Quando o sono só chega mesmo fora de horas

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Psicóloga deixa algumas indicações para melhorar o sono e o descanso de crianças com perturbação do espectro do autismo (PEA)

A Maria tem 7 anos e uma perturbação do espectro do autismo (PEA). É uma menina alegre, mas chega à escola com sono e a professora queixa-se que ela está muitas vezes distraída e que se irrita facilmente. Quando regressa a casa adora ver vídeos no YouTube e fica tão absorvida que há sempre conflitos quando chega a hora do banho, pois não quer parar o que lhe dá prazer. Quando chega a hora de deitar não tem sono e tenta adiar o deitar até a mãe se deitar a seu lado. O exemplo é dado por Mafalda Leitão, psicóloga pós-graduada em Ciências do Sono, para ilustrar o desafio que é para muitas famílias uma criança dormir “a noite toda”, sobretudo quando têm uma PEA.
A especialista defende que é necessário desenhar uma higiene do sono à medida destas crianças, apostando em manter o horário de deitar e acordar regular durante toda a semana, até nas férias (aqui pode haver um ligeiro ajuste de cerca de 1h face ao horário habitual). É também importante que possam tomar o pequeno-almoço perto de uma janela, para que a luz do sol reduza a melatonina de dia e, ao entardecer, estruturar as rotinas para evitar discussões e que a criança fique demasiado excitada.
Mafalda Leitão considera que rotinas claras e bem definidas ajudam a perceber o que vai acontecer a seguir e reduzem conflitos e que é importante atender aos estímulos ambientais que podem incomodar ou excitar a criança, como é o caso do barulho e da luzes.
Os rituais para adormecer são geralmente o que leva os pais a procurarem ajuda especializada, pelo que, de acordo com a psicóloga, o ideal é que estes possam ser feitos sem a presença ou desconforto de terceiros, pois vão ser necessários ao adormecer e durante a noite.
De acordo com Mafalda Leitão, nas PEA “não há receitas mágicas” e, nessa medida, encontrar forma de ajudar as crianças a descansar nem sempre é fácil. Mas é possível. ■