda barreiras legais que dificultam a entrada de novos agentes no setor, bem como uma assimetria geográfica na cobertura da rede, com regiões do interior do país com menor densidade de pontos de carregamento.
Além de detetar obstáculos, a AdC apresentou uma série de recomendações. Entre as principais recomendações ao governo estão a simplificação do modo de pagamento nos pontos de carregamento, a avaliação dos custos e benefícios de selecionar a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME) por um mecanismo competitivo, e a promoção de mecanismos competitivos para a atribuição de direitos de instalação e exploração de pontos nas áreas de serviço.
Aos municípios, a promoverem o desenvolvimento regional da rede de mobilidade elétrica de forma atempada, visando mitigar as disparidades regionais. ■