Associação Just a Change, que se dedica a reabilitar casas de pessoas em situação de pobreza habitacional, realizou em Óbidos o primeiro campo deste verão
Mafalda de Molinar é natural de Santarém e estuda Engenharia Biomédica em Lisboa. Há algum tempo que queria participar no projeto Just a Change e estreou-se, este ano, no campo de Óbidos, na reabilitação de uma moradia no Sobral da Lagoa. Fez de tudo: desde partir paredes para rebocá-las, a carregar tijolo e ajudar a fazer o telhado, juntamente com os outros quatro membros da equipa.
“Não é fácil, temos muito trabalho, mas também é muito gratificante”, conta a jovem, de 21 anos, destacando a ajuda dos dois mestres de obra, profissionais que estão nas obras com os jovens, ajudando-os a concretizar as tarefas.
“Estão sempre prontos a ensinar e com muita paciência. Com essa ajuda conseguimos fazer quase tudo”, remata a voluntária, que considera que poder ajudar a “fazer a diferença na vida de pessoas que vivem sem as mínimas condições, é mesmo muito importante”.
A coordenação da obra cabe à designer de produto, Francisca Lobo Machado, de 27 anos, e voluntária na associação há quatro. É ela quem gere as tarefas diárias e organiza o grupo para que tudo funcione da melhor forma. A maioria dos voluntários faz este tipo de trabalho pela primeira vez, mas a falta de experiência não é impedimento para a boa execução das tarefas.
Cerca de 80% dos jovens, oriundos de todo o país, participam pela primeira vez num campo de verão da associação
“Neste projeto o importante é ter força de vontade e querer ajudar”, explica a jovem, acrescentando que, em conjunto, conseguem reabilitar as casas. No caso concreto desta moradia, começaram por limpar todo o local, retirar o telhado que era em chapa e colocar outro, em telha. Fizeram uma pequena casa de banho e cozinha e deixaram as paredes preparadas para a instalação de eletricidade e água.
Óbidos foi o primeiro campo deste ano da associação (a par de Sever do Vouga) com os jovens a reabilitar quatro casas, duas na União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Sobral da Lagoa e outras duas na do Vau. A intervenção decorreu entre 4 e 18 de julho e, dois dias antes de terminar e já em fase de acabamento das obras, Hugo Azevedo, gestor de projeto, fazia um balanço positivo dos trabalhos.
“Os voluntários estão a gostar, os beneficiários estão contentes”, sintetiza o jovem à Gazeta das Caldas. Cerca de 80% dos participantes neste campo de verão fazem-no pela primeira vez e vêm de áreas tão diferentes como a psicologia, enfermagem, engenharias ou arquitetura.
Este ano, para além das contingências sanitárias, os jovens voluntários debatem-se também com as dificuldades da escassez de material para a construção e de mão de obra. “Fiz uns 40 a 50 telefonemas, até conseguir arranjar quatro empreiteiros, o que está a tornar o desafio ainda maior este ano”, concluiu Hugo Azevedo. ■
“Todos os anos há experiências novas, isso é gratificante para nós e para os jovens”
Desde 2016, ano em que o projeto começou a decorrer em Óbidos, já foram recuperadas 24 casas no concelho. Mas, mais do que a reabilitação habitacional, esta iniciativa possibilita também uma mudança na vida dessas famílias. “Todos os anos há experiências novas, isso é gratificante para nós e para os jovens”, explica o vereador José Pereira, acrescentando que também os beneficiários os vão ensinando como reagir em determinadas circunstâncias.
O valor estimado da execução desta ação é de quase 38 mil euros, assumido pelo município e pelo banco BPI, que se juntou à campanha. Os jovens ficaram alojados num espaço cedido pela paróquia da Amoreira e em duas casas do município, foram divididos em grupos e testados de três em três dias. As juntas de freguesia também colaboraram, assim como a comunidade. Os Silver Coast Volunteers já se disponibilizaram para apoiar estas pessoas com bens de que necessitem, como um frigorífico ou televisão.
“Este é um projeto que não acaba nestes 10 dias em que decorre o campo porque há um conjunto de parceiros que estão no terreno e vão tentar complementar o que falta, nomeadamente ao nível do apoio social”, refere José Pereira. O autarca defende a sua continuidade porque existe necessidade e, embora este campo de Verão tenha acabado no domingo, “já se estão a dar os primeiros passos para o próximo”. ■
A contínua prorrogação de prazos do concurso entre Torres Vedras e Caldas leva a pedido de respostas à tutela
A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste receia que a eletrificação entre Torres Vedras e as Caldas não seja concluída no segundo trimestre de 2023, juntamente com o primeiro troço. Isto porque, de acordo com o porta-voz da comissão, José Rui Raposo, o concurso foi lançado em outubro de 2020 com um prazo de 90 dias para apresentação de propostas e, desde então, já se registaram diversas prorrogações, num total de mais 120 dias, e que já expiraram há meses.
“Até agora ninguém veio explicar o porquê do atraso e o que fazer para o superar”, reclama o dirigente, que acredita que haja empresas interessadas na obra e defende que o importante é “tentar encontrar solução para os problemas que eventualmente existam com este concurso e com esta empreitada”.
“Até agora ninguém veio explicar o porquê do atraso para o troço entre Torres Vedras e Caldas e o que fazer para o superar”
“Queremos a eletrificação porque defendemos uma linha que efetivamente sirva os passageiros”
José Rui Raposo
Em conferência de imprensa, realizada na estação das Caldas, a 12 de julho, José Rui Raposo alertou para o risco de a linha ser eletrificada apenas até Torres Vedras, com a agravante de a 1ª fase não contemplar a modernização até à estação daquela cidade.
Outra das preocupações da comissão prende-se com os prazos de entrega do novo material circulante, previstos para 2024, o que leva a que se, até essa altura, a Linha do Oeste já estiver eletrificada, sejam utilizadas as composições já existentes na CP. “Teremos unidades elétricas até às Caldas, obrigando os passageiros a fazer transbordos para material a diesel, para continuar a viagem”, explica José Rui Raposo, alertando para questões de conforto, ambientais e económicas. “Queremos uma linha que efetivamente sirva os utentes”, salienta o porta-voz da comissão, realçando que esta deve ser vista no contexto da rede ferroviária nacional pela sua importância estratégica.
A comissão quer também a garantia de que, a seguir à obra, haverá maior frequência de horários, preços nos bilhetes e passes sociais que incentivem ao uso do comboio e, nas cidades, um serviço combinado com o transporte rodoviário. Sem respostas e à espera de reuniões há muito pedidas, a comissão irá esperar “uma a duas semanas” por uma decisão da tutela e, caso tudo permaneça na mesma, “exigirá ser recebida no Ministério das Infraestruturas, para saber o que se está a passar, designadamente com o concurso”, conclui o porta-voz. ■
A Torre de Cerco já se encontra junto às muralhas, na cerca do castelo e ali permanecerá até ao outono
Uma torre de madeira, de 12 metros de altura, réplica das construídas no período medieval entre os séculos XI e XIII, está na Cerca do Castelo de Óbidos até ao outono.
Esta “máquina de guerra”, que pretende mostrar como era uma torre de cerco, foi inicialmente pensada para a cenografia do Mercado Medieval, que não se voltará a realizar este ano devido à pandemia. No entanto, a torre, que poderá ser aproveitada como cenário para fotografias, marca o início de um conjunto de atividades que a autarquia, a Óbidos Criativa e o grupo de empresários que promovem os Segredos d’Óbidos, estão a desenvolver para oferecer aos visitantes durante o verão.
Percursos de descoberta da vila, momentos de música, teatro e recriação histórica, serão algumas das surpresas que irão acontecer, mediante a evolução da situação epidemiológica neste concelho, refere a autarquia em nota de imprensa.
A torre de cerco é uma máquina sobre rodas desenvolvida para atacar as cidades protegidas por muralhas altas de pedra. Constituída por uma grande torre de madeira, coberta com couro molhado para minimizar a vulnerabilidade ao fogo e ao óleo quente, era utilizada nos cercos medievais, permitindo a aproximação às muralhas inimigas, ao mesmo tempo que protegia os utilizadores dos ataques executados pelos sitiados, nomeadamente o contínuo lançamento de pedras, fogo e outros materiais a partir das muralhas e torres das fortalezas, refere a mesma fonte.
Inicialmente previsto arrancar a 15 de julho e a decorrer durante quatro fins de semana, o evento com recriação histórica e animação em Óbidos, que iria substituir este ano o mercado medieval, foi adiado para agosto devido à pandemia e é adaptado as normas em vigor.
O mercado medieval de Óbidos teve a sua primeira edição em 2002 e afirmou-se como um dos grandes eventos do concelho, juntando as coletividades, animação e atraindo milhares de visitantes, muitos deles estrangeiros. ■
A intervenção é esperada há mais de uma década e será feita em nove meses, assegura o empreiteiro
Começaram, esta semana, as obras de reabilitação da Casa dos Seixos, com vista a albergar um espaço de ativação comunitária e os serviços da Junta de Freguesia da Amoreira. A intervenção, orçada em 486 mil euros, é realizada pelo consórcio Fullprojekts, lda e Fprimium, Lda e deve estar concluída em nove meses. A garantia foi dada pelo adjudicatário da obra, Filipe Marques, na cerimónia de assinatura do auto de consignação que decorreu a 6 de julho.
Trata-se de uma obra há muito desejada e que tem vindo a ser trabalhada por vários executivos da freguesia. “Temos parcas instalações ao nível da autarquia e também gostávamos de poder constituir um polo de desenvolvimento comunitário”, justificou a presidente da junta, Vanessa Rolim. De acordo com o presidente da Câmara, Humberto Marques, o espaço procurará “criar verdadeiras oportunidades, independentemente da natureza das pessoas, da sua ideologia e competências”, referindo-se à vertente de desenvolvimento comunitário. Este edifício irá juntar-se aos existentes em Óbidos e nas Gaeiras e que, de acordo com o autarca, já permitiram a criação de mais de uma centena de empregos e a realização de muitas pessoas, que assim alteraram o rumo das suas vidas.
“Pretende-se que este seja, também, um sítio para serviços da junta de freguesia, que possui falta de instalações dignas para prestar atendimentos ao público”, acrescentou.
Humberto Marques realçou a relevância desta requalificação, equacionando a pertinência deste investimento numa altura de pandemia.
“É, sobretudo, em tempos de crise que temos que ser seletivos nos investimentos, mas sobre este não há qualquer dúvida sobre a sua pertinência de execução, seja em que tempo for”, manifestou.
Segundo a memória descritiva do projeto, a intervenção baseia-se “nos princípios da intervenção mínima, da compatibilidade e da reversibilidade como meio de respeitar, preservar e recuperar os valores estéticos, históricos, arquitectónicos e urbanísticos inerentes aos edifícios de valor patrimonial”. Pretende-se ainda que a Casa dos Seixos possa constituir um “exemplo de boas práticas” e “contributo para promover saberes ligados à construção tradicional que estão em risco de se perder”. ■
Durante mês e meio, 29 estudantes da ETEO viveram uma experiência pessoal, cultural e profissional única
Aos 18 anos, Eduardo Estrela, a terminar o curso de Multimédia na Escola Técnica e Empresarial do Oeste (ETEO) e ainda antes de tentar ingressar no ensino superior viveu, durante mês e meio, “uma experiência muito positiva” em Barcelona.
Ele foi um dos 29 jovens que este ano participaram no programa Erasmus+, que proporciona aos alunos a possibilidade de fazerem parte da sua formação em contexto de trabalho num país europeu. Estagiou, juntamente com outro colega, numa empresa ligada a impressoras de 3D, partilhou casa com outros colegas e ficou a conhecer a cidade. “Aprendi um pouco da vida espanhola, permitiu-me vivenciar coisas novas e contactar com outras culturas”, conta o aluno, destacando que os colegas da empresa também ajudaram na integração.
“A experiência permitiu-me vivenciar coisas novas e contactar com outras culturas”
Eduardo Estrela
“Este grupo explorou muito a cidade e aproveitou as oportunidades”
Ana Mafalda Henriques
Uma experiência vivida em tempos de pandemia, mas que em nada assustou os alunos, que estavam preparados. “Tivemos reuniões de preparação e um plano de contingência em que sabíamos o que fazer se algum de nós ficasse infetado”, explica o jovem.
Estes estágios internacionais estavam inicialmente previstos decorrer em fevereiro, mas, devido às limitações impostas pela pandemia, tiveram de ser adiados. A escola tem dois projetos em curso e tinha dois destinos, Bilbau e Barcelona, mas como as empresas da capital basca não aceitavam alunos para estágio, acabaram por ir todos para Barcelona. Ficaram em apartamentos partilhados por quatro a seis alunos e, para muitos deles, foi a primeira vez que estiveram durante seis semanas sem o suporte familiar e tiveram de, por exemplo, aprender a cozinhar. “
Esta experiência internacional é uma mais valia, é muito bom para o seu currículo, mas também a nível pessoal e de aprendizagem”, refere Ana Mafalda Henriques, coordenadora do gabinete de projetos da ETEO, destacando que este grupo “foi muito bom, explorou muito a cidade e aproveitou as oportunidades, apesar das limitações impostas pela pandemia”.
Na primeira e última semanas os professores estiveram também com os alunos para promover a integração e a avaliação dos alunos, visitar empresas e algumas das escolas.
Ana Mafalda Henriques salienta que estes 29 alunos representam 30% dos finalistas e que os que não tiveram oportunidade de ir nesta fase, ainda existem 12 vagas para a realização de estágios internacionais de quatro meses, durante o próximo ano. ■
A Rodoviária do Oeste explica que o terminal rodoviário das Caldas se encontra aberto todos os dias, com “horário adaptado às frequências de horários e à procura mais significativa”. A empresa responde, assim, às críticas de clientes, que asseguravam que a estrutura tinha estado de portas fechadas no fim de semana. A estação funciona entre as 7h30 e as 12h30 e entre as 15h00 e as 18h00 ao sábado e, ao domingo, encerra uma hora mais tarde, pelas 19h00.
O terminal funcionou no período de maior frequência de horários, garantindo o funcionamento habitualmente até às 20h30/21h00, explica a empresa à Gazeta.
Na sequência da pandemia o funcionamento do terminal tem vindo a ser adaptado aos horários dos serviços praticados e em função das contingências decretadas, “não se tendo verificado encerramento do terminal, apenas o ajustamento dos horários de funcionamento”. Esclarece ainda que todos os serviços que efetuam paragem no terminal são assegurados por plataformas de informação e venda de títulos online e linhas de apoio.
“O Terminal de Caldas da Rainha manterá o horário de funcionamento em função da evolução dos serviços e dos horários que se vierem a praticar futuramente, assim como, os serviços de apoio ao Terminal, nomeadamente o Café Capristanos”, explica. ■
A primeira edição do Robot Bootcamp, uma ação inserida no projeto deCode -Academia de Programação e Robótica, terminou com a construção de 15 braços robóticos. Foram oito semanas de trabalho e de interação online com os participantes, que tiveram como desafio construir e programar, em casa, um braço robótico, a partir de um kit preparado para o efeito. Este novo modelo de bootcamp é uma “aposta na continuidade da formação em linguagens de programação e robótica com aplicação prática. É uma oportunidade que os nossos alunos têm de aprender as bases da eletrónica, de escreverem código, e de conseguirem ter o seu primeiro robô construído em casa”, refere André Duque, coordenador do projeto, em fase de arranque da ação.
O bootcamp começou em maio com uma sessão exclusiva para pais e encarregados de educação, e teve com uma sessão extra, a 6 de julho, para correção de código e montagem de pequenas componentes de alguns robôs. De acordo com o o Óbidos Parque, as sessões de trabalho decorreram através da Stepforma, uma plataforma de e-learning propriedade de uma das empresas ali sediadas, a Núcleo Inicial. O Robot Bootcamp faz parte do projeto deCode-Academia de Programação e Robótica, uma iniciativa lançada em 2015 com o objetivo de proporcionar formação em linguagens de programação, valorizando os currículos de crianças e jovens em idade escolar numa área crucial para o seu futuro profissional.
O diretor do parque, Miguel Silvestre, refere que esta é uma “resposta ao compromisso social que assumimos de formação nestas áreas, e é também uma aposta naquilo que é o mais importante da economia digital: o talento”,
O projeto é totalmente liderado e dinamizado pelo Óbidos Parque. ■
O candidato do PSD em Óbidos, Filipe Daniel, revela que, além de uma nova Unidade de Saúde Familiar, pretende instalar uma unidade de medicina desportiva e uma estrutura de apoio à inclusão das pessoas com necessidades especiais
O cabeça de lista do PSD à Câmara de Óbidos tem 41 anos e formação em Engenharia Agronómica. Lidera a Concelhia do PSD e preside à Associação dos Regantes de Óbidos. Em entrevista, deixa uma farpa “aos políticos que aparecem apenas de quatro em quatro anos”.
O que o leva a candidatar-se à Câmara de Óbidos?
O gosto pelo desenvolvimento comunitário. Sentir que todo o meu percurso, com trabalho social, cultural e recreativo, tem contribuído para o desenvolvimento do território e, por outro lado, as pessoas reconhecerem e darem-me força para continuar a fazê-lo, numa outra dimensão, agora política.
Que propostas concretas tem o PSD para apresentar?
Queremos trabalhar de forma muito mais ativa na vertente do desenvolvimento social e da coesão social. A saúde será também prioridade, assim como trabalhar bem ao nível do desenvolvimento económico e continuar a dinamizar o património material e imaterial de Óbidos. A transição climática e digital são duas componentes que se vão integrar com todas as áreas de desenvolvimento do turismo, da educação, saúde e apoio social e, para cada uma, temos pontos identificados de necessidades para o concelho.
Como projeta esta campanha, tendo em conta que já houve uma troca de acusações entre o PS e o PSD?
O movimento das Gaeiras foi desde sempre um movimento independente, mas com o apoio do PSD. Tivemos de vir a público fazer um desmentido porque o próprio movimento referiu não ter havido qualquer apoio. A minha perspetiva enquanto líder do PSD/Óbidos é que haja transparência e rigor. Não me revejo na maledicência nem noutro tipo de características.
“Faz cada vez mais sentido aproveitar as sinergias, com Caldas e Bombarral”
Nunca houve tantas candidaturas em Óbidos. A maioria absoluta fica mais difícil de alcançar?
É bom haver esta vontade das pessoas em querer ajudar a sua terra. É preciso que o façam, mas de forma contínua, não podemos ter políticas sazonais, não podemos aparecer de quatro em quatro anos para tentar fazer um movimento político ou criar equipas que pretendam, de alguma forma, tentar melhorar o concelho. Nunca me revi nisso, mas sim numa perspetiva de construção, independentemente de estar ou não ligado à política.
Considera que as dragagens são a solução para os problemas da Lagoa?
É fundamental para que o ecossistema funcione da melhor forma. Para futuro será imprescindível que os municípios das Caldas e de Óbidos possam adquirir uma draga, que possibilite a retirada destes sedimentos, de forma mais contínua. Estamos perante um património de incomensurável valor e é imprescindível este tipo de intervenção. A classificação também é fundamental e, além disso, criar um conjunto de medidas que interajam, do ponto de vista da educação e da cidadania, como centros de interpretação.
Os seus antecessores apostaram na construção de empreendimentos turísticos de luxo na margem da lagoa, facto que tem sido criticado pela oposição…
Do ponto de vista da sustentabilidade do concelho, esses empreendimentos foram imprescindíveis. Naturalmente que há uma parte menos positiva, que tem que ver com a questão da intervenção humana que foi necessário fazer, mas houve a preocupação de reduzir o número de alojamentos face à área existente. A própria reutilização da água para regadio dos espaços verdes denota preocupação do ponto de vista da sustentabilidade ambiental, porque também está ali uma fonte importante de sequestro de carbono.
“Será imprescindível que Caldas e Óbidos adquiram uma draga [para a Lagoa]”
Como é que Óbidos poderá aproveitar a eletrificação da Linha do Oeste, tendo em conta que até a estação está fechada e não tem uma ligação direta à vila?
Era importante que a eletrificação da ferrovia pudesse ir o mais a norte possível, pois Óbidos beneficiaria muito desta ligação entre Lisboa e Porto. Relativamente à estação, quer a parte de armazenamento quer a própria estação poderiam servir para a restauração, alojamento, ou por exemplo, uma pousada da juventude, criando desenvolvimento e postos de trabalho.
O parque tecnológico tem cumprido a sua missão? Como perspetiva o seu crescimento?
Tem dado respostas interessantes. Temos um conjunto de empresas a trabalhar no Parque e outras, inclusive, fora do país. E se já fazia sentido antes, agora ainda faz mais, pois há uma aposta forte na digitalização.
Como aproveitar as sinergias da proximidade com Caldas?
Faz cada vez mais sentido aproveitar as sinergias. A intermunicipalização fará cada vez mais sentido. Serão importantes projetos comuns que possam surgir nas áreas da saúde da mobilidade, porque cada vez há mais pessoas a praticar desporto, a fazer caminhadas e a andar de bicicleta. Faz muito sentido que com Caldas e também com o Bombarral, consigamos criar essas pontes.
Há questões que dividem, como o novo Hospital do Oeste. Qual a localização que defende?
Defendemos que, independemente da sua localização, o importante é que seja construído o mais rapidamente possível e que tenha um conjunto de respostas que visem o perfil de saúde dos utentes do território. Isso é o mais importante. Naturalmente que, se houvesse a possibilidade de ser construído no território de Óbidos, não o rejeitaríamos, mas não queremos com isto ser limitadores da sua rápida execução.
Em Óbidos, o Centro de Saúde tem falta de condições físicas e falta de recursos humanos. Como resolver esta questão?
A requalificação do centro de saúde é um ponto extremamente importante e está já prevista. Mas, mais do que isso, será preciso criar uma Unidade de Saúde Familiar, que poderia trazer um conjunto de oferta de serviços. Também queremos criar uma unidade de medicina desportiva, Óbidos tem trabalhado bastante bem do ponto de vista da saúde e do bem-estar e tem agora esse pelouro. Mais do que entrar na prescrição médica é importante prevenir um conjunto de patologias que estão associadas a excesso de trabalho, stress, maus hábitos.
Como pode a barragem do Arnóia ser aproveitada em pleno?
Queremos aumentar a área beneficiada e queremos utilizar o espelho de água para atividades lúdicas e de lazer que respeitem a fauna e a flora, que também podem ser dadas a conhecer nas escolas. A realização de atividades no espelho de água irá gerar uma economia descentralizada. Temos ainda um projeto na área da sustentabilidade, pois temos um consumo de energia considerável e estamos a avaliar, do ponto de vista financeiro, qual a melhor das hipóteses, se painéis fotovoltaicos, turbinas ou eólicas. Caso seja eleito deixarei de dirigir a associação.
Na área social, e com a pandemia, como é que a autarquia pode ter uma resposta eficaz?
Temos um conjunto de medidas, desde estruturas que tenham condições para a inclusão de pessoas com necessidades especiais, que não temos no concelho, ao desenvolvimento de espaços intergeracionais, que permitem que as duas faixas possam estar ligadas. Outra ideia é desenvolver universidades ou oficinas seniores, para dar ou estimular competências. Temos de ter uma agenda forte na inclusão dos migrantes, com uma integração que tem de ser bem organizada, na forma e no espaço, para não criar possíveis guetos. Depois, existem apoios mais diretos, porque as pessoas estão a passar dificuldades. ■
O sorteio ditou que fosse o candidato do PSD o primeiro do ciclo de entrevistas em Óbidos
“Terá de haver uma readaptação da empresa Óbidos Criativa”
Candidato considera que continua a fazer sentido a existência da entidade, mas que deverá ser readaptada
A pandemia evidenciou algumas das fragilidades da aposta num único setor, nomeadamente o turismo, mas Filipe Daniel considera que continua a fazer sentido a existência de uma empresa municipal para atuar naquela área. “Julgo que fará e tem sido o garante do território, pela capacidade que esta empresa tem de projetar, reinventar e dinamizar o território”, frisou o candidato do PSD, realçando que “às vezes a empresa municipal é olhada como algo só para a questão dos eventos”.
Filipe Daniel realça que “terá de haver uma readaptação da própria empresa para outras áreas de negócio, mais transversais”. Com a pandemia, os grandes eventos terão de ser repensados. “Permitir que o que era um evento de massas estejam mais dispersos pelo território é um objetivo”, afirma o cabeça de lista do PSD, acrescentando que um dos compromissos “é dar vida também às aldeias”.
Limitação de espaços comerciais e de serviços visa combater a desertificação
O facto de Óbidos ser Cidade Criativa da Unesco na área da Literatura “permitiu ainda mais alavancar a marca Óbidos, que é neste momento muito forte”, defende, acrescentando que “é fruto de trabalho desenvolvido no passado”.
Para combater a desertificação da vila, o social-democrata defende que é necessário “ter uma política forte da habitação” e que poderá ser necessário limitar o número de espaços comerciais ou de serviços dentro de determinado contexto, seja na vila ou no concelho.
Ao nível do património e da cultura diz que uma das metas é “fazer requalificações no aqueduto da Usseira, retratando a vinda de água da Usseira até Óbidos com jogos de águas, e depois criar percursos pedestres”. “Gostaríamos também de fazer requalificações em frente à Igreja do Senhor da Pedra e julgo que há condições como nunca houve para que Eburobtrittium seja reabilitada, reabilitar a igreja do Mocharro e investir na iluminação do património”, concluiu o dirigente social-democrata. ■
O Programa Local de Apoio ao Comércio e Serviços prevê 15 medidas para a retoma. Desenhado pela Ernst & Young, custou 19 mil euros e foi aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal
O Programa Local de Apoio ao Comércio e Serviços, agora apresentado, contempla medidas a serem implementadas em diversos horizontes temporais, prevendo um investimento de 225 mil euros no imediato e de 2,6 milhões de euros no curto e médio prazo.
Entre as 15 propostas de carácter imediato estão a divulgação do comércio local, incentivo ao consumo local, programa de escoamento de stocks, sistema de entregas ao domicílio e plataforma de comércio online. A consultora Ernst & Young propõe ainda, como soluções para a retoma do comércio e serviços, isenções e apoios municipais, ações de sensibilização e de formação, um programa de promoção socioeconómica, apoio à inovação, plataformas colaborativas temáticas, aposta no produto regional e a modernização administrativa.
Programa visa afirmar a vocação comercial da cidade através da criação de uma marca
A medida com um investimento mais alto, de 1 milhão de euros, é a Caldas Cidade Incubadora e consiste na criação de uma incubadora de empresas, a que se junta ainda a necessidade de revitalização das infraestruturas de rede e conetividade, assim como do programa municipal de economia circular e a adaptação de um gabinete de apoio à digitalização. Estão previstas parcerias para a maioria dos projetos, que vão desde a ESAD às juntas, passando pela ACCCRO, AIRO, entidades de formação, municípios, entre outras.
O estudo identifica ainda um conjunto de princípios de atuação a adotar pela Câmara, como o apoio e divulgação dos gabinetes de apoio aos empresários, procurando que os serviços correspondam adequadamente às suas necessidades, assim como desenvolver apoios com retorno económico e financeiro, para além dos aspetos informativos. Deve também apostar no setor primário e secundário, desenvolvendo uma estratégia que potencie e dinamize o crescimento da zona industrial, assumir o papel de interlocutor e intermediário dos empresários junto dos decisores políticos, privilegiar os fornecedores locais e regionais e fomentar iniciativas que promovam o aumento da procura e manutenção do poder de compra. A autarquia deverá ainda “afirmar a vocação comercial do concelho” através da criação de uma marca que o projete para o exterior e torne numa referência no setor do comércio.
As medidas foram bem acolhidas pelos deputados municipais, que aprovaram, por unanimidade, o programa na Assembleia Municipal de 29 de junho, mas criticaram o atraso na sua apresentação e que muitas das medidas já tinham sido sugeridas ou constam do Plano Estratégico.
Ana Sofia Cardoso (CDS) lembrou que já em abril de 2020 o partido tinha manifestado a “urgência” na adoção de medidas de apoio aos pequenos negócios e comércio local, de modo a mitigar os efeitos da pandemia no tecido empresarial atenuar a adversidade dos efeitos socioeconómicos esperados. “Depois de analisar este documento conseguimos identificar uma série de medidas que já estavam previstas no Plano Estratégico e que foram agora reforçadas”, disse, lembrando que foi a mesma empresa que os realizou.
Manuel Nunes (PS) caraterizou o plano como um “bom instrumento identificador” do que se passa no concelho e defendeu que é preciso ir mais longe no que se refere às feiras e mercados. Alertou ainda para a necessidade de se abordar o comércio alimentar, que registou um aumento do consumo, de forma diferente da restauração e comércio de retalho, que assinalaram quebras significativas.
O programa sugere o investimento de 225 mil euros no imediato, na dinamização de 15 medidas de apoio ao comércio e serviços
A “pertinência do estudo” foi realçada por Alberto Pereira (PSD), que considera dar as respostas “mais necessárias” para apoiar a retoma da economia local e defende que seja alargado a outros setores. Da mesma bancada, Filomena Rodrigues recordou que o comércio tem sido “muito acarinhado” pelo município e constitui um traço fundamental da identidade caldense, patente no Plano Estratégico.
Já Arnaldo Sarroeira (BE) congratulou-se com a existência de um programa “fundamentado”, mostrando-se, no entanto, apreensivo relativamente à monitorização da implementação. Por seu lado, Vítor Fernandes (CDU) questionou se os comerciantes da feira semanal e da Praça da Fruta estão incluídos neste apoio, se o setor primário também é afetado por estas medidas e se as grandes superfícies se manifestaram ou solicitaram apoio.
De acordo com o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, foram tomadas medidas imediatas de apoio às famílias e empresas para fazer face à pandemia, que ainda estão a decorrer. Explicou ainda que estas medidas permitem candidatar-se a fundos comunitários para ajuda na retoma económica. ■
O espaço que acolheu, durante anos, a Feira dos Frutos, no Parque D. Carlos I, será este ano transformado num mercado de fruta, com o objetivo de incentivar e impulsionar a compra de produtos frutícolas aos produtores da região oeste. A iniciativa decorre no ano internacional das frutas e legumes, em que os países são desafiados a aumentar a consciencialização sobre o importante papel das frutas e vegetais na nutrição humana, segurança alimentar e saúde, explica o gabinete de eventos da Câmara.
O mercado contará com vários expositores dedicados à horticultura e derivados, artesanato local, doçaria e pastelaria, comércio, serviços e indústria ligada à temática agrícola, dispostos, tal como nos anos anteriores em pequenos stands e bancas de madeira.Os visitantes, para além dos expositores, poderão encontrar um espaço destinado às crianças e outro de animação. Estão previstos concertos, animação itinerante, showcooking, workshops, jogos e actividades de sensibilização sobre alimentação sustentável, reciclagem e consumo sustentável.
A entrada no mercado é gratuita, sob controlo de lotação e seguindo os cuidados de prevenção contra a covid-19. Irá funcionar nos 19, 20 e 21 de agosto entre as 17h00 e as 23h00 e, no domingo, 22 de agosto, das 10h00 às 20h00.
Apesar de a Feira dos Frutos ter sido suspensa em 2020, devido à pandemia, a organização levou a cabo, ainda no ano passado, dois eventos técnicos em forma de webinar. O primeiro deles, uma conferência subordinada à temática Produção Sustentável, e com presença de especialistas internacionais, decorreu em finais de julho. Já em dezembro teve lugar o congresso Frutos, sobre inovação e estratégia da fruticultura nacional. O evento, que contou com cerca de 450 inscrições e 30 intervenientes, consistiu num momento de divulgação científica e tecnológica para o setor. ■
Os 418 anos da freguesia foram celebrados com o lançamento de um livro sobre a localidade e a apresentação de um centro interpretativo, cujas temáticas serão a água, o pão e o vinho
António Quintino saiu ainda jovem de A-dos-Negros, mas a aldeia teve sempre um “bom lugar” no seu pensamento e coração, o que o levou a querer homenagear a terra e as suas gentes com o livro apresentado a 4 de julho, no aniversário da freguesia. A obra fala sobre as origens de A-dos-Negros e a sua história, curiosidades e tradições, faz referências a algumas personalidades, lugares, ao associativismo e conta ainda com versos do autor.
“O estilo da escrita é agradável e retrata a evolução desta terra e das suas pessoas”, referiu José Machado ao apresentar o livro, acrescentando que o autor conta histórias ali vividas no século passado, na sua infância e juventude. Aconselha a sua “leitura completa”, essencialmente às pessoas naturais da terra, residentes, conhecedoras e interessadas na região.
A pandemia veio alterar o resultado final do livro, que João Quintino idealizou mais documentado. “Encontrei algumas portas difíceis, outras a que nem cheguei a bater, mas também encontrei outras que se abriram espontaneamente e às quais estou muito agradecido”, disse o autor, destacando a colaboração da junta de freguesia.
“O amor à minha terra foi sempre mais forte pelo que nunca pensei desistir”, destacou o autor do livro cujo valor das vendas reverte para a Associação de Desenvolvimento Social daquela freguesia.
Apontamento com alguns objetos que integrarão o Centro Interpretativo
Disseminação do conhecimento
A data foi também assinalada com a pré-apresentação do Centro de Interpretação de A-dos-Negros/Arnóia, pelos historiadores Ângela Oliveira e João Pedro Tormenta.
Os responsáveis pretendem que aquele seja um local de disseminação do conhecimento, que assentará nas temáticas da água, do pão e do vinho, compreendendo documentação histórica, objetos, fotografias com esses objetos e, de preferência o elemento humano.
Data de 1603 o mais antigo inventário da zona de A-dos-Negros, pelo ermitão de Santa Maria Madalena, mas Ângela Oliveira acredita que a paróquia que depois evolui para freguesia, em termos administrativos no século XIX, é anterior a essa data. A investigadora referiu que D. Afonso Henriques fez uma doação a uma importante família judia de Lisboa, a família Negro, que viria a fixar-se nesta região. Depois, trabalhando os inventários orfanológicos e de partilhas do concelho de Óbidos, encontraram referências a esta terra em documentos datados desde 1598 e que lhes permite um fio condutor assente na água, no pão e no vinho.
Ângela Oliveira manifestou, ainda, o desejo de recuperar a antiga tradição de produção e transformação do linho, que encontram nos inventários desde o século XVI. “Temos imensa coisa para um centro de interpretação que se pretende que seja vivo, ativo, participante, de pessoas e para pessoas da freguesia, aberto também a quem queira visitar”, rematou a responsável.
Ainda não existe um espaço físico definido para acolher o centro de interpretação, mas o vice-presidente da Câmara de Óbidos, José Pereira, deixou a garantia de que isso irá acontecer. O autarca destacou a riqueza patrimonial e identitária da freguesia e lembrou que a albufeira do Arnóia ainda está por explorar.
A cerimónia foi limitada, tendo em conta as regras de segurança por causa da pandemia, no entanto, o presidente da junta, Heitor de Sousa, realçou que não podiam deixar de assinalar a data da mais antiga freguesia do concelho. ■
Um mês depois de os responsáveis colocarem o lugar à disposição, não surgiram interessados para dar continuidade ao projeto
Vítor Diniz e Rui Vogado continuam a assumir a continuidade da Comissão de Utentes Juntos pelo nosso Hospital depois de, tendo colocado o lugar à disposição, no período de um mês não ter aparecido ninguém disponível para lhes suceder. Em comunicado, referem que foram muitos os que se lhes dirigiram, “por um lado tristes e preocupadas com a extinção iminente da comissão” e por reconhecerem “o quão importante é a sua continuação”, mas que durante este período em que se mantiveram em gestão, “não surgiram quaisquer outras pessoas que se disponibilizassem e se propusessem dar-lhe continuidade”.
Por considerarem o papel de intervenção cívica e de cidadania importantes que desempenharam, e tendo em conta os pedidos para darem continuidade ao trabalho, Vítor Diniz e Rui Vogado, sentem-se “obrigados” a assumir a continuação da comissão, mas apelam a que mais pessoas se juntem a eles.
“Esta comissão, pelos ideais que a compõem, não pode continuar nas mãos de apenas um ou dois elementos”, realçam os dirigentes, deixando a nota: “só temos autoridade para criticar o que não se faz, ou se faz mal, se nos dispusermos a dar o nosso contributo de cidadania ativa na solução dos problemas sociais”.
No comunicado, que substituiu a reunião pública que não pôde ser realizada devido à pandemia, os dois dirigentes referem ainda que a “saúde é um bem superior, para garantia do qual uma sociedade deve manter-se organizada”.
A comissão já estava há quatro anos em funções e uma das suas últimas iniciativas foi a apresentação de um documento, tendo por base as respostas e sugestões dos responsáveis pela saúde na região e onde se propunha a continuar a apelar à aquisição de novos equipamentos e colocação de mais pessoal no CHO, bem como continuar a insistir na audiência com a ministra da Saúde.
Desconhecendo-se para quando o novo Hospital do Oeste e, tendo em conta a pandemia de covid-19, exigem ao Governo “que, urgentemente, seja instalada uma unidade de cuidados intensivos”, defendeu Vítor Diniz, acrescentando que também se pretendem bater pelo reinício das obras da Urgência no hospital das Caldas da Rainha. ■
Está a decorrer a iniciativa Casa Aberta, que é destinada à vacinação de primeiras doses de utentes que ainda não tenham sido agendadas, nem efetuado autoagendamento.
Os utentes do ACES Oeste Norte, com as idades definidas em cada momento pela coordenação nacional, podem ser vacinados localmente sem necessidade de agendamento prévio, devendo dirigir-se aos centros de vacinação da sua área de residência. Em Alcobaça e Caldas da Rainha poderão ser vacinados de segunda-feira a domingo entre as 13h00 e as 15h00, no Bombarral e Nazaré, entre as 14h00 e as 16h00. Em Peniche, para estes casos, o centro de vacinação funciona à terça, quarta e sexta-feiras, das 10h30 às 11h30.
Os utentes que levaram a primeira dose da vacina Astra Zeneca entre 26 de abril e 16 de maio, podem efetuar a segunda dose na semana de 5 a 11 de julho, desde que tenham concluído as oito semanas. Quem levou a vacina após 17 de maio poderá efetuar a segunda dose a partir de 12 de julho, no mesmo local e em horários definidos. Nas Caldas, Alcobaça e Peniche funciona de segunda a domingo, entre as 16h00 e as 18h00, e no Bombarral e Nazaré funciona de segunda a sexta-feira, das 16h00 às 18h00.
As pessoas com sintomas suspeitos de Covid-19, que exijam uma avaliação médica devem dirigir-se à unidade de saúde da sua zona de residência, fazendo o agendamento prévio, se possível, por telefone, esclarece o ACES Oeste Norte Estas funcionam em horários específicos.■
A CDU encara batalha eleitoral com “confiança” a cumpre o objetivo de concorrer a todos os concelhos do distrito, com o alargamento das listas
A Festa de Verão da CDU, que se realiza anualmente na margem norte da Lagoa contou, este ano, com a presença dos 16 candidatos às câmaras do distrito de Leiria. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, mostrou-se confiante nas próximas autárquicas e destacou o facto de a CDU ter listas alargadas a todo o território, mas também com a indicação de muitos cabeças de lista independentes, uma grande renovação e com mais mulheres e jovens.
“São candidatos conhecedores da realidade, dos problemas e dos desafios que se colocam ao desenvolvimento de cada um dos seus concelhos e da sua região”, disse o dirigente comunista, lembrando que o projeto “alternativo” da CDU é a resposta para muitos dos problemas concelhios.
Perante uma plateia de cerca de 250 pessoas, Jerónimo de Sousa deixou a garantia de que as populações podem contar com a CDU no reforço do SNS, nomeadamente pela construção de um novo hospital no sul do distrito e pela exigência de investimento na rede de cuidados primários. Também na defesa do meio ambiente e do património natural, como é o caso da Lagoa de Óbidos, das arribas de São Martinho do Porto, bem como do património cultural material e imaterial do distrito.
“O projeto alternativo da CDU é a resposta a muitos problemas concelhios”
Jerónimo de Sousa
O secretário-geral do PCP lembrou a luta pela requalificação e modernização da Linha do Oeste, a defesa da pesca e dos pescadores do distrito e do Hospital Termal e dos pavilhões, nas Caldas. Considera que as populações “conhecem bem” a obra feita pela CDU, dando o exemplo de Peniche e do desenvolvimento que registou durante os 12 anos de poder comunista. Um contributo interrompido há quatro anos, mas que a CDU está empenhada em recuperar, com a candidatura de Clara Abrantes.
A coligação está também empenhada em confirmar as atuais maiorias nas freguesias, nomeadamente nas Juntas de Freguesia da Serra d’El Rei e Marinha Grande, mas também reforçando as equipas. “Um trabalho meritório mesmo quando em minoria”, como é o caso das Caldas e Alcobaça, enquanto voz “indispensável” na defesa dos interesses das populações e para “garantir uma gestão transparente e eficaz”, sintetizou. Razões que levam Jerónimo de Sousa a considerar a CDU como a “grande força de esquerda no poder local”, afirmando que este “tem ainda por cumprir no seu edifício constitucional a criação das Regiões Administrativas, sucessivamente adiada pela mão de PS, PSD e CDS”. Criticou a agregação das freguesias e a descentralização, que “visa desresponsabilizar o Estado em domínios e competências que lhe são cometidas” e criar “situações de desigualdade de acesso em funções universais como as da saúde, educação ou proteção social”.
A festa, que se realiza há varios anos, teve música, com Nelson Rodrigues, um almoço convívio e também a venda de produtos locais e uma quermesse. ■
A Assembleia Municipal das Caldas aprovou, por unanimidade, o regulamento que permitirá a isenção de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) para as coletividades do concelho. A medida entrará em vigor no ano fiscal de 2022, para as associações que façam prova dos estatutos e devidas regras, por um prazo de 10 anos.
A decisão foi tomada pelo executivo tendo em conta a situação pandémica que se vive e que agudizou as dificuldades em obter receitas para as associações sem fins lucrativos, tendo em conta que não podem dinamizar atividades. Para além disso, muitas lutam para que a atividade seja em conformidade com a lei, tendo em conta as avaliações dos edifícios onde estão sediadas.
“É uma medida de grande relevo para as associações”, defendeu o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, lembrando que, do ponto de vista legislativo, tem havido propostas na Assembleia da República para que estas medidas tenham um caráter permanente. Contudo, atualmente só é possível a isenção de IMI até ao máximo de uma década. O autarca realçou que esta isenção tem um impacto relevante pois o valor patrimonial tende a aumentar de cada vez que seja reavaliado o imóvel. Por outro lado, referiu a incoerência que é a Câmara dar apoio para as atividades das associações e depois estas terem de pagar o IMI à Câmara. “Ficam isentas do pagamento de IMI e depois avaliaremos os apoios a dar em função das atividades desenvolvidas”, concretizou.
O deputado do PSD, Alberto Pereira, realçou tratar-se de mais um instrumento de apoio às associações sem fins lucrativos do concelho, com vista ao associativismo e sua sustentabilidade. Também Manuel Nunes (PS) considera que é uma medida importante para o “aliviar de responsabilidades” do movimento associativo local. Lembrou que, de acordo com a legislação, as instituições que possuem estatuto de utilidade pública estão isentas deste imposto, no entanto, e de acordo com o edil, apenas 10 a 20% das associações do concelho possuem esse estatuto.
No início do ano também a vereação já se tinha pronunciado favorável a esta medida de apoio.
As instituições de cariz social não são abrangidas, porque a lei já prevê a isenção de imposto sobre o imóvel.
Tinta Ferreira fez a primeira rescisão, desde que é presidente de Câmara, com a empreitada do Centro da Juventude. A obra só será retomada em 2022, após novo concurso
Falências e atraso nas obras
A falta de recursos qualificados e de materiais tem levado a que as empresas estejam a atrasar as obras adjudicadas pela autarquia. A explicação foi dada pelo presidente da Câmara, Tinta Ferreira, que reconhece que as intervenções “não estão a decorrer ao ritmo” que gostariam. “Com a pandemia há uma limitação em termos de trabalho e de organização das empresas. Além disso, neste momento é difícil a aquisição de materiais para algumas obras e os seus preços estão a subir exponencialmente”, explicou o autarca, acrescentando que já há empresas a solicitar revisões de pagamentos porque não conseguem comprar os materiais necessários para dar resposta ao que está nos cadernos de encargos.
Tinta Ferreira informou que tomou a decisão da primeira rescisão feita, consigo enquanto presidente de Câmara, a propósito da empreitada do Centro da Juventude. “A empresa faliu, fomos forçados a fazer a rescisão contratual e nenhuma outra quis ficar com o trespasse da obra. Estamos a preparar um novo concurso para a requalificação, mas a intervenção só vai decorrer em 2022”, notou. O autarca explicou que procuraram encontrar soluções nem que fosse por trespasse de posição contratual, mas “nenhuma empresa assume a obra de outra sem que tenha condições de continuar” acrescentando que os preços que foram dando para a obra estão completamente desfasados da realidade.
Em fase de conclusão está a obra de alargamento da Avenida João Fragoso, a área 8 do Parque das Morenas e área 6 do Bairro da Ponte. Várias outras obras da reabilitação urbana estão em curso. Com paragem anunciada está a do edifício na Frei Jorge S. Paulo (junto ao Posto de Turismo) porque as escavações arqueológicas permitiram a descoberta de achados relevantes, o que vai obrigar a um aumento das escavações. Depois de questionado pelos deputados municipais, o autarca, reconheceu ainda atrasos na obra no Pátio dos Burros e, referindo-se ao Teatro da Rainha, explicou que a empresa está a retomar a obra, depois de ter sido aberta, e concretizada, a empreitada para fazer a estacaria para estabilização dos solos. ■
A falta de apoio, por parte do PS, durante este mandato leva Arnaldo Custódio a recandidatar-se à União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto pelo movimento de cidadãos Por Tornada e Salir.
“Neste tipo de eleições é mais importante termos uma boa equipa, pessoas com disponibilidade para se dedicarem à causa pública, do que pessoas que integram as listas por simpatia a um partido”, disse o autarca que vai a eleições acompanhado e representantes de várias localidades desta freguesia.
Estabelece como bandeira para o próximo mandato dar melhores condições de vida aos cidadãos, através das acessibilidades, melhor qualidade da água e saneamento e mais limpeza. Também as questões ambientais estão entre as suas prioridades, com a preservação da duna de Salir do Porto, valorização do Paul de Tornada, despoluição do Rio de Salir e da praia, recuperação da água da pocinha, bem como “dar mais vida aos lugares, com mais progresso nesta união de freguesias”.
A apresentação pública do movimento decorrerá a 11 de julho, às 17h00 em Tornada, e às 19h00 em Salir do Porto. ■
Presidente da direção entre 1986 e 1995, Guilherme Collares Pereira, é um defensor da colaboração e associativismo no setor e acredita que o sucesso da economia assenta na educação e formação
A aposta na educação e na formação continua a ser o “pilar de base” para o dinamismo da economia e tecido empresarial, considera Guilherme Collares Pereira, que foi presidente da AIRO entre 1986 e 1995. O gestor visitou as instalações da associação industrial e partilhou a sua experiência com elementos da atual direção no passado dia 2 de julho, marcando o início das comemorações do 40º aniversário daquela entidade.
A AIRO nasceu para ajudar os empresários da região a superar os problemas comuns
Na sua opinião, os objetivos de sustentabilidade só se alcançam se os jovens estiverem envolvidos, enaltecendo o papel que a associação tem com a academia e as escolas, assim como a aposta no empreendedorismo. Guilherme Collares Pereira lembrou que data da sua direção o arranque e desenvolvimento do Cencal nas instalações atuais, juntamente com outras entidades, assim como de um vasto programa de formação profissional apoiada pelo Fundo Social Europeu, com milhares de horas de formação ministrada e dirigida a empresários e quadros de PME da região e jovens à procura do primeiro emprego.
A AIRO foi também fundadora e participante na criação da ESAD, da ETEO e apoiante na implementação do polo de Peniche do IPL.
O responsável, com formação em gestão de empesas e economia internacional, foi desafiado para integrar a AIRO por Pedro Pessoa de Carvalho, presidente do conselho de administração da Secla e presidente da assembleia geral desta associação, aceitando com a condição de defender os interesses dos empresários de toda a região Oeste, num nível regional. “Temos esta visão alargada ao nível territorial e de áreas de intervenção”, disse o ex-dirigente, lembrando que a AIRO, então, abarcava 14 concelhos, desde Torres Vedras até perto de Leiria.
“Fizemos um trabalho interessante, muito no sentido de forjar parcerias”, lembrou Guilherme Collares Pereira, acrescentando que a palavra competição foi “riscada” do mapa e passou a colaboração cooperação. Também presente no encontro, o secretário-geral da AIRO daquela época, Francisco Toscano, acrescentou que a credibilidade e “capacidade reivindicativa” desta associação também foi fundamental, lembrando, por exemplo, a abertura do primeiro gabinete descentralizado de informação PEDIP, na sequência da instalação da estrutura de gestão deste programa em Lisboa.
Outra das preocupações da associação foi a de capacitar os empresários para enfrentarem a realidade da adesão à então CEE.
“Muita formação, competência técnica, demos início aos primeiros encontros com empresários estrangeiros para os familiarizar”, explicou Francisco Toscano, lembrando o envolvimento na Rede Europeia de Câmaras de Câmaras de Comércio e Indústria.
Depois de exercer três mandatos na AIRO, Guilherme Collares Pereira ocupou lugares de destaque nos órgãos sociais de várias associações empresariais e teve uma carreira profissional em vários setores de atividade e em sistemas de franchise. Tem uma segunda casa no Carvalhal, Bombarral, onde vive desde a pandemia, e de onde vai acompanhando a realidade regional.
O Centro Empresarial da região Oeste irá albergar a AIRO e o Caldas Empreende
“Em termos empresariais acho que nunca tivemos numa situação tão difícil e associações como a AIRO são cada vez mais necessárias”, disse, defendendo a importância do associativismo. “O português continua a não ser associativo, só nos associamos nos momentos negativos, que é o oposto do que devia de acontecer”, afirmou, realçando que é “no crescimento que devemos estar juntos, para crescer mais, mas tem a ver com a educação, a cultura”.
De acordo com o atual presidente da direção, Jorge Barosa, a instituição pretende assinalar o 40º aniversário com um levantamento histórico do trabalho feito na região para publicar em livro. Há também o objetivo da construção de um Centro Empresarial da região Oeste, que irá albergar a AIRO e o Caldas Empreende (incubadora de empresas). “Queremos que o espaço junte empresas, que ali possamos criar debates de ideias, no fundo, que seja um edifício que gere riqueza para a região”, partilhou Jorge Barosa. ■
O vereador da CDU na Câmara de Peniche e dirigente de várias organizações ligadas à solidariedade social, Rogério Cação, faleceu no dia 6 de julho, aos 65 anos.
A Câmara de Peniche, em nota de pesar, caracteriza-o como um “homem íntegro, com uma vida pessoal, familiar e profissional intensa” e reconhecidas qualidades humanas. “A sua cordialidade e simpatia marcaram todos os que com ele conviveram, valores que soube passar à família e a quem com ele privou”, refere a mensagem, que dá conta do decreto de três dias de luto municipal.
Rogério Cação foi distinguido com o grau de comendador da Ordem do Mérito, em 2010, Atualmente exercia as funções de vereador na Câmara de Peniche, era presidente da direção da Cercipeniche, Cooperativa de Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão; assim como presidente da direção da Adepe – Associação para o Desenvolvimento de Peniche. Entre muitas outras atividades, era também professor e responsável pelo grupo de teatro da Universidade Sénior de Peniche e, pela Confecoop integrava a Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou as condolências à família e destaca a vida dedicada à causa pública e, especialmente, “a entrega às causas sociais. ■
O Clube de Programação e Robótica “Robotics Code Raul”, do Agrupamento de Escolas Raul Proença, foi um dos vencedores da fase final da 7ª edição do Concurso Nacional de Clubes de Programação e Robótica, que decorreu a 23 de junho. Participaram, neste concurso, cerca de 400 escolas, 67 das quais passaram à fase final da competição e apenas 13 foram distinguidas pelos projetos apresentados.
O projeto apresentado pelo clube, denominado “Raulinho”, consiste num robô humanoide controlado através de uma aplicação móvel, utilizando bluetooth.
Foi desenvolvido com o objetivo de interagir com as crianças e tem capacidade de comunicar, dançar, mudar a cor dos olhos, apresentar músicas e de se movimentar, tanto através das teclas de direção da aplicação móvel, como autonomamente, desviando-se dos obstáculos através do recurso a um sensor ultrassónico.
De acordo com o agrupamento, mesmo num ano atípico, devido à pandemia, o clube conseguiu aumentar o número de alunos inscritos sendo agora composto por cerca de 50 alunos e dois professores. Este prémio assume uma enorme preponderância no futuro do clube, uma vez que é, neste momento, a única forma de financiamento dos projetos desenvolvidos pelos alunos.
Registado, pela primeira vez, na base de dados da DGE no ano letivo de 2018‐19, este clube pretende dotar os alunos de capacidades transversais como o pensamento analítico, a resolução de problemas, o trabalho colaborativo e a criatividade.
Através da robótica educativa como meio de introdução às linguagens de programação e da realização de atividades de carácter experimental, o aluno torna-se construtor do seu próprio conhecimento, através da observação, da prática e do trabalho colaborativo. ■
A ideia resulta do projeto internacional SLYMS, que terminou esta semana em Barcelona (Espanha) depois de três anos de trabalho entre associações e universidades de três países da Europa
Um festival intercultural, com o envolvimento das comunidades locais onde estas mostram a sua cultura, desde a língua, à gastronomia, passando pela música, teatro, dança e arte, poderá ter lugar nas Caldas da Rainha por altura da Páscoa em 2023. A ideia foi lançada pela CAI – Conversas Associação Internacional, a organização não governamental portuguesa parceira no projeto internacional SLYMS – Aprendizagem Sociocultural da Juventude nas Sociedades em Mobilidade, durante a reunião final, que decorreu a 28 de junho em Barcelona (Espanha).
No encontro – a que a Gazeta das Caldas assistiu a convite da CAI – o dirigente da ONG, Helder Santos, explicou que a ideia surge na sequência do festival de multilinguismo que se realiza em Salónica desde 2013. O objetivo é criar um movimento nas Caldas, que integre associações, escolas e outras entidades, para começarem a ter ideias de organização de um festival onde migrantes dos vários países possam mostrar a sua língua e cultura. “Estudámos estes três anos, pois não queremos fazer um festival que mostre a cultura aos outros mas não envolva as comunidades locais. Pretendemos envolver as comunidades para que, elas próprias, mostrem a sua cultura aos outros”, destaca.
“As Caldas tem uma história linda de acolhimento que hoje, mais do que nunca, tem que ser lembrada. Há gente que pensa que o outro, por ser diferente, deve ser eliminado ”
Helder Santos
Helder Santos é caldense e, embora a residir há muitos anos fora, o confinamento trouxe-o à sua terra natal. Vê as Caldas como um centro em que “há o pulsar de várias culturas” e lembra a sua tradição no acolhimento, sobretudo com os judeus durante a segunda guerra mundial. “Essa vinda dos refugiados, que tanto incrementaram as Caldas há mais de meio século, e que hoje também se verifica com os migrantes, deu-nos a ideia para a criação do evento”, diz, acrescentando que este visa a interculturalidade, “para que todos aprendamos quem é o outro, para o conhecer melhor”.
O objetivo passa pela criação de um pequeno festival na Páscoa do próximo ano, que funcionará como que um ensaio para um evento maior, a decorrer um ano depois. “Realizar-se-á na Páscoa porque é a altura que coincide com a primavera e a ideia de lançar sementes, rejuvenescer, de podermos criar coisas novas juntos”, defendeu Helder Santos.
SLYMS é um “grande projeto”
A integração dos jovens migrantes, através da sua cultura e da sua língua é o grande objetivo do projeto SLYMS, que tem como parceiros as universidades de Tessália e Salónica, a associação Arsis e o município de Salónica (Grécia), a Universidade de Pompeu/Fabra (Espanha) e a ONG portuguesa Conversas Associação Internacional. Durante três anos produziram trabalho académico e várias propostas, como uma plataforma online de recursos educativos abertos, com um curso de formação de formadores na área da formação intercultural, que já foi dinamizado pela associação portuguesa. Também a Educação pela Arte pode ser “uma boa ferramenta para educar nas escolas e nos espaços de educação não formal, como as associações e universidades seniores, para os ajudar a perceber melhor o mundo e a vida, assim como a educar-se a si próprios, participando em eventos artísticos de outros lados”.
O projeto foi “apanhado” pela pandemia e, alguns dos eventos previstos, como uma reunião internacional a decorrer nas Caldas, foram cancelados. As reuniões entre os membros dos vários países passaram a decorrer on-line, com perdas para os resultados, considera Helder Santos.
O responsável da CAI, realça, no entanto, que o SLYMS é “um grande projeto”, pelo montante envolvido, cerca de 300 mil euros (financiado pelo programa europeu Erasmus +) e pelo facto de ter uma parceria muito forte das universidades e uma componente prática.
Em Portugal, e antes da pandemia, houve uma visita dos parceiros à freguesia de Arroios, onde tiveram contacto com as escolas interculturais, e depois foram visitar a Cova da Moura, onde a CAI trabalha há vários anos com a associação Moinho da Juventude.
Pandemia com impacto negativo nos projetos internacionais
A impossibilidade dos encontros presenciais dificulta o trabalho ao nível da comunicação das emoções
A regressar da Eslovénia, onde participou num projeto internacional, Helder Santos, partilha que esta reunião foi o “plano E”, de um encontro que devia ter acontecido há mais de um ano. Inicialmente agendado para março de 2020, foi remarcado por cinco vezes até o conseguirem concretizar e, ainda assim, tiveram de trabalhar em “bolha”, ou seja, encerrados num hotel, onde mais ninguém entrava ou saía.
Helder Santos, coordenador da CAI, juntamente com o assistente de projetos, Tiago Souza
A associação que coordena dedica-se à realização de projetos internacionais, com uma parte de investigação e outra de ação, juntando o saber científico com a experiência e as boas práticas. Trabalha sobretudo com pessoas em situação de vulnerabilidade e a pandemia veio criar um impato muito grande essencialmente na realização da componente prática, impossibilitando as reuniões e atividades em grupo. “Ainda agora estava previsto um encontro para decorrer em Lisboa mas não se poderá realizar porque a situação piorou”, disse, destacando o impacto que a realidade atual tem na qualidade dos projetos, que fica aquém das expetativas iniciais por apenas poderem trabalhar à distância. “Na parte online é fácil trabalhar conteúdos, mas a comunicação das emoções, não verbal, que leva a que criemos coisas, é muito dificil de se conseguir”, conta à Gazeta das Caldas.
A CAI tem já aprovado um projeto para o setor cultural a desenvolver na região Oeste
O responsável salienta que há muitas organizações a trabalhar e bastante trabalho feito, mas que não é conhecido e acaba por não ser utilizado por profissionais a trabalhar no terreno, e que poderiam ali obter fonte de inspiração. Entre os projetos em que a CAI está a participar está o Key, que envolve também entidades da Eslovénia, Bulgária e Croácia, e procura arranjar soluções para jovens com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos, que se encontram em situação de desemprego ou de precariedade laboral. “Essa precariedade laboral está a fazer com os jovens se achem precários, ou seja, a precariedade passou do estatuto de caraterística deles perante o emprego, para uma auto afirmação de que afinal valem muito pouco”, destaca o gestor de projetos, acrescentando que pretendem dinamizar um conjunto de atividades para que estes percebam que estão precários, não o são.
Está também já aprovado um projeto para o setor cultural, que a associação pretende desenvolver na região Oeste, a partir das Caldas.
A cooperação visa a investigação e desenvolvimento de projetos culturais, artísticos e de sustentabilidade, por via do design e dos novos media.
A Câmara de Óbidos, em parceria com a Universidade Lusófona, pretende criar na vila um “museu-vivo” alargado aos vários espaços expositivos, ligado através das novas tecnologias a locais associados à criação artística.
O protocolo para o efeito, assinado a 22 de junho, prevê a cooperação das duas entidades em programas de investigação, preservando e potenciando tradições locais, a dinamização de conteúdos contemporâneos adequados aos centros de investigação da Universidade e também aos museus e espaços culturais da vila. No documento consta, ainda, a promoção de estágios, residências artísticas e o intercâmbio de técnicos especialistas.
“Os museus têm uma dinâmica enorme na vida das cidades, do ponto de vista turístico e económico”
Maria da Conceição Soeiro
“[Este é um] recurso a meios tecnológicos que despertem os sentidos de quem os visita”
Humberto Marques
Um dos grandes objetivos deste protocolo é “cortar um pouco com aquilo que era o conceito de Óbidos, uma rede de museus e galerias, e passar a ter um único museu, que está para além destes espaços e que abrange todo o território, incluindo a arqueologia e o património que pode ser experienciado”, explicou o presidente da Câmara, Humberto Marques. Dar “vida” tecnológica e design aos espaços é, de acordo com o autarca, uma forma de atrair novos públicos e permitir que estes espaços museológicos sejam mais aproveitados, com criação ao vivo.
A necessidade de uma ação conjunta, de modo a promover a dinamização dos museus, tornando-os um espaço interativo e um centro de aprendizagem, foi realçado por Maria da Conceição Soeiro, da administração da Universidade Lusófona, destacando o contributo que este estabelecimento de ensino pode dar nesse sentido.
“Os museus têm uma dinâmica enorme na vida das cidades, do ponto de vista económico e turístico, e há uma falha das políticas públicas, já que não há um incentivo para que as pessoas vão aos museus”, afirmou a responsável, empenhada em convertê-los em “valor acrescentado, para a região e para o país”.
A materialização do protocolo passa, por exemplo, pela conceção de uma exposição com recurso a novas tecnologias que potenciem a sua divulgação, “despertem a audição, a visão, o olfato” e que, por outro lado, “façam a ligação com o território de origem”, explicou o autarca, referindo a ligação de obras de Josefa d’Óbidos, ou do seu pai, Baltazar Gomes Figueira, aos locais do concelho onde foram criadas.
O protocolo tem uma duração de quatro anos, renováveis, e pode ainda ser ajustado, de acordo com os projetos a desenvolver.
O desafio é chegar a mais pessoas com a comida que recebem atualmente e com os voluntários disponíveis
Thomas Wiedenbruch, capitão do Clube de Golfe do Praia d’El Rey, visitou, juntamente com outros membros da associação, as instalações da Refood nas Caldas da Rainha e pôde ver a concretização do seu mais recente apoio: o equipamento de ar condicionado, que ajuda o trabalho dos voluntários e permite uma maior segurança alimentar.
Este apoio veio somar-se a outros anteriores, que permitiram a aquisição de uma camara frigorifica e frigoríficos, num total de 12 mil euros, assim como uma ajuda monetária durante os meses de confinamento, que ajudou a Refood a suportar as despesas mensais, sobretudo com a eletricidade, combustível e a água.
“O trabalho que fazem é fantástico e estamos contentes por poder ajudar”, disse o alemão residente no concelho de Óbidos, mostrando desde logo disponibilidade para ajudar também como voluntário na recolha de alimentos, à semelhança do que já acontece com outros elementos do clube. Também a futura capitã do clube, Ingrid Kerremans, destacou o trabalho da associação e mostrou-se disponível para manter a colaboração.
Atualmente a Refood das Caldas conta com 124 voluntários, mas continua à procura de ajuda. Inclusivamente, tem levado a cabo uma ação de sensibilização junto das escolas do ensino secundário e superior para tentar atrair os estudantes para o voluntariado, durante o mês de agosto, altura em que muitos dos voluntários estão de férias.
De acordo com Carla Jesus, a coordenadora do núcleo das Caldas da Rainha, após um período de maiores dificuldades, que coincidiu com o confinamento, a situação já está mais estabilizada.
O núcleo conta atualmente com 124 voluntários, mas precisa de ajuda, especialmente durante o mês de agosto
Entretanto, conseguiram envolver mais parceiros, tanto a entregar alimentos, com através de apoio monetário para pagar as despesas mensais, sobretudo com a energia. “Neste momento temos comida e temos um plano”, conta Carla Jesus, acrescentando que pretendem apostar numa maior eficiência, em termos dos grupos de trabalho para poderem escoar a comida, chegando a mais pessoas.
Um dos desafios é a aquisição de uma balança que lhes permita pesar, por exemplo, o pão, bolos e sopa, que recebem em maior quantidade e que, ao final da noite, redistribuem por várias outras associações. Todo esse processo é, agora, feito por estimativa e leva a que os voluntários acabem por perder bastante tempo, assim como com a necessidade de passar a sopa que é doada para outros baldes.
Estrutura pretende agora apostar numa maior eficiência, para chegar a mais pessoas
Para agilizar esse procedimento, o núcleo já adquiriu novos baldes e uma máquina a laser, com que os irá marcar, possibilitando a sua entrega direta às associações.
Outro dos objetivos, a médio prazo, é a aquisição de novas arcas congeladoras para o núcleo da Refood das Caldas, pois as atuais são antigas, consomem muita energia e, algumas deles, já nem fecham bem a porta, o que implica que muitos dos congelados tenham de ser distribuídos pelas casas dos voluntários.
Apoio a 54 famílias
O núcleo das Caldas continua a registar uma procura de ajuda semanal, embora a um ritmo menor do que durante o confinamento, em que chegaram a ter três pedidos numa tarde. Nessa altura não foi possível dar resposta a todos, tendo sido encaminhados para os serviços sociais da autarquia. No entanto, como ressalva Carla Jesus, ninguém vai embora das instalações sem uma refeição.
“Neste momento entre os que vêm e os que saem temos conseguido gerir, de forma a acolher todos. Está um pouco melhor, mas estamos longe de pensar que acabou”, salienta a coordenadora que, tendo em atenção o período difícil que se adivinha, está apostada em aumentar a capacidade organizacional para dar uma resposta mais eficaz.
Atualmente a Refood apoia diretamente 54 famílias na cidade, num total de 151 beneficiários, a que se juntam 10 associações, que apoiam sobretudo com pão, bolos e sopa, que recolhem e depois entregam ao fim da noite. Os bens são oferecidos por dezena e meia de parceiros, entre supermercados, restaurantes e cantinas das Caldas e de Óbidos.
O núcleo começou a funcionar em dezembro de 2015 e foi oficialmente inaugurado em janeiro do ano seguinte. As suas instalações estão agora situadas na Rua Teixeira Lopes, nº 1, no Bairro das Morenas.
Dois cidadãos participaram na Assembleia Municipal de 22 de junho, a primeira a contar com o público desde que as reuniões passaram a ser feitas online devido à pandemia. As contas da autarquia foram aprovadas, mas com críticas da oposição
A criação de uma task force como forma de pressão para a criação de um hospital novo nas Caldas foi defendida pelo munícipe José Marques Serralheiro, na intervenção que fez na Assembleia. O também provedor do utente, no CHO, lembrou o trabalho que tem feito em prol do hospital e da defesa da saúde no Oeste Norte e deixou algumas sugestões também para a potenciação do termalismo e turismo de saúde. Também presente na reunião, a caldense Teresa Serrenho manifestou o seu descontentamento pelo desempenho do executivo, que não respondeu a vários e-mails que foi enviando para os serviços. Questionou sobre o paradeiro das banheiras termais, a permissão de estacionamento em algumas ruas da cidade ou a impermeabilização dos solos, mas não ficou satisfeita com o retorno obtido.
Teresa Serrenho deu ainda nota pública da sua intenção de abandonar as funções na comissão de gestão das hortas urbanas, desde 2018 e em representação da associação MVC, por considerar que aquele órgão não tem poder de decisão efetivo. A gota de água deu-se com o início da construção de um telheiro no local das hortas, há muito pretendido, mas sem cumprir os requisitos mínimos que solicitavam. “Sabemos que existe verba para construir o telheiro e nem sequer fomos incluídos na decisão ou informados de que ele iria agora acontecer”, denunciou.
Os deputados queriam ter tido conhecimento do Plano para a Frente Lagunar antes da apresentação pública e acusam o executivo de aproveitamento eleitoral
A deputada Ana Sofia Cardoso manifestou a sua admiração pelo facto de só agora ser permitida a participação do público na Assembleia e, referindo-se à intervenção de José Marques Serralheiro, no que respeita às questões da saúde, considerou-a tardia. De resto, os deputados foram unânimes na defesa de um novo hospital no Oeste e, se possível, construído nas Caldas.
Também o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, se mostrou defensor de um novo hospital nas Caldas e pediu a reversão da organização administrativa da saúde ao nível dos hospitais do Oeste, com a construção de um novo hospital no Oeste Norte e de um outro no Oeste Sul.
Em resposta à munícipe Teresa Serrenho, o autarca disse ter conhecimento de algumas das questões colocadas. Relativamente às hortas urbanas informou que há um compromisso escrito da vice-presidente, de há seis meses, onde se comprometia a fazer o telheiro e refutou as acusações de que se trata de campanha eleitoral.
Plano da Frente Lagunar
Os deputados municipais pediram explicações ao presidente da Câmara sobre a apresentação pública do Plano da Frente Marítima e Lagunar, a 12 de junho, no Inatel, sem que tivessem tido antes conhecimento do documento e por não lhes ter sido endereçado convite. O assunto, que tem mais de uma década, tem suscitado questões, por diversas vezes, na Assembleia, e agora acusam o executivo de apresentar o plano em altura de campanha eleitoral. Alguns dos deputados mostraram-se contra a deslocalização dos bares para junto do areal, mas o presidente da Câmara explicou tratar-se de uma imposição da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que não permite que estes permaneçam na arriba. O autarca explicou ainda que o plano está na fase conceptual e que sua apresentação pública foi uma resposta à solicitação da freguesia, mas que está disponível para o apresentar em comissão ou no plenário da assembleia.
Foi aprovada por unanimidade a moção apresentada pelo BE e dirigida ao governo, que exige uma mudança na aplicação da PAC face ao passado, garantindo um “apoio justo a todos os agricultores e territórios e um uso mais útil dos dinheiros públicos ao serviço de todos os cidadãos”. O documento refere que cerca de 40% das explorações agrícolas e 17% da Superfície Agrícola Útil (SAU) do país não beneficiam de quaisquer subsídios da PAC aos agricultores. Além disso, acrescenta, o Oeste é a “região do país com mais agricultores excluídos da PAC, com cobertura de apenas 17% das explorações agrícolas e 30% da SAL”.
Documentos complexos
As contas da Câmara, que apresentam um resultado líquido positivo na ordem dos 129 mil euros, foram aprovadas apenas pela maioria PSD, contando com a abstenção de todas as outras bancadas municipais. Já o relatório de contas do SMAS, com um saldo de 37 mil euros, foi aprovado, com a abstenção do CDS-PP.
O edil reconheceu a dificuldade em ter contas positivas na sequência das despesas sociais por causa da pandemia e quebra de receitas e destacou que o relatório “reflete bem toda a atividade e dinâmica do município”.
Os partidos na oposição manifestaram a dificuldade em analisar os documentos complexos em tão pouco tempo, facto que levou mesmo o PS a não se manifestar neste ponto. Vítor Fernandes (CDU), deu nota da descida do nível de execução e elencou diversas obras que ficaram por executar. Já Arnaldo Sarroeira (BE) deixou a proposta para que no próximo orçamento possa ser incluído nos SMAS o valor que a Câmara tem de transferir, de forma a que “possam colmatar as múltiplas deficiências que continuam a ter nas redes de distribuição de água, de saneamento e nas necessidades ao nível da recolha e seleção dos resíduos urbanos”.
Para Duarte Nuno (CDS-PP) não houve alterações significativas que justificassem uma alteração de voto. O deputado centrista considera que muito do que foi feito foi acessório, mas reconheceu obra feita pelo SMAS. Preocupa-o a falta de investimento na economia e lamentou que este período não tenha sido aproveitado para melhorar a forma como a câmara se relaciona com os munícipes e as empresas, facilitar a comunicação e colocar a tecnologia ao serviço das pessoas e a capacidade de atrair empresas.
Filomena Rodrigues (PSD), por outro lado, assinalou a obra feita, assim como a preocupação do município com as pessoas e empresas, ao nível dos apoios e isenção de taxas para fazer face à pandemia.
Com os presidentes da Câmara e Assembleia a recandidatarem-se, o PSD aposta em caras novas sobretudo nas juntas de freguesia. Tinta Ferreira garante que, se for reeleito, cumprirá o mandato
O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, recandidata-se a um terceiro e último mandato e garante que irá cumpri-lo na totalidade, respondendo assim, aos comentários de que poderia sair do cargo antes de terminar os quatro anos.
“No momento em que pensamos uma candidatura tudo é ponderado. Estes pensamentos foram partilhados com pessoas que pensava serem da minha confiança e têm servido para alimentar boatos, mas pensamentos não são decisões”, disse o candidato do PSD, reafirmando que quer liderar a autarquia de 2021 a 2025.
Na cerimónia de apresentação das listas do PSD, que decorreu no CCC a 17 de junho, Tinta Ferreira disse que o concelho está “em primeiro lugar, acima de interesses pessoais ou de grupo”, pelo que integram nas listas independentes e não filiados e garantiu que irão fazer uma campanha pela positiva, com a apresentação de ideias e propostas. Com o slogan Caldas Primeiro, o PSD defende um concelho moderno, mais criativo e sustentável, onde o foco sejam as pessoas, a qualidade de vida e bem-estar. “Continuaremos a descentralizar competências nas juntas e freguesia, a confiar nas pessoas e nas associações”, assumiu o candidato.
Entre os 12 cabeças de lista do PSD às Juntas de Freguesia, oito candidatam se pela primeira vez
O autarca fez um balanço do trabalho feito nos últimos oito anos, dando nota do cumprimento de várias das promessas feitas, sobretudo na resolução dos problemas crónicos do concelho, como o Hospital Termal, a Lagoa de Óbidos e a Linha do Oeste. A requalificação do Parque e Mata, assim como da Praça de Fruta também foram destacadas, a par da conclusão da regeneração urbana e início da requalificação urbana.
Tinta Ferreira frisou que uma maior descentralização de competências para as juntas de freguesia, traduziu-se num investimento superior a 1,5 milhões de euros, foi feita uma aposta na promoção turística e houve um reforço no apoio social. No entanto, o social-democrata reconhece que “ainda há muito por fazer e vontade de fazer melhor”, pelo que está a preparar o programa eleitoral, em conjunto com personalidades de várias áreas.
Mais mulheres nas freguesias
Em setembro, entre os candidatos às 12 freguesias, apenas quatro se recandidatam. Alice Gesteiro é a única que se recandidata a um terceiro mandato à freguesia de Nadadouro, enquanto Paulo Sousa, José Henriques e Armando Monteiro se recandidatam às freguesias de A-dos-Francos, Alvorninha e Landal, respetivamente.
Outra das novidades é que haverá quatro mulheres a encabeçar as listas às freguesias. Além de Alice Gesteiro, concorrem também Maria da Conceição Pereira para a União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, Sónia Casimiro para Santo Onofre e Serra do Bouro, e Natércia Correia para a Foz do Arelho.
Entre os novos rostos estão Carlos Freitas, como candidato a Carvalhal Benfeito, Flávio Jacinto a Salir de Matos, João Lourenço a Tornada e Salir do Porto, Rui Henriques a Vidais e Fernando Fialho a Santa Catarina.
“Temos uma excelente equipa”, disse Tinta Ferreira, garantindo que a sua vontade de trabalhar em equipa com as juntas de freguesia não esmoreceu por causa de “acidentes de percurso”, disse, numa alusão à candidatura independente de Vítor Marques, que nas últimas eleições integrou, como independente, as listas do PSD.
Lalanda Ribeiro, cabeça de lista à Assembleia Municipal, destacou o fato de dois terços dos candidatos serem novos e de um terço serem mulheres, realçando a importância de haver cada vez mais mulheres na política.
O candidato social-democrata reafirmou as palavras de Tinta Ferreira, de que se trata de um mandato de quatro anos para todos os candidatos. “Não nos vamos embora a meio do mandato, nenhum de nós”, disse, destacando que se trata de uma “boa equipa”. ■
O partido que concorre pela primeira vez às autárquicas nas Caldas apresentou os candidatos à Câmara, Assembleia e juntas de freguesia
O Chega quer “quebrar um ciclo” de 42 anos de governação autárquica do PSD, 36 dos quais consecutivos. Na apresentação pública, a 19 de junho, o cabeça de lista à Câmara, Edmundo Carvalho, referiu que esta candidatura é uma “lufada de ar fresco”, que pretende responder aos caldenses que estão “cansados de ver sucessivos governos autárquicos incapazes de responder às suas ambições e de tirar as Caldas do marasmo a que nos habituou”.
Crítico do “carreirismo político e de amiguismos”, o candidato do Chega diz que é hora de privilegiar a competência, o rigor e a transparência e garante que, caso seja eleito, a sua gestão autárquica premiará apenas o mérito. Considera que a principal missão de uma autarquia é a gestão e manutenção do espaço público e promete estar muito atento e presente para o seu cumprimento, assim como zelar pela iluminação, segurança e bem-estar dos cidadãos.
Edmundo Carvalho alertou para a crise económica que virá na sequência da pandemia, defendendo a promoção de respostas sociais inovadoras, a criação de equipas multidisciplinares de intervenção social para apoio aos mais vulneráveis e desenvolvendo um modelo de apoio domiciliário e social inovador. Com a verba prevista para os municípios da “bazuca”, propõe a realização de projetos capazes de captar investimento público e alertou para a necessidade de uma gestão mais eficiente, resultado da transferência de competências para os municípios.
O candidato quer ver mais proatividade na captação de investimentos para uma maior diversificação das atividades económicas, criação de emprego e atração de população jovem. “As Caldas não podem depender quase exclusivamente do cimento”, disse, especificando que o IMI e IMT representam 85% das receitas próprias da autarquia. Defendeu, ainda, que o termalismo é fundamental para a revitalização do turismo, restauração e comércio e criticou a demora no avanço da obra do hotel de cinco estrelas nos pavilhões do Parque. Outra das críticas prendeu-se com o “timming” para a apresentação do Plano da Frente Marítima e Lagunar da Foz do Arelho, próximo das autárquicas e acusou Tinta Ferreira de “enganar as pessoas” com “castelos de areia”.
Ao nível da saúde, Edmundo Carvalho promete debater “à exaustão” o tema do novo hospital para o Oeste, que pretende ver localizado nas Caldas. O candidato, de 65 anos, lembrou que nunca tinha militado a nenhum partido, mas que aderiu ao Chega porque se revê nos valores que defende.
Na cerimónia, que contou com a presença do vice-presidente do partido, Tânger Correia, e dezenas de militantes, foi também apresentado José António Oliveira, de 62 anos, empresário e aposentado do Exército, como candidato à liderança da Assembleia Municipal, e os candidatos a quatro juntas de freguesia.
André Santos, de 29 anos, irá encabeçar a lista do partido à freguesia do Carvalhal Benfeito, Miguel Dias, de 48 anos, será candidato à freguesia de Santa Catarina, Fernando Ribeiro, de 61 anos, será candidato à União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro e Vasco Morgado, de 55 anos, candidata-se à União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório.
David Gomes, de 16 anos, assumiu as funções no Parlamento dos Jovens, do ensino básico, que decorreu a 15 de junho
O gosto pela política levou-o a inscrever-se, aos 14 anos, numa juventude partidária – a JSD. No ano passado, a professora Ana Cristina Oliveira, que coordena o Parlamento dos Jovens para o ensino básico no Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro, convidou-o a participar na sessão escolar e seguiu-se um conjunto de etapas que culminaram a semana passada, com o jovem estudante a sentar-se na mesa da Assembleia da República, como vice-presidente.
“A experiência foi muito boa e poderá ser para repetir. Conheci as pessoas que estiveram comigo na mesa e fiz alguns amigos”, disse, referindo-se aos jovens dos Açores, Aveiro e Porto, também eleitos para presidir aos trabalhos.
Este ano, a temática em debate foi a violência doméstica e no namoro e a sessão foi transmitida em direto pela internet. Embora a sessão decorresse por videoconferência, a mesa da sessão plenária dirigiu os trabalhos presencialmente, contando com a presença também do secretário de Estado Adjunto e da Educação, do vice-presidente do Parlamento e de alguns deputados.
“[Projeto] desenvolve competências que são esperadas para o perfil do aluno do século XXI”
Ana Cristina Oliveira
“Projeto de cidadania mais importante na escola”
Maria do Céu Santos
“A mesa teve uma dinâmica de trabalho muito boa, articularam-se muito bem”, considera a professora Ana Cristina Oliveira, acrescentando que esta foi a primeira vez que o ensino básico participou neste projeto. A escola tem já uma longa tradição no Parlamento dos Jovens, com estudantes do secundário a notabilizarem-se como deputados, mas também já houve uma estudante, Andreia Galvão, que foi eleita presidente da mesa da Assembleia.
A docente destaca que esta iniciativa deve ter subjacente a questão da cidadania.
“É importante que os alunos possam perceber que há forma de fazer sentir a sua opinião. É um projeto extremamente enriquecedor e desenvolve competências que são esperadas no perfil do aluno do século XXI”. Também a diretora do agrupamento, Maria do Céu Santos, destaca que neste momento “é o projeto de cidadania mais importante na escola”.
Música encerra ano letivo
Dia 18 de junho foi o último dia de aulas para muitos alunos da escola e o “Intervalo +” trouxe música para celebrar.
Rita Caravaca no piano, Gonçalo Figueiredo no baixo elétrico e João Amaral na voz, formaram a banda que cativou a escola, que parou para os ouvir. A iniciativa foi organizada pela associação de estudantes, em conjunto com alguns docentes e está integrada no Plano Nacional das Artes.
Da rodilha à praça intitula a exposição final do projeto cultural integrado no Plano Nacional das Artes
Uma visita ao Museu de José Malhoa para ver o quadro A vendedeira de Laranjas, datado de 1929 deu o mote. Durante este ano letivo, mais de 600 alunos do Agrupamento de Escolas Raul Proença, dos vários níveis de ensino, trabalharam sobre a Praça da Fruta, ao mesmo tempo em que ficaram a saber que este ex-libris da cidade na verdade chama-se Praça da República e que também já foi a Praça D. Maria Pia e Rossio.
Inspirados pelo quadro de Malhoa, os jovens criaram uma história de como seria se vivessem em 1929 e pintaram o seu auto-retrato a vender laranjas na praça, ao mesmo tempo que retrataram a “Tia Rosa” uma vendedeira dos tempos atuais, onde não falta a respetiva máscara.
Dispostas no Céu de Vidro estão também várias máscaras criadas pelos alunos em pano cru e pintadas, assim como representações da rodilha, o objeto de pano que também é representado na tela, e que os jovens ficaram a conhecer.
Estão, também, expostas maquetes da praça, do seu tabuleiro e da sua montagem diária, assim como desenhos e pinturas. O projeto cultural, integrado no Plano Nacional das Artes e que decorreu durante este ano letivo, inclui ainda a música e a dança, com alunos que fizeram uma recolha dos sons da desmontagem da praça, que foram depois trabalhados em dança e foi feito um filme.
No próximo ano, o projeto cultural do agrupamento Raul Proença dará destaque às águas e Hospital Termal
“O mais engraçado para os alunos foi descobrir que a praça tem múltiplas vidas, durante 24 horas”, salientou Dulce Nunes, professora de Desenho e coordenadora do projeto, na manhã de 19 de junho, durante a inauguração da exposição com os trabalhos realizados, no Céu de Vidro.
A presidente do conselho geral do agrupamento, Cândida Calado, destacou que este projeto pretende reforçar o contributo da formação artística para a consciência da cidadania e respeito pela herança cultural, além de promover a inclusão através das artes.
“Por vezes, pensamos que são áreas díspares, mas é preciso desenvolver projetos transversais”, defendeu a responsável.
Esta iniciativa foi trabalhada em parceria com a Câmara das Caldas da Rainha e a União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, ESAD e estruturas da cultura e das artes caldenses.
No próximo ano o projeto irá incidir nas águas e hospital termal, com um trabalho a realizar “essencialmente com as escolas do primeiro ciclo que estão mais na periferia”, explicou Dulce Nunes, acrescentando que terão um artista residente e irão contar com o Museu do Hospital e das Caldas e a ESAD como entidades parceiras.
O estudo foi adjudicado pela OesteCIM e será elaborado no prazo de nove meses, após a assinatura do contrato, ainda sem data
O “Estudo sobre o Futuro da Política Pública da Saúde no Oeste” foi adjudicado por uma verba de 87,8 mil euros à AD NOVA IMS – Associação para o Desenvolvimento da Nova Information Management School, da Universidade Nova de Lisboa.
Aquele estudo terá uma duração máxima de nove meses para a sua realização, a contar da data da assinatura do contrato, que ainda não foi divulgada.
O estudo foi adjudicado a um instituto especializado da Nova
Os autarcas reconhecem a necessidade de um diagnóstico que identifique os recursos e debilidades do território
Depois da vontade expressa pelas Câmaras e Assembleias Municipais da região para que o estudo fosse feito através de concurso público, a OesteCIM decidiu, em outubro do ano passado, abrir um concurso público para aquele efeito.
Os autarcas reconheciam a necessidade de um diagnóstico que identifique os recursos e debilidades do território, por forma a documentar uma posição conjunta da região junto do Governo.
O documento abrangerá desde os cuidados de saúde primários às respostas hospitalares, devendo “dar indicações sobre o perfil e a localização indicadas para a construção de um novo hospital para todo o Oeste.
Esta medida vem na sequência da criação de um grupo de trabalho, em setembro de 2019, para começar a estudar a implantação de um hospital na região.
O grupo junta elementos da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), da OesteCim e do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), que integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, responsáveis pela prestação de cuidados a cerca de 293 mil pessoas dos vários concelhos.
A preocupação dos autarcas do Oeste com a saúde e a criação de um equipamento que dê uma resposta adequada às necessidades da população tem anos e, inclusivamente, representantes das assembleias municipais dos concelhos que integram o Centro Hospitalar do Oeste e onde se situam unidades do mesmo, têm reunido com vista à tomada de medidas conjuntas e pressão perante a tutela. Foi criada uma comissão permanente da saúde, composta por 12 elementos, com o objetivo de reunir com diversas entidades e ajudar a assembleia intermunicipal a tomar decisões.
O deputado Hugo Oliveira (PSD) reuniu, na semana passada, com o secretário de Estado Adjunto da Saúde, António Lacerda Sales, tendo apresentado ao governante uma proposta no sentido de ampliar o Hospital das Caldas da Rainha.
“Espero que possa haver, no futuro, uma solução para o hospital novo, e nas Caldas da Rainha, mas as pessoas não podem ficar prejudicadas no imediato”, referiu o caldense, que defendeu melhores condições físicas para a unidade de saúde da cidade, de forma a permitir as melhores condições de trabalho aos profissionais e garantir a melhor assistência médica aos utentes.
Hugo Oliveira considera que é importante aproveitar a altura em que o CHO está a fazer o seu plano diretor, para definir as áreas que podem ser aproveitadas para a criação da Unidade de Cirurgia de Ambulatório, a Unidade de Cuidados Intensivos e o local onde colocar a farmácia. O deputado, que já tinha pedido esta reunião há algum tempo mas que foi sendo adiada devido à pandemia, salienta que o governante deu o seu “melhor acolhimento a esta preocupação que deve ser acomodada no programa de investimentos do CHO” e acrescenta ainda que é importante refletir sobre a sua eventual reversão, dividindo-o em Oeste Norte e Oeste Sul, com o respetivo ajustamento dos serviços.
Também o presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, aquando da visita de António Lacerda Sales ao hospital das Caldas, em finais de abril, apelou à reversão do modelo para o existente antes da reorganização de 2013, lembrando que a fusão, por razões economicistas impostas pela Troika, “não foi boa para nenhuma das partes” e que o modelo autónomo, que funcionou durante muitos anos, “serviu adequadamente as comunidades”.
As Comunidades Intermunicipais do Oeste, Médio Tejo e da Lezíria do Tejo, querem criar uma nova NUT, independente de Lisboa e Vale do Tejo, tendo por base a identidade do território
Os conselhos intermunicipais das CIM do Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo, assinaram a 17 de junho um memorando de entendimento com vista à constituição de uma nova NUT II, englobando estes territórios. O documento pede ao governo avance para uma reorganização administrativa neste território, unindo as três NUT III numa nova NUT II desagregada de Lisboa e Vale do Tejo.
Pedro Folgado, presidente da OesteCIM, explicou à Gazeta das Caldas que o território das três comunidades intermunicipais apresenta uma “identidade própria, com dinâmicas relevantes na esfera de articulação com a Região de Lisboa e Vale do Tejo, no contexto das grandes regiões capitais europeias e de valorização do seu potencial de interface entre a Europa e o mundo”. Esta nova NUT II permitirá o desenvolvimento uma estratégia integrada para esta área geográfica, contemplando as necessidades de desenvolvimento e as potencialidades comuns do território. A sua criação visa igualmente agilizar e incentivar o desenvolvimento de mecanismos de confiança e parceria, em particular entre as entidades da administração central e da administração publica local, que possam vir a permitir a médio prazo, novas soluções de organização territorial mais robustas, concretiza.
Os autarcas oestinos foram unânimes na criação da nova NUT, que abrange 36 municípios
De acordo com Pedro Folgado, a criação desta NUT vem possibilitar que se efetue um trabalho de reorganização administrativa do estado, eliminando, por exemplo, situações como acontecem atualmente no Oeste, onde respondem a duas CCDR, ou na proteção civil, onde os municípios respondem a dois CDOS. Esta alteração potenciará também “melhores oportunidades” de acesso aos diversos apoios que constituem os fundos de coesão, promovendo maior equidade na sua distribuição e atenuando, consequentemente, as disparidades sócio-espaciais entre as NUT III.
Os autarcas estão ainda convictos de que a união das comunidades intermunicipais da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo e do Oeste nesta nova NUT II, potenciará a competitividade destas unidades territoriais, nomeadamente nos domínios ambiental, económico e social.
A proposta merece o consenso entre os 12 autarcas oestinos, que decidiram por unanimidade promover todos os esforços para o desenvolvimento dos trabalhos que promovem a criação desta NUT II. Pedro Folgado diz mesmo que ela apresenta-se como uma “solução impulsionadora da competitividade da Região Oeste e, simultaneamente, respeitadora da identidade regional”. Para que o projeto seja sustentado, as três comunidades intermunicipais já estão a trabalhar em conjunto numa ITI – Investimento Territorial Integrado, onde se assumem áreas e projetos concretos que sejam transversais e estruturantes para este território como um todo.