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A-dos-Francos revitaliza futebol feminino com projeto da base para o topo

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Clube duplicou o número de atletas numa época, consolidou a formação e apresenta esta temporada equipas em todos os escalões

O A-dos-Francos está a reconstruir o seu projeto de futebol feminino, a partir da base. Um ano depois de ter alargado os escalões de formação, o clube duplicou o número de atletas e conta agora com cerca de 80 jogadoras, desde as sub-11 até às seniores. A aposta na formação, a retenção das atletas e a criação de condições para que possam continuar a jogar no clube são as prioridades assumidas por Sara Branco, coordenadora do futebol feminino do emblema de A-dos-Francos.

“Este ano queremos dar continuidade ao bom trabalho que foi feito no ano passado”, explica a responsável, que encontrou cerca de 40 atletas quando chegou ao clube e vê agora esse número duplicado. Mais significativo ainda, das sub-13 às sub-19, praticamente todas as jogadoras permaneceram no projeto. “Conseguimos reter as atletas todas e ainda receber novas. Isto é muito positivo e de saudar no nosso clube: se ficam, é porque estão satisfeitas e felizes, e é isso que pretendemos”, afirma.

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A época passada marcou uma mudança importante na formação. Aos escalões sub-15 e sub-19 juntaram-se as sub-13, com estas últimas a entrarem diretamente em competição. A equipa foi criada de raiz e rapidamente reuniu 14 jogadoras, muitas delas com experiência adquirida a jogar futebol com rapazes. O resultado ultrapassou as expectativas: depois de uma época de estreia positiva, as sub-13 conquistaram o torneio complementar interdistrital.

Agora, o objetivo passa por consolidar o trabalho e continuar a abrir espaço para as mais novas. O clube tem jogadoras desde os sete anos e pretende que possam crescer dentro da estrutura. A inexistência de um campeonato feminino de sub-11 obriga, contudo, a encontrar soluções alternativas. Algumas das atletas mais avançadas treinam já com as sub-13 e poderão ser chamadas aos jogos, enquanto as restantes terão um período de adaptação e participarão em torneios amigáveis.

“Queremos dar espaço a todas para que possam jogar futebol, dando-lhes as melhores condições”, sublinha Sara Branco. Essa filosofia estende-se aos restantes escalões. Nas sub-15, o clube tem várias jogadoras com presença nas seleções distritais, enquanto algumas acumulam jogos em dois escalões devido à inexistência de uma competição sub-17.

É precisamente nesta continuidade que a coordenadora vê uma das principais mudanças no futebol feminino. O A-dos-Francos chegou a competir na primeira divisão nacional tendo apenas a equipa sénior e, nessa altura, era possível ver atletas de 14 e 15 anos a jogar no escalão principal. Hoje, a realidade é diferente.

“O A-dos-Francos continua a lutar e a querer ter uma equipa sénior, até porque as jogadoras veem que é um clube onde podem ter continuidade e chegar a esse escalão. No entanto, cada vez mais é importante apostar na formação”, considera.

A equipa sénior vai disputar esta época a quarta divisão, depois da descida na temporada passada. Apesar das dificuldades em encontrar jogadoras na região, o clube conseguiu formar um plantel de 23 atletas, incluindo nove jogadoras que se deslocam de Lisboa.

O objetivo competitivo está definido: “Na equipa sénior, claro que é para ganhar”, afirma Sara Branco. A prioridade passa por ultrapassar a fase de apuramento de campeão e chegar o mais longe possível na Taça de Portugal. A estreia na competição está marcada para 4 de outubro, frente ao Sacavenense, fora de casa.

Também nas juniores há razões para olhar para a nova época com expectativa. O plantel tem 20 jogadoras, depois de, na época passada, o clube ter começado com apenas nove. Sara Branco assumiu então a equipa e conseguiu reunir 14 atletas, que completaram a temporada apesar de terem perdido todos os jogos.

“Uma equipa que perde os jogos todos e se mantém unida é mais forte do que uma equipa que ganha sempre”, afirma. Essa experiência acabou por reforçar a ligação das jogadoras ao clube e contribuiu para a continuidade do projeto. Este ano, o A-dos-Francos parte para a época com estes dois plantéis completos.

O crescimento, contudo, não elimina uma das dificuldades históricas do clube: as instalações. O Campo das Barreiras, em A-dos-Francos, não tem as dimensões exigidas para a competição nacional, obrigando as juniores e as seniores a jogar na sede do concelho. O Campo Luís Duarte, nas Caldas da Rainha, tem sido uma das soluções, mas entrou em obras para a substituição do relvado sintético. Até lá os jogos em casa deverão ser no Campo Municipal Vasco Oliveira (Quinta da Boneca).

“Este é um dos problemas com que nos deparamos”, reconhece Sara Branco. A impossibilidade de jogar regularmente em casa tem também consequências financeiras, já que limita a exploração do bar e a colocação de publicidade no recinto.

O clube abandonou um projeto que chegou a iniciar para a construção de um novo campo, acima do atual, mas Sara Branco refere que continuam em cima da mesa outras soluções, desde uma intervenção no atual recinto e a construção de uma nova infraestrutura noutro local. “Faz muita falta”, resume a coordenadora.

Apesar dos constrangimentos, o clube continua a ser uma referência na região e a manter a atratividade para as jovens atletas. O trabalho desenvolvido no A-dos-Francos foi reconhecido na Gala da Associação de Futebol de Leiria, com o terceiro lugar como clube de excelência na formação de futebol feminino. O clube é ainda uma das três entidades de futebol feminino do distrito certificadas com três estrelas. Para tal, a estrutura de apoio foi reforçada com uma Unidade de Saúde e Performance, que integra, além das áreas médicas e de fisioterapia, psicologia, nutrição e fisiologia. Foi também criado um treino específico semanal para guarda-redes.

O reconhecimento surge num momento em que o A-dos-Francos procura recuperar o espaço que já ocupou no futebol feminino nacional. Sem esconder a ambição competitiva das seniores, Sara Branco insiste, contudo, que o futuro passa sobretudo por garantir que as jogadoras sintam orgulho na camisola que envergam. “Acima de tudo, queremos que sejam felizes, que estejam ali por gosto e porque amam jogar futebol”, destaca.

A competição oficial para a equipa principal do A-dos-Francos, na 4.ª Divisão nacional, começa este sábado, no terreno do São Pedro.

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