A 9 de abril de 1918 começava a batalha de La Lys e, no contingente português que lutou com as forças alemãs nas trincheiras da Flandres, estavam três obidenses. A sua história, bem como as fotografias da época que foram cedidas pelos familiares dos soldados, foi publicada na passada sexta-feira no blog Praça com Memória para assinalar a data. Este é um exemplo prático do que pretende ser o projeto que arrancou em Óbidos recentemente e que junta o Arquivo Histórico ao serviço de Desenvolvimento Comunitário.
“Não queremos que o Praça com Memória seja um site de História, mas que junte vivências e memórias, envolvendo as pessoas”, explica Carla Gil, responsável pelo serviço de Desenvolvimento Comunitário. O objetivo é que a comunidade possa fazer chegar ao Arquivo Histórico fotografias, documentos e outros objetos, que serão depois contextualizados, de modo a preservar essas memórias. “É também uma forma do arquivo interagir com a comunidade e, ao mesmo tempo, enriquecer o seu espólio com vivências e memórias que as pessoas tenham”, acrescenta João Pedro Tormenta, historiador e responsável pelo Arquivo Histórico, que tem recebido alguma documentação, nomeadamente fotografias. A primeira que publicou, data do início do século XX e foi-lhe entregue pelo obidense João Soares. Trata-se de uma foto de família, tirada na Praça de Santa Maria durante uma cerimónia religiosa. “Reconheci logo a bandeira azul e branca, fiz uma conjugação com as atas do princípio do século XX, e como tem o pormenor das obras na torre da igreja de Santa Maria, conseguimos datar a foto de finais da monarquia” conta João Pedro Tormenta, acrescentando que agora continua o trabalho de reconhecimento das pessoas que estão na foto e que “serão os bisavós de muitos obidenses”.
Os objetos são fotografados, contextualizados, mas ficam sempre na posse dos seus proprietários. “No fundo, estamos a criar uma rede de informação comunitária que valoriza o que as pessoas têm e podem também dar aos outros”, remata o historiador.
Todos cidadão que queiram colaborar neste projecto, e que o possam enriquecer, estão convidados a fazê-lo, através do email arquivohist@cm-obidos.pt, enviando as suas memórias, fotos, ou documentos de família digitalizados, ou textos com memórias familiares.
Artes e ofícios antigos
“Não nos faz sentido ter um arquivo fechado, queremos que as pessoas saibam porque Óbidos tem esta identidade, temos de perceber de onde viemos e o que foi acontecendo”, defende Carla Gil, realçando o sentimento de pertença à comunidade. O próximo tema que querem trabalhar prende-se com as artes e ofícios, dando enfoque a profissões que já deixaram de existir e outras que, com o passar do tempo, foram-se alterando. O arquivo municipal possui todos os registos camarários das profissões antigas, pelo que são agora necessárias as fotografias e as memórias, de forma a “dar vida” a esses registos. A Praça com Memória tem também uma rúbrica, denominada “A minha casa também é um museu”, dedicada ao público mais jovem e que, no futuro, também será trabalhada nas escolas, em que são convidados a fotografar um objeto e falar um pouco sobre ele e a sua importância afetiva. Entre as peças recebidas estão brincos e uma diversidade de peças cerâmicas, que João Pedro Tormenta depois contextualiza historicamente,
O projeto começou recentemente e, nesta altura de pandemia, numa vertente digital (com site e Facebook), mas no futuro os responsáveis gostariam de ir ao terreno e poder obter testemunhos orais. Outro dos objetivos passa por tornar o projeto em “algo expositivo” que se possa mostrar depois às pessoas. “É muito importante conhecer o território, temos caraterísticas próprias que temos de valorizar de modo a também o desenvolver”, conclui Carla Gil. ■
Foto cedida por um obidense, que foi datada do início do seculo XX
O aumento dos passeios retirou lugares de estacionamento nas ruas, mas a Câmara garante que serão criadas alternativas
As obras na via pública que estão a decorrer em algumas ruas do Bairro da Ponte, na cidade das Caldas, estão provocar transtorno aos moradores, que ficaram sem lugar para estacionar os veículos.
“O alargamento dos passeios reduziu drasticamente o estacionamento para os moradores”, denuncia Carlos Carmo, que considera que esta alteração não fará muito sentido tendo em conta que ali não circula muita gente a pé. A esta situação junta-se o facto de não terem alternativas de estacionamento.
“É uma zona antiga, em que as poucas garagens existentes nos prédios não estão operacionais”, explica o morador, especificando que quando as garagens foram feitas não foram fiscalizadas devidamente, pois a sua construção não permite que os carros possam dar a curva, pela inclinação que têm e, algumas, por estarem localizadas no sentido contrário ao trânsito.
A diminuição dos lugares de estacionamento leva a que os moradores tenham de deixar o carro longe de casa
“Os estacionamentos estavam sempre ocupados e agora serão reduzidos para menos de metade”, lamenta Carlos Carmo, dando nota das dificuldades diárias de ter de deixar o veículo, “por vezes a 300 ou 400 metros de casa e ter de carregar com as compras”.
Questionada pela Gazeta das Caldas, a Câmara respondeu que estas obras, que incidem nas Ruas Manuel Mafra, Augusto José Batista e Augusto Batista Carvalho, têm como princípios gerais a melhoria da mobilidade pedonal através do aumento da largura dos passeios, a redução de ressaltos e rebaixamento na zona das passadeiras, a redução, sempre que possível, do raio de concordância nos cruzamentos, para ganhar área para passeio e induzir a redução de velocidade de circulação dos veículos automóveis. Prevêem, ainda, cruzamentos sobrelevados, a demarcação dos lugares de estacionamento, incluindo para cargas e descargas e munícipes com mobilidade reduzida.
Câmara diz que foram criados novos lugares e uma bolsa de estacionamento junto à linha férrea
A Câmara garante que os projetos de espaço público vão ao encontro das exigências legais das acessibilidades e respeitam as tipologias edificatórias dos locais, “não tendo existido até à data nenhuma denúncia relativa à inadequada construção de garagens existentes”.
Apesar do estacionamento ser a principal preocupação dos moradores, a autarquia considera que se trata de uma diminuição “com pouco significado”, informando que estão previstos 59 lugares de estacionamento na área, mais lugares de cargas e descargas e mobilidade reduzida. Destes, 30 ficarão na Rua Manuel Mafra, 14 na Augusto Batista Carvalho e mais 15 lugares de estacionamento na Rua Augusto José Batista, a que acrescem as cargas e descargas e lugares para mobilidade reduzid).
No largo do Colégio Militar estão previstos 35 lugares (três dos quais destinados a mobilidade reduzida), mais nove do que os que existiam.
Foi ainda adquirido terreno para a criação de uma bolsa de estacionamento, no final da rua 15 de Agosto, junto à linha férrea, com espaço para cerca de 200 viaturas, acrescenta a autarquia.
As obras no Bairro da Ponte integram-se no Plano de Ação de Regeneração Urbana, um instrumento do Quadro Portugal 2020 que fomenta a revitalização urbana, a sustentabilidade ambiental, cultural, social e económica dos espaços urbano, devendo estar terminadas em julho. ■
O diagnóstico da região já foi apresentado e o projeto-piloto, que arranca no território da Comunidade Intermunicipal do Oeste, vai durar dois anos
A Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, e a Comunidade Intermunicipal do Oeste querem criar a primeira região inteligente do país. A escola vai investir um milhão de euros para criar a primeira Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial Smart Region e o projeto-piloto arranca nos concelhos do Oeste, com uma duração de dois anos. Após esse período, a plataforma ficará disponível para ser replicada em todo o país.
Será possível compreender a interação das pessoas que vivem, trabalham ou visitam este território com base nos dados do registo e utilização dos pontos de acesso Wi-Fi, envolvendo as dimensões espaço e tempo na análise.
A Nova IMS apresentou, recentemente, aos autarcas, o diagnóstico da região, revelando que o Oeste já possui um conjunto de iniciativas “smart”, ainda que sejam executadas de forma “espontânea e dispersa”. O estudo mostra, ainda, que existe uma clara disparidade de maturidade “smart” dos vários municípios e que é necessário criar uma estratégia integrada para a região.
E o que são iniciativas smart? De acordo com o documento, são ações e planos que promovem e contribuem para o desenvolvimento sustentável dos municípios ao nível da mobilidade, economia, proteção civil e segurança, energia e ambiente, vida e bem-estar, governo e participação.
Transversais a todos os municípios são, por exemplo, os projetos OesteLed e frota municipal elétrica, a videovigilância florestal, a biblioteca digital, o combate ao insucesso escolar, as unidades móveis de saúde, o orçamento participativo, wi-fi municipal ou a app info praia.
Ao nível de cada um dos municípios a maioria das iniciativas já concretizadas são ao nível da energia e ambiente, seguidas do governo e participação e de economia. Foram ainda identificadas um total de 25 iniciativas “smart” ligadas à promoção da atividade turística na região, a sua maioria ao nível da transformação digital. O portal do turismo, o sistema de contagem de fluxo das pessoas, a app de realidade aumentada, a Nazaré 360º e a app Carnaval, são alguns desses exemplos.
O estudo destaca ainda as bicicletas urbanas ou a rota de turismo acessível, ao nível das acessibilidades, assim como os percursos e rotas pedonais, rede de bicicletas e ciclovias e planos urbanísticos, no que se refere à sustentabilidade. Por outro lado, analisa as principais regiões inteligentes, a nível mundial e apresenta um conjunto de boas práticas que promovem e estimulam o seu desenvolvimento. ■
Os alunos do 2.º e 3.º ciclo retomaram na passada segunda-feira as aulas presenciais. Na reabertura, a Secundária Rafael Bordalo Pinheiro fez questão de os receber com música pelos corredores
Os sons do trombone, acordeão, bateria, guitarra clássica e piano fizeram-se ouvir logo pela manhã de segunda-feira, 5 de abril, pelos corredores da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, e assim continuaram durante os intervalos.
“A escola tem talentos que têm de ser partilhados porque a arte faz da escola um lugar mais apelativo e inspirador”, salienta a diretora do Agrupamento, Maria do Céu Santos, agradecendo a iniciativa de David Carvalhinho, Dinis Carvalhinho, Mateus Leandro, Tomás Oliveira, Joana Santos, Mário Pascoal, Joaquim Lúcio e Tomás Lúcio que, desta forma, alegraram o regresso de todos ao trabalho presencial.
Esta atividade deu início ao Projeto “Intervalo+”, inserido no Plano Nacional das Artes, do qual esta escola faz parte.
O regresso às aulas presenciais para os alunos do 2º e 3º ciclos, assim como as Atividades de Tempos Livres dirigidas a esses estudantes, é uma das medidas do plano de desconfinamento que entraram em vigor em 5 de abril.
Estes alunos juntam-se às crianças das creches e do 1.º ciclo que foram os primeiros a regressar às suas escolas, em 15 de março. O regresso progressivo dos estudantes às aulas presenciais termina a 19 de abril, com o ensino secundário e superior.
As escolas estavam fechadas desde o dia 22 de janeiro, quando o governo decidiu novo confinamento geral. Só no concelho das Caldas da Rainha, este ano letivo é frequentado por perto de 10 mil alunos, desde o pré-escolar ao ensino secundário e profissional, uma franja da população que começa a voltar à normalidade possível.
Alunos da secundária das Caldas alegraram colegas em iniciativa do Projeto “Intervalo+”
As novas regras
Com o regresso ao ensino presencial foram definidas pelo governo medidas extraordinárias relativas à avaliação externa e conclusão de ciclos e níveis de ensino, nomeadamente o cancelamento das provas de aferição e das provas finais de ciclo do 9.º ano.
A conclusão do ensino secundário e o acesso ao ensino superior fazem-se nos mesmos termos do ano letivo passado, ou seja, sem a realização de exames para conclusão e certificação.
Os alunos inscrevem-se e realizam apenas as provas de ingresso que pretendem. Já no caso do ensino profissional é admitida a realização de Provas de Aptidão Profissional e Artística à distância, em caso de necessidade, e a prática simulada.
Também coincidente com o regresso às aulas é a testagem dos professores e pessoal não docente. ■
Decorrem hoje, 8 de abril, as primeiras Jornadas Intergeracionais de Educação e Cidadania, em formato online, organizadas pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) e o Programa 60+ do Politécnico de Leiria.
Subordinada ao tema “Formar e Agir”, a iniciativa pretende refletir sobre o exercício da cidadania nas sociedades contemporâneas e sobre o modo como as várias gerações percebem a sua (in)ação neste domínio, bem como analisar a importância da Educação, em várias idades da vida, para a construção de uma consciência cívica.
O evento, que vai envolver diversas gerações na discussão, contará na abertura com a participação de João Sobrinho Teixeira, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de Rui Pedrosa, presidente do Politécnico de Leiria, dos responsáveis das várias escolas do IPL e da coordenadora do Programa 60+. Após um momento de poesia protagonizado por docentes da ESECS terá lugar o primeiro painel, subordinado ao tema “Formar para a cidadania”, que termina com um debate. Segue-se a apresentação de testemunhos de estudantes do Programa 60+ e da ESTG sobre “Aprender a ser cidadão na escola”.
À tarde, a partir das 14h00, está agendado um momento cultural apresentado pela Tuna da ESAD, seguindo-se o lançamento do segundo painel, subordinado ao tema “Agir para a cidadania”. Segue-se um debate e uma apresentação de testemunhos de estudantes da ESAD e da ESSLei, que darão a conhecer “Contributos para o bem comum”.
O evento é de acesso gratuito, sendo apenas necessária a inscrição prévia através do link https://sites.ipleiria.pt/jornadaseduci/inscricao/. Após a realização das Jornadas será disponibilizado um certificado aos participantes que assim o indicarem no momento da inscrição. ■
O Tribunal de Contas já concedeu o visto que permite avançar com o arranque das dragagens na Lagoa de Óbidos. O governo irá agora marcar a consignação da obra, que “esperamos que ainda seja durante o mês de abril”, disse o presidente da Câmara, Tinta Ferreira à Gazeta das Caldas. O autarca obteve a informação por parte da direção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ao final da tarde desta quarta-feira.
A intervenção, orçada em 14, 7 milhões de euros, financiados pelo POSEUR (85%) e pelo Fundo Ambiental (15%), inclui a dragagem de 875 mil metros cúbicos dos canais e bacias na zona dos braços da Barrosa (Caldas da Rainha) e Bom Sucesso (Óbidos) e a sua deposição no mar para sul a partir da arriba do Gronho, por rainbow. O transporte será feito por tubagem flutuante, com auxílio de estações intermédias de bombagem.
A intervenção prevê ainda a valorização ambiental de 78 hectares a montante da foz do rio Real, através da erradicação de vegetação infestante e plantação de espécies vegetais autóctones.
Formou-se em Matemática e, apesar de não querer seguir as pegadas da família, foi “senhor professor” durante quase quatro décadas. Mas a vida de José Luís Lalanda Ribeiro é também indissociável da política das Caldas e da Santa Casa da Misericórdia
Talvez tenha herdado a vocação para a política do pai, José Lalanda Ribeiro, que foi vice-presidente da Câmara e vereador com os pelouros da Educação e Cultura, entre as décadas de 1950 e 1970, período em que se construíram grande parte das escolas do concelho. “Fui-me habituando a ver a sua atividade e a partir daí, inconscientemente, fui ganhando o gosto pela política”, assume José Luís Lalanda Ribeiro, que se iniciou na política após o 25 de Abril.
Formou-se em Matemática, pela Universidade de Coimbra, embora tenha feito praticamente todo o curso em Lisboa. Na cidade dos estudantes realizou apenas o exame de admissão à faculdade e lá voltou no final do curso para concluir a tenebrosa cadeira de Álgebra Superior.
Filho e neto de professores, queria romper com a tradição familiar, mas a vida trocou-lhe as voltas. Acabado o curso em maio de 1970, começou a procurar trabalho ao mesmo tempo que tirou cursos de computador. Mas como não conseguiu encontrar emprego e o ano letivo estava prestes a começar, decidiu concorrer e ficou colocado numa escola preparatória em Benfica. Gostou da experiência no ensino e, com a criação da secção liceal nas Caldas no ano seguinte (1971) concorreu e voltou a casa.
Visita do Presidente da República, Cavaco Silva, à Misericórdia caldense, em 2010, no âmbito do Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras
Homenagem ao padre caldense António Emílio, realizada em Salir do Porto, em 1998
O Presidente da República, Ramalho Eanes, recebido na Câmara das Caldas em 1979
“Fui o primeiro, juntamente com o padre Eduardo, a darmos aulas na secção liceal”, recorda aquele que viria a dedicar-se ao ensino durante perto de 40 anos. Em 1973 volta a Coimbra para fazer a profissionalização e estágio, agora já casado e juntamente com a esposa, também ela professora, residem numa casa em frente do Quartel General da Guarda Republicana, que no dia 25 de Abril de 1974 não abriu as suas portas.
No mês seguinte começaram as sessões de apresentação dos partidos e Lalanda Ribeiro, que sempre tivera uma simpatia pela social-democracia assiste a uma sessão com Barbosa de Melo (um dos fundadores do PSD). Com o fim do estágio, volta às Caldas e adere ao partido, antes do verão quente de 1975, e em pouco tempo já era o presidente da Comissão Política, que tinha como principal função elaborar listas para as primeiras eleições autárquicas. “Começámos a pensar em nomes para convidar, nunca me passou pela cabeça ser o candidato. Eu queria ir para a Assembleia Municipal”, recorda.
A dificuldade em encontrar pessoas disponíveis, entre comerciantes de renome e profissionais liberais foi grande, pois ainda se viviam tempos de indefinição face ao futuro político do país e a pressão feita junto do então professor levaram-no a avançar como cabeça de lista. Tinha 36 anos e foi o primeiro presidente eleito da Câmara das Caldas, exercendo dois mandatos.
Desses primeiros tempos do poder local destaca o apoio prestado às populações rurais. “Em 1977 apenas 35% do concelho estava eletrificado”, recorda, acrescentando que quando deixou o executivo, em 1982, a eletricidade já chegava a praticamente todo o concelho. Também as vias de comunicação receberam grandes melhorias, muito devido ao trabalho das juntas de freguesia e suportadas pelas verbas da Câmara e também do Estado.
“Havia um entendimento grande entre todo o executivo. Sempre que um fazia anos, juntávamo-nos em casa do aniversariante a seu convite”
Lalanda Ribeiro, primeiro presidente da Câmara das Caldas da Rainha após o 25 de Abril
Lalanda Ribeiro começou por governar uma câmara constituída por três vereadores do seu partido, mais três do PS e um do CDS. Todos tinham pelouros, pois exerciam funções a par da sua atividade profissional. Acima de tudo, eram amigos de longa data.
“Havia um entendimento muito grande, sempre que um de nós fazia anos, juntávamo-nos em casa do aniversariante, a seu convite, para inicialmente tomar um café e depois jantar”, lembra.
Presidente de Camara entre 1976 e 1982, não se recandidatou a um terceiro porque entrou em divergências no partido. “Não concordava com algumas posições tomadas, nomeadamente na Assembleia Municipal, e deixei de participar nas reuniões. Quando foi momento de fazer uma nova candidatura, entenderam que não devia ser eu”, revela.
A decisão da Concelhia recaiu em Mesquita de Oliveira, mas os Paços do Concelho acabariam por ser ocupados pelo engenheiro Paiva e Sousa, que, embora social-democrata, concorreu pelo CDS. Já a Assembleia Municipal foi ganha pelo PSD, liderada por Lalanda Ribeiro, que seria, também, deputado na Assembleia da República, em 1987, na primeira maioria absoluta de Cavaco Silva.
Estar no Parlamento foi uma experiência que apreciou, mas que não lhe encheu as medidas como a de presidente de Câmara. “Não há nada que chegue a essa experiência”, realça. Em meados da década de 1990 ainda manifestou disponibilidade para voltar, numa altura em que Fernando Costa disse que não se iria recandidatar, mas não se chegou a concretizar.
Durante todo esse tempo foi membro da Assembleia Municipal, grande parte do tempo como presidente, mas também durante alguns mandatos como líder da bancada municipal. Cordato e agregador de consensos, dá-se bem com todos os eleitos, mas entende que a oposição tem andado “um bocadinho adormecida”. Relativamente às próximas autárquicas, já tem a decisão tomada, mas diz que primeiro quer informar o presidente da Concelhia.
Indissociável do seu percurso é também a ligação à Santa Casa da Misericórdia das Caldas. “Faz parte da minha educação”, lembra o caldense, que foi provedor da instituição durante 34 anos e deixou funções há menos de quatro meses.
Dos tempos de criança recorda as idas à instituição a acompanhar o pai, que era delegado escolar, de levar cigarros aos idosos e as missas do galo. Depois, já na juventude, fundou, juntamente com um grupo de amigos, uma conferência de S. Vicente de Paulo para jovens, denominada Conferência de Cristo Rei, em que ajudavam os mais necessitados com bens materiais, mas também para conversar com eles.
Admirador do Papa Francisco e João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá e Martin Luther King, Lalanda Ribeiro teve a vertente social muito presente na sua vida e, também por isso, um dos problemas que procurou resolver quando chegou à autarquia, foi o dos bairros periféricos, adquirindo os terrenos aos proprietários dos Bairros das Morenas e S. Cristóvão e procurando legalizar a situação das pessoas que lá moravam. ■
Os problemas crónicos do concelho das Caldas que perduram há décadas
Assoreamento da Lagoa, Linha do Oeste, termalismo e saúde são os grandes assuntos que continuam por resolver
“Quando cheguei à Câmara disseram-me que os estudos [para resolver o assoreamento] já eram tantos que chegavam para cobrir a superfície da lagoa”. É assim que Lalanda Ribeiro recorda um dos problemas crónicos do concelho, que era anterior à sua gestão e ainda hoje perdura.
O antigo presidente da Câmara garante que a autarquia fez as diligências “possíveis e imaginárias” e que, inclusivamente, levaram o então Presidente da República, Ramalho Eanes, a visitar a lagoa, numa das visitas que fez às Caldas.
Mas uma das memórias mais felizes resulta de uma conversa com o então primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, para que o governo assegurasse as dragagens. Passado pouco tempo, chega ao município a informação de que uma draga viria para a Lagoa dentro de pouco tempo, o que era ótimo… não fosse a informação estar errada. Afinal, o governante tinha sido mal informado e a draga deveria seguir não para a Lagoa de Óbidos, mas para a Lagoa de Fermentelos.
“Como já tinha dado a palavra e, inclusive, visitado da lagoa, o primeiro-ministro acabou por fazer todas as diligências e a draga veio, efetivamente, para cá”, recorda
Antigo autarca não aceita a displicência do Governo em relação a investimentos estruturantes na região
A modernização da Linha do Oeste é outro problema que se arrasta há décadas. “Também fomos das últimas zonas do país a ter uma autoestrada. Não percebo, com o potencial que a região Oeste tem, esta displicência que há por parte das entidades governamentais”, salienta.
Também as dificuldades ao nível da saúde são caras a Lalanda Ribeiro. E se o Hospital Termal está a funcionar, porque está sob alçada da autarquia, como faz questão de realçar, o investimento no Centro Hospitalar do Oeste é uma urgência, defendendo a recuperação das unidades das Caldas e de Torres Vedras enquanto não se decide a construção do novo hospital na região, que poderá levar décadas.
Caldas representava o país
Uma das “joias da coroa” dos mandatos foram as feiras, da Cerâmica e da Fruta, que se realizavam no Parque D. Carlos I, bastante importantes para a dinamização do tecido económico e que atraíam muitas personalidades, entre elas políticos como Ramalho Eanes.
“Sentia-se bem nas Caldas, parece-me”, refere Lalanda Ribeiro, dando nota de uma “certa abertura” com o general, muito devida ao seu amigo coronel Aventino Teixeira (militar de Abril), que era também amigo de Ramalho Eanes e quem o encaminhou para a cidade termal.
Também no estrangeiro, Caldas representava o que de melhor se fazia a nível nacional, nomeadamente em certames como a Feira Internacional de Cerâmica e do Vidro, em Valência (Espanha).
Os Encontros Internacionais de Arte, realizados nas Caldas, foram um marco para a arte em Portugal
Lalanda Ribeiro lembra o trabalho “muito importante” do seu vereador, José Valente, que levou mais de duas dezenas de empresas portuguesas, entre elas a Vista Alegre, a mostrar o seu trabalho no Pavilhão das Caldas da Rainha. De resto, na sua edição de 18 de fevereiro de 1981, a Gazeta das Caldas, dá conta da presença dessa participação e refere que, como contrapartida, “os espanhóis estarão presentes em força na Feira de Cerâmica das Caldas da Rainha, que se realizará no próximo mês de julho”.
Também é dos seus mandatos a realização dos IV Encontros Internacionais de Arte, que decorreram nas Caldas em agosto de 1977, com a participação de mais de 120 artistas nacionais e estrangeiros. A iniciativa ocorreu na cidade devido à relação de amizade entre um dos organizadores e a vereadora da Cultura, Exaltina Nogueira, e foi um marco cultural.
“Muitas pessoas não aceitaram muito bem o tipo de arte que se estava a fazer, mas a verdade é que tínhamos lá artistas que vieram a ser de renome”, salienta o ex-autarca que soube dos tumultos pelos jornais. Tinha ido, pela primeira vez à terra da esposa, nos Açores, e quando se apercebeu do que passava ainda tentou regressar para tentar solucionar o problema, mas não conseguiu voo. “Acho que foram importantes e são um marco para a arte em Portugal. Tenho pena que nunca se tivesse conseguido concretizar a vinda para as Caldas das obras que foram feitas e que estão em Vila Nova da Cerveira”, concretiza. ■
As Concelhias das Caldas e de Óbidos do PCP criticam o atraso nas dragagens e consideram “inaceitável” a continuada falta de resposta por parte do governo
Numa ação conjunta, os responsáveis comunistas dos concelhos confinantes com a Lagoa de Óbidos denunciaram que os planos prometidos de desassoreamento “têm sido marcados pelo protelamento e dilação”. Lembram que o ministro do Ambiente previu o início da segunda fase de dragagens em setembro/outubro de 2019 e que só em outubro do ano seguinte é que foi feito o contrato de adjudicação e posteriormente remetido ao Tribunal de Contas, sem que ainda tenham começado.
Com encontro marcado num terreno junto ao Penedo Furado, o caldense José Carlos Faria lembrou os erros da primeira fase de assoreamento, apontando para os dragados retirados do corpo da lagoa e cujos montes continuam “colocados indevidamente” junto às margens. “Grande parte das areias já foram devolvidas à água por efeito dos ventos e das marés”, referiu, acrescentando que há zonas onde já se regista uma deficiente oxigenação das águas, pondo em causa as espécies que ali existem.
Problemas como o assoreamento, a poluição e a falta de classificação da Lagoa foram denunciados pelo PCP
Os comunistas apontam ainda outro “grave problema”, o da poluição, que ameaça a Lagoa e que volta a não ser contemplado. Dizem que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) subestima a questão e garantem que há “presença de metais pesados, nomeadamente crómio” particularmente no Braço da Barrosa. “A continuada falta de resposta por parte do governo é inaceitável e merece por parte do PCP, uma crítica veemente e frontal”, disse José Carlos Faria, acrescentando que o partido irá bater-se pela resolução dos problemas. Também o deputado municipal caldense, Vítor Fernandes, mostrou a sua preocupação com o futuro daquele ecossistema, defendendo a classificação da Lagoa a Área de Paisagem Protegida de âmbito Regional.
O dirigente considera que a candidatura não avança por “falta de vontade” das Câmaras das Caldas e de Óbidos, “que não o têm dado seguimento ao processo por interesses ligados ao imobiliário”.
José Rui Raposo, representante da concelhia de Óbidos, comparou o problema da Lagoa ao da Linha do Oeste, que só se resolveu no “dia em que houve uma demonstração de empenho das populações”, com uma manifestação junto ao ministério das Infraestruturas. O dirigente comunista lembrou os empreendimentos turísticos, “alguns deles abandonados”, que foram feitos na margem sul e graças à classificação de PIN (Plano do Interesse Nacional), no governo de José Sócrates e falou da “falta de vontade política” para resolver as várias situações.
Estes responsáveis dizem que “não se pode esperar mais” e garantem que farão tudo o que estiver ao seu alcance, nomeadamente levando o assunto à Assembleia da República, e admitem outras formas de luta, que podem passar por manifestações. ■
Obra das dragagens não arrancou a 1 abril
Como muitos dos nossos leitores ter-se-ão apercebido a notícia publicada na edição de 1 de abril, que dava conta do início das dragagens nesse dia, e da presença de um representante do governo no local, era mentira. Realidade tem sido a preocupação mostrada por autarcas e membros da Assembleia Municipal relativamente aos atrasos nas dragagens. Na última reunião, realizada a 23 de março, o presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, alertou que a Lagoa “está a morrer” e que já se cansou de “esperar e olhar para o mar à espera do nada”, referindo-se à vinda da draga para começar o desassoreamento. O autarca convidou os membros da Assembleia Municipal visitar a Lagoa e recordou que, nos últimos três anos, fez oito intervenções e apresentou três moções para defesa daquele ecossistema.
O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, disse estar na “linha da frente nas reclamações para que as dragagens da Lagoa de Óbidos sejam feitas o mais rápido possível” e explicou que a obra aguarda o visto do Tribunal de Contas.
O autarca reconheceu que a segunda fase deveria ter sido feita logo após a última intervenção, pois os canais abertos nessa altura já estão a ficar assoreados. “Vamos tentar ver se é possível canalizar alguma verba no sentido de desassorear outra vez estes canais, de forma a que a água possa circular”, disse o chefe do executivo municipal, que, no dia seguinte visitou a Lagoa, acompanhado pelo presidente da junta e alguns mariscadores. ■
Unidade de três estrelas é a segunda da marca em Portugal e representa um investimento de 5 milhões de euros. Com design contemporâneo, associa conforto a espaços para lazer, trabalho e negócios
Depois de meses de espera, o Hotel Campanile abriu as suas portas ao início da tarde de segunda-feira (5 de abril) com três quartos reservados. A nova unidade hoteleira situada na entrada sul da cidade das Caldas, integra o grupo português FlagWorld (que por sua vez integra o quinto maior grupo hoteleiro do mundo) e traduz-se num investimento de 5 milhões de euros.
A marca, que tem por lema “receber o cliente em nossa casa” disponibiliza, junto à receção, uma zona de estar que convida à partilha de momentos entre os clientes, explica Maria José Santos, diretora regional da zona sul da FlagWorld, dando conta da televisão de grandes dimensões que permite, por exemplo, acompanhar um jogo de futebol, a ligação à internet e os vários espaços de trabalho. Numa parede é possível apreciar as peças de cerâmica da Secla, mas também várias figuras de movimento e outras obras, emprestadas pela Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro. Do outro lado do piso térreo encontra-se a sala de pequeno almoço e a zona do bar, que terá disponível tapas, paellas ou tábuas de queijo, a qualquer altura do dia.
A unidade hoteleira, construída de raiz, pretende associar o conforto a espaços para lazer e acessibilidade digital
O hotel possui 82 quartos, um deles adaptado a pessoas com mobilidade reduzida, distribuídos por quatro pisos.
Cada quarto tem a numeração colocada sensivelmente a meio da porta, para o cliente de mobilidade reduzida poder ter acesso, e a informação está também disponível em braille. Conta ainda com receção, zona de estar, bar, restaurante e serviço wi-fi.
A limpeza do espaço é assegurada por uma empresa caldense e o hotel, nesta primeira fase, conta com um total de seis colaboradores.
Este é o segundo hotel da marca Campanile a abrir em Portugal, depois do de Setúbal, aberto há 25 anos. Atualmente o grupo possui grande parte das unidades na zona Norte do país e pretendiam alargar a presença a sul, refere Maria José Santos, que considera que as Caldas tem um potencial grande a nível turístico, que ainda não foi suficientemente explorado.
A responsável da FlagWorld revelou, ainda, que o cliente tem-se tornado cada vez mais exigente, pelo que o hotel teria de ter uma qualidade superior dentro do segmento em que se insere.
O design contemporâneo, que pretende associar o conforto a espaços comuns para lazer, trabalho, negócios e com grande acessibilidade tecnológica e digital, é muito a pensar na geração“millenium” e também no nicho empresarial, salientou.
No primeiro dia de funcionamento, o hotel foi visitado pelo vereador com o pelouro do Turismo, Hugo Oliveira, que manifestou a intenção da autarquia em reunir com os vários parceiros, entre eles o Campanile, para projetar o futuro do turismo tendo em conta a pandemia. O autarca lembrou que a cidade estava a ter um crescimento em termos de procura de alojamento e quer continuar a garantir essa oferta, integrando com a organização de eventos, oferta cultural e dinamização de rotas.
“Vamos ter algumas novidades, que estamos a trabalhar com a ACCCRO, de incentivo a que as pessoas venham às Caldas e pernoitem na cidade”, explicou o autarca, acrescentando que o novo hotel é uma peça estratégica nesse sentido.
O vereador Hugo Oliveira e Gaspar Ferreira, presidente do grupo que construiu o complexo onde se insere o hotel
Gaspar Ferreira, presidente do Grupo Ferreira, que construiu o complexo comercial que inclui o hotel, o supermercado, o memorial da Secla e o futuro restaurante, destacou o potencial das Caldas e o apoio da autarquia em todo o processo.
“É natural que novos investimentos venham a ser feitos nas Caldas da Rainha”, disse o responsável, destacando que “é importante que o investidor não seja visto como um inimigo, mas como um parceiro”.
O Grupo Ferreira investiu neste complexo perto de 12 milhões de euros. Está atualmente também a investir no Porto e no Algarve. “É preciso haver resiliência e acreditar que Portugal tem muito para dar, é nesse sentido que estamos a investir”, concretizou.
Com esta nova unidade, Caldas fica com seis unidades hoteleiras de três estrelas e uma de quatro estrelas. Está ainda prevista a construção de um hotel de cinco estrelas nos Pavilhões do Parque. ■
Maria de Jesus Fernandes, de 63 anos, liderou a lista eleita para o novo conselho diretivo da Ordem dos Biólogos nos próximos quatro anos, naquelas que foram as eleições mais concorridas de sempre
Quadro do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, onde já foi diretora do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, a bióloga Maria de Jesus Fernandes é a primeira mulher eleita bastonária da Ordem dos Biólogos.
A tomada de posse da caldense teve lugar no último dia de março e na equipa de Maria de Jesus Fernandes estão, também, o docente e investigador penichense Sérgio Leandro (vogal da direção) e a bióloga caldense Carla Santos (direção do colégio do Ambiente).
Ser bastonária e ser a primeira mulher a assumir estas funções na Ordem é uma “dupla responsabilidade”, assume Maria de Jesus Fernandes, que sucede a José Matos, geneticista molecular e investigador, que foi o promotor das Olimpíadas Portuguesas da Biologia.
O plano estratégico a desenvolver ao longo dos próximos quatro anos passa, entre outras linhas de trabalho, pela valorização e a dignificação socioprofissional dos biólogos, contribuir para a divulgação da Biologia e literacia biológica como garante da sustentabilidade e de uma sociedade mais justa e inclusiva e a valorização o papel dos docentes do ensino básico e secundário na educação para a cidadania científica.
Promover a literacia biológica e dignificar a profissão são objetivos do mandato
“As pessoas não têm de saber os nomes complicados das coisas, mas perceber para melhor interpretar a sua vida e o papel enquanto cidadãos” defende Jesus Fernandes, dando o exemplo do conhecimento, por exemplo, ao nível da pandemia e do vírus que a provoca.
Por outro lado, a bastonária destaca o papel ativo que os biólogos podem ter para travar a degradação dos ecossistemas e da falta de sustentabilidade. “São necessárias intervenções diretas no sentido de remediar os erros que fomos fazendo no passado”, alerta.
A trabalhar na área da Educação Ambiental há mais de duas décadas, a caldense considera que esta é uma matéria que não pode ser descurada, nem deixá-la somente encarregue às escolas, mas alargá-la a toda a sociedade. E, se há estratégias que foram implementadas com sucesso e efeito quase imediato, como é o caso da reciclagem, outras, “se não forem continuadas e ajustadas às diferentes etapas, vão perdendo eficácia”.
De resto, Jesus Fernandes dá o exemplo do correto uso da água, lembrando que há experiências muito positivas em alguns municípios e comunidades, mas que é necessário generalizar. “É preciso implementarmos essa prática não só na agricultura, mas também na rega pública, na construção civil e nos nossos consumos”, exemplifica, acrescentando que a própria arquitetura das casas deve ser pensada numa lógica em que a economia circular seja uma realidade.
Biólogos nos municípios
“Os biólogos nos municípios podem fazer a diferença”, refere aquela responsável, que considera que atualmente ainda se regista um défice destes profissionais nas autarquias.
No Oeste já há municípios que possuem biólogos no corpo técnico, mas a maioria ainda não, e “essa transformação e capacitação local para conseguirmos dar este salto para a sustentabilidade também passa por aí”.
Referindo-se à região, Jesus Fernandes refere que existe muito trabalho a fazer, nomeadamente na recuperação dos ecossistemas e no controlo das invasoras. “As estruturas municipais continuam a usar plantas invasoras, como acácias, erva das pampas, chorão, para embelezar os espaços públicos”, exemplifica, defendendo que é necessário arrepiar caminho.
Os biólogos são também necessários no trabalho a executar no paul de Tornada e Lagoa de Óbidos, áreas com um potencial muito grande ao nível da conservação da natureza e da paisagem, mas também ao nível da fruição. “Além do trabalho mecânico da limpeza e remoção dos resíduos, há um outro trabalho e outro olhar que pode fazer a diferença na qualidade de vida dos cidadãos, na qualidade ambiental e paisagística dos sítios”, remata.
Jesus Fernandes esteve durante vários anos ligada à associação ambiental PATO (Associação de Defesa do Paul de Tornada), tendo inclusivamente, sido sua presidente. Natural da Cumeira de Santa Catarina, residiu em Lisboa, Algarve e viria a fixar-se em Salir do Porto. É licenciada em Biologia e tem mestrado em Etologia. ■
O Hotel Campanile já se encontra a funcionar. A nova unidade hoteleira, que integra o grupo português FlagWorld, é composta por 82 quartos – um deles adaptado a pessoas com mobilidade reduzida-, distribuídos por quatro pisos. Cada quarto tem a numeração colocada sensivelmente a meio da porta, para a pessoa de mobilidade reduzida poder ter acesso, e a informação está também disponível em braille. Conta ainda com recepção, zona de estar, bar, restaurante e serviço wi-fi, num investimento de cinco milhões de euros.
A limpeza do espaço é assegurada por uma empresa caldense e o hotel, nesta primeira fase, conta com seis colaboradores. Este é o segundo hotel da marca Campanile, a abrir em Portugal, depois do de Setúbal, a funcionar há 25 anos.
Com esta nova unidade, Caldas da Rainha fica com seis hotéis de três estrelas e um de quatro estrelas. Está ainda prevista a construção de uma unidade hoteleira de cinco estrelas nos Pavilhões do Parque.
Os antigos depósitos de vinho converteram-se em originais quartos que permitem uma experiência única, aliando o turismo ao espaço rural
O convite é sugestivo: “Venha dormir onde já dormiu o vinho”. Este o chamariz do turismo em espaço rural “Bagos do Vilar” e o conceito é simples e, ao mesmo tempo, inovador. Quem escolher este local para uma estadia irá pernoitar em cubas que, outrora, foram depósitos de vinho, pertença do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).
Construído no final da década de 1950, este conjunto de arqueologia industrial ligado à vinicultura constitui, à sua escala, a mais antiga representação material da importância da produção de vinho no concelho do Cadaval.
Depois de perto de 40 anos ao abandono, o espaço situado no Vilar foi recuperado e convertido em alojamento turístico. Cada cuba dá lugar a um quarto, com nome de castas de vinho portuguesas, como é o caso da Bical, Arinto, Castelão, para os quartos de casal, e Bual ou Syrah para os quartos de família e grupo, estes últimos em depósitos de maiores dimensões.
Os originais quartos podem ser de casal ou para famílias, tendo em conta a dimensão das cubas
Decorados de forma singular e bastante cuidada, mantêm as paredes e o chão originais das cubas do antigo IVV. Aos 14 quartos, juntam-se uma piscina, sala de convívio e uma outra destinada aos pequenos almoços, e um spa (com massagem de relaxamento em cama suspensa), com três tamanhos diferentes e num total de 20 cubas.
Duas dezenas de depósitos de vinho estão agora transformados em quartos, salas, piscina e spa no Cadaval
Este original projeto nasceu da “loucura” de Emelina Mackay, como a própria faz questão de partilhar com a Gazeta das Caldas. Oriunda de Angola, chegou a Portugal aos 18 anos para acabar o curso de engenharia agrária em Coimbra. A vida fê-la passar pelos Açores, regressar a Angola e, depois, de novo a Portugal onde, por sugestão de amigos viria a instalar-se no Oeste. Também por recomendação de um amigo conheceu o presidente da Câmara do Cadaval, que lhe apresentou o espaço, pertença da autarquia, que viria a transformar e onde passaria também a residir.
As obras de requalificação e adaptação do espaço terminaram em março do ano passado, coincidindo, porém, com a pandemia. A empresária começou por colocar o alojamento ao dispor da autarquia para albergar infetados com covid-19, mas não viria a ser necessário e, mais tarde, em junho, foi inaugurado.
“Tem havido bastante procura, o espaço tem estado repleto”, conta Emelina Mackay, especificando que os clientes são, essencialmente, portugueses, mas também já recebeu, por exemplo, um arquiteto russo.
O espaço, situado no Vilar e com vista panorâmica para a serra e meio rural, possui piscina e outros serviços de apoio
O empreendimento turístico tem, aliás, sido muito procurado por estes profissionais, “que gostam de ver coisas novas, para que daí também lhes surjam ideias”, conta. Em poucos meses de funcionamento já recebeu oito arquitetos, tendo inclusivamente um deles mostrado vontade de oferecer o projeto para a nova ideia que a empresária quer concretizar: um quarto panorâmico situado num depósito de água, que ficará elevado.
“Quem procura o espaço busca por experiências diferentes”, remata Emelina Mackay, a anfitriã do espaço turístico que é também a sua casa. ■
Certame vitivinícola mais antigo do país poderá voltar à Mata Municipal este verão, se a pandemia o permitir
A pandemia impediu, no ano passado, a realização da 37ª edição do Festival do Vinho do Bombarral. O cartaz já estava escolhido, a comissão organizadora nomeada e os prazos a serem cumpridos de acordo com o planeamento, mas a covid-19 trocou as voltas à câmara, que teve de anular o evento e pagar metade do valor aos artistas contratados. Para este ano, a realização está “em cima da mesa” do executivo, que levará o assunto à próxima reunião, para decidir a constituição da comissão organizadora. O objetivo é poder voltar a realizar o certame, “no escrupuloso cumprimento” das regras que vierem a ser definidos pela Direção-Geral de Saúde.
Festival é uma oportunidade dos produtores mostrarem o seu vinho e poderem alavancar as suas vendas
Trata-se de uma “montra importante, como demonstra o sucesso que tem sido o concurso de vinhos”. “É uma oportunidade dos produtores darem a conhecer o seu produto e poderem alavancar as suas vendas”, salienta o presidente da Câmara, Ricardo Fernandes, à Gazeta das Caldas. O autarca destaca, ainda, que este é o maior evento do concelho, com tudo o que isso significa para uma população, “ao dia de hoje, ávida de recuperar alguma normalidade nas suas vidas tão alteradas pela pandemia”.
A importância da atividade agrícola no Bombarral estende-se pelos séculos, mantendo-se nos dias de hoje como um dos principais setores económicos do concelho. De acordo com a autarquia, o setor vitivinícola era, no início do século XX, a atividade agrícola predominante, afirmando o Bombarral como uma das principais regiões vinhateiras.
Apesar de o setor ter perdido alguma preponderância económica com o passar dos anos, o vinho continua a ser um dos principais atrativos do concelho e valorizado com o festival nacional, criado nos anos 1960. Trata-se do certame vitivinícola mais antigo do país e realiza-se anualmente entre julho e agosto na Mata Municipal do Bombarral, um dos principais ex-libris do concelho. ■
fferreira@gazetadascaldas.pt
Dois centros de responsabilidade integrados asseguram a prestação de cuidados, em internamento e ambulatório, aos utentes
O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) criou dois Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) para as áreas médicas de Pneumologia e de Psiquiatria e Saúde Mental. Neste último caso, são disponibilizadas consultas externas nas três unidades hospitalares.
Nas Caldas da Rainha, o CRI disponibiliza consultas externas e sessões de hospital e em Torres Vedras há consultas externas.
Este modelo de gestão prevê também a criação de uma unidade de internamento em Psiquiatria e de um hospital de dia na Unidade de Peniche, com uma lotação que poderá atingir as 25 camas, e a celebração de protocolos que potenciem o desenvolvimento de subespecialidades ou a realização de projetos de investigação e formação, refere a presidente do CHO, Elsa Baião, à Gazeta das Caldas.
No que respeita à Pneumologia, são disponibilizadas 15 camas de internamento, exames, sessões de hospital de dia e consultas externas na Unidade de Torres Vedras, enquanto que nas Caldas realizam-se sessões de hospital de dia e consultas externas.
Administração do Centro Hospitalar prevê contratar médicos e técnicos de diagnóstico
De acordo com informações prestadas pelo CHO, o plano de ação do CRI Psiquiatria e Saúde Mental, em vigor até 2023, prevê, já para este ano, o reforço de recursos humanos em função da evolução das necessidades assistenciais, nomeadamente de médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes operacionais.
Também durante este ano deverão ser contratados um médico e um técnico superior de diagnóstico e terapêutica para o CRI de Pneumologia.
Os CRI são novos modelos organizacionais de gestão, dotados de autonomia funcional, que visam uma maior rentabilização da capacidade instalada e incentivam o aumento da acessibilidade e a redução dos tempos de resposta, procurando mais e melhores cuidados em função do perfil assistencial da população.
São constituídos por equipas multidisciplinares, e dirigidos por um conselho de gestão com autonomia para promover níveis de produção e indicadores de desempenho em dimensões como o acesso, a qualidade, o ensino, investigação e a eficiência. ■
Freguesias apostam na sustentabilidade da comunidade. Diversos projetos têm sido desenvolvidos, que lhes garantiram aquele galardão nacional
A União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório é uma eco-freguesia desde junho de 2019. A participação da autarquia no seminário nacional Eco-Escolas, em janeiro de 2018, motivou o interesse para integrar o projeto.
Desde então, a junta tem dinamizado diversas atividades e iniciativas, tendo em conta a sustentabilidade ambiental, o uso adequado de recursos e, sempre que possível, reutilizando materiais em fim de vida, como foi o caso do reaproveitamento de abrigos dos autocarros que foram restaurados. Também naquelas estruturas foram inscritas frases de um concurso promovido junto das escolas do 1º ciclo da freguesia, com um tema do ambiente: “Limpa a tua freguesia, com alegria”. Recentemente foram feitas plantações de jovens árvores na Mata Rainha D. Leonor e junto à linha de água do pinhal de Santo Izidoro, junto à ESAD.
Recentemente foram feitas novas plantações junto à linha de água do pinhal de Santo Izidoro
Durante este período foram também desenvolvidos os projetos “Eco-famílias” e “Eco-funcionários” dinamizados pela ABAE, que consistem em ações para sensibilizar os colaboradores da junta e as famílias da freguesia, ao mesmo tempo que contribuem para a pontuação da candidatura a Eco – Freguesia.
Estes projetos consistem na formação sobre temas do ambiente e sustentabilidade, colaborando na sensibilização de proximidade e de adoção de boas práticas e consciência ambiental. São, também, desenvolvidos boletins anuais, com um separador dedicado ao Eco- Freguesias. As edições de 2018 e de 2019 são documentos recicláveis, ou seja, o seu fim tem um impacto positivo na economia circular e para o ambiente.
O presidente da junta, Vítor Marques, lembra que a autarquia dá uma atenção especial ao ambiente e que este galardão acaba por evidenciar um conjunto de iniciativas e ajudá-los a corrigir outras, levando-as para práticas mais sustentáveis.
Tendo em conta que o projeto é bianual, em janeiro foi submetida nova candidatura, cujo resultado será conhecido em meados do ano.
Estas juntas de freguesia têm apostado na manutenção dos espaços verdes, ações de sensibilização e dinamização de iniciativas sustentáveis
Aposta em jardins sustentáveis
Já a Junta de Freguesia de Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa, no concelho de Óbidos, é, pela primeira vez, candidata ao programa “Eco-Freguesias XXI”. A participação começou em fevereiro do ano passado e, desde então, foi elaborada a candidatura que entregou em janeiro para obtenção do galardão “Bandeira Verde”.
Com a adesão ao programa assumiu-se como freguesia livre de herbicidas, pelo que há um ano que não são utilizados produtos químicos para controlo das ervas espontâneas. Também já foram instalados 49 redutores de caudal nas torneiras dos edifícios da junta, sanitários públicos e jardins de infância, assim como 20 placas dispensadoras de sacos para dejetos caninos.
Ação de limpeza das margens da Lagoa dinamizada pela Junta de Freguesia de Santa Maria, S. Pedro e Sobral da Lagoa
Como forma de reconhecer as famílias mais amigas do ambiente a junta promoveu o projeto/concurso “Eco Famílias XXI”, em que a entrega dos prémios resultou numa ação de limpeza das margens da Lagoa de Óbidos. Foram identificadas plantas nativas, lançado um flyer turístico da freguesia, vídeos de sensibilização e eco-cinzeiros de bolso.
Esta autarquia criou um viveiro de plantas nativas que irão servir de base para a conversão de jardins convencionais em ambientes autossustentáveis. Este é, de resto, o projeto de maior amplitude da autarquia, que pretende que esta transformação gradual, mais sustentável, seja acompanhada pela população, que poderá aproveitar para colher frutas ou plantas aromáticas e utilizar nas suas casas. Muitas destas iniciativas terão continuidade, nomeadamente as de sensibilização, limpeza da lagoa e a conversão dos jardins em espaços autossustentáveis. Em breve a junta de freguesia terá kit’s de redução de caudal para que a população possa adquirir e instalar fomentando assim a poupança de água. ■
Comissão Cívica dos Utentes do Centro Hospitalar do Oeste apresentou documento, tendo por base as respostas e sugestões dos responsáveis pela saúde na região
Ventiladores portáteis e outros para cuidados intensivos, monitores multiparâmetros, monitores multiparâmetros não invasivos, seringas infusoras, bombas infusoras, e RX portátil, foram apenas alguns dos equipamentos, num total próximo dos 2 milhões de euros, que o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) adquiriu para reforço na resposta à pandemia. Os dados foram fornecidos pela administração do centro hospitalar e divulgados no passado dia 24 de março pela Comissão Cívica dos Utentes do CHO.
O facto de o CHO não dispor de uma Unidade de Cuidados Intensivos ou Unidade de Cuidados Intermédios em nenhum dos seus polos hospitalares levou a que tivesse de garantir “capacidade de ventilação e estabilização hemodinâmica” aos doentes enquanto aguardavam transferência para Unidades de Cuidados Intensivos. Nesse âmbito foram adquiridos 18 equipamentos de ventilação (além de mais dois doados) para responder à carência de capacidade ventilatória.
No documento, que reúne respostas e sugestões dos responsáveis pela saúde no Oeste, a administração do CHO dá nota de todo o processo desencadeado para mitigar a pandemia nas três unidades hospitalares, assim como o aumento de efetivos em 2020.
Salienta que, ao nível dos Serviços de Urgência Covid (ADR) e não Covid, a situação está controlada, “não se verificando tempos de espera relevantes”. Porém, no mês de janeiro, tiveram mais de 2 mil atendimentos nos dois ADR, uma pressão que implicou a transferências de doentes para hospitais públicos e privados, ao abrigo dos acordos estabelecidos pela Administração-Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e Ministério da Saúde.
Também em 2020, o CHO viu aprovadas várias candidaturas a apoios europeus, tanto ao nível da modernização administrativa como de otimização dos serviços, num valor superior a 3,7 milhões de euros. Desse montante, perto de 3,2 milhões foi investimento europeu.
Dificuldades com o transporte
Referindo-se aos problemas não diretamente ligados com a pandemia, o porta-voz da comissão destacou as dificuldades apontadas pelas corporações de bombeiros relativamente ao transporte inter-hospitalar. Estas corporações queixam-se dos constrangimentos provocados pela indisponibilidade da prestação dos serviços de ortopedia nas Caldas da Rainha, que obriga a deslocações para Torres Vedras, onde os tempos de inoperacionalidade das ambulâncias de socorro “aumentam significativamente”.
A OesteCIM foi outras das entidades intervenientes no processo. Questionada pela comissão cívica sobre qual o ponto da situação relativamente ao perfil para o Novo Hospital do Oeste, foi-lhe referido que estão em análise as candidaturas ao concurso público para a selecção da entidade que fará o estudo integrado sobre a política pública de saúde no Oeste.
“Vamos exigir ao governo que, urgentemente, seja instalada uma unidade de cuidados intensivos, ainda que de uma forma provisária”
Vítor Dinis,
porta-voz da comissão cívica
Informou ainda que, no âmbito da consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência, mencionou a “importância estratégica” deste mencionar o Novo Hospital.
Depois de ouvidas as diversas entidades, a comissão cívica propõe-se, durante este ano, a continuar a apelar à aquisição de novos equipamentos e colocação de mais pessoal no CHO, bem como continuar a insistir na audiência com a ministra da Saúde. Desconhecendo-se para quando o novo Hospital do Oeste e, tendo em conta a pandemia, vão “exigir ao governo que, urgentemente, seja instalada uma unidade de cuidados intensivos”, disse Vítor Dinis, acrescentando que também se vão bater pelo reinício das obras da Urgência.
Em finais de abril a comissão conta fazer o balanço do trabalho feito durante o ano passado e, nessa altura, colocará o lugar à disposição. “Decorridos quase quatro anos, faz todo o sentido, e está na altura, [da comissão] de ser substituída por novos elementos”, conclui o porta-voz. ■
O anúncio da candidatura do presidente de junta à Câmara das Caldas levou à desvinculação com o PSD. O período Antes da Ordem do Dia ocupou grande parte da reunião de 23 de março, com os deputados a questionarem Tinta Ferreira sobre obras, projetos e problemas que afetam o concelho
O presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e S. Gregório, por inerência deputado municipal, Vítor Marques, vai permanecer naquele órgão deliberativo, mas como deputado independente. Esta decisão, comunicada na última Assembleia Municipal, foi tomada numa reunião conjunta com o PSD, depois de Vítor Marques ter anunciado publicamente a sua intenção em candidatar-se à Câmara das Caldas encabeçando um movimento independente.
O autarca deixa também de representar o PSD na primeira comissão, comissão de acompanhamento do termalismo e comissão especial do hospital, continuando a participar nelas, agora como independente. O PSD irá designar novos elementos para representar a bancada nessas comissões.
Na última reunião, os deputados tomaram conhecimento do andamento do processo que permite a isenção do IMI às associações sem fins lucrativos das Caldas. A medida, já aprovada pelo executivo, foi tomada tendo em conta a situação pandémica que se vive e que agudizou as suas dificuldades em obter receitas, uma vez que não podem dinamizar atividades e estão de portas fechadas. Para além disso, muitas delas lutam para que a atividade esteja em conformidade com a lei, tendo em conta as avaliações dos edifícios onde estão sediadas.
Inaugurações a 15 de maio
A Unidade de Saúde Familiar de Santo Onofre já está a funcionar, no entanto a inauguração deverá ocorrer no 15 de maio e o presidente da Câmara gostaria de ter presente a ministra da Saúde, Marta Temido. De acordo com o autarca, a obra, no valor de 1,7 milhões de euros foi concretizada com recurso a fundos comunitários e verba do município. “Não houve dinheiro do Estado na construção do edifício, embora a administração central coloque o equipamento”, referiu. Também nas Festas da Cidade deverá ser inaugurada a requalificação da Quinta da Saúde, conhecida como Casa Amarela, que passará a desempenhar as funções de espaço de receção e acolhimento do Centro de Artes.
Já a obra do Centro da Juventude está parada. “O empreiteiro desapareceu e estamos a preparar um novo concurso”, explicou Tinta Ferreira. Por outro lado, o chefe do executivo municipal deu nota que a construção da sede do Teatro da Rainha está em curso, assim como as obras no Pátio dos Burros e na Escola do Avenal, e as repavimentações pelo concelho. As infraestruturas para a Habitação Jovem no Carvalhal Benfeito, também estão quase concluídas e a Câmara pretende, em finais de abril, fazer uma reunião na freguesia e convidar a população interessada na aquisição dos lotes. Entre as intervenções em curso, o autarca destacou ainda o início do projeto da ciclovia (projeto piloto dos modos cicláveis), que vai ligar o Abraço Verde ao Parque desportivo Domingos d’el Rio, e a obra na Avenida João Fragoso, que permitirá que a circular possa ter quatro faixas. A via continuará mais estreita entre a rotunda do Bairro das Morenas e a da EBI de Santo Onofre, uma situação que deverá ser resolvida “pelo futuro executivo municipal, para que a circulação possa ser mais fluída”, concretizou.
Estão a ser realizados estudos e projetos para as zonas industriais de Santa Catarina, S. Gregório, Vidais e Casal de Santa Cecília, de modo à câmara candidatar-se a apoios para a concretização das obras. O objetivo é ter “pequenos polos industriais que sejam atrativos e, dada a sua dispersão pelo concelho, possam ser úteis para garantir o movimento, atividade económica e, quiçá, residência a muitos trabalhadores das empresas que vierem aí a ser instaladas”, disse o autarca. Na informação prestada sobre a atividade da autarquia, Tinta Ferreira destacou ainda o trabalho desenvolvido pela Ação Social no acompanhamento pelas pessoas desfavorecidas, particularmente no contexto de pandemia.
Algumas das intervenções apresentadas mereceram o reparo dos deputados. Vítor Fernandes (CDU) destacou a necessidade da requalificação da Zona Industrial de Tornada, que tem vindo a ficar para trás, e Ana Sofia Cardoso (CDS-PP) manifestou a sua apreensão com o sucesso das Zonas Industriais nas áreas periféricas da cidade e nas freguesias quando não há planos para melhorias das vias de acesso.
Rodrigo Amaro (PSD) deu realce ao concurso de fotografia “O Olhar Pela Tua Janela, homenagem a Edgar Libório”, realizado pelo Centro de Juventude, e cujos melhores trabalhos serão premiados com cheques a gastar no comércio local.
Caldas XXI não será constituída
A fusão de três associações caldenses numa só – Associação Caldas XXI – voltou ao debate na Assembleia. Os estatutos da nova associação foram aprovados pelo município em finais de 2017, após uma proposta inicial para unir estas associações, do Movimento Viver o Concelho (MVC) na Assembleia Municipal de 27 de dezembro de 2015 e aprovada por unanimidade.
O deputado comunista, Vítor Fernandes, manifestou a sua discordância com a entrega do subsídio de 110 mil euros para a Expoeste, defendendo que não seja atribuído qualquer apoio enquanto não se decidem os estatutos e funcionamento da nossa associação, que deveria englobar a ADIO (que gere a Expoeste), a CulturCaldas (que gere o CCC) e a ADJ CR (que gere o Centro da Juventude).
Em resposta, Tinta Ferreira explicou que, do ponto de vista das atividades notariais, foram criados “inúmeros obstáculos que não nos permitem essa criação sem extinguir as respetivas associações e, consequentemente, pagar as respetivas indemnizações aos colaboradores atualmente em funções e serem, posteriormente, integrados, ou não, na nova estrutura”. O autarca garante que não é esse o caminho que quer, pelo que as associações atuais irão continuar.
Nesta reunião foi, ainda, denunciado o problema das descargas ilegais para os rios, por parte dos presidentes de junta de A-dos-Francos e de Tornada e Salir do Porto, e corroborado pelos deputados dos diversos partidos, apelando à resolução do problema sobretudo por parte das autoridades policiais. O presidente da Câmara referiu que, quando têm conhecimento de alguma situação, fazem a denúncia à GNR e lembrou que não foi concluída a ETAR de São Martinho, que deveria tratar os dejetos das suiniculturas.
Vítor Fernandes (PCP) desafiou a restante Assembleia a apoiar o documento recebido da Câmara de Óbidos, que manifesta a preocupação dos deputados municipais sobre os atrasos na construção do novo Hospital para o Oeste e apela à construção de uma Unidade de Cuidados Intensivos no CHO. A missiva, assinada por todos os grupos municipais da Assembleia de Óbidos, foi enviada à ministra da Saúde. Também o deputado socialista, Manuel Nunes destacou a importância daquele assunto e questionou para quando a reunião da Comissão Especial do CHO, obtendo como resposta que esta está agendada para 6 de abril. ■
O presidente da Junta de Freguesia das Gaeiras, Luís do Coito, a cumprir o segundo mandato à frente da autarquia, não se recandidata nas próximas eleições autárquicas.
Eleito pelo movimento de independentes “Gaeiras Primeiro”, que tem um acordo de trabalho com o PSD, o autarca justifica a decisão por considerar que este tipo de cargos deveriam ser “apenas de dois mandatos, para que possam surgir mais novas ideias em curtos espaços de tempo”. Todavia, e embora ainda esteja a preparar as listas, é certo que o movimento de independentes irá concorrer às eleições. “Vamos apostar numa equipa jovem, para responder a outras necessidades”, disse o responsável à Gazeta das Caldas.
Luís do Coito refere, que neste último mandato, o executivo tentou terminar obras que há “muitos anos estavam prometidas”, como foi o caso da requalificação do largo de S. Marcos, a ecopista a ligar a vila à extensão de saúde e, posteriormente, até ao complexo do Alvito.
“Vamos agora levar à Assembleia o seu alargamento da extensão de saúde até ao Convento de S. Miguel, porque é uma ecopista que é muito utilizada, inclusive por pessoas de fora da freguesia”. O presidente da junta destaca, ainda, o aumento de serviços disponibilizados à população, como o Espaço do Cidadão, alargamentos de ruas e a realização de asfaltamentos, alguns deles previstos decorrer até às eleições. Por outro lado, recorda que em nenhum dos seus mandatos fez promessas eleitorais.
Antes de assumir os destinos da Junta de Freguesia das Gaeiras, em 2013, Luís do Coito tinha sido tesoureiro da junta de freguesia (a única junta socialista durante o primeiro mandato de Telmo Faria na Câmara de Óbidos), e antes tinha integrado a Assembleia de Freguesia. É, também, presidente da IPSS “O Socorro” Gaeirense. ■
Estrutura no Landal necessita de um inspetor sanitário e autarquia resolveu problema que a Direção-Geral de Veterinária não conseguiu
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha está a assegurar a contratação de uma médica veterinária, em regime de avença, no matadouro Manuel Louro Miguel, no Landal.
Esta medida visa garantir o normal funcionamento daquela estrutura, tendo em conta que a Direção-Geral de Veterinária (DGV) exige que os matadouros tenham um inspetor sanitário a acompanhar e a inspecionar o seu funcionamento, sem o qual não pode laborar.
“E cabe ao Estado, através desse mesmo organismo, destacar um médico veterinário para esse acompanhamento das atividades”, refere o presidente da Câmara, Tinta Ferreira. No entanto, e tendo em conta que a DGAV manifestou algumas dificuldades em garantir esse acompanhamento, pois não tinha técnicos disponíveis e não reunia condições para contratar, foi protocolado com a autarquia a contratação de um médico veterinário para que o matadouro não tivesse de encerrar, explicou o autarca à Gazeta das Caldas.
Esta colaboração, que acontece pelo segundo ano, está contratualizada até ao final deste ano e traduz-se numa despesa anual para autarquia na ordem dos 19 mil euros.
Tinta Ferreira considera que o encerramento do matadouro teria consequências “muito negativas” ao nível do emprego e da economia local. Destaca que a criação e abate de codorniz no Landal é um setor de grande importância, não só porque representa cerca de metade das codornizes consumidas a nível nacional, mas porque é um dos ativos diferenciadores das Caldas da Rainha. O autarca destacou este apoio na última Assembleia Municipal, onde também referiu a necessidade de manutenção dos produtos que se afirmam como elemento diferenciador do concelho.
“Não é difícil perceber o porquê da justeza da categoria de capital da codorniz, pois o Landal concentra 60% da produção nacional”
Armando Monteiro,
presidente da Junta de Freguesia do Landal
Em cativeiro, as codornizes começaram a ser exploradas em 1976, no Landal, por iniciativa de Manuel Louro Miguel, regressado das ex-colónias, e que se radicou no lugar de Santa Susana. Começou com a criação e abate de codornizes, tendo lançado bases para esse negócio que viria a ser de grande importância para economia local, recorda o presidente da Junta de Freguesia do Landal, Armando Monteiro.
O desenvolvimento das redes de supermercados levou a que um maior número de pessoas o conhecimento desta carne, “de textura suave, branca e magra, e rica em proteína e aminoácidos essenciais” e que é cada vez mais presente na mesa dos portugueses.
Nas últimas décadas, a localidade, que faz fronteira com os concelhos do Cadaval e Rio Maior, tornou-se muito conhecida como capital da codorniz, marca devidamente registada. “E não é difícil perceber o porquê da justeza daquela categoria, dado que o Landal concentra 60% da produção anual de codornizes a nível nacional”, explica o autarca, acrescentado que a relevância económica da atividade é tão evidente que a freguesia realiza, normalmente em junho, o Festival da Codorniz.
A pandemia veio impossibilitar a realização do certame, mas estão previstas outras formas de divulgação e promoção deste produto local, como é o caso da criação da Confraria da Codorniz, cujo processo está a ser ultimado pela junta de freguesia em parceria com a ETEO. ■
Desde esta segunda-feira que a USF Rainha D. Leonor passou a funcionar nas novas instalações, em Santo Onofre. No entanto, a sua inauguração deverá ocorrer no 15 de maio e o presidente da Câmara gostaria de ter presente a ministra da Saúde, Marta Temido.
Neste primeiro dia o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, e o presidente da União de Freguesias DE Santo Onofre e Serra do Bouro, Jorge Varela, fizeram uma visita ao novo Centro de Saúde, na rua Etelvino dos Santos, acompanhados pela diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte, Ana Pisco, e pela coordenadora da USF Rainha D. Leonor, Paula Oliveira.
A obra, no valor de 1,7 milhões de euros foi concretizada com recurso a fundos comunitários e verba do município. A administração central garantiu o equipamento.
Jovens voltaram a manifestar-se por justiça climática a 19 de março. A Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha juntou-se à causa
A principal preocupação dos jovens que participaram na Greve Climática Estudantil das Caldas foi a eletrificação da Linha do Oeste, tendo colocado faixas na ponte pedonal que a atravessa, apelando à modernização da via.
“Vemos na mobilidade um dos eixos centrais para resolver a crise climática e reconhecemos a luta que tem sido feita na defesa da Linha do Oeste”, referiu Andreia Galvão, da greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha, dando nota das exigências para a sua requalificação e possibilidade de alternativa ao transporte rodoviário.
Apesar dos investimentos anunciados nos últimos tempos, a ativista considera “inaceitável” que a obra comece já com três anos de atraso e defende que “responder com urgência à crise climática é também responder com urgência a uma crise para as populações locais”. Andreia Galvão dá o exemplo pessoal: estuda em Lisboa e, para se deslocar regularmente às Caldas, tem de utilizar o autocarro pois a ferrovia não é alterativa. “Tentei utilizar o comboio, mas era incomportável, não tenho uma tarde inteira disponível para chegar a casa”, partilha a universitária.
Ainda a 19 de março, os ativistas lançaram um vídeo na página de Instagram sobre a Linha do Oeste e fizeram palestras online com alunos de três turmas da ETEO e Escola Secundária Raul Proença.
“A consciencialização dos jovens sobre este problema é uma das formas de responder à crise climática”, explicou Andreia Galvão, que participou numa das ações e ficou com a sensação de que os jovens estavam atentos e que já detinham algum conhecimento sobre o estado atual da crise climática. “Espero que tenhamos deixado alguma curiosidade junto dos jovens”, concretizou.
Os ativistas alertam que o relógio climático está a contar e que, caso não se inverta a trajetória de aumento de gases com efeito de estufa, “teremos menos de sete anos até que seja impossível ultrapassar o aquecimento em relação a níveis pré-industriais”. É por isso que defendem uma mudança para uma sociedade ecológica e socialmente justa.
A nível local, a Greve Climática Estudantil das Caldas da Rainha vai continuar a bater-se pela resposta ferroviária. “Vamos fincar pé até isso acontecer, continuar a reivindicar”, diz Andreia Galvão, acrescentando que pretendem colaborar com outras organizações e caldenses que se mobilizam por esta “luta”. Ao mesmo tempo, irão também participar em mobilizações internacionais e nas campanhas nacionais. ■
Promover a poesia ligada com o território, a identidade e a Vila Literária é o objetivo da Óbidos Poetry Sessions, a decorrer nos meses de março e abril. Os vídeos são partilhados na internet
Sábado, 10h00, Porta da Talhada. As contadeiras – Leonor Pintos e Marta Machado – narravam a história da Ilha Desconhecida, de José Saramago e o vídeo, de aproximadamente cinco minutos, deverá ser partilhado dentro de duas semanas em streaming, no canal Óbidos TV (YouTube) e Facebook da Óbidos Vila Literária. Trata-se de uma das atividades da Óbidos Poetry Sessions, uma iniciativa, que irá decorrer durante os meses de março e abril, num conceito distinto de outros eventos literários que atualmente são realizados em formato digital (online). Demarca-se dos eventos, assumindo um formato experimental e alternativo e, por outro lado, não apresenta um programa, com dias ou horas pré-definidos, nem webinars, entrevistas ou sessões longas.
“São vídeos de aproximadamente cinco minutos, que serão passados no final do dia e o que queremos é que seja um pouco como um intervalo neste confinamento, para fugir à realidade”, explica Paula Ganhão, responsável pelos serviços de cultura da Câmara de Óbidos, à Gazeta das Caldas.
Outro dos objetivos é o de colocar Óbidos na lista de desejos dos portugueses para quando for possível a mobilidade, com as atividades a serem gravadas em diversos cenários naturais da vila, mas também nas suas livrarias e museus. Por exemplo, a atividade “O Poeta dança pela Vila Literária”, é composta por três partes, em que um grupo de bailarinas dança pelas várias livrarias ao som da poesia de Armando Silva Carvalho, dito por Luís Duarte.
A iniciativa arrancou no Dia Mundial da Poesia, com um vídeo que celebra o poema de Armando da Silva Carvalho, “Um poema que foi curto”, declamado pelos poetas locais. No mesmo dia, a Livraria Artes e Letras apresentou um catálogo com uma seleção de mais de 200 livros de poesia e, por cada encomenda, oferece um marcador de livro alusivo ao dia, concebido e impresso, em tipografia manual, pelo ateliê. Houve ainda “Narrativas poéticas – das coisas nascem coisas”, integrado no Programa Crescer Melhor, que pretendeu também homenagear o poeta obidense.
O Óbidos Poetry Sessions contará, ainda, com sessões de poesia, como é o caso de “Viagem ao Centro dos Espelhos”, um recital online a várias vozes, entre elas, do ator André Gago, do poeta André Anjos, do declamador Pedro Freitas e de estudantes da Escola Josefa de Óbidos. Os alunos de Teatro da ESAD irão fazer um podcast com leitura de poesia e excertos dramáticos, haverá programas de rádio, cartas poéticas, caminhadas literárias, entre muitas outras iniciativas.
Os vídeos deverão ser colocados entre quarta-feira e domingo e, depois, poderão ser usufruídos sempre que assim o utilizador quiser.
Paula Ganhão destaca que esta iniciativa pretende promover a poesia, mas está ligada com o território e a identidade local, destacando a obra de Armando da Silva Carvalho, o poeta natural do Olho Marinho, cuja promoção está a ser feita a nível nacional e internacional.
“Pretendemos cada vez mais investir em atividades que valorizem as nossas pessoas, como já tem acontecido no Folio em anos anteriores, em que editávamos livros da nossa comunidade”, salienta a responsável, dando nota que o facto de Óbidos ser uma cidade criativa da Unesco também possibilita aos escritores obidenses participarem em programas internacionais, como acontece com o projeto CELA (Connecting Emerging Literary Artists), que integra a escritora Patrícia Patriarca, natural do Olho Marinho.
Esta é uma primeira iniciativa ligada à poesia e totalmente digital. No entanto, no próximo ano, quando já houver “alguma normalidade e for possível a deslocação”, a autarquia pretende “alterar um pouco o conceito e fazer atividades físicas ligadas à poesia”, explica Paula Ganhão, reconhecendo que a componente digital continuará a ser obrigatória, a partir de agora, em todos os eventos culturais de Óbidos. ■
As pequenas casas de madeira decoram a vila de Óbidos para atrair pássaros, mas também visitantes, assim que o desconfinamento permita
Os dias primaveris e o desabrochar da natureza convidam ao passeio. Em Óbidos, a proposta passa pela descoberta de mais de uma centena de ninhos, colocados estrategicamente por toda a vila, incentivando à sua descoberta e, ao mesmo tempo, a apreciar as diversas vistas possibilitadas por miradouros e recantos, alguns deles apenas conhecidos pelos habitantes locais.
A criação de um roteiro pela vila, que permite aliar a história à natureza, partiu dos Segredos d’ Óbidos, um conjunto de empresários que se juntou para oferecer aos visitantes experiências únicas.
“Pretendemos mostrar às pessoas que, em Óbidos, os empresários e empresas estão preparadas para os receber em segurança, tal e qual como vamos receber os passarinhos”, sintetiza o empresário Eurico Martins.
No passado sábado, os empresários meteram mãos à obra e, em conjunto, fixaram mais de uma centena de ninhos, correspondendo, cada um, a uma empresa do concelho e que, servirão, num futuro próximo, para a realização de um roteiro. No miradouro do Jogo da Bola, com vista privilegiada para a vila e, fora da muralha, para a várzea da Rainha, existem 12 ninhos, todos diferentes e decorados pela empresa correspondente.
Outro aglomerado de ninhos fica situado nas árvores floridas junto à Porta da Talhada. Depois, podem também ser vistas pequenas casas de madeira em plátanos, na parede da muralha, junto à Torre D. Fernando e também na Torre D. Dinis, que fazem a ligação às rainhas de Óbidos. Foram todos concebidos pelo artesão António José Rebelo, tendo por base madeira reciclada.
Um projeto verde
“É um projeto totalmente verde”, realça Eurico Martins, dando nota da sustentabilidade que lhe está subjacente. A iniciativa associou-se também ao Óbidos Poetry Sessions, em que cada empresário é convidado a juntar um poema ao seu ninho, tirando uma fotografia que será, depois, partilhada na internet.
O grande roteiro de Óbidos terá cerca de três quilómetros e pode ser feito em cerca de hora e meia. A ideia é, depois, complementá-lo, com diversas ofertas ao nível do artesanato, livros, gastronomia, vinhos, museus e galerias no centro histórico.
Por exemplo, a World Beliver está a preparar um roteiro, em parceria com outras empresas, propondo-se a fazer a ligação aos espaços onde têm ginja, artesanato, a hotéis e restaurantes.
Outra das propostas passa por uma subida (íngreme) à serra de cima para depois, no miradouro ali existente, apreciar uma ginja de honra com um momento do gaiteiro de Óbidos, tendo por cenário a vila de Óbidos e a natureza.
“Hoje as pessoas chegam e não vêem lojas, esplanadas e bares abertos, mas encontram as empresas pelo caminho e essas empresas correspondem a projetos, que podem ser consultados nas páginas das empresas ou no site dos Segredos de Óbidos”, explica.
A iniciativa está a superar as expetativas e, neste momento, já há mais empresários interessados em participar, o que permite ampliar o projeto e “levar as pessoas à descoberta daqueles ninhos mais toscos, que são verdadeiras obras de arte que os pássaros fazem nos rios, lagoa e por todo o concelho”, remata Eurico Martins.
No futuro a ideia passa por completar estes roteiros, contando com os percursos já identificados pelo município.
O empresário destaca, ainda, as sinergias que se têm criado, que lhes permite ter uma oferta mais diferenciada e ir de encontro às expetativas de quem visita Óbidos.
O projeto nasceu no ano passado e permitiu às empresas criar um “dinamismo e sinergias que não eram muito normais na nossa vila”, reconhece o empresário, que sente que agora estão mais unidos e que existe mais empreendedorismo. Destaca, igualmente, o apoio que têm tido, por parte da autarquia, “sobretudo na pessoa do presidente, que tem dado o suporte técnico necessário para agilização dos projetos”. ■
O Dia da Água foi assinalado em Óbidos com a apresentação de painéis informativos, junto aos rios Arnóia e Real, de sensibilização para a preservação dos rios e sua biodiversidade
“Sabia que nestes rios há um peixe único no mundo?” A pergunta, colocada em destaque nos painéis informativos, dá também a resposta. Trata-se do ruivaco, uma espécie endémica em Portugal, atualmente considerada “vulnerável”, que existe nos rios Real e Arnóia, mas cuja sobrevivência depende da preservação destes cursos de água doce.
Os painéis informativos relativos ao projeto “Peixes Nativos”, que marcam o início do programa “Preservação e Valorização dos Ecossistemas Aquáticos de Óbidos”, numa parceria com o ISPA e a Águas do Tejo Atlântico, foram apresentados na passada segunda-feira.
A cerimónia simbólica de apresentação do projeto decorreu na confluência dos rios Arnóia e Real, no Arelho, local onde também foram plantadas duas árvores.
Óbidos integra há um ano o projeto “Peixes Nativos”, lançado em Novembro de 2017, coordenado pelo ISPA, em parceria com a Águas do Tejo Atlântico, S.A. e que tem por objetivo monitorizar anualmente, na época de seca estival, espécies ameaçadas de peixes de água doce. Para além disso, integra ações de sensibilização ambiental dirigidas a crianças do primeiro ciclo. “Desenvolvemos atividades educativas e, depois, trazemos essas crianças ao rio para assistirem, como se fossem biólogos, a uma sessão de caraterização dessas populações de peixes”, resume Carla Sousa Santos, bióloga do Mare (Centro de Ciências do Mar e Ambiente).
Também parceira da iniciativa, Sara Duarte, da empresa Águas do Tejo Atlântico, salientou que, atualmente, são sete os concelhos no Oeste que já aderiram ao projeto, e realçou o entusiasmo que tem tido junto dos mais novos, que “não conheciam as espécies e começam a ganhar carinho por elas”. A responsável considera esta uma boa oportunidade para juntar os parceiros, na reabilitação das linhas de água.
Maria Jesus Fernandes, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), entidade que apoia o projeto desde o início, destacou que o passo seguinte será o da valorização destes ecossistemas, nomeadamente através da requalificação das margens do rio.
“Não é só fazermos a limpeza dos leitos, é necessária a sua requalificação”, defendeu a também bióloga, que tem estado em conversações com o presidente da Associação de Regantes, Filipe Daniel, para que possam ser feitas algumas plantações junto aos rios.
“Não trouxe espécies das galerias repícolas para plantarmos, porque não é a altura certa, mas já solicitei junto do meu instituto e faremos, depois, as plantações, até com maior acordo de alguns donos dos terrenos”, disse.
Novo projeto municipal
“Há muito trabalho em conjunto, nestas áreas, para ser feito”, reconheceu a vereadora Margarida Reis, referindo-se à valorização destes cursos de água. A autarquia pretendeu também aproveitar o dia para lançar o projeto municipal que tem o objetivo, como o próprio nome indica, de preservar e valorizar os ecossistemas aquáticos do concelho de Óbidos, tendo em vista a saúde e bem-estar dos munícipes.
Já está prevista a realização de um webinar e, a 30 de abril, de atividades educativas junto do rio Arnóia, com a turma aderente do Complexo Escolar do Alvito. ■
Documento pretende regular e criar condições para os investimentos das pequenas indústrias e atividades comerciais na zona da entrada norte da cidade
O executivo municipal das Caldas pretende avançar com o plano de pormenor para a entrada norte da cidade, que acompanha a Estrada de Tornada. Este instrumento de ordenamento do território incidirá sobre uma área de 142 hectares, atravessada pela EN-8, estabelecendo a ligação entre a cidade, o nó de acesso da A8 e Tornada.
De acordo com o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, o objetivo é regular e criar condições para que os investimentos possam ser regulados e que o investidor saiba o que pode fazer. “Sem um ordenamento e planeamento adequado não é possível fazer esse tipo de trabalho”, explica, especificando que o plano permitirá definir as áreas onde se pode construir e a dimensão da construção, de “modo a ter ali uma zona de pequena indústria e comércio de armazenagem e distribuição logística, que possa proporcionar riqueza ao concelho”.
A estratégia passa por convencer as entidades da administração central a aprovar os pareceres para aquela área, com os índices que “permitam bons investimentos e de qualidade”, explicou o autarca à Gazeta das Caldas.
O presidente da Câmara refere que existem algumas situações que precisam de ser regularizadas e que poderão ser criados novos espaços, bem como o alargamento de instalações já existentes. Deu, inclusivamente, o exemplo, da decisão camarária para revisão pontual do PDM, que permitiu à Shaeffler, localizada nessa zona, ampliar as suas instalações.
“Havia um pedido concreto e um investimento importante para resolver”, recorda Tinta Ferreira, convencido que esta iniciativa ajudará a ordenar todo aquele espaço e permitir mais investimento e riqueza ao concelho.
O processo ainda está a dar os primeiros passos, mas o autarca considera que era importante avançar antes da revisão do PDM (que está em curso), de modo a garantir a sua integração, juntamente com o Plano de Pormenor para o Anel do Oeste. “Se nada fosse feito, passava tudo a terreno agrícola, porque a lei que saiu em 2015-16 acabou com os espaços urbanizáveis”, refere Tinta Ferreira, destacando que desta forma pretendem garantir capacidade construtiva para futuro.
A proposta do início do procedimento aponta para um período de 24 meses para a elaboração do plano.
PS defende requalificação
Os vereadores do PS, Luís Miguel Patacho e Jaime Neto, vêem com bons olhos a realização deste plano, que lembram ter sido uma proposta por eles apresentada no início do atual mandato. Para os socialistas, “só peca por tardio o início do seu procedimento, mais de três anos depois”.
De acordo com os vereadores, este plano deverá ser um instrumento de gestão territorial informado e esclarecido, alinhado com as atuais políticas europeias de mobilidade e acessibilidade. Só dessa forma conseguirá “captar financiamento comunitário e servir de suporte para as melhores tomadas de decisão e investimento político na desejável requalificação ambiental e paisagística de toda esta vasta área de 142 hectares, com características urbanas de linearidade ao longo da estrada de Tornada”, consideram.
A requalificação ambiental e paisagística, assim como a criação de espaços públicos, é fundamental para a atração de novos agentes económicos, empresas e famílias, acrescentam.
Os vereadores do PS defendem que os objetivos ambientais de defesa da qualidade do ar e de diminuição do ruído, com a consequente acalmia do trânsito, deverão ser articulados com soluções de acessibilidade e mobilidade. Para o local, propõem a valorização dos modos suaves de mobilidade, nomeadamente a criação de uma pista ciclável, transformando a entrada Norte das Caldas numa “espécie de via verde direta entre o centro da cidade e o Paul de Tornada”. E rematam, destacando que as futuras sinergias de mobilidade entre o centro urbano das Caldas e o Paul de Tornada exigem também o reforço da qualificação das ligações transversais entre a estrada de Tornada e o chamado Anel do Oeste, Zona Industrial, Campo e Coto, criando um território urbano conetado e coerente.
“Este deverá ser um objetivo estratégico das políticas de planeamento e urbanismo nas Caldas da Rainha: ligar o que está atualmente desligado”, concluem. ■
fferreira@gazetadascaldas.pt
Intervenção de conservação e restauro, que começou no início do ano, custa meio milhão de euros e é suportada pela autarquia com o apoio de fundos comunitários
Construída nos finais do séc. XV, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo está associada à génese da cidade e é o único exemplar no concelho classificado como património nacional. Desde o início do ano que está a sofrer obras de intervenção, a cargo da Restauromed-Fiscalizações, Medições e Orçamentos de Construção Civil, Lda.
A empresa começou por montar os andaimes na capela mor, que constitui a primeira frente de trabalho, explicou Rita Pimenta, técnica de conservação e restauro da AOF, durante a visita do executivo camarário à obra, que decorreu na tarde da passada segunda-feira. De acordo com a responsável, a intervenção vai ser abrangente, no interior e exterior da igreja, abarcando o revestimento azulejar, as cantarias, o retábulo em talha dourada, bem como alvenarias e sistemas de drenagem e sistema elétrico.
As peças escultóricas foram retiradas e encontram-se no Museu do Hospital e das Caldas e os azulejos que estavam em risco de queda foram removidos, serão tratados em atelier e depois recolocados na parede. Durante a intervenção, os técnicos verificaram que existem vestígios de pintura mural, atrás dos azulejos.
“É anterior aos azulejos, que datam do século XVII, mas estamos agora a começar a intervenção nessa frente de trabalho”, explicou Rita Pimenta. Também a pia batismal, que apresenta patologias graves, será objeto de estudo, de forma a definir a intervenção a fazer.
Os trabalhos, que deverão estar concluídos em setembro, estão a ser acompanhados por técnicos especializados da autarquia.
Câmara substitui-se ao Estado
Orçada em perto de 500 mil euros, a intervenção está a ser custeada pela Câmara das Caldas, com comparticipação de fundos comunitários na ordem dos 370 mil euros.
Tinta Ferreira destaca a importância deste imóvel para a atratividade do território. Lembrou a ligação à fundação da cidade e foi ali que Gil Vicente apresentou o Auto de S. Martinho, escrito em 1504, à rainha D. Leonor e que, apesar de não ser responsabilidade do município (tendo em conta que se trata de um edifício classificado), propôs-se a pagar a comparticipação nacional. De acordo com o autarca, foi lançado o concurso e encomendado o projeto a empresas especializadas. Para além disso, foram feitos estudos, a pedido da Direção-Geral do Património Cultural, para verificar se havia algum impedimento no espaço envolvente junto às igrejas.
Para além da intervenção no edifício está a decorrer, paralelamente, o restauro do órgão, que fica situado no coro alto da igreja, que terá um custo de cerca de 70 mil euros. ■
O presidente da Câmara não se recandidata ao terceiro mandato e a Concelhia de Óbidos do PSD já aprovou o nome de Filipe Daniel como candidato. O nome do cabeça de lista foi aprovado em plenário da mesa da assembleia de militantes
A concluir o segundo mandato como presidente de Câmara e, depois de ter exercido outros dois mandatos como vereador de Telmo Faria, Humberto Marques confirma, em declarações à Gazeta, que não se recandidata à Câmara de Óbidos nas próximas autárquicas.
“Mais do que entrar é preciso saber sair e sempre fui um ‘crítico’ de uma certa profissionalização na política”, diz o autarca que considera os 16 anos na autarquia tempo suficiente e que é necessário “abrir espaço” para que outros possam prosseguir os destinos do concelho.
Humberto Marques pretende regressar à atividade profissional de engenheiro agrónomo e garante que continuará a ser um “cidadão ativo, preocupado e disponível”.
À Gazeta das Caldas não esconde que nos últimos tempos sofreu muitas pressões para se recandidatar, mas que está tomada a decisão de fazer um “período sabático” da política. Lembra a entrevista que deu à Gazeta das Caldas em novembro de 2018, na qual anunciou que não seria candidato e que só voltaria com a palavra atrás “se estivesse em causa a continuidade do projeto”.
Como verificou que o PSD em Óbidos está “muito vivo e tem um capital humano capaz de dar continuidade ao trabalho e de fazer um refrescamento do ponto de vista de novos projetos e agendas”, opta por sair. O autarca considera que há um conjunto de pessoas com capacidades de levar por diante o trabalho das últimas décadas.
Entretanto, a Comissão Política Concelhia de Óbidos do PSD escolheu como candidato o engenheiro agrónomo e presidente da associação de regantes, Filipe Daniel, nome que, para Humberto Marques, reúne todas as condições para o cargo. “É uma pessoa jovem, muito determinada e tem a capacidade de saber ouvir, que é dos melhores atributos que se pode ter quando se está na vida pública”, diz, dando nota da sua experiência no mundo empresarial, mas também das preocupações sociais.
A troika e a pandemia
O presidente da Câmara mostra-se “orgulhoso” dos 16 anos que dedicou à vida pública e garante que deu o “melhor” de si no cargo. Reconhece que não fez tudo o que queria ter feito, mas, no essencial, considera que muito foi realizado em tempos particularmente difíceis. Recorda a crise que o concelho (e o país) atravessou de 2010 a 2014, com a troika e sem o quadro comunitário de apoio a funcionar, tendo em conta que este só arrancou em velocidade cruzeiro em 2016. Mais recentemente, a gestão da pandemia também exigiu uma “entrega ímpar”, disse, lembrando que, por “muitos anos de experiência autárquica que se tenha”, ninguém tinha passado “por momentos de tão grande incerteza e, ao mesmo tempo, com tão elevado nível de exigência”.
A pouco mais de seis meses de terminar funções, o autarca revela que sai de bem com o concelho e mostra-se disponível para ajudar naquilo a que for chamado a ajudar. Quanto ao futuro, não destaca a hipótese de um dia voltar, lembrando que a política faz parte da sua vida há cerca de 30 anos, inicialmente como membro da Assembleia Municipal de Óbidos. ■
Está prevista para os próximos dias a adjudicação da intervenção na barragem do Arnóia, em Óbidos, que irá permitir que seja feito o primeiro enchimento.
Orçadas em cerca de 22 mil euros, as obras consistem na reparação do gerador de emergência, instalação de sirene para o sistema de aviso e alerta, instalação de sensores de posição para as comportas e para a válvula de jato ôco. Contemplam, ainda, a inspeção à ponte rolante e reparação do guincho elétrico, revisão e reparação do sistema de iluminação exterior e de alarmes e terão um prazo de dois meses para concretização. Depois de concluídos os trabalhos, o enchimento da albufeira será iniciado após autorização da Autoridade Nacional de Segurança de Barragens, a qual se sucederá a uma inspeção prévia realizada pela entidade.
Concluída em 2005, a barragem do Rio Arnóia foi construída para regar 1.300 hectares de terrenos incluídos no projeto de aproveitamento hidroagrícola das baixas de Óbidos.
A empreitada, orçada em 28 milhões de euros, compreende uma rede de rega que atravessa os concelhos de Óbidos (cerca de 60%) e Bombarral (cerca de 40%) e prevê beneficiar mais de 900 agricultores.
A conclusão do enchimento está “dependente do ritmo das afluências de água, mas espera-se que tal venha a suceder no decurso do próximo inverno, se houver condições médias de pluviosidade”, respondeu o ministério da Agricultura à Gazeta das Caldas.
Filipe Daniel, presidente da Associação de Regantes de Óbidos, vê com “alguma frustração” a data prevista para o fecho das comportas e que leva a que tenham de esperar mais um inverno para que possa ser feito o primeiro enchimento. Lembra que em já em 2019 tinham alertado a Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural para a necessidade de tratar desse procedimento e que, inclusivamente, a associação em conjunto com o município de Óbidos, disponibilizaram-se para avançar com a verba necessária para a intervenção a realizar.
Filipe Daniel recorda que em junho, quando começou a funcionar a rede de rega, esta destinava-se apenas para o bloco de Óbidos, tendo em conta que o da Amoreira ainda não estava testado. No entanto, atualmente já está pronto e os beneficiários estão disponíveis para fazer as ligações e ter acesso à água para regar as suas culturas. “Sem o aprovisionamento de água não podemos garantir que exista água suficiente para o bloco de Óbidos, quanto mais para o da Amoreira”, explica o responsável, destacando que era fundamental aproveitar a água deste inverno.
O valor atual de aprovisionamento de água na barragem é de 26,4 metros (ao nível do descarregador) e, com o primeiro enchimento, deveria subir mais dois metros, atingindo os 28,4 metros.Na capacidade máxima, a barragem pode chegar aos 32,5 metros (nível pleno de enchimento).
O presidente da Associação de Regantes destaca, também, a singularidade deste regadio, que não sendo grande, tem uma forte componente social. “Temos cerca de 900 beneficiários para cerca de 1300 hectares de terrenos incluídos na rede de rega”, explica, destacando que, em muitos dos casos, trata-se de uma agricultura de subsistência.
As culturas abrangidas são essencialmente frutícolas (70%) e hortícolas (30%).
Filipe Daniel alerta, ainda, para as “dezenas de milhar de euros” que estão a perder, tanto os beneficiários da rega como a própria associação, que não se financia através da venda da água.
O atraso no fecho da barragem foi já também questionado pelos deputados do PS e PSD eleitos pelo distrito de Leiria.
Um investimento de cerca de um milhão de euros para resolver o principal problema da rega, que irá beneficiar perto de 200 agricultores das freguesias de Alvorninha, Vidais e Salir de Matos. Inaugurada em 2005, nunca chegou a servir o seu propósito
Inicialmente prevista para o mês de fevereiro, a empreitada de implementação do Plano de Emergência Interno e reforço da cortina de impermeabilização será lançada dentro de dias, “ainda durante o mês de março”, avança o Ministério da Agricultura.
Trata-se de uma obra de “grande complexidade”, com um investimento de cerca de um milhão de euros, que visa resolver os constrangimentos de cota impostos pela Agência Portuguesa do Ambiente.
Em concreto, a intervenção engloba, entre outros, os trabalhos de instalação do POC (Posto de Observação e Comando), do sistema de aviso e alerta, de um contador volumétrico e do sistema de deteção de intrusão, execução de rede de distribuição em baixa tensão e iluminação do corpo da barragem, talude de jusante e câmara de válvulas e passadiço de acesso à tomada de água e motorização das válvulas murais da tomada de água e das válvulas de descarga de fundo da barragem e de derivação para a rede de rega. Será, ainda, reforçada a cortina de impermeabilização da fundação da barragem por injeções de cimento.
Os atrasos na conclusão da obra, e acesso à água, têm colocado em causa investimentos por parte dos agricultores
Esta é uma obra muito aguardada na freguesia de Alvorninha, tendo em conta que deverá levar água a uma área superior a 120 hectares de terrenos agrícolas e beneficiar 198 agricultores das freguesias de Alvorninha, Vidais e Salir de Matos, que se dedicam sobretudo à fruticultura e horticultura. Com um custo superior a 6 milhões de euros, o aproveitamento hidroagrícola é constituído pela barragem, com um volume possível de armazenamento de 711 mil metros cúbicos de água, uma área inundada de 11,8 hectares e um escoamento médio de 863 mil metros cúbicos de água pelas infraestruturas da rede de rega e restantes estruturas que servem de apoio à exploração e conservação da obra.
Inaugurada em 2005 pelo então primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, a infra-estrutura nunca serviu a sua finalidade, arrastando-se o problema há mais de uma década.
José Henriques, presidente da Junta de freguesia de Alvorninha e também produtor frutícola, destaca a importância da barragem e reconhece que esta perspetiva de solução agrada aos agricultores. No entanto, realça que há outros problemas por resolver, desde logo a rede de rega que, com o passar dos anos, foi envelhecendo e, ao não ser usada, também vai precisar de intervenção.
Para além disso, o facto de a barragem não estar a funcionar devidamente tem impedido a entrega à associação de regantes para que faça a gestão mais eficaz do uso da água. A rede de rega está montada e há torneiras ligadas, mas não há regras definidas para a utilização. “Nós, produtores, queremos receber a obra nas devidas condições para, depois, fazer uma gestão correta da água da barragem”, concretiza.
Valorização da zona envolvente
“Apesar de termos a noção de que tem de ser um passo de cada vez e que esta intervenção é a principal e bastante onerosa, ainda estamos longe de ver a situação totalmente resolvida”, diz José Henriques, reconhecendo que estes atrasos têm, de alguma forma, colocado em causa novos investimentos agrícolas na freguesia. Criaram-se expetativas em relação ao regadio e ficaram investimentos pendentes por causa da água da barragem. José Henriques foi um desses casos. “Arrisquei fazer sem ter garantias de ter a água da barragem”, conta à Gazeta das Caldas.
A barragem irá levar água a 120 hectares de terrenos agrícolas
O também presidente de junta rejeita comparações entre esta barragem e a da Sobrena (Cadaval), que nunca reteve água, e não percebe como a situação se tem arrastado tanto tempo quando havia cadernos de encargos e garantias que deviam ter sido ser cumpridas.
Tendo em conta a beleza natural da envolvente à barragem, o autarca quer ver potenciado aquele local em termos lúdicos e de lazer. Aguarda pela resolução do processo para que o espelho de água possa estabilizar e ali serem dinamizadas algumas atividades. “O município tem a intenção de nos ajudar a implementar, quem sabe, talvez uma praia fluvial ou alguma alternativa às zonas balneares do concelho, para ser mais um polo de atração”, avança.
Estão também a ser pensados percursos pedestres e alguns desportos náuticos mas, “sem esquecer que a sua principal finalidade é o aproveitamento hidroagrícola”, conclui. ■
Intervenção na Barragem do Arnóia permite o primeiro enchimento
Ministério da Agricultura prevê que obra esteja finalizada em junho. Associação de regantes lamenta atraso no processo
A água armazenada na barragem permite abastecer 1300 hectares de terrenos nos concelhos de Óbidos e Bombarral
Está prevista para os próximos dias a adjudicação da intervenção na barragem do Arnóia, em Óbidos, que irá permitir que seja feito o primeiro enchimento.
Orçadas em cerca de 22 mil euros, as obras consistem na reparação do gerador de emergência, instalação de sirene para o sistema de aviso e alerta, instalação de sensores de posição para as comportas e para a válvula de jato ôco. Contemplam, ainda, a inspeção à ponte rolante e reparação do guincho elétrico, revisão e reparação do sistema de iluminação exterior e de alarmes e terão um prazo de dois meses para concretização. Depois de concluídos os trabalhos, o enchimento da albufeira será iniciado após autorização da Autoridade Nacional de Segurança de Barragens, a qual se sucederá a uma inspeção prévia realizada pela entidade.
Concluída em 2005, a barragem do Rio Arnóia foi construída para regar 1.300 hectares de terrenos incluídos no projeto de aproveitamento hidroagrícola das baixas de Óbidos.
A empreitada, orçada em 28 milhões de euros, compreende uma rede de rega que atravessa os concelhos de Óbidos (cerca de 60%) e Bombarral (cerca de 40%) e prevê beneficiar mais de 900 agricultores.
A conclusão do enchimento está “dependente do ritmo das afluências de água, mas espera-se que tal venha a suceder no decurso do próximo inverno, se houver condições médias de pluviosidade”, respondeu o ministério da Agricultura à Gazeta das Caldas.
Filipe Daniel, presidente da Associação de Regantes de Óbidos, vê com “alguma frustração” a data prevista para o fecho das comportas e que leva a que tenham de esperar mais um inverno para que possa ser feito o primeiro enchimento. Lembra que em já em 2019 tinham alertado a Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural para a necessidade de tratar desse procedimento e que, inclusivamente, a associação em conjunto com o município de Óbidos, disponibilizaram-se para avançar com a verba necessária para a intervenção a realizar.
Filipe Daniel recorda que em junho, quando começou a funcionar a rede de rega, esta destinava-se apenas para o bloco de Óbidos, tendo em conta que o da Amoreira ainda não estava testado. No entanto, atualmente já está pronto e os beneficiários estão disponíveis para fazer as ligações e ter acesso à água para regar as suas culturas. “Sem o aprovisionamento de água não podemos garantir que exista água suficiente para o bloco de Óbidos, quanto mais para o da Amoreira”, explica o responsável, destacando que era fundamental aproveitar a água deste inverno.
O valor atual de aprovisionamento de água na barragem é de 26,4 metros (ao nível do descarregador) e, com o primeiro enchimento, deveria subir mais dois metros, atingindo os 28,4 metros. Na capacidade máxima, a barragem pode chegar aos 32,5 metros (nível pleno de enchimento).
O presidente da Associação de Regantes destaca, também, a singularidade deste regadio, que não sendo grande, tem uma forte componente social. “Temos cerca de 900 beneficiários para cerca de 1300 hectares de terrenos incluídos na rede de rega”, explica, destacando que, em muitos dos casos, trata-se de uma agricultura de subsistência.
As culturas abrangidas são essencialmente frutícolas (70%) e hortícolas (30%).
Filipe Daniel alerta, ainda, para as “dezenas de milhar de euros” que estão a perder, tanto os beneficiários da rega como a própria associação, que não se financia através da venda da água.
O atraso no fecho da barragem foi já também questionado pelos deputados do PS e PSD eleitos pelo distrito de Leiria. ■
No passado sábado, 13 de março, começaram as celebrações religiosas do Senhor dos Passos – “7 Passos de Cristo”, com um percurso das imagens, feito em carrinhas, desde a igreja da Misericórdia (Pederneira) até ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. No dia seguinte realizou-se a missa e Sermão do Pretório, seguido de um concerto-oração em honra do Senhor dos Passos, pelos Arautos do Evangelho.
Durante esta semana, e até sábado, pelas 21h00, serão realizadas sete pregações, pelo bispo auxiliar de Lisboa, Daniel Batalha, no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. No dia 26, Sexta-Feira Santa, pelas 19h00, terá início o percurso das carrinhas com as imagens, desde o Santuário até à Igreja da Misericórdia, passando pelas principais artérias da vila. Tendo em conta a pandemia, todas estas iniciativas podem ser acompanhadas online, pelo Facebook da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré e da Pederneira-Nazaré paróquia, assim como pela rádio Cister.
A origem da procissão do Senhor dos Passos remonta a 1619 e a um “contexto de crise cerealífera que provocou, nas gentes da Vila de Pederneira, um grande sofrimento, devido à fome e mortandade”. Até à atualidade apenas foi interrompida no contexto das invasões francesas, nos anos de 1808 a 1814, e em 1872, devido à epidemia da febre amarela, refere a paróquia.
No ano passado, com o primeiro confinamento a iniciar-se precisamente no fim de semana em que se iria realizar, a procissão também não se chegou a realizar. Contudo, as imagens do Senhor dos Passos e da Senhora da Soledade fizeram o percurso em carrinhas, na Sexta-Feira Santa, durante mais de quatro horas pelas ruas da vila. Muitas casas ao longo do percurso estavam ornamentadas com velas e colchas a saudar a visita. ■