Novas formas de família

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Gazeta das Caldas

O conceito de família, facilmente entende-se como o espaço de vivência de relações afectivas profundas, marcadas por emoções e afectos positivos e negativos que vão dando corpo aos sentimentos de sermos quem somos e de pertencermos àquela e não a outra família (Alarcão, 2000; Fonseca, 2009).
Ao longo do tempo modificou profundamente a estrutura, a dinâmica da família na sua organização interna, como por exemplo: diminuição do número médio de filhos, diminuição da fecundidade, aumento do número de pessoas sós, diminuição das famílias numerosas, aumento das famílias recompostas, em virtude do aumento do número de divórcios, aumento das uniões de facto e uniões livres, e, mais recentemente o aparecimento das famílias homossexuais.

Os diferentes tipos de família são entidades dinâmicas com a sua própria identidade, compostas por membros unidos por laços de sanguinidade, de afetividade ou interesse e que convivem por um determinado espaço de tempo durante o qual constroem uma história de vida que é única e irreplicável (Giddens, 1999; 2004; Amaro, 2006: 71; Alarcão & Relvas, 2002).
A família nuclear, constituída por dois adultos de sexo diferente e os respetivos filhos biológicos ou adotados, já não é para muitos o modelo de referência, embora continue a ser o mais presente. As uniões de facto, trata-se de uma realidade semelhante ao casamento, no entanto não implica a existência de qualquer contrato escrito; As uniões livres, não são muito diferentes das uniões de facto, apenas nestas nunca está presente a ideia de formar família com contratos; As famílias recompostas são constituídas por laços conjugais após o divórcio ou separações. É frequente a existência de filhos de casamentos ou ligações diferentes ocasionando meios-irmãos; As famílias monoparentais são compostas pela mãe ou pelo pai e os filhos. São famílias fruto de divórcio, viuvez ou da própria opção dos progenitores, mães solteiras, adoção por parte das mulheres ou dos homens sós, recurso a técnicas de reprodução.
O aumento dos divórcios fez aumentar o número deste tipo de famílias já que nesta situação os filhos ficam a viver com um dos progenitores. Na maioria das vezes este progenitor é a mãe, embora já haja alguns homens; Por fim, as famílias homossexuais constituídas por duas pessoas do mesmo sexo com ou sem filhos. Se a evidência, no que concerne a um número crescente de diferentes tipos de famílias, é incontestável, estas novas formas de estrutura e dinâmica familiar não se despem, a nosso ver, da sua essência: a família como grupo social em que os seus membros coabitam ligados por uma ampla complexidade de relações interpessoais (Beltrão, apud, Dias, 2000: 81). Daí a importância que no passado e no presente se tem dado à família e às mudanças que a têm caracterizado na sua estrutura, nas relações dentro e fora dela.
Cada vez mais verificam-se alterações ao nível da composição e constituição das famílias. Com a evolução dos tempos, o padrão deixa de existir. Por outro lado, e reflexo duma sociedade fragilizada surgem simultaneamente famílias  que conjugam uma diversidade de factores de risco, que são normalmente designadas como famílias multiproblemáticas.
São caracterizadas por um conjunto de problemas que têm repercussões num número indeterminado de elementos da família, em diferentes dimensões do seu funcionamento (Alarcão, 2000; Sousa, 2005).
Inicialmente, a noção direccionava-se a famílias de nível socioeconómico baixo, no limiar da pobreza, não estabelecendo as características específicas destas famílias no que se refere às relações interpessoais, sociais e familiares (Alarcão, 2000; Sousa, 2005a). No entanto, com o avanço da investigação, foi possível perceber outras dimensões subjacentes a estas famílias, tais como a estrutura e dinâmicas relacionais (Sousa, 2005a).
A especificidade do conceito de famílias multiproblemáticas prende-se com o facto de não existir um sintoma específico e único (Sousa & Eusébio, 2005a), mas antes um conjunto de problemas complexos, graves e crónicos, de forte intensidade, que afectam, ainda que de forma qualitativamente e quantitativamente diferenciada, um número indeterminado de membros da família (Linares, 1997) – são polissintomáticas (Gómez, Muñoz & Haz, 2007).

Patricia Oliveira
Assistente Social

Programa Contrato Local de Desenvolvimento Social
Mestre em Serviço Social com especialização em “Bullying”
Especializada em Intervenção com crianças e jovens em risco e Aconselhamento Parental e Familiar pelo ISPA

1 COMENTÁRIO

  1. Um artigo que falou muito e disse pouco. Por exemplo: o atigo diz que, ” o aumentode familias recompostas, em VIRTUDE do aumentode unioes livrese de familias homosexsuais”…etc. Qunando na pura da verdade deveria ter ditto: _ EM CONSEQUECIA LAMENTAVEL DO AUMENTO…etc.