Após duas candidaturas pelo CDS-PP à Câmara de Óbidos, Carlos Pinto Machado pondera avançar como independente
Carlos Pinto Machado, candidato do CDS-PP à câmara de Óbidos nas eleições autárquicas de 2013 e 2017, garante que “não será candidato” por aquele partido à autarquia, nem tão pouco irá” integrar ou apoiar a lista” do partido naquele concelho. No entanto, está a ponderar apresentar uma candidatura como independente, “que oportunamente anunciará”, refere em comunicado.
O ex-candidato centrista diz que não se revê na estratégia política da Comissão Política Nacional nem no líder, Francisco Rodrigues dos Santos, “que se revelou uma desilusão”. Relativamente à distrital de Leiria salienta que “o “modus operandi” da presidente daquela estrutura, Rosa Guerra, “é errático”, pois em vez de “unir o partido no distrito lançou uma “perseguição” a quem não apoiou Francisco Rodrigues dos Santos no congresso de Aveiro”, como foi o seu caso. No congresso do ano passado, a que concorreram cinco dirigentes centristas à liderança do partido após a saída de Assunção Cristas, Carlos Pinto Machado apoiou o deputado João Almeida e não o nome apoiado pela distrital centrista.
“Há muita impreparação e falta de humildade”
Carlos Pinto Machado
Questionado pela Gazeta das Caldas sobre a razão pela qual pondera voltar a candidatar-se à autarquia de Óbidos, o empresário na área do turismo e imobiliário refere que o faz porque considera que “existe um vazio de ideias e de ações” que visem melhorar as condições de vida dos obidenses.
“As prioridades do concelho têm sido deixadas para trás. Anda tudo preocupado com as suas carreiras pessoais e interesses instalados, que em nada beneficiam a população de Óbidos”, refere, acrescentando que há “muita impreparação e falta de humildade”. ■
Propostas do PS e PSD, apresentadas por Hugo Oliveira e Sara Velez, para salvaguarda do conjunto natural localizado em Salir do Porto aprovadas na Assembleia da República
Foram aprovados em plenário, na Assembleia da República, dois projetos de resolução, apresentados pelo PS e PSD, que recomendam ao governo a salvaguarda e valorização do conjunto natural composto pela Duna de Salir do Porto e da paisagem envolvente.
O documento apresentado pelos socialistas propõe a tomada de medidas que promovam a salvaguarda e valorização do conjunto natural composto, que integra a própria duna, a praia fluvial de Salir, o rio Tornada, a fonte de água doce termal denominada “Pocinha”, vestígios históricos da ruína da antiga alfândega do séc. XVIII, Capela de Sant’Ana e praia atlântica de S. Romeu.
Os socialistas propõem, também, que o governo promova a realização de um diagnóstico e de um levantamento dos valores naturais, paisagísticos e patrimoniais, nomeadamente ao nível do sistema dunar, do património hidrogeológico e das reservas de água termal ali existentes, assim como das ruínas históricas de edifícios antigos.
É, ainda, proposta a criação de um Centro Interpretativo do Vale Tifónico, “cuja instalação poderá vir a acontecer nas ruínas da antiga Alfândega, desta feita, reabilitada”, referem na proposta formulada no Parlamento.
O PS destaca a classificação daquela área como Paisagem Notável da Estrutura Ecológica Regional e defende a articulação entre as câmaras das Caldas e de Alcobaça (concelho a que pertence a baía de S. Martinho) para uma intervenção integrada, à semelhança do que está previsto no Plano Regional de Ordenamento do Território.
Já o projeto de resolução do PSD vai no sentido da classificação da área composta pela duna, pela antiga alfândega, capela de Sant’Ana e as “Pocinhas” de Salir do Porto, como paisagem protegida.
Os social-democratas defendem também a proteção e salvaguarda das ruínas da antiga alfândega e dos estaleiros e oficinas de reparação naval onde, no tempo de D. Afonso V, terão sido construídas caravelas com madeiras do Pinhal de Leiria e que terão integrado as frotas dos descobrimentos.
No limite da barra do lado esquerdo de Salir do Porto encontram-se as ruínas da Capela de Sant’Ana, construída naquele local para abençoar as embarcações construídas na alfândega e que se lançavam ao mar, e perto estão as “pocinhas”. São poças de água doce que se formam nas rochas durante a maré baixa e que formam pequenas piscinas naturais, rica em minerais que lhe dão propriedades digestivas e para banhos.
Classificação gera discórdia
Esta proposta do PSD foi aprovada, mas com os votos contra do PS que, apesar de também defender a classificação como paisagem protegida, discorda da colocação do ónus desta classificação “exclusivamente no governo” e entende que compete à autarquia caldense a iniciativa desta classificação.
O PS/Caldas “não deixará de instar a Câmara das Caldas, como tem feito ao longo dos últimos anos, para que possa dedicar mais e melhor atenção àquela área, a fim de rapidamente desenvolver todas as iniciativas políticas, técnicas e administrativas, no âmbito das suas competências, para que possa iniciar e concluir a classificação daquele conjunto paisagístico”, refere em comunicado.
Já o PSD absteve-se na votação da proposta apresentada pelo PS por considerar que “não cabe” à Assembleia da República dizer o que fazer na antiga alfândega, pois “isso é entrar na autonomia das autarquias”, explica o deputado Hugo Oliveira à Gazeta das Caldas.
As propostas seguem, agora, para a Comissão de Ambiente para elaboração do texto final, que será publicado em Diário da República.
O município das Caldas congratulou-se com a recomendação feita ao governo por parte de Hugo Oliveira, realçando que a classificação como paisagem protegida, “sendo da maior justiça, pode potenciar a sensibilização para o reconhecimento da sua relevância e contribuir para a salvaguarda deste património”. Aguarda “com expetativa” a resolução e “está disponível para os contributos que forem possíveis e necessários”, conclui.
Também o presidente da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, Arnaldo Custódio, mostra a satisfação com as recomendações para salvaguarda daquele património, até porque foi o próprio quem pediu aos dois deputados caldenses na Assembleia da República para intervirem nesse sentido. De resto, o autarca foi acompanhando o processo desenvolvido pelo social-democrata Hugo Oliveira e reconhece que não conhece a proposta do PS, que foi apresentada mais tarde e que “não foi trabalhada” com ele. “No entanto, também é bem-vinda”, disse, destacando a importância de tudo o que se faça para “proteger a duna, que bem carenciada está de proteção, assim como o património envolvente”.
A junta de freguesia está também a trabalhar, em conjunto com as autarquias das Caldas e de Alcobaça, no sentido de recolocar o rio, que agora está encostado ao monte, no seu leito original. ■
Preservar os moinhos tradicionais do Oeste e os saberes que lhes estão associados e valorizá-los é o objetivo do plano de ação divulgado pela OesteCIM e que deverá ser implementado a cinco anos
O Oeste concentra o maior número de moinhos de vento no país (876), alguns em funcionamento, outros inativos com condições razoáveis de preservação. Os dados são da EtnoIdeia, a empresa especializada em Desenvolvimento Rural, Molinologia e Etnoturismo, contratada pela OesteCIM como consultora na produção da iniciativa “Oeste, Moinhos com Futuro”, que integra o plano de Salvaguarda e Valorização dos Moinhos de Vento do Oeste, apresentado no passado dia 11 de março ao conselho intermunicipal.
Num horizonte de cinco anos, a iniciativa propõe-se a “ativar e capacitar” a comunidade moageira da região, envolvendo-a num “processo de cidadania participativa que permita dar continuidade e nova vida” aos moinhos de vento, preservando o fundamental dos seus valores materiais e imateriais, garantindo a sua transmissão intergeracional e conferindo-lhes novos usos e sentido. De acordo com o documento, pretende-se que não seja destruído nenhum moinho de vento num ano e que, em 18 meses, 12 moleiros e 36 aprendizes sejam envolvidos em processos de transmissão de saberes. Está, ainda, prevista a criação de uma unidade de missão “Oeste, Moinhos com Futuro” num horizonte de seis meses.
Ao nível da valorização social, cultural e económica, o plano prevê a realização de ações de valorização de, pelo menos, 12 moinhos de vento, bem como a identificação de boas práticas e soluções inovadoras.
O documento dá nota que a região concentra o maior número de moinhos de vento no nosso país, numa escala a que apenas se compara Lisboa da segunda metade do séc. XVIII.
Uma das metas do plano é que não seja destruído nenhum moinho de vento no prazo de um ano em toda a região Oeste
“A importância e representatividade dos moinhos de vento na história da ciência, da tecnologia e da indústria, por um lado, e na tradição e matriz identitária da região, por outro, colocam este importante ativo patrimonial entre os valores culturais endógenos com maior potencial para o desenvolvimento sustentável do território”, refere o plano. Nele é focada a necessidade de qualificar o ofício do moleiro e de inovar produtos e serviços e dado realce à importância da classificação deste património. Como ameaças, o documento identifica a escassez de moleiros a desenvolver atividade, tendo a maioria já ultrapassado a idade ativa, e a pressão urbanística, que leva a que muitos moinhos sejam transformados em residência, perdendo a sua funcionalidade original.
Os moinhos estão dispersos ao longo de todo o território de uma forma generalizada, exceto na zona sudoeste da Lagoa de Óbidos e na zona de transição entre o litoral e a Serra de Montejunto, onde se verificam menos exemplares.
O documento, agora apresentado aos autarcas, vai ser aberto à consulta pública, durante 60 dias. “Oeste, Moinhos com Futuro”, é uma ação integrada e regeneradora dos moinhos de vento da região, que ambiciona fomentar uma resposta adaptativa e sistémica destes moinhos aos desafios da modernidade.
“Trata-se de uma aposta estratégica musculada na proteção e valorização destes importantes elementos identitários do Oeste”, que marcam a paisagem e que “se pretende capitalizar para o desenvolvimento sustentável da região”, sintetiza a visão apresentada pela EtnoIdeia. ■
Na tarde deste domingo, pelas 15h30, terá início a celebração da missa de Ramos na Igreja de S. Pedro, em Óbidos. Este ano, devido à pandemia, não se poderá realizar a tradicional procissão pelas ruas da vila nem a distribuição dos ramos que integram esta celebração. Os fiéis que queiram ver os seus ramos benzidos terão de os levar já de casa e, no final da eucaristia será feita uma pequena comemoração do Senhor dos Passos, com um momento de oração.
Para evocar este que é um dos pontos altos das cerimónias da Semana Santa serão decorados alguns espaços na vila.
Na quinta-feira Santa, pelas 21h00, terá início a missa vespertina da Ceia do Senhor, este ano sem o rito do lava pés. Já no dia seguinte, Sexta-Feira Santa, irão decorrer diversas celebrações na Igreja de S. Pedro, terminando com a Via Sacra e comemoração do Enterro do Senhor, que irá substituir a procissão que habitualmente percorre as ruas da vila, apenas iluminada pelos archotes dos participantes. No sábado à noite irá decorrer a vigília pascal e, no domingo de Páscoa, serão celebradas missas na Igreja de S. Pedro (11h30) e Santuário do Senhor da Pedra (18h00). Todas estas celebrações são transmitidas através do Facebook, nas páginas das paróquias e da Semana Santa de Óbidos. “Estas celebrações atraíam muitas pessoas de fora, inclusivamente do estrangeiro, e assim é uma forma de poderem acompanhar à distância”, explica o pároco de Óbidos, Ricardo Figueiredo, à Gazeta das Caldas.
Também o programa cultural, que completava a vertente religiosa, sofreu grandes alterações, tendo em conta que não são possíveis os concertos nem palestras. Estão propostas algumas atividades, que podem ser assistidas através da internet, na Página da Semana Santa de Óbidos, como momentos evocativos de concertos e anteriores celebrações, bem como uma exposição virtual.
A Semana Santa de Óbidos é organizada pelas Paróquias de Óbidos, município, Óbidos Criativa e Santa Casa da Misericórdia. A organização deixa o convite para que as pessoas participem, mas tendo em conta as regras impostas pela pandemia. “É sempre importante que não se percam as tradições e que se continuem a assinalar, mesmo numa pandemia, mas em segurança e com responsabilidade”, concretiza Ricardo Figueiredo.
Com as novas normas do desconfinamento são reiniciadas as celebrações públicas, com os horários habituais. Até à Páscoa mantêm-se suspensas as celebrações nas capelas, atos de culto público e as atividades presenciais da catequese. Para assistir às celebrações, os fiéis terão de manter o distanciamento social, usar máscara e desinfeção das mãos na entrada dos templos. ■
Um século depois da fundação, o PCP continua a acreditar que “é o grande partido do futuro”. Nas Caldas da Rainha a data foi assinalada, no passado sábado, com poesia, música e intervenção política
O sino da Igreja anunciou a hora certa – 15h00 – e na Rua Dr. Miguel Bombarda começou a ecoar a Internacional, o hino adotado pelo PCP e que, a esta mesma hora de sábado, se ouviu em mais de 100 lugares do país, assinalando o centenário do partido. De pé, junto às marcas amarelas previamente colocadas no chão (a garantir o distanciamento físico), cerca de meia centena de militantes e simpatizantes comunistas das Caldas e Óbidos, hasteavam a bandeira vermelha e, alguns de punho cerrado, entoavam a melodia, originalmente escrita em francês e cuja versão portuguesa da letra é atribuída o anarcossindicalista Neno Vasco.
O músico Nelson Rodrigues interpretou letras de Zeca Afonso e Ary dos Santos
José Carlos Faria declamou dois poemas de camaradas comunistas
A intervenção política esteve a cargo de Ângelo Alves, responsável pela DORLEI
Ao cimo da rua, num palco improvisado, de um lado estavam as bandeiras portuguesa e do PCP e, do outro, o merchandising do partido, entre eles um livro comemorativo da efeméride. Ao centro, uma faixa que assinala o aniversário e reclama por “Liberdade, Democracia, Socialismo – Pelos direitos, a melhoria das condições de vida e o progresso social. Contra a exploração e o empobrecimento”.
Foi junto a essas palavras de ordem que o dirigente da Concelhia das Caldas, José Carlos Faria, declamou poesia. Começou com “Uma Chama Não se Prende”, de Manuel Gusmão, e terminou com o poema do também comunista, Pablo Neruda, dedicado ao partido.
As bandeiras voltaram a ondular quando Nelson Rodrigues deu voz às palavras de Zeca Afonso e também de Ary dos Santos, que pouco depois da revolução dos cravos escreveu que “agora, o povo unido nunca mais será vencido”.
Na cerimónia foram lembrados os “intrépidos combatentes” que deram tudo de si para a causa do PCP
Ângelo Alves, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP e responsável pela Organização Regional de Leiria, falou aos camaradas sobre a luta centenária do partido “verdadeiramente do povo”, que atravessou “viragens e tempestades na situação nacional e internacional” e enfrentou uma ditadura fascista de quase cinco décadas. “Um partido que todos os dias destes 100 anos de luta agiu e age sempre contra a exploração, as injustiças e as desigualdades”, disse, destacando que estiveram sempre do lado certo da História.
O comunista falou da dedicação e trabalho de gerações de “intrépidos combatentes”, referindo-se às dezenas de milhares de quadros, que ao longo de um século, e também nas Caldas, “deram tudo de si, e muitos a própria vida”, para a causa do partido, destacando entre eles o líder carismático, Álvaro Cunhal.
Ângelo Alves destacou que os comunistas têm sido agentes ativos das transformações e que estiveram na primeira linha de combate pela implantação da democracia em Portugal. Falou sobre os problemas do país e de como a pandemia ainda veio agravar as desigualdades.
“A grave situação que o país enfrenta não se ultrapassa com o governo do PS amarrado às opções nucleares da política de direita, inviabilizando as respostas necessárias à solução dos problemas nacionais”, afirmou, garantindo que os comunistas não são “força de apoio ao PS, nem instrumento de favorecimento dos projetos reacionários do PSD e CDS e seus sucedâneos”. O PCP quer afirmar-se como a “força da alternativa patriótica e de esquerda”, que sabe que a solução dos problemas nacionais não surgirá do exterior, disse o dirigente, reafirmando que o partido tem uma alternativa, que reclama a “intensificação e alargamento da luta, de todas as grandes e pequenas lutas da classe operária, dos trabalhadores”. Uma política que passa pela aposta na produção nacional e uma menor dependência da União Europeia.
Em dia de festa comunista, houve críticas ao capitalismo e exaltação do socialismo e das suas causas: igualdade de direitos, generosidade, fraternidade, justiça social e solidariedade humana. Um século depois, o partido quer ser “mais forte”, precisa de mais membros e quer melhorar a sua organização e intervenção junto da população. Ângelo Alves garantiu que a luta continuará e que o PCP é o “grande partido do futuro”.
As comemorações irão continuar durante o ano e estão previstas diversas iniciativas a decorrer por toda a região. ■
Embora as diferenças salariais tenham diminuído nos últimos anos, as mulheres continuam a ter, tendencialmente, uma posição de desvantagem relativa perante o emprego, segundo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego
A conciliação da atividade profissional com a vida familiar e pessoal é o maior desafio para as mulheres. De acordo com a CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, a flexibilidade de horário é uma das dificuldades que as mulheres mais sentem na sua atividade profissional em articulação com a vida familiar e pessoal.
Em 2020, esta entidade constatou 561 situações em que as empresas pretendiam recusar a atribuição do regime de horário flexível e do regime de trabalho a tempo parcial a trabalhadores e trabalhadoras com filhos ou filhas menores de 12 anos. “A esmagadora maioria desses pedidos eram provenientes de mulheres”, explica a presidente da CITE, Carla Tavares, à Gazeta das Caldas.
A entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho está entre os fenómenos apontados como dos que mais tem determinado as recomposições sociais das últimas décadas em Portugal. Tem-se registado um reforço da presença feminina em todos os níveis do ensino e da formação profissional, o aumento da taxa de participação feminina e a progressiva integração das mulheres em cargos, profissões e setores que eram, no passado, quase exclusivamente masculinos. Ainda de acordo com a CITE, as qualificações ao nível do ensino superior têm aumentado de forma consistente nos últimos anos, especialmente entre as mulheres e a representação feminina também aumentou em cargos de administração nas grandes empresas e na política.
A diferença “salarial entre mulheres e homens diminuiu de forma significativa nos últimos anos, passando dos 18,4% em 2012 para os 14,4%, em 2019”, refere Carla Tavares. No entanto, e embora tenha diminuído, a disparidade salarial no mercado de trabalho permanece “elevada e resulta de um conjunto de fatores que, estruturalmente, colocam as mulheres numa posição de desvantagem relativa perante o emprego”.
Por exemplo, continuam a ser as mulheres quem mais trabalha nos setores dos cuidados e da educação, com salários comparativamente baixos.
“Existe uma sobrerrepresentação das raparigas nos cursos científico-humanísticos (55%) e, inversamente, uma sub-representação feminina nas ofertas de natureza profissionalizante (41%), bem como com uma escassa participação feminina nas áreas de estudo ligadas às Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática”, explica a responsável.
“O teletrabalho pode ser especialmente penalizador da força de trabalho feminina”
Carla Tavares,
presidente da CITE
Pandemia agudiza dificuldades
A pandemia agudizou as particulares dificuldades das mulheres na conciliação entre trabalho e vida pessoal. São elas quem “tradicionalmente continua a desempenhar grande parte das tarefas domésticas e o cuidado informal, o teletrabalho pode ser especialmente penalizador da força de trabalho feminina”, considera Carla Tavares.
De acordo com os dados disponíveis sobre a adoção do regime de teletrabalho, na primeira vaga da pandemia, a proporção da população empregada que trabalhou sempre ou quase sempre em casa chegou aos 25,2% nas mulheres e aos 21,1% nos homens, mas nas fases subsequentes esta diferença diluiu-se e a adesão ao teletrabalho passou a ser equilibrada do ponto de vista do género.
80% das mulheres recorreram ao apoio extraordinário à família, um indicador que mostra quem continua a prestar cuidados no seio familiar
As assimetrias registam-se sobretudo ao nível das condições para a prestação de trabalho em regime de teletrabalho, com as mulheres a sentirem mais dificuldades em conciliar a vida profissional, familiar e pessoal.
Foram as mulheres quem mais recorreram ao apoio extraordinário à família, sendo que “mais de 80% dos beneficiários deste apoio são mulheres, um indicador que ilustra de forma impressiva as assimetrias que continuam a marcar a prestação de cuidados no seio familiar”, explica a presidente da CITE. Para mitigar a situação, o governo criou o incentivo à partilha do exercício da assistência a filho.
Combater a discriminação
Ao longo dos seus 41 anos de atividade, a CITE tem procurado concretizar a igualdade e combater a discriminação entre mulheres e homens no mundo laboral, bem como proteger a parentalidade e promover a conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal.
Trata-se de um organismo tripartido, que integra representantes do governo, dos trabalhadores e de entidades empregadoras e tem desenvolvido ações de formação junto dos trabalhadores e campanhas para a igualdade salarial, conciliação da vida profissional, familiar e pessoal ou para a partilha da licença parental. ■
A preocupação com o futuro do comércio e empresas caldenses na sequência da pandemia, levou os deputados do CDS-PP, Sofia Cardoso, e do PS, Manuel Nunes, a questionar o presidente da Câmara sobre o futuro da economia no concelho e quais as ajudas que a autarquia pode dar. De acordo com Tinta Ferreira, a consultora Ernst & Young está a desenvolver um plano local de apoio ao comércio e serviços do concelho de forma a atenuar os efeitos nefastos da grave crise económica, manter as empresas em atividade e garantir a manutenção dos postos de trabalho.
Já foram realizadas seis sessões, três com o setor de serviços e três com o de comércio, e estão a ser preparadas medidas a curto e médio prazo que serão apresentadas à câmara e à Assembleia Municipal. “A nossa expetativa é que até à primeira quinzena de abril estejamos em condições de apresentar a primeira proposta de estudo”, informou o autarca, que espera que as medidas propostas venham a ser úteis. No entanto, quis deixar claro que a autarquia “não pode dar dinheiro às empresas nem resolver os seus problemas. Essa primeira responsabilidade é da economia global e das políticas do governo”.
Entre os contributos da Câmara está também um conjunto de medidas para os cidadãos e empresas em dificuldades, de isenção e redução de pagamento de taxas e impostos municipais. “Além disso, vamos continuar a recuperar o espaço público, para quando esta dificuldade passar e as pessoas voltarem às lojas”, disse Tinta Ferreira.
“As obras ao nível do subsolo, embora invisíveis, são fundamentais e permitem-nos viver com qualidade no dia a dia”
Alberto Pereira (PSD)
“Parece-me cada vez mais uma perda de tempo quando faço a análise da primeira proposta de orçamento”
Sofia Cardoso (CDS-PP)
“O comércio é um ex-libris das Caldas e é importante refletir sobre o seu futuro”
Manuel Nunes (PS)
Integração de saldo de 10 milhões
A Assembleia Municipal das Caldas da Rainha aprovou, por unanimidade, na reunião de 23 de fevereiro, a integração do saldo de execução orçamental, dos Serviços Municipalizados, no valor aproximado de 4,4 milhões de euros. O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, realçou o investimento de 3 milhões de euros que está previsto fazer na ampliação da ETAR das Caldas da Rainha e para a qual aguardam apenas as autorizações do ministério do Ambiente. Estão também previstos reforços na aquisição de veículos, reabilitação e manutenção de reservatórios e intervenção nas instalações de saneamento e de água. Ainda de acordo com o autarca, os SMAS têm previsto reforçar a rede de esgotos de Alvorninha e Carvalhal Benfeito e substituir a rede de água e saneamento pluvial no Bairro da Ponte, assim como adquirir contentores e fazer algumas pavimentações.
O trabalho de substituição das condutas de água e saneamento, que está a ser executado pelos SMAS, foi elogiado pelo deputado do PSD, Alberto Pereira, que considera que estas obras no subsolo, embora invisíveis, “são absolutamente fundamentais e são aquelas que nos permitem viver com qualidade no dia a dia”.
Foi também aprovado por unanimidade a integração do saldo de execução orçamental da Câmara, que transitou para 2021 o valor de 5, 3 milhões de euros, mais 50 mil euros do que no ano anterior. O autarca reconheceu que houve perda de receita na sequência das medidas de apoio tomadas contra a pandemia, mas considera que o saldo transitado permite-lhes “dar continuidade ao conjunto de processos que estão em curso”. Tinta Ferreira destacou ainda o reforço no apoio às associações e Juntas de Freguesia, bem como a aquisição de equipamentos. Também presente a votação, a primeira revisão ao orçamento da Câmara para 2021 foi aprovada por maioria, com as abstenções da CDU, BE, CDS-PP e quatro deputados socialistas. Sofia Cardoso (CDS-PP) criticou as revisões que são feitas ao orçamento, nomeadamente a de integração do saldo de execução, e que mostram que a deliberação feita em novembro seja uma “uma carta em branco”.
Nesta reunião foi também tomada decisão relativamente à proposta de criação de um conselho municipal da Saúde, apresentada pelo PS. Depois de debatido na segunda comissão (com representantes de todos os partidos) foi entendido que a sua criação é da competência da autarquia, assim como a da comissão de acompanhamento e monitorização. À Assembleia foi apresentado, e aprovado por maioria, um parecer que vai no sentido de solicitar ao Conselho da Comunidade do ACES Oeste Norte, que avance rapidamente com as diligências necessárias para haver condições para a elaboração e aprovação da Estratégia Municipal de Saúde para o Concelho. Solicita, ainda, o agendamento de uma reunião da Comissão Especial do Hospital, considerando o “enquadramento difícil que se vive em termos de saúde e as carências existentes”.
Entre as vozes discordantes esteve o centrista, Duarte Nuno, que considerou não se tratar de um parecer, mas de um “conjunto de opiniões” e que não identificam de quem são. Também Vítor Fernandes (CDU) votou contra o que considerou ser uma duplicação de funções, uma vez que está prevista a transferência de competências para as autarquias na área da saúde.
O socialista, Luís Filipe, defendeu que a proposta pretendia “melhorar o que está previsto pela lei com uma dimensão técnica e não política”, enquanto que o seu colega de bancada, Manuel Nunes, realçou que a proposta de criação da comissão ía no sentido de haver um espaço de discussão “com mais clareza” dos assuntos da saúde, e que este devia ser criado nas Caldas.
Draga vem de França
Embora ainda sem data para o início das dragagens, porque o Tribunal de Contas pediu esclarecimentos no âmbito do concurso internacional, a draga que virá para a Lagoa de Óbidos já estará a ser desmontada em Montpellier (França). De acordo com Tinta Ferreira, trata-se de uma máquina de “última geração, moderna” e a empresa já tem representantes na Foz do Arelho à procura de espaços e condições para o desenvolvimento da atividade, disse, em resposta ao deputado do BE, Arnaldo Sarroeira.
A intervenção, orçada em 14, 7 milhões de euros, será feita pelo consórcio Alexandre Barbosa Borges, SA/Vinci-Construction Maritime et Fluvial, que venceu o concurso internacional.
Vítor Fernandes voltou a mostrar preocupação com o atraso na modernização da Linha do Oeste, que foi acompanhada por Tinta Ferreira, que falou da importância da eletrificação até às Caldas e explicou que a ponte pedonal que está a ser planeada prevê essa modernização. “Estamos a cumprir todas as exigências da Refer e que nos vão obrigar a abrir um procedimento por um preço base de 950 mil euros, superior ao que tínhamos aberto inicialmente”, explicou.
No que respeita às obras que estão a decorrer na Avenida João Fragoso, o autarca explicou tratar-se de um alargamento da via para permitir a existência de duas faixas de ambos os lados. Há uma zona dessa circular, situada entre a rotunda das Morenas e a da EBI de Santo Onofre, que ainda ficará apenas com duas faixas e “que no futuro terá que ser pensada uma solução”, referiu.
A situação pandémica e a forma como o município e as estruturas de solidariedade social e da saúde têm lidado com o processo foram temas abordados por vários deputados municipais que, na mesma reunião, aprovaram um voto de louvor, proposto pelo PSD, a todos os profissionais na linha da frente no combate à pandemia da covid-19. ■
fferreira@gazetadascaldas.pt
A Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha vai juntar-se à mobilização mundial do próximo dia 19 de março por uma nova ação global pelo clima. Os alunos voltam à ação “para liderar o caminho de saída destas crises”.
“2021 é o ano para recomeçar e recuperar. Precisamos de um plano para recuperar o clima, recuperar a saúde pública e regenerar a economia, para uma que ponha a vida no centro”, refere o manifesto, que junta diversas organizações, entre elas, a caldense. Tendo em conta a pandemia, serão feitas ações online, estando já agendadas três palestras com alunos de escolas caldenses.
Mas haverá também uma ação simbólica nesse dia. Os jovens irão colocar faixas junto à linha do comboio, reivindicando a sua modernização. Andreia Galvão, da Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha, lembra que a obra já vai com três anos de atraso e destaca que este é o ano da ferrovia e há financiamentos da Europa para a área, pelo que não há desculpas para a “inação” do governo.
A caldense destaca que o relógio climático está a contar e que, caso não se inverta a trajetória de aumento de gases com efeito de estufa, “teremos menos de sete anos até que seja impossível ultrapassar o aquecimento em relação a níveis pré-industriais”. Defende uma mudança para uma sociedade ecológica e socialmente justa. “A pandemia deve ser aproveitada como uma oportunidade para responder às questões climáticas e sociais”, conclui.
No manifesto denunciam que a “nossa casa continua em chamas” e voltam a exigir uma tomada de ação. Entre as reivindicações estão a criação de empregos para o clima, encerramento das infraestruturas mais poluentes, expansão da ferrovia e melhoramento da rede de transportes públicos. ■
Agrupamento de Óbidos aposta na prática simulada, com a plataforma Dream Shaper, como resposta aos constrangimentos provocados pela pandemia, que impede estágios em contexto real
Marcelo Oliveira, de 18 anos e aluno do 12º ano do curso técnico de Apoio à Gestão Desportiva consegue terminar a sua formação a tempo de se inscrever no ensino superior graças à utilização da plataforma Dream Shaper. Esta ferramenta digital permitiu-lhe fazer a componente de formação em contexto de trabalho através de prática simulada.
O jovem fez um projeto para a criação de um surf center, desenvolvendo passo a passo todas as etapas necessárias, com a ajuda dos professores e orientadores. “Existe uma boa comunicação dentro da plataforma”, explica o aluno, acrescentando que esta também é muito intuitiva.
O diretor do agrupamento, José Santos, reconhece que esta ferramenta não substitui a experiência de estar no local de estágio, mas em tempos de pandemia afigura-se como a solução ideal para estes alunos. No ano passado, os alunos do 12º ano dos cursos profissionais aderiram a esta solução e este ano a escola está a avançar com o 11º e 12º anos na plataforma, como prática simulada em alternativa aos estágios. Ao todo, perto de meia centena de alunos do ensino profissional utilizam esta ferramenta.
A parceria entre o agrupamento de Óbidos e a empresa portuguesa de tecnologia e educação teve início durante o ano letivo de 2019/2020, tendo sido o pioneiro na utilização da plataforma em território nacional. Começou pelo ensino profissional e este ano letivo já alargou para o ensino regular.
“A Dream Shape é uma ferramenta importante no âmbito da flexibilidade curricular ao longo de todos os ciclos”
José Santos, diretor do agrupamento
José Santos considera tratar-se de uma ferramenta “motivadora, que permite trabalhar o lado de projeto e descentralizar as práticas, ou seja, o aluno pode trabalhar em qualquer suporte digital e espaço”, explica, acrescentando que vai de encontro ao projeto da flexibilidade escolar.
Está aberta a todo o ensino regular e será uma ferramenta importante no âmbito da flexibilidade curricular ao longo de todos os ciclos”, conta o responsável, adiantando que, nos últimos tempos, têm recebido muitos contactos de escolas a pedir informações da plataforma, tendo em conta a pandemia.
Miguel Ferreira, adjunto do diretor, destaca a importância desta ferramenta poder ser usada logo pelos alunos desde tenra idade e que lhes permite perceber que “as disciplinas não são estanques”.
Já Margarida Abreu Coutinho, responsável de parcerias e operação em Portugal, da Dream Shaper, refere a sua utilização na realização de projetos de uma unidade curricular, de cidadania ou até projetos interdisciplinares, em alinhamento com a lei de autonomia e flexibilidade curricular, fazendo notar que mais de 250 escolas já a utilizam. ■
A Concelhia das Caldas da Rainha do PSD retirou, esta semana, a confiança política a Vítor Marques. Esta posição surge na sequência do anúncio público do presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório como candidato independente à Câmara das Caldas e que, de acordo com a estrutura social-democrata, não teve qualquer iniciativa de desvinculação formal deste partido.
Em comunicado, o PSD refere que Vítor Marques deixa de representar “este partido e este projeto autárquico em qualquer função política na qual pretenda manter funções”.
Os sociais-democratas dizem ser com “surpresa” que assistem ao “repentino e unilateral desvincular de um projeto coletivo que tem merecido a confiança da grande maioria dos caldenses, optando por assumir um projeto pessoal”.
O comunicado termina com uma citação de Francisco Sá Carneiro, fundador do PSD, que diz que “política sem risco é uma chatice, sem ética é uma vergonha”.
À Gazeta das Caldas, Vítor Marques disse não se reconhecer nesta afirmação e deixa ao critério das pessoas que o conhecem e que têm acompanhado o trabalho que tem desenvolvido com a sua equipa uma análise da situação política.
O presidente de junta, eleito como independente nas listas do PSD, refere que foi eleito tendo em conta o programa apresentado (composto pela equipa candidata àquela freguesia). “Acho que não defraudei, nem quero defraudar, os eleitores que votaram nesta lista e que também sinto que votaram em mim”, disse o autarca, acrescentando que faz questão de cumprir o mandato até ao fim.
Vítor Marques diz que não fez um “contrato eterno” com ninguém, que cumpriu com todos os requisitos e o papel que lhe competia no cargo.
“Convidaram-me para ser candidato porque reconheceram, em mim e na minha equipa, capacidade de trabalho e acho que não defraudei as expetativas”, salienta. O agora candidato independente diz mesmo que pensa que o PSD ficará satisfeito por uma lista que apoiou ir até ao fim do mandato e cumprir o que se propôs a fazer. Explicou ainda que informou o presidente da Câmara da decisão, que nestas eleições foi quem o convidou para o mandato à junta, e que não informou a Concelhia porque não é militante do PSD. ■
Voluntariam-se para ajudar em casos de surto e, quando foram chamadas, não vacilaram. Conheça o testemunho de duas mulheres que passaram o Natal e o Ano Novo isoladas, prestando apoio a 16 infetados num lar de Salir de Matos
Na tarde de 23 de dezembro Celeste Almeida recebeu um telefonema da presidente do Centro de Apoio Social do Nadadouro (onde trabalhava) a pedir a colaboração. Os lares estavam com dificuldades em manter o funcionamento por causa dos surtos e havia um em específico, em Salir de Matos, que corria o risco de fechar e os utentes serem transferidos. A funcionária tinha-se voluntariado para a linha da frente, juntamente com a colega Carla Brás, e estava convocada. “Fiquei surpreendida, mas nem pensei duas vezes, disse que sim e só perguntei a que horas é que lá tinha de estar”, conta à Gazeta das Caldas.
Celeste Almeida entrou no lar Vista da Aldeia Residence, nos Cabreiros, às 18h00 da véspera de Natal e por lá ficaria até 2 de janeiro, embora, como morava perto, tivesse ido a casa descansar alguns dias.
“Fiquei
surpreendida mas nem
pensei duas vezes, disse que sim e só perguntei a que horas é que tinha de lá estar”
Celeste Almeida
A colega, que partilha consigo o trabalho no apoio domiciliário da instituição do Nadadouro, entraria de serviço no dia seguinte, dia de Natal, e ali permaneceria isolada durante nove dias. E se Celeste estava confiante, Carla não esconde o medo que sentiu quando lhe telefonaram, mas “tinha dado o nome, agora iria cumprir o compromisso”, disse, acrescentando que esse receio inicial depressa desapareceu, pois o trabalho era tanto, que nem teve tempo para pensar nisso.
“Vesti o equipamento de proteção e, a partir daí, nem tinha medo de ser infetada porque o foco eram os utentes”
Carla Brás
“Vesti o equipamento de proteção individual e, partir daí, nem tinha medo de ser infetada, porque o foco de atenção eram os utentes. Como ajudá-los e o que iríamos conseguir fazer, porque era uma situação complicada e havia o risco de terem de ser evacuados”, recorda.
O facto de terem ido as duas colegas de trabalho também ajudou. “Conhecemo-nos muito bem e sabemos com o que podemos contar. Se calhar, se não fôssemos as duas, as coisas não tinham corrido tão bem”, remata Celeste Almeida.
Chegaram a ficar sozinhas a tomar conta do lar e dos 16 utentes infetados. Com o pessoal que lá trabalhava também infetado, as duas voluntárias tiveram que “dar ordem” a uma casa que não conheciam. Tinham de coordenar desde pequenos almoços a banhos, passando pelas mudas de fraldas e de roupa de cama, além do contacto com os médicos.
“Havia pessoas que precisavam de tratamento específico”, recorda Carla Brás, dando nota que a diretora técnica do lar sempre esteve em contacto telefónico e foi ajudando no sentido de orientação e conhecimento dos utentes. Para além disso, tiveram que preparar o lar para uma desinfeção de fundo, tendo em conta a carga viral que ali se encontrava.
“Era 24 sobre 24 horas”, contam as duas trabalhadoras, lembrando que, à noite, para além dos cuidados que tinham de prestar aos utentes, aproveitavam para adiantar as limpezas e desinfeção dos espaços.
“O problema maior foi o cansaço que se foi instalando”, reconhecem, ao mesmo tempo que destacam o apoio que foram tendo do exterior, nomeadamente por parte da presidente do Centro de Apoio Social do Nadadouro, Alice Gesteiro, que tendo conhecimento da situação pressionou a Segurança Social e a autarquia, no sentido de obterem ajuda, o que veio a acontecer mais tarde.
As duas auxiliares entraram negativas ao vírus e saíram da mesma forma. Enquanto lá estiveram, todos os utentes mantiveram-se estáveis e apenas houve a necessidade de uma ida ao hospital, por engasgamento. Houve, também, idosos que estavam hospitalizados e regressaram ao lar nessa altura.
E de todos tecem os maiores elogios. “Foram sempre de uma compreensão de que eu não estava à espera e muito solidários connosco”, conta Celeste Almeida, destacando que para os utentes a situação também não era fácil, pois, devido aos fatos de proteção, apenas conseguiam ver os olhos de quem deles cuidava.
Reconfortante foi, também, o apoio que obtiveram da família, de quem estiveram separadas durante todo este período. Ainda assim, as mensagens de apoio e os “mimos” como o jantar e a garrafa de champanhe, que deixaram à porta, para assinalar o novo ano, deram um ânimo redobrado às duas “heroínas”.
As duas mulheres partilham uma história de coragem, em que abdicaram da família numa época festiva
Agora, ao olhar para trás, não têm dúvidas de que valeu a pena o sacrifício e garantem que, se necessário, voltam a fazê-lo, sem hesitar. “Acabámos por receber mais do que demos, a sua simpatia e serem sempre prestáveis”, remata Celeste Almeida que, quando a pandemia o permitir, quer voltar ao lar de Salir de Matos para se dar a conhecer aos utentes que, destas cuidadoras, apenas conhecem os olhos e os cuidados prestados. ■
Eram 15h00 em ponto quando, também nas Caldas da Rainha, o PCP assinalou o seu 100º aniversário, com bandeiras hasteadas e ao som do hino oficial do partido, “A Internacional”. Cerca de meia centena de militantes e simpatizantes comunistas das Caldas e de Óbidos marcaram presença na cerimónia que decorreu na Rua Dr. Miguel Bombarda, na tarde deste sábado, e juntou música, poesia e intervenção política.
Ângelo Alves, membro da Comissão Política do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Leiria, lembrou que o PCP esteve sempre do lado certo da História e junto dos trabalhadores. Foi um partido que ao longo do século de existência bateu-se “contra a exploração, injustiça e desigualdade” e que “fez frente à ditadura fascista”. O dirigente comunista elencou os principais problemas com que o país se defronta na atualidade e afirmou que o PCP é “portador de um projeto alternativo e de futuro”.
O caminho faz-se caminhando. Socorro-me das palavras do poeta castelhano António Machado para falar do Dia da Mulher. Se é facto que as lutas de hoje já não são as das mulheres do virar do século XIX, ainda há um caminho longo a percorrer no combate às desigualdades. O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu que a desigualdade de género é a grande injustiça da nossa época e o maior desafio que enfrentamos em matéria de direitos humanos, revelando mesmo que “em todo o mundo, a situação das mulheres é pior do que a dos homens pelo simples facto de serem mulheres”. Uma realidade que é ainda pior para as mulheres que pertencem a minorias.
Mas também há muitas conquistas que se escrevem no feminino. Nesta edição, em que homenageamos a Mulher, damos destaque à coragem, trabalho, criatividade e sacrifício delas, com bons exemplos nas mais diversas áreas. Contamos também com a criatividade de amigos da Gazeta, como é o caso da ilustradora e editora Mafalda Milhões, que nos propõe para a primeira página uma alusão ao “mês de março e à chegada da primavera, no florescer, nas mulheres de cabeça para baixo, no renascer e a necessidade de um abraço”. Um obrigada muito especial também ao Bruno Reis – Mantraste, que nos oferece uma temperamental Maria da Paciência que esta semana ocupa, por direito próprio, o lugar do Zé Povinho.
E esta é também uma edição de desafios, quando uma jornalista da casa se propõe “ir a jogo” e mostra que há muito mais a dizer sobre o que se passa durante uma partida de voleibol, do que a atividade dentro das quatro linhas.
Uma “força da natureza”, “rigorosa” e “super” são alguns dos adjetivos que caraterizam Deolinda Ribeiro, que dedicou a vida ao ensino, nunca esquecendo as raízes, na aldeia do Chão da Parada
Teve honras de notícias de jornal. Iniciava-se o mês de setembro de 1945 e Deolinda Margarida Ribeiro acabara de licenciar-se na Faculdade de Letras de Coimbra, com uma “excelente classificação”, e tornava-se a primeira mulher do concelho a formar-se numa universidade.
A caldense licenciou-se em Coimbra, em 1945, com uma tese sobre a vida da Rainha D. Leonor
A Gazeta das Caldas dá nota do feito e explica que a temática da tese escolhida pela aluna, natural do Chão da Parada, foi a “vida da alta figura da fundadora das Caldas”, a que deu o título de “A acção da Rainha D. Leonor na vida portuguesa”.
Concluídos os estudos, Deolinda Ribeiro dedicou-se à investigação e, depois, ao ensino. Foi nas aulas de Filosofia e de História, no Colégio Ramalho Ortigão, que o jovem José Manuel Pereira da Silva tomou o primeiro contacto com aquela que viria a ter uma presença forte na vida e que mais tarde iria apelidar de “super amiga”.
Dos tempos do liceu lembra a relação tensa com a professora “autoritária e muito rígida”, que tinha uma didática muito esquemática, mas que, depois, viria a reconhecer que aquela metodologia era uma forma prática de organizarem o pensamento.
Das aulas de Filosofia, em particular, recorda o capítulo “doloroso” para os alunos da Teoria do Conhecimento, em que acabaram as aulas com os antebraços doridos por tanto escrever. “Salvava-os” saber que a professora tinha uma “paixão” por automóveis e, sempre que queriam descansar um pouco, pediam ao colega da turma entendido na matéria para falar sobre as novidades no setor.
“Era uma professora engraçada, uma figura ímpar”, recorda José Manuel Pereira da Silva, dando nota da rigidez com que abordava a matéria era intervalada com algumas anedotas e não esquece que foi ela quem o “batizou” de “Sô Pereira da Silva” e que o considerava um rebelde e “fresco”.
Anos mais tarde, os caminhos de ambos voltariam a cruzar-se, quando Pereira da Silva começou a dar aulas na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro (ano letivo de 1975-76) e, como colegas, desenvolveram uma “grande amizade”.
Eram os tempos conturbados do pós-25 de Abril e Deolinda Ribeiro, que, no regime de Salazar, tinha sido subdiretora da escola, temia vir a sofrer consequências, tal como alguns professores que foram afastados dos cargos de direção.
Durante todo o seu percurso granjeou respeito entre os colegas e alunos
Porém, tal não se veio a verificar, tendo em conta que a caldense tinha nas escolas muitos amigos, entre os professores mais velhos e ex-alunos, e “manteve intacto o seu prestígio junto de todos”, recorda.
Naquela época, os professores faziam “muito mais vida em comum”, partilha José Manuel Pereira da Silva, lembrando as jantaradas das quintas-feiras, seguidas de uma ida à boite, e que Deolinda Ribeiro fazia questão de acompanhar, também para dançar. “Nessa altura estaria já à beira da reforma mas mantinha um caráter muito jovial”, conta o amigo.
Caricatura publicada no Album de Figuras Caldenses 1990/1991, de Vasco Trancoso
Entre o ensino e o campo
José Manuel Pereira da Silva não sabe como Deolinda Ribeiro ganhou a alcunha de “Super homem”, mas talvez fosse pelo facto de a professora, quando acabava as aulas, voltar para casa, no Chão da Parada, para tratar dos animais e cultivar a terra.
“Desde muito nova que a figura dela no imaginário das pessoas do Chão da Parada era a da mulher que conseguiu ser licenciada, uma doutora, mas que se habituaram a ver em cima de um burro e, mais tarde, de um trator, a tratar dos campos”, conta, dando nota desta personagem extraordinária. Há anos, partilhou também a sua convivência e amizade com Deolinda Ribeiro no “Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991”, de Vasco Trancoso, uma obra com caricatura e pequenos textos sobre as figuras mais carismáticas das Caldas.
Se fosse viva, Deolinda Ribeiro faria no próximo Dia da Mulher, que se assinala a 8 de março, 101 anos. Faleceu a 2 de dezembro de 1999. Mas a primeira caldense a licenciar-se deixou uma marca na cidade. ■
Deolinda Ribeiro
Professora
Nasceu em 1920 no Chão da Parada e licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra em 1945, com a tese “A Acção da Rainha D. Leonor na Vida Portuguesa”. Especializou-se como Bibliotecária Arquivista em 1947 e investigou na Torre do Tombo até 1952. Foi professora de História e Filosofia no ensino secundário, nomeadamente em Peniche e nas Caldas da Rainha. Foi atribuído, em homenagem póstuma, o seu nome ao Centro de Formação de Associação de Escolas Dr.ª Deolinda Ribeiro, nas Caldas da Rainha. Durante toda a sua vida, a par do ensino, dedicou-se à agricultura, cultivando os campos que possuía no Chão da Parada
Exerceu o cargo “obrigada”, depois de o cabeça de lista ter declinado tomar posse, nas primeiras eleições autárquicas. Esteve na origem do Museu da Cerâmica e dos Encontros Internacionais de Arte
Exaltina Nogueira foi a primeira mulher a integrar a vereação da Câmara das Caldas, em 1977, nas primeiras eleições autárquicas, cumprindo meio mandato. A câmara foi ganha pelo PPD e ela, que concordara em pertencer à lista do PS em lugar não-elegível, viu-se “obrigada” a aceitar o cargo depois do cabeça de lista pelo partido, Hergildo Velhinho, ter recusado tomar posse.
“Naquela época, vivia-se a política em todo o lado”
Exaltina Nogueira
Tal como a maioria da sua geração, só despertou para a política após o 25 de Abril, “contaminada pelo entusiasmo geral”, lembra à Gazeta das Caldas. Envolveu-se na fundação da secção do PS local, “arrastada” pelo marido, José Carlos Nogueira, e pelo irmão, Carlos Gil. “Era membro do secretariado, mas fazia de tudo um pouco”, recorda, sobre a “época muito eletrizante, em que se vivia “a política em todo o lado, discutia-se muito”. Para Exaltina Nogueira foi uma aprendizagem feita “na vivência do dia a dia, no local de trabalho, no partido, na leitura dos jornais, nas discussões com os amigos”.
A então vereadora com o Presidente da República numa visita às Caldas
Foi eleita vereadora num momento em que os cargos políticos eram essencialmente ocupados por homens, mas teve a “sorte” de encontrar no executivo um grupo de colegas que sempre a respeitaram e apoiaram. “Trabalhávamos em equipa, sem divergências partidárias, sempre num ambiente de amizade e concórdia”, conta a ex-autarca, que não se recorda de terem tomado alguma decisão sem ser por unanimidade. O maior problema era a falta de condições para desempenhar o cargo, pois acumulava as funções profissionais. “Dava aulas em horário completo, as reuniões prolongavam-se pela madrugada, por vezes era preciso fazer ou receber visitas institucionais, ou deslocarmo-nos aos ministérios, o que ocupava grande parte do dia…”, relembra. Para além disso, em finais da década de 1970 não havia a facilidade de comunicação dos tempos atuais, os contactos telefónicos eram raros, a burocracia muito lenta e complicada.
No antigo edifício da câmara os vereadores não dispunham de um gabinete ou de secretária para organizarem os documentos de trabalho, recorda a então vereadora, que, apesar das dificuldades, se orgulha da quantidade e qualidade dos projetos que desenvolveu. Mas guarda uma amargura: nunca ter constado da lista oficial de ex-autarcas e, por isso, ter perdido oportunidades de reencontro e de comemoração.
Dois anos de mandato. Foi vereadora entre 1977 e 1979, em substituição do cabeça de lista pelo PS, que declinou tomar posse
Enquanto vereadora teve os pelouros da Cultura e Desporto. No desporto, preocupou-se em recolher informação sobre todas as associações e clubes, para facilitar apoios e subsídios e deixou de pé o Pavilhão Gimnodesportivo da Mata, o primeiro equipamento local do género. Já ao nível da Cultura, foi durante o seu mandato que foi adquirido o Palacete do Visconde de Sacavém e ali instalado o Museu de Cerâmica e feita a aquisição da coleção Lucas Cabral. Foi, também, através da sua ação que foi conseguida a cedência da coleção de escultura de António Duarte, destinada à criação de um museu com o seu nome. No entanto, para Exaltina Nogueira, o acontecimento de maior relevo, e que deixou a sua marca na História da Arte Contemporânea em Portugal, foram os IV Encontros Internacionais de Arte nas Caldas, na altura muito polémicos, mas hoje estudados e referenciados.
“Todas estas e outras realizações só foram possíveis em tão pouco tempo graças a amigos e conhecidos que a vários níveis facilitavam a concretização dos meus projetos. “Era assim que naquele tempo funcionavam as redes sociais”, destaca.
Conciliar a vida política com a familiar “não era nada fácil”, reconhece, lembrando a dificuldade em compatibilizar horários tão exigentes com as crianças pequenas. Depois de sair da câmara abandonou a política, por razões profissionais e familiares, mas também devido a um “certo desencanto com a realidade da vida partidária local”. Como não tinha ambições, recusou vários convites para voos mais altos e dedicou-se inteiramente ao desenvolvimento no campo da pedagogia e didática das línguas que lecionava.
A caldense considera que hoje há mais condições para as mulheres se dedicarem à política, não só ao nivel de apoios, mas também porque as mentalidades evoluíram. Agora são “cada vez mais visíveis e geralmente muito empenhadas e competentes”, conta a antiga autarca para quem, por enquanto, as quotas para mulheres são necessárias: “Como um dia ouvi alguém dizer, só teremos de facto atingido a igualdade de género na política quando tivermos uma primeira-ministra que seja reconhecidamente incompetente!…” ■
De monarcas a mulheres do povo, passando por artistas e empresárias, diversas personagens femininas têm deixado a sua marca, contribuindo para a evolução da sociedade e mudança de mentalidades
Rainha D. Leonor (1458-1525), a “rainha perfeitíssima” a quem se deve a fundação das Caldas da Rainha. Mandou erigir o Hospital Termal para, através das propriedades curativas das águas que ali brotavam, dar assistência aos mais pobres mas também servir reis. Leonor de Lencastre reinou no apogeu da fortuna da expansão portuguesa e foi, também, a fundadora das Misericórdias, a maior rede de assistência social do país. Culta e devota, a rainha deixou um legado pelas obras que patrocinou, tanto ao nível do edificado como da impressão de livros e a encomenda de obras de arte.
Casada com D. João II, teve um único filho, D. Afonso, que morreu jovem, devido a um acidente nos campos da Ribeira de Santarém, onde foi recolhido por um pescador de cuja casa a rainha trouxe a rede de camaroeiro que acrescentou ao brasão das suas vilas, entre elas Caldas da Rainha. A cada 15 de maio a cidade presta-lhe homenagem, junto da estátua situada no Largo Conde Fontalva e da autoria de Francisco Franco.
Amor eternizado em Alcobaça É uma das mais arrebatadoras e trágicas histórias de amor portuguesa. O romance do príncipe português D. Pedro e da amante galega D. Inês, mandada executar pelo rei D. Afonso IV e que foi coroada rainha depois de morta. A eternizar este romance estão os túmulos dos dois amantes, no Mosteiro de Alcobaça, voltados um para o outro para que, no dia do juízo final, os dois fiquem face a face. No mármore está escrito “Até o fim do mundo …”
D. Inês chegou a Portugal em 1340, como aia de D. Constança Manuel, recém-casada com D. Pedro, herdeiro do trono português. Depressa o monarca se apaixona pela bela galega, descrita como loura, de cabeleira abundante, extremamente elegante, de tronco roliço e torneado que lhe valeu o apelido de “Colo de Garça”. O romance revelava-se um problema, com implicações políticas e o rei manda expulsá-la da corte, em 1344, e força-a a sair do país. Refugia-se, então, no Castelo de Albuquerque perto da fronteira portuguesa e os amantes continuam a encontrar-se secretamente até que, com a morte de D. Constança, durante o parto do seu terceiro filho D. Pedro, pôde mandar regressar D. Inês. Instala-a numa quinta em Moledo (Lourinhã), nas proximidades da Serra d´el Rei, terra que deve o nome a D. Pedro, que costumava caçar nessas bandas. Em Moledo, Inês foi mãe de três filhos (D. Afonso, D. João e D. Dinis). Porém, o povo reprovava aquela relação, assim como o rei D. Afonso IV, que acabou por mandar assassinar Inês de Castro. Cheio de raiva, D. Pedro liderou uma revolta contra o seu pai e, quando assumiu a coroa em 1357, mandou prender e matar os assassinos de Inês, arrancando-lhes o coração, o que lhe valeu o cognome de o Cruel.
A história e a beleza de Inês encantaram poetas e dramaturgos, desde logo Luís de Camões, que lhe dedicou um episódio n’Os Lusíadas.
Símbolo da bravura do povo
Ao contrário de Inês de Castro, Brites de Almeida, mais conhecida por padeira de Aljubarrota, não encaixava nos típicos padrões de beleza feminina. Mulher forte e grande, de cabelos crespos, nariz adunco, boca rasgada e seis dedos em cada mão, também ela viria a ter o seu lugar na História, como símbolo máximo da bravura do povo.
Nascida em Faro em 1350, de pais pobres, donos de uma pequena taberna, Brites de Almeida ficou órfã aos vinte e poucos anos, vendeu os poucos bens que herdou e optou por levar uma vida errante, negociando de feira em feira. As aventuras que lhe são atribuídas são muitas, desde a morte de um pretendente após uma briga à prisão e fuga de um harém muçulmano.
Certo é que Brites de Almeida foi parar a Aljubarrota, onde se ajustou como criada duma padeira e casou-se com um lavrador. Reza a lenda que aquando da Batalha de Aljubarrota, travada a 14 de agosto de 1385, e após a derrota dos castelhanos, quando estes se punham em fuga, Brites de Almeida juntou-se ao povo que os perseguia, tomando o comando de um dos grupos de homens. Mais tarde, voltando a casa, matou, com a sua pá, sete castelhanos que encontrou escondidos dentro do seu forno.
A pintora emancipada Ao nível das artes, Josefa de Ayala e Cabrera (1630-1684), ou Josefa d’Óbidos, como assina as suas obras, é uma das marcas identitárias de Óbidos e uma referência ao nível da emancipação das mulheres numa área predominantemente masculina.
Uma das poucas mulheres pintoras do século XVII, notabilizou-se por ser um dos expoentes do Barroco português. Filha do reputado pintor Baltazar Gomes Figueira, Josefa nasce em Espanha, mas vem em criança para Óbidos, terra de onde o pai era natural. Iniciou-se cedo na pintura e gravura e, aos 16 anos, já trabalha em contínuo, recebendo encomendas importantes. É sobretudo conhecida pelos temas religiosos, naturezas mortas e gravura em metal.
Aos 30 anos já era emancipada, o que lhe permitiu viver uma vida autónoma, acompanhada de criados e de duas sobrinhas, em Óbidos e na sua Quinta na Capeleira, onde tinha o atelier e geria os seus negócios. Inclusivamente, no testamento, deixa os bens às sobrinhas e refere que estes deveriam continuar sempre por linhagem feminina. ■
Duas referências na cerâmica caldense
Maria dos Cacos, a primeira mulher que se dedicou à cerâmica das Caldas, recebeu, por batismo, o nome de Maria Póstuma, pelo facto de o pai já ter falecido quando nasceu. Filha e neta de oleiros terá nascido em finais de 1700, mas não se terá dedicado à profissão do pai e avô, que esta era masculina. A famosa Maria dos Cacos firmou-se como empresária e dedicou-se à venda de cerâmica caldense por todo o país. Abriu uma oficina que laborou por mais de 30 anos, entre 1820 e 1853, e seria a impulsionadora do centro de cerâmica das Caldas. O ceramista Manuel Mafra foi empregado de Maria dos Cacos e adquiriu-lhe a estrutura comercial por volta de 1853. Mais tarde, já em meados do século XX, outra mulher haveria de deixar marca na cerâmica caldense. Combinando a tradição com a modernidade, os seus trabalhos contribuíram ativamente para a renovação estética da produção de cerâmica. Ilona Hanna Emilie Lenard, também conhecida por Hansi Staël, nasceu em Budapeste em 28 de março de 1913 e, em 1946, muda-se com a família para Portugal. Especializou-se em cerâmica e, em 1950, começou a trabalhar na Secla onde, pouco tempo depois, passou a diretora artística, tendo inovado na produção da fábrica e introduzindo novos desenhos. Conhecida como Madame Staël, veio para as Caldas a convite de Ponte e Sousa, sócio maioritário da empresa caldense, com quem travou conhecimento em Lisboa no Atelier de João Fragoso.
As novas pinturas que fazia nas coleções da Secla, tiveram grande aceitação para clientes de países como EUA, Inglaterra, Alemanha, Suécia, África do Sul. Durante este período, trabalhava duas semanas por mês na fábrica de cerâmica caldense e as outras duas semanas em Lisboa, onde pintava e fazia experiências com outros materiais.
Em 1959 saiu definitivamente da Secla, mas muitos dos seus desenhos para a produção corrente continuaram a ser executados, pelo menos até finais da década de 80. Até à sua morte em 1961, produziu uma vasta obra artística que passou pela pintura e cerâmica e também pela litografia e gravura.■
Presidente de União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, eleito nas listas do PSD, candidata-se como independente à liderança da autarquia. O médico António Curado encabeça a lista à Assembleia Municipal
“1 de março de 2021, data de uma tomada de decisão”. Foi com estas palavras que Vítor Marques começou por dirigir-se aos jornalistas e alguns amigos presentes para anunciar a sua candidatura à Câmara das Caldas e, assim, “quebrar o tabu”.
A apresentação pública decorreu no Parque D. Carlos I, um espaço público e nobre da cidade, e a decisão de se candidatar resulta do facto de entender que pode “continuar a dar um contributo” para a cidade e para o concelho.
“É algo que toda a minha vida, de uma forma ou de outra, fiz”, disse o presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, dando conta da sua intervenção a nível associativo, empresarial e político.
A terminar o seu segundo mandato como presidente da junta, Vítor Marques diz que este é um ciclo que queria encerrar e estar disponível para outros projetos. Passou um ano a “ouvir pessoas, a refletir, a conversar, a ver o enquadramento autárquico e a minha vida particular” e percebeu que pode “fazer alguma diferença” e dar o seu contributo, ainda mais nesta altura de pandemia. Trata-se de uma candidatura “virada para as pessoas, para o bem-estar, para a saúde, para a felicidade”, assumiu na conferência de imprensa.
O movimento de cidadãos que está a formar ainda não tem nome nem sigla, um processo que quer que seja aberto e participado.
O outro único nome conhecido é o do cabeça de lista à Assembleia Municipal: António Curado, médico, antigo diretor clínico do CHO e antigo deputado municipal pelo PS.
“Temos vindo a juntar um conjunto de pessoas com interesses comuns”, disse Vítor Marques, destacando que a candidatura integra cidadãos dos vários quadrantes políticos, da esquerda à direita, inclusivamente nomes que figuraram em listas do PS e PSD nas últimas autárquicas e que “em momentos diferenciados participaram em atividades”, concretizou.
Por outro lado, não se mostra disponível para “negociações” com partidos em troca da inclusão de elementos nas listas. Estas estão a ser preparadas “com ponderação” e o programa vai ser desenvolvido com a participação de todos, tendo por base uma linha orientadora comum.
Maior proximidade
Vítor Marques quer uma maior aproximação à comunidade e considera que o facto de ter sido presidente de junta é uma mais valia nesse sentido, pois permitiu-lhe um conhecimento aprofundado do território e das necessidades das pessoas. “Um euro gasto pela freguesia tem muito mais produtividade do que um euro gasto nos patamares acima, conseguimos ser mais criteriosos, recuperar as coisas, não compramos só por comprar”, justificou.
Vítor Marques, que há quatro anos integrou as listas do PSD como independente, já comunicou a sua candidatura ao atual presidente da Câmara. “Foi algo inesperado e que, de facto, não foi do seu agrado”, disse, acrescentando que este ainda o tentou dissuadir. Por outro lado, reconheceu que tem tido uma relação de trabalho “fantástica” com o chefe do executivo municipal e que, enquanto presidente de junta, tem assumido também, como sua, a estratégia de Tinta Ferreira. O agora candidato por um movimento independente considera que os partidos são muito importantes para o funcionamento da democracia, mas que “é preciso abaná-los” pois estão a “seguir caminhos que nem sempre são os mais corretos”. Defendeu a necessidade de aparecimento de outras listas de cidadãos independentes, dando nota que atualmente estas apenas existem em 6% dos municípios e 12,5% das freguesias, a nível nacional.
“Não vamos concorrer contra ninguém, vamos concorrer pelas Caldas. Acho que devemos ter um conjunto de pessoas, ideias e experiências, que podem ser úteis e ganhadoras para o nosso concelho”, concluiu o candidato independente à Câmara das Caldas. ■
“Trata-se de uma candidatura virada para as pessoas, para o bem-estar, para a saúde e para a felicidade” Vítor Marques
O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) retomou as negociações com a empresa Construções CLHD, Lda, com vista ao levantamento da suspensão da obra de ampliação das urgências, no hospital das Caldas. Estas pararam em março do ano passado devido à pandemia.
A fase da obra em falta tem uma duração prevista de 153 dias e para que estas possam decorrer em simultâneo com os serviços, será construída uma “unidade modular, que permitirá alargar transitoriamente o espaço disponível” e que deverá estar concluída em duas semanas”, explica a presidente do conselho de administração Elsa Baião. Esta construção irá permitir uma realocação dos espaços no interior do serviço de urgência, libertando áreas para a intervenção.
A responsável faz ainda notar que o Serviço de Urgência, “apesar dos enormes constrangimentos provocados pela obra e sua suspensão, continuou sempre a funcionar normalmente e a prestar os cuidados necessários à população”.
A situação atual é mais calma neste centro hospitalar. Na passada segunda-feira encontravam-se internados 54 doentes Covid positivos no CHO, dos quais 21 nas Caldas e 33 em Torres Vedras. Em 31 de janeiro de 2021, encontravam-se internados em todo o centro hospitalar cerca de 153 doentes.Tendo em conta o decréscimo das necessidades de internamento, foram já desativadas 34 camas Covid nas últimas duas semanas.
A estratégia de conversão de camas Covid em não Covid visa reativar em primeiro lugar camas cirúrgicas, que permitam retomar a atividade cirúrgica. “Caso a situação epidemiológica se mantenha estável, serão desativadas mais enfermarias, sendo sempre necessário manter a prontidão da resposta aos doentes COVID positivos”, explica a responsável.■
A OesteCIM reforçou, em sede de consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a necessidade de inclusão do novo Centro Hospitalar do Oeste, garantindo um serviço de “elevada qualidade para uma resposta mais eficiente e adequada” e incluindo a otimização da capacidade instalada para a rede de cuidados continuados ou valências complementares consideradas prioritárias. Em comunicado, a entidade dá nota que, ao nível das infraestruturas, é necessário o reforço e qualificação da ferrovia, nomeadamente através da eletrificação e instalação de sistemas de sinalização e telecomunicações no troço entre Caldas e Louriçal, da Linha do Oeste. Além da construção do IC11 e a criação de uma ligação adequada entre o nó da autoestrada (A8) e a sede de concelho de Sobral de Monte Agraço.
Na proposta apresentada, a OesteCIM realça, ainda, a importância da mobilidade sustentável, nomeadamente, através do investimento na aquisição de veículos limpos, incluindo os transportes públicos de passageiros.
Na dimensão “Transição Digital”, componente “Investimento e Inovação” foi proposto o financiamento do Centro de Inteligência Territorial do Oeste que a OesteCIM e a Universidade Nova ambicionam construir. O projeto visa “aproveitar as tecnologias de informação e comunicação para, com base na ciência dos dados e a inteligência artificial, promover a geração de conhecimento capaz de contribuir para a regeneração económica e a coesão social, para a transição climática e para uma melhor governação do território e gestão dos serviços e infraestruturas”.
As propostas surgem na sequência de o governo não incluir nenhuma das grandes obras tidas como essenciais para a região. A OesteCIM manifestou a importância estratégica que este plano, ou outros, contemplem investimentos “estratégicos e essenciais para a resiliência, coesão, atratividade, inteligência e competitividade” da região.
A Escola Técnica Empresarial do Oeste (ETEO) está a promover sessões de esclarecimento sobre as várias opções que se deparam aos estudantes finalistas para acesso ao ensino superior. Replicando o que se passa anualmente com as sessões presenciais, esta escola está a convidar os alunos a participar em sessões em que se pretende ajudar na orientação e esclarecimento de dúvidas sobre o prosseguimento dos estudos. Estas decorrem online até 3 de março e são dinamizadas pela coordenadora do Gabinete de Orientação e Apoio à Inserção no Mercado do Trabalho, contando com a participação dos diretores de turma dos terceiros anos dos cursos em funcionamento (cursos profissionais de Técnico de Gestão, Técnico de Turismo, Técnico de Multimédia, Técnico Auxiliar de Saúde e Animador Sociocultural).
Após cada sessão online pode ainda ser prestado um apoio mais individualizado ao aluno e/ou Encarregado de Educação sobre o acesso ao ensino superior, explica o gabinete de comunicação e marketing da escola.
Passaram pelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Caldas mais de 25 grávidas com covid-19 desde o início da pandemia. Apesar de estarem positivas à doença, até ao momento não se registou nenhum nascimento de bebé infetado. A humanização dos serviços auxilia estas mães
Para uma mãe, o nascimento de um filho é sempre um momento de ansiedade, mas esse sentimento aumenta quando a grávida descobre na véspera de dar à luz que o teste à covid-19 deu positivo. Esta é a história de Andreia Paulo, de Torres Vedras, que soube a 12 de janeiro que estava infetada (tal como o seu marido e o filho) e na madrugada do dia seguinte começou com sintomas de trabalho de parto.
Enfermeira de profissão, a jovem, de 33 anos, ligou para o hospital das Caldas a explicar a situação e a preparar a chegada. “Senti que seria o melhor a fazer, a equipa já estaria a preparar-se para me receber em segurança e também teriam algum tempo para criar uma estratégia”, conta Andreia Paulo, recordando que em menos de uma hora estava a ser acolhida pelos profissionais de saúde.
À entrada teve de separar-se do marido e filho e foi para a sala de partos devidamente preparada para receber grávidas com covid-19, situada no piso inferior ao da maternidade.
“Apesar de todos os constrangimentos, senti que houve sempre muita comunicação por parte dos profissionais de saúde”, conta a jovem mãe, destacando que sentiu que a sua “vontade foi tida em conta”. O desejo de ter um parto normal concretizou-se, assim com a possibilidade de amamentar e estar sempre junta da sua filha. “Tive o enfermeiro a ajudar-me, todo equipado, e correu tudo bem”, recorda, sensibilizada com a dedicação de que foi alvo.
“Apesar de todos os constrangimentos,
senti que houve sempre muita comunicação por parte dos profissionais de saúde e que a minha
vontade foi tida em conta”
Andreia Paulo
Essa proximidade ao bebé “foi muito importante, apesar de haver sempre aquele receio latente de poder transmitir-lhe o vírus”, o que, felizmente, não viria a suceder. Os testes feitos às 24 e 48 horas de vida da pequena Catarina deram negativo, para alívio de todos.
Sozinha, confinada numa sala, Andreia Paulo teve contato com o exterior através do telemóvel que a equipa deixou que ficasse com ela e que, garante, fez toda a diferença. Teve alta a 18 de janeiro.
Pouco mais de um mês depois lembra a ansiedade que sentiu, mas também o “profissionalismo e humanização nos cuidados” que encontrou na equipa que a recebeu no hospital das Caldas da Rainha, que permitiu que tudo corresse bem.
“A forma como se comunica, o respeitar a pessoa, senti isso por parte de todos”, conta, acrescentando que esta ainda é uma doença pouco conhecida e com um estigma muito associado.
O diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Jorge Ribeiro, e a enfermeira-chefe, Alcina Sousa, do mesmo serviço, e a diretora do serviço de Pediatria, Luísa Preto
A sala de partos devidamente apetrechada para receber as grávidas com Covid-19
A sala de observação e realização de testes à Covid-19, no piso abaixo do serviço de Obstetrícia
Primeiro parto positivo em abril
Desde o início da pandemia que já foram acompanhadas no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia mais de 25 casos de grávidas com covid-19.
O primeiro parto positivo foi em abril do ano passado e, tendo em conta que os familiares diretos também estavam infetados, a mãe optou por deixar o bebé com a equipa durante mais duas semanas até ter os dois testes negativos.
O serviço Baby Care (que permite aos pais dos bebés internados no serviço de Neonatologia acompanharem os filhos, via internet, 24 horas por dia), possibilitou que fossem acompanhando a sua evolução.
Desses primeiros tempos de pandemia, a enfermeira-chefe, Alcina Sousa, recorda o medo, os fracos recursos e o facto de não estarem preparados em termos de circuitos para receber doentes covid e não-covid.
Em menos de uma semana tiveram que se adaptar. E, se numa fase inicial tiveram um espaço dedicado a estas grávidas no internamento de ginecologia, a segunda vaga, mais violenta, levou a uma reorganização do hospital e o serviço de Obstetrícia passou a ter a área covid, tendo sido criada uma sala de partos no piso inferior.
O diretor do serviço, Jorge Ribeiro, recorda que nos primeiros tempos tinham o problema da demora até se saber o resultado do teste à covid, que podia chegar às 36 horas, com implicações ao nível de contatos.
Atualmente são feitos testes rápidos. No caso das intervenções programadas é realizado um teste convencional e as grávidas também são testadas às 39, 40 semanas, já como preparação para o parto e esses testes têm vigência de três dias.
Os testes rápidos começaram a ficar disponíveis para as grávidas a 19 de novembro e para os pais e acompanhantes a 13 de janeiro.
“A segurança com que trabalhamos não tem nada a ver, neste momento já conhecemos melhor o vírus e como se manifesta. Estamos cansados, mas tranquilos”, refere a enfermeira-chefe, Alcina Sousa.
No entanto, pelo caminho bateram-se com dificuldades ao nível dos recursos, pois parte da equipa deste serviço também foi disponibilizada para a área Covid de adultos, sem que viesse a ser reposta.
No que respeita aos profissionais de saúde , “conseguimos chegar a esta parte da pandemia sem nenhum médico infetado neste serviço e apenas quatro enfermeiros, que apanharam o vírus no exterior”, concretiza o médico, dando conta que ali trabalham 11 médicos e 59 enfermeiros, sendo que destes últimos cinco foram “emprestados” e seis estão fora por gravidez e licença de maternidade. ■
Pai pode estar presente durante o parto
O acompanhante é testado simultaneamente com a grávida. No caso da futura mãe estar positiva esta não pode ser acompanhada e vai para uma sala isolada. A restrição e proibição de visitas foi uma medida implementada por todos os serviços a nível nacional, mas a evolução da pandemia já permite o acompanhamento das grávidas e puérperas pelo pai do bebé. “Porque o nascimento de um filho é um momento especial para o casal, o pai pode estar presente na fase ativa do trabalho de parto, nascimento e pós-parto imediato”, refere o documento emitido pelo Centro Hospitalar do Oeste. A exceção regista-se nos partos por cesariana, em que não é autorizada a presença do pai no bloco operatório.
No internamento as visitas do acompanhante são de duas horas diárias entre as 14 e as 20 horas. As restantes visitas continuam suspensas.
Este ano ainda é cedo para fazer comparações, mas em 2020, nasceram na maternidade 1357 bebés, mais 30 do que no ano anterior. Um número que está dentro da média nacional, explica o diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Jorge Ribeiro. Ainda de acordo com o mesmo responsável, a haver alterações devido à pandemia, estas só serão visíveis daqui por algum tempo.
O CHO considera que o nascimento é um momento especial, pelo que o pai pode estar presente na fase ativa do trabalho de parto, nascimento e pós-parto
As medidas para fazer face à pandemia na área materna e neonatal incluíram a criação de circuitos distintos para grávidas com critério de caso suspeito ou positivo para Covid 19, sendo que atualmente estão a funcionar dois espaços de atendimento para urgência de obstetrícia e ginecologia, dois blocos de partos e dois internamentos. Foi criada uma linha de apoio para esclarecimento de dúvidas sobre queixas na gravidez e do foro ginecológico entendidas como urgentes e foram reforçadas estratégias de prevenção e controlo de infeção. ■
Câmaras das Caldas da Rainha e Óbidos querem ver concretizados os investimentos por parte da administração central antes de avançar com o processo e a associação ambiental fala em falta de vontade política e perda para todos
É a maior lagoa costeira do país e não está classificada para proteção do seu ecossistema natural e das atividades dos pescadores e mariscadores. Desde 2006 que está concluído o dossiê técnico, elaborado pela associação PATO, que sustenta a candidatura da Lagoa de Óbidos a Área de Paisagem Protegida de Âmbito Regional e entregue às Câmaras de Óbidos e Caldas, e que depois deveria seguir para ser apreciado pelas estruturas centrais. Década e meia depois, o processo não evoluiu.
As Câmaras das Caldas e Óbidos, que optaram por responder em conjunto à Gazeta das Caldas, reconhecem que o estudo foi feito tendo em conta o alargado consenso relativo à urgência na tomada de medidas de preservação deste importante sistema lagunar. No entanto, referem que o documento técnico dá conta que a classificação “poderá ser condicionada por um número de problemas que atualmente afetam este meio aquático”, como é o caso da necessidade de desassoreamento, através das dragagens, ainda por concluir.
As autarquias entendem, por isso “que poderá não ser útil a assunção da gestão de uma área protegida de âmbito regional pelos municípios, havendo tão importantes intervenções e investimento pela administração central por concretizar”.
Notando que a estratégia foi a da procura de resolução de algumas das problemáticas, arregimentando a administração central e as entidades competentes na implementação de uma política de melhoria das condições ambientais e preservação da lagoa de Óbidos, os municípios têm efetuado investimentos para garantir a qualidade da água e a reabertura do canal de ligação ao mar quando se verificam fechamentos dos últimos anos.
“Notável
ferramenta para a valorização natural e económica”
Rita Ramos, PATO
De acordo com as autarquias, embora não esteja classificada, a Lagoa e a área adjacente encontram-se sujeitos a instrumentos de ordenamento do território, que determinam regimes e condições de proteção e salvaguarda dos seus recursos e valores naturais, como é o caso dos PDM das Caldas da Rainha e de Óbidos, o Programa da Orla Costeira Alcobaça Cabo Espichel e o Regulamento de Gestão das Lagoas de Óbidos e de Albufeira. Também a Portaria n.º 1234/2002 considera a Lagoa como uma área de grande interesse ecológico, nomeadamente da avifauna migratória, e cria área de refúgio de caça.
Tendo em conta a “extrema relevância” a proteção da Lagoa de Óbidos os municípios consideram que, “depois de efetivados os importantes projetos que se aguardam, poderá considerar-se a recomendação ao governo para a constituição de paisagem protegida”.
Área “extremamente apetecível”
José Ribeiro, presidente da Assembleia Geral da PATO, não tem dúvidas da importância da classificação. A inexistência desta regulamentação impede o “controlo sobre a pressão urbanística, o assoreamento ou a preservação dos habitats e das espécies que os frequentam e, consequentemente, tem-se perdido uma grande maternidade onde se gera vida piscícola que inunda o mar, tem-se perdido espelho de água a favor do assoreamento e tem-se perdido a qualidade da água”.
O estudo da PATO foi apresentado num período em que, a reboque da possibilidade de classificação do Paul de Tornada, a associação conseguiu atrair a atenção de vários responsáveis pela gestão da lagoa e pensou ser possível a sua classificação. “No entanto, esta área é extremamente apetecível ao poder económico e este tem grande influência sobre as instituições que gerem a área da lagoa”, diz, lembrando que há mais de uma década que não tem havido um interesse real na gestão e defesa desta área natural, que reúna compromissos dos vários grupos com intervenção na lagoa.
“Todas as tentativas de fazer prosseguir o processo de defesa da lagoa ou gestão do espelho de água esbarram sempre com a falta de compromisso de vários órgãos, principalmente ao nível político”, concretiza José Ribeiro.
Rita Ramos, presidente da PATO há quatro anos, salienta que a preparação do dossier técnico foi um dos grandes projetos da associação. Reconhece “a extrema importância de retomar este processo, e lamento igualmente que o mesmo, por diversas questões, ainda não tenha sido possível de se concretizar”.
De acordo com esta dirigente associativa a classificação permitirá valorizar e proteger aquele ecossistema natural de forma mais firme, bem como a cultura que permanece na história da Lagoa. Por outro lado, será “uma notável ferramenta para se obter fundos de financiamentos para a recuperação da Lagoa, bem como a sua valorização natural e económica deste local”, conclui. ■
fferreira@gazetadascaldas.pt
Os abrigos de passageiros no Vau não servem apenas para esperar o autocarro. As “paredes” mostram histórias da história da localidade
Fotografias de grandes dimensões, a preto e branco, levam o cenário de outros tempos aos abrigos do autocarro, na localidade do Vau. Ao todo são seis fotografias que mostram momentos do quotidiano da população, nas atividades agrícolas, como o malhar dos cereais ou a apanha do limo, no transporte de crianças em cestos num burro, ou do dia de festa da terra. Nas partes laterais estão testemunhos prestados por algumas das pessoas retratadas.
“Este é um espaço repleto de arte, história e nostalgia, transportando as pessoas ao seu passado e às suas origens”
Frederico Lopes, presidente da Junta
A iniciativa, desenvolvida pela Junta de Freguesia do Vau, tem como objetivo dar continuidade ao projeto “Memórias Fotográficas do Vau”, que conta com um acervo fotográfico significativo da história da freguesia em meados do século XX. “Fotografias de lugares, pessoas e tradições que permitem dar a conhecer às gerações mais novas aquilo que foi o Vau no tempo dos seus avós”, resume o presidente da Junta, Frederico Lopes.
De acordo com o autarca, pretende-se, com este projeto, tornar aqueles abrigos num espaço “ainda que de passagem, repleto de arte, história e nostalgia, transportando as pessoas ao seu passado e às suas origens”.
Algumas pessoas que estão nas fotografias estão vivas e “devem, por isso, sentir um orgulho enorme em poder mostrar aos seus netos aquilo que viveram naquele tempo!”, conta o presidente da Junta, que já teve um retorno positivo de muitos dos fregueses.
Frederico Lopes dá conta também do impacto que a iniciativa tem tido nas redes sociais e, entre os comentários mais curiosos, está o de um motorista da Rodoviária do Oeste que confessa que terá dificuldades, no futuro, em perceber se as pessoas estão na paragem para apanhar o autocarro ou apreciar as fotografias… As imagens antigas foram colocadas nos equipamentos novos e o objetivo é que possa ter continuidade nos restantes abrigos da freguesia.
Este projeto conta com a colaboração de um grupo de três “Amigos do Vau” na preparação e recolha das fotografias, que amavelmente foram cedidas por habitantes. Já foi feita uma exposição na coletividade em 2019 e estava previsto o lançamento de um livro durante o Folio de 2020, mas que não se concretizou devido à pandemia.
Algumas das fotos estiveram também patentes no Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, numa exposição que integrou a rede de cultura 2027. ■
Desenvolver atividades que possam ir de encontro aos interesses e das ideias dos jovens é o objetivo da nova associação do concelho de Óbidos
Nove jovens do concelho de Óbidos, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, juntaram-se e formaram a CriAção, associação que pretende dinamizar atividades que possam ir de encontro aos interesses de outras pessoas da mesma faixa etária.
“No fundo pretendemos criar ideias dos jovens para jovens”, conta a presidente da Direção, Jéssica Silva, acrescentando que pretendem abranger diversas temáticas, desde a cidadania, ao voluntariado, sexualidade, empreendedorismo, saúde, cultura e ambiente.
A maioria dos elementos já possui experiência de associativismo e considera que se trata de uma ferramenta importante na formação pessoal e social.
“A CriAção pretende desenvolver atividades que vão ao encontro dos interesses e das ideias dos mais jovens”
Jéssica Silva
Nascida durante a pandemia, a CriAção apenas pôde dinamizar projetos com participação à distância, como foi o caso da oficina de cinema e representação intitulada de “PLOSATI”, dirigida por dois jovens do concelho, Jessica Lopes (atriz e encenadora) e André Pereira (realizador e editor), que decorreu online e juntou participantes dos 18 aos 74 anos. Também já fez um webinar, intitulado “Cuida-te”, que abordou a questão dos jovens versus pandemia e desemprego, com a presença da psicóloga clínica do município, Joana Duarte.
Para além dos projetos próprios, a associação tem participado noutros do município, como é o caso da iniciativa “Vamos conversar?”, direcionada para a terceira idade, numa tentativa de combater a solidão através de conversas telefónicas; e a distribuição de postais de Natal aos idosos.
“Atualmente tem de ser tudo idealizado numa dinâmica de pandemia, a partir de casa”, conta Jéssica Silva, dando conta que pretendem investir em programas de rádio, em colaboração com o Óbidos Jovem, abordando temáticas, entre elas a do ambiente e cosmética natural. As conferências pela internet são outra das apostas.
“Atualmente tem de ser tudo idealizado numa dinâmica de pandemia, a partir de casa”
Jéssica Silva
Os elementos da associação são maioritariamente das freguesias do Vau, Amoreira e Gaeiras e juntaram-se para trabalhar nestas freguesias. Ainda que, por agora, as atividades estejam limitadas por causa do confinamento, não querem baixar os braços. “Somos jovens e temos esperança que vai melhorar e depois poderemos fazer atividades presenciais”, conta a dirigente, apelando à participação de mais jovens neste grupo, dando voz à causa e dinamizando o concelho. ■
Conferência “Políticas Municipais para a Igualdade”, organizada pelas Mulheres Socialistas das Caldas, resulta na ideia de que as autarquias podem fazer a diferença, com a aplicação concreta de medidas que combatam as desigualdades
Implementar orçamentos com a perspetiva de género também a nível municipal, integrar mais mulheres nas listas do que o já regulamentado e integrar as questões do género na promoção da solidariedade e coesão social, foram algumas das sugestões deixadas pela deputada e presidente Nacional das Mulheres Socialistas, Elza Pais, durante a conferência “Políticas Municipais para a Igualdade”, nas Caldas.
No evento, que decorreu a 20 de fevereiro em formato digital, a dirigente destacou que a pandemia veio acentuar a problemática da violência doméstica, cujo número de casos denunciados não corresponde à realidade efetiva, tendo em conta que, com o confinamento e a proximidade com o agressor, muitas das agressões são silenciadas.
Os dados apontam para cerca de 30 mil queixas por ano em Portugal, mas de acordo com a Agência de Direitos Fundamentais da EU, a “violência denunciada, conhecida, corresponde a um terço da violência real”, explicou Elza Pais. Outra área em que as mulheres foram “altamente fustigadas” com a pandemia foi ao nível do trabalho, defendendo-se a regulamentação do teletrabalho. De acordo com presidente das Mulheres Socialistas, as políticas apresentadas tendem a minimizar essas desigualdades e, no caso da violência doméstica, está prevista formação para mais 17 mil trabalhadores da administração pública para melhor se capacitarem e informar as vítimas.
A nível local, Elza Pais chamou a atenção para a importância dos planos municipais para a igualdade. Caldas da Rainha possui esse plano mas, de acordo com o vereador e candidato às próximas autárquicas, Luís Patacho, “ninguém o conhece”. Ele próprio já o solicitou, tendo em conta que não está publicado online, e não obteve resposta dos serviços. “Duvido até que a autarquia saiba deste plano”, disse, criticando o desconhecimento quaisquer iniciativas, com exceção da criação do Gabinete de Apoio à Vítima da Violência Doméstica, que está a funcionar.
O vereador referiu ainda que o PS apresentou, em maio de 2019, uma proposta de plano municipal da prevenção da violência doméstica e da Igualdade de Género, mas que não teve seguimento. Outras propostas que pretendem apresentar é a criação de um gabinete para a igualdade, que possa dar consultoria a apoio psicossocial e jurídico, assim como o estabelecimento de protocolos de intervenção com as várias entidades que estão no terreno, para criação de equipas de intervenção para prevenção e mitigação da violência de género, e levar estas problemáticas às escolas.
Denunciar um crime público
Também presente no encontro, Teresa Fragoso, ex-presidente da CIG e especialista em Género e Media, falou da importância de saber adaptar as políticas nacionais à realidade de cada concelho, de modo a diminuir as assimetrias.
No que respeita à preparação das próximas autárquicas, defendeu que uma das prioridades é garantir a paridade e auscultar as forças do território. “A igualdade é resiliência e recuperação e, enquanto as políticas nacionais ou municipais não tiverem esta consciência, dificilmente estaremos a promover a coesão e o crescimento da região e do país como um todo”, concluiu.
A assistente social do CHO, Helena Mendes, partilhou a prática diária de contato com vítimas, destacando que a pandemia e o confinamento levaram a um aumento de agressões e, simultaneamente, a um decréscimo dos pedidos de ajuda. Integra a equipa de prevenção da violência no adulto e mostrou preocupação com a “confusão” ao nível dos termos violência doméstica e agressão, tendo recordado que, em 2019, apenas cerca de 10% dos 180 utentes que chegaram ao serviço de urgência com agressões se identificaram como vítimas de violência doméstica. “Isso acarreta problemas na forma de avaliar e analisar as situações e, inclusivamente, leva a que os profissionais sejam mais “leves” na avaliação destas vítimas”.
Ainda que a esmagadora maioria das vítimas de violência doméstica sejam mulheres, também os homens sofrem de abusos, mas normalmente mais de nível psicológico, e têm mais relutância em denunciar. A oradora realçou, ainda, que a violência doméstica é um crime público e que todos têm o dever de o denunciar.
Promovido pela Concelhia das Mulheres Socialistas das Caldas da Rainha, esta conferência teve como objetivo contribuir para o programa com que o PS se apresenta nas próximas eleições. De acordo com a presidente desta estrutura local, Vânia Almeida, o plano de desenvolvimento do concelho deve ser acompanhado de “políticas que promovam não só a sustentabilidade, mas também o equilíbrio e a igualdade, que se quer numa sociedade mais democrática, solidária e desenvolvida”. Uma posição também partilhada pela presidente da Concelhia, Sara Velez, que deixou ainda o compromisso de apresentarem listas equilibradas no género às próximas autárquicas. ■
“A violência denunciada, conhecida, corresponde a um terço da violência real”
Elza Pais, presidente Nacional das Mulheres Socialistas
“Temos de capacitar os profissionais e depois ter programas mais alargados que cheguem à população”
Teresa Fragoso, especialista em Género e Media
“[Deve haver] políticas que promovam não só a sustentabilidade, mas também o equilíbrio e a igualdade”
Vânia Almeida, presidente da concelhia das Mulheres Socialistas
As Câmaras do Oeste já adquiriram mais de um milhar de computadores e tablets, bem como acessos à internet, para garantir o ensino à distância. O investimento é superior a 250 mil euros
Os municípios da região investiram mais de 250 mil euros para garantir condições de acesso de alunos que necessitavam de equipamentos para acompanharem o ensino à distância em período de confinamento.
A resposta tem sido dada através da compra de equipamentos e empréstimo às escolas para alunos mais carenciados
A Câmara das Caldas adquiriu e distribuiu equipamentos informáticos e ligações à internet que cedeu aos agrupamentos de escolas para serem entregues aos alunos. Estes equipamentos foram retomados pelas escolas em julho de 2020, pelo que este mês puderam voltar a ser entregues. Ao todo, foram distribuídos 315 tablets aos alunos do 1º ciclo, 140 computadores aos do 2º ciclo e mais 155 aos do 3º ciclo, secundário e ensino profissional. Foram, ainda, adquiridos 186 hotspots com comunicações para três meses no ano letivo de 2019/20 e foram novamente contratualizados serviços para os meses de fevereiro, março e abril deste ano. Ao todo, a autarquia caldense gastou 125.775€ nestes recursos, sendo que este ano o investimento reporta-se, sobretudo, à nova contratualização de serviços de banda larga e mensalidades de tráfego de internet.
Contudo, foram disponibilizados mais recursos neste novo período de ensino à distância do que no ano letivo passado, pois a Câmara tinha equipamentos não utilizados em armazém.
Por parte do Ministério da Educação apenas chegaram recursos tecnológicos para alunos subsidiados de escalão A e B do ensino secundário.
“A cobertura de rede das operadoras de comunicações não é ainda total no concelho”, reconhece a autarquia, acrescentando que é preciso mais do que a existência de recursos tecnológicos para garantir o acesso ao ensino à distância.
Por seu turno, desde o início da pandemia a Câmara de Óbidos adquiriu 99 computadores, 21 tablets e 83 routers, que entregou ao agrupamento de escolas. Já foi feito um investimento na ordem dos 70 mil euros e estão encomendados mais 74 equipamentos, num valor de 42 mil €. Também chegaram às escolas do concelho, através do Ministério, 54 kits (que incluem um computador portátil, auscultadores com microfone, uma mochila, um hotspot e um cartão SIM para ligação à rede móvel) para os alunos do secundário abrangidos pelo apoio social. Por receber estão 361 kits destinados aos alunos com menos recursos que frequentam o 1º, 2º e 3º ciclos. Houve também doações, por parte de encarregados de educação e as associações de pais voltaram a pedir a colaboração da população neste segundo confinamento.
O investimento das autarquias da região em recursos tecnológicos é superior a 250 mil euros
No Cadaval, a autarquia adquiriu 173 tablets, que entregou ao agrupamento de escolas que, por sua vez, os fez chegar aos alunos mais necessitados. O apoio incluiu também a aquisição de 205 acessos de internet, traduzindo-se num investimento de 34 mil euros.
A vice-presidente da câmara, Fátima Paz, reconhece que ainda há vários alunos sem computador ou tablet ou que partilham estes equipamentos com irmãos ou os pais e acusa o Ministério da Edução de não ter cumprido a sua promessa atempadamente.
Já a Câmara do Bombarral adquiriu 148 tabletes, que entregou ao Agrupamento de Escolas Fernão do Pó e contratou 98 serviços de ligação à internet no primeiro confinamento, dos quais foram reativados 35 cartões nesta fase. Um investimento próximo dos 23 mil € no primeiro confinamento, a que se juntam 1.162 € para reativação de cartões. Está prevista, ainda, a compra de mais 20 tablets que, juntamente com os equipamentos disponibilizados pelo Ministério da Educação aos alunos dos 10º, 11º e 12º anos no confinamento atual, garantem que todos os alunos têm acesso ao ensino à distância.
Na Nazaré foram recebidos apenas 22 computadores através do Ministério da Educação, que não chegaram para cobrir os escalões A e B do ensino secundário, de acordo com os dados do diretor do Agrupamento de Escolas. Tendo em conta que a escola tem 412 alunos dos escalões A e B (desde o 1º ciclo ao ensino secundário) que, em princípio, terão direito aos computadores, ainda faltam 390 computadores. Para minorar a situação, desde início da pandemia, a Câmara já adquiriu 35 computadores e 20 soluções de internet, num investimento total superior a 13.500 €. Para além disso, foram angariados seis computadores no âmbito da campanha de recolha de equipamentos informáticos usados destinados a reforçar as ferramentas de apoio ao estudo dos alunos do Agrupamento de Escolas durante a pandemia.
Contactadas pela Gazeta, as Câmaras de Alcobaça e Peniche não responderam em tempo útil. ■
A JSD/Óbidos pretende traçar um raios-x do concelho, através da auscultação das diversas entidades associativas e empresariais, para depois “defender ideias e construir propostas políticas estruturadas e sustentadas”, explica o presidente desta estrutura, Ricardo Duque.
O primeiro encontro do roteiro “Óbidos Presente”, coordenado pelo gabinete de estudos desta Jota, decorreu a 19 de fevereiro, por videoconferência, e juntou representantes de seis instituições de âmbito social e comunitário.
Como responder à covid-19 é o principal desafio destas associações, que também partilharam o trabalho que desenvolvem e as dificuldades com que se deparam. “A pandemia está a conduzir estas organizações e, consequentemente, as suas direções para um caminho bastante desafiador, porque em vez de responderem apenas às necessidades daqueles que servem, também enfrentam dificuldades dentro de portas”, explica Ricardo Duque, dando conta que colaboradores e voluntários são diretamente afetados, expostos ao cansaço físico e emocional, e até vítimas da doença. Sentem pouco apoio por parte da Segurança Social e do Estado e deram nota das responsabilidades que têm do ponto de vista da gestão dos orçamentos, alguns com respostas sociais fechadas e sem a receita extra de eventos, que promoviam ou em que participavam. Por outro lado, reconhecem “o grande apoio da autarquia, o inexcedível acompanhamento da Autoridade de Saúde e a cooperação entre diferentes instituições”, refere Ricardo Duque, dando também nota do trabalho de todos os intervenientes. Foi graças aos dirigentes que o “cenário catastrófico que se anunciara foi e será mitigado, pois estamos certos que permanecerão resilientes a lutar contra as consequências e a continuar a prestar serviços dignos e de alta qualidade”, conclui.
O alcobacense Nuno Santos será um dos jurados do novo programa da TVI, All Together Now, que irá para o ar aos domingos à noite, a partir de 7 de março. Trata-se de um programa de talentos, gravado no Altice Arena e que reúne cantores a solo ou famílias de músicos que vão ser avaliados por 100 jurados. “É um concurso de talentos vocais, com 10 candidatos em cada episódio”, explica o músico, acrescentando que irá contribuir com todo o seu “conhecimento, experiência e boa onda num programa de entretenimento com um conceito diferente”.
Conhecido por tocar nos locais mais improváveis, desde o cimo do Monte Branco às ondas gigantes da Nazaré, o vestiariense continua a seu projeto “Sete”. Assente numa simbologia relacionada com o número, o álbum foi lançado a 7 de março do ano passado (data do aniversário da filha) e o objetivo passa por escalar as montanhas mais altas dos sete continentes (inclui o considerado novo continente Zelândia) e surfar as maiores ondas dos sete mares. O projeto tem uma duração temporal de sete anos.
Durante a pandemia, Nuno Santos tem dinamizado projeto “Som & Salvo”, com o qual pretende homenagear os profissionais de saúde, com concertos transmitidos on-line no Facebook. A iniciativa solidária contou com uma atuação no hospital das Caldas. ■
Em janeiro, a Urgência de Pediatria teve uma redução de afluência na ordem dos 77% em relação ao mesmo período em 2020. Desde o início da pandemia, foram testadas 2 mil crianças, das quais 40 deram positivas. Na maioria, eram assintomáticas
A sala de espera dos doentes covid, devidamente assinada
É segunda-feira de manhã e na sala de espera da Urgência Pediátrica do hospital das Caldas da Rainha reina o silêncio. As cadeiras azuis ainda a cheirar a novo estão livres e as coloridas pinturas que “forram” as paredes não têm quem as aprecie enquanto se espera por vez para entrar. Durante essa manhã, até às 10h30, apenas tinham chegado três crianças para serem atendidas, entre elas uma com sintomas que podem ser de covid-19 e que entrou num circuito separado. Este é um dia normal no período de pandemia, mas muito diferente do que seria um dia habitual nas Urgências de Pediatria antes de o novo coronavírus transformar o dia-a-dia.
“Numa segunda-feira, teríamos 30 a 40 crianças na sala de espera”, conta a diretora do Serviço de Pediatria, Luísa Preto, reconhecendo que acabam por ser muito “poupados” com a pandemia.
“É um serviço seguro, com circuitos bem definidos. Não há motivos de receio”
Luísa Preto
A pediatra explica esta falta de afluência com o medo de as pessoas se deslocarem ao hospital, mas também a diminuição das doenças respiratórias, fruto do uso da máscara e da interrupção das aulas presenciais. E os números que apresenta não deixam dúvidas: em janeiro de 2019 foram atendidas 27.106 urgências pediátricas no hospital das Caldas, enquanto que no ano passado esse número desceu para mais de metade, num total de 12.963. E se em janeiro do ano passado foram atendidos nas Urgências Pediátricas 4.839 casos, no passado mês de janeiro apenas foram àquele serviço 1.130 doentes.
“As pessoas não devem ter medo de vir ao hospital quando têm necessidade. Os circuitos estão perfeitamente definidos e é seguro”, não se cansa de dizer a diretora do serviço, enquanto mostra os circuitos devidamente identificados para doentes covid e não covid.
40 casos positivos
Desde o início da pandemia, há quase um ano, foram feitos cerca de dois mil testes no serviço, tendo sido registados 40 casos positivos. Uma situação que, na esmagadora maioria dos casos, não é alarmante, porque é uma doença benigna, que se consegue curar com um anti-pirético (medicamento para tratamento da febre). Há, no entanto, uma situação particular, que ocorre três a quatro semanas após a doença e que é chamado de “síndrome multissistémico inflamatório” e que pode originar situações graves nas crianças, nomeadamente o internamento nos cuidados intensivos.
“Já tivemos uma criança de 10 anos com essa patologia, foi transferida para Lisboa e estamos à espera de, nesta fase, podermos vir a ter mais alguns”, salienta Luísa Preto, lembrando que durante o mês de janeiro já registaram mais casos.
O caso doeste menino foi o mais grave e o único que necessitou de internamento, enquanto que a maioria dos casos, de bebés desde os 10 meses até adolescentes, chegou por terem tido contacto com outros infetados e por sintomatologias como febre e situações respiratórias. Os jovens já se apercebem das implicações da doença e, quando o resultado do teste é positivo, alguns desencadeiam uma sintomatologia ansiedade. Luísa Preto salienta que esta é uma doença com repercussões a nível psicológico e não tem dúvidas que, se para os adultos, “é muito difícil, para as crianças e adolescentes é ainda pior porque precisam do contacto com os outros”.
O enfermeiro Francisco Neto, com o equipamento de proteção, preparado para fazer um teste à covid-19 a uma jovem
Redimensionamento do serviço
A diminuição das idas à Pediatria e o aumento dos casos positivos à covid-19 levaram a que parte daquele serviço tenha sido ocupado pela cirurgia de adultos, cujo espaço, por sua vez, passou a albergar o covidário. Ficaram com algumas camas no internamento, mas estão a trabalhar sobretudo na Urgência, também porque entendem “que é melhor tratar uma criança em ambulatório do que submetê-la a um internamento, que é mais agressivo”.
O medo de levar as crianças às Urgências e às consultas presenciais não tem registado uma relação direta com o agravar da doença pois, como explica a pediatra, a maior parte das situações de febre nas crianças são benignas e não acarretam riscos, até mesmo quando os sintomas podem ser de covid-19.
O redimensionamento do serviço não tem sido fácil reconhece a enfermeira-chefe, Helena Lindinho, referindo-se à mobilização de pessoal (enfermeiros, assistentes operacionais e médicos), para outros serviços de adultos.
“Vamos fazendo o nosso melhor e adaptando às circunstâncias”
Helena Lindinho
“As equipas estão um pouco espartilhadas e tiveram de integrar outras, nomeadamente da cirurgia e da urgência de adultos”. Também ela, ao fim de 35 anos a cuidar de crianças, tem estado a trabalhar com adultos. “Não é fácil, mas vamos fazendo o nosso melhor e adaptando às circunstâncias”, conta.
As jovens pediatras Catarina Gomes e Inês Melo estavam de escala na Urgência Pediátrica na manhã de segunda-feira, mas, quando requisitadas, têm ido prestar auxílio a adultos que se encontram na zona de transição respiratória, com sintomas de dificuldade respiratória e a aguardar teste à covid 19. “É um paradigma diferente”, reconhece Catarina Gomes, acrescentando que, apesar de tudo, conseguem ajudar, pois estão habituadas a tratar de doentes respiratórios. Fora da zona de conforto, as médicas encontram motivação na possibilidade de tratar os doentes, mas também de ajudar os colegas, que têm tido mais trabalho do que elas no serviço de pediatria. “Achamos que faz sentido ajudar nesta luta”, remata Inês Melo. ■
A síndrome rara provocada pelo vírus nas crianças
Um menino de 10 anos residente numa freguesia das Caldas da Rainha desenvolveu uma síndrome rara e grave em reação ao novo coronavírus, que o fez estar durante mais de uma semana nos cuidados intensivos.
A fita da história remonta a novembro, quando os avós testaram positivo e o menino, juntamente com os pais, ficou em isolamento noutra casa. A 13 de dezembro começou a ter febre e vómitos e, como tem uma doença crónica, a mãe levou-o à Urgência Pediátrica do hospital das Caldas. Fez teste à covid-19 para ser internado, esteve a soro, fez análises e, como estas acusavam uma pequena infeção, à noite foi para casa com medicação.
Voltaria ao hospital no dia seguinte e soube que o teste do dia anterior tinha dado negativo, como, aliás, dariam os três que fez ao longo do processo. Nessa segunda-feira ficou internado e com febre, dores de barriga e abdominal, o que levou os médicos a pedir mais exames. Com a situação a piorar, na quarta-feira, o menino foi transferido para a unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Maria onde, tendo em conta o seu historial, concluíram tratar-se de um síndroma inflamatório pós covid. Ali ficaria internado até 23 de dezembro, quando pôde regressar a casa.
“Só conseguiram perceber que ele tinha tido covid quando fizeram o teste serológico”, conta a progenitora, a quem foi dito que por norma, as crianças são assintomáticas. “A nossa “sorte” foi ter ido muito cedo com ele para o hospital”, recorda a mãe, salientando que os primeiros sintomas que a criança teve foram febre e vómitos, o que numa situação normal não leva de imediato a criança ao hospital.
O menino “agora está bem” e a única recomendação que trouxe foi a de não poder fazer exercício físico nos próximos seis meses, a par de exames ao coração, uma vez que as crianças que desenvolvem esta síndrome podem ficar com sequelas a nível renal e do coração.
“Foi tudo muito rápido”, conta a mãe, acrescentando que os médicos disseram-lhe que, de todos os meninos que trataram com este síndrome nos Cuidados Intensivos, ele foi o que teve uma recuperação mais rápida”. Olhando para trás, reconhece que foi “muito complicado” e que só quem passa por esta situação consegue dar o devido valor. “Estamos na UCI preocupados com a situação do nosso filho, mas depois olhamos para o lado e vemos cada coisa…”
Como os testes deram sempre negativos e a criança não desenvolveu nenhum dos sintomas associados à doença, esta mãe nunca pensou que se tratasse de covid-19. Agora, “qualquer coisa estou alerta”, disse, recordando que há três semanas houve uns dias em que o filho tinha os olhos mais inchados e ligou de imediato para a cardiologista, mas estava tudo bem. ■
Mais de uma centena de idosos com mais de 80 anos já levou a primeira dose da vacina. Processo continua com idosos, doentes de risco e profissionais de saúde, bombeiros e polícias
No Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte já começaram a ser vacinadas as pessoas com mais de 80 anos. O primeiro fornecimento foi de 102 vacinas, ministradas, na semana passada, a idosos com mais de 100 anos. De acordo com a diretora deste agrupamento, Ana Pisco, a vacinação prosseguirá consoante o fornecimento que vão recebendo.
Nestes seis concelhos existem 8.820 idosos com mais de 80 anos e 6.719 pessoas com idades compreendidas entre os 50 aos 79 anos com comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica), o que perfaz 15.539 pessoas a vacinar contra a covid-19 nesta fase. Uma operação gigantesca, reconhece Ana Pisco, tendo em conta que o objetivo é vacinar todas estas pessoas até abril e que, juntamente com elas, ainda continuam a vacinar utentes dos lares, profissionais de segurança e de saúde. O total das pessoas a vacinar rondará as 20 mil.
Embora as vacinas estejam a chegar à Europa em menor número que o inicialmente previsto, Ana Pisco pede às pessoas que tenham “alguma calma”, pois vão ser vacinadas. “A nossa meta é ter uma grande parte da população vacinada até ao verão”, concretiza a responsável.
A ansiedade para levar a vacina é grande, mas o Aces garante que ninguém ficará de fora, tendo de ser respeitadas as prioridades. Os registos clínicos estão informatizados, com as patologias codificadas, e daí é tirada uma informação que é cruzada pelos serviços do Ministério da Saúde. A listagem é enviada e atualizada pelos médicos de família.
Nestes primeiros dias os agendamentos para a vacina estão a ser feitos por chamada telefónica, mas está a ser instalado, no centro de saúde das Caldas da Rainha, um sistema informático que faz o agendamento por SMS tendo em conta a listagem existente. Ao receber a mensagem do 2424 no telemóvel, a pessoa tem de escrever o seu número de utente e confirmar se quer ou não levar a vacina, recebendo nova mensagem com o dia e hora para a inoculação. Caso não responda será enviada nova mensagem e, se mesmo assim não houver, resposta, as equipas do centro de saúde contactam por telefone e por carta.
Ana Pisco garante que ninguém ficará sem vacina, no entanto terão de ser respeitadas as prioridades
“Esta semana estamos a vacinar todos os dias, independentemente das deslocações aos lares”, explica Ana Pisco, dando conta que os planos de vacinação podem ser alterados, no caso de surtos, e acrescidos se tiverem mais fornecimento de vacinas. Para além das Caldas, a vacinação é feita em postos instalados nos centros de saúde de Alcobaça, Nazaré, Peniche e Bombarral.
A diretora do Aces Oeste Norte chama a atenção que esta é uma vacina coletiva e que é importante que os cidadãos continuem a cumprir as regras de distanciamento social e a usar as medidas de proteção, de modo a que se consiga atingir os 70% de imunidade estimado para setembro. ■
Lares sem surtos com vacinação completa durante esta semana
Desde janeiro e até ao passado fim de semana 1.218 idosos já tinham levado a vacina completa contra a covid-19 e foram administradas 1949 primeiras doses nos 113 lares dos seis concelhos do ACeS Oeste Norte. Muitos idosos recebem a segunda dose durante esta semana, estando prevista a conclusão da vacinação nos lares onde não se registaram surtos. “Estamos já a vacinar idosos de lares que tiveram surtos e esses vão terminar mais tarde, a partir de 21 dias depois da primeira vacina” concretizou Ana Pisco.
De acordo com a responsável, o processo “tem corrido bem” apesar das dificuldades com as listagens, que “têm atualizações constantes”. “Os próprios funcionários também têm uma flutuação muito grande e isso levanta-nos problemas quando vamos fazer a segunda dose”, explicou à Gazeta das Caldas.
As listas são inicialmente enviadas pela Segurança Social mas, algumas delas, já desatualizadas, pelo que é pedido às direções técnicas o envio das listagens atualizadas. Nesse documento surge a designação Outros, que não “clarifica a categoria profissional da pessoa e se trabalha ou não naquele lar”, e que é o que, na opinião de Ana Pisco, estará na “base de toda esta confusão que se tem gerado”, com a vacinação indevida.
Já têm a vacinação completa 301 profissionais de saúde e uma centena aguarda pela segunda dose e são sobretudo assistentes técnicos e outros operacionais que estão na retaguarda, explicou a diretora do ACeS, que ainda não foi vacinada. ■