Alunos do 9º ano realizaram uma visita de estudo de cinco dias à capital do Reino Unido, enquanto um grupo de 17 alunos dos 10º e 11º anos efectuaram um intercâmbio com uma escola belga. Jovens caldenses tomaram contacto com uma realidade distinta
Um grupo de alunos de uma turma de 9º ano da Escola Secundária de Raul Proença, de Caldas da Rainha, efectuou uma visita de estudo, entre os dias 20 a 24 de Fevereiro, a Londres.
Acompanhadas por duas professoras, os jovens apreciaram as atracções da capital do Reino Unido e ficaram a conhecer uma das mais antigas capitais do Velho Continente. “Estes dias foram dedicados à descoberta e exploração do património britânico cujos objectivos foram conviver, partilhar a rotina diária com os ingleses, comunicar em Inglês e ao mesmo tempo proporcionar aos alunos aprendizagens em novos contextos”, explica a escola, em comunicado.
Entre outras actividades, os alunos da Secundária de Raul Proença visitaram os estúdios do Harry Potter, o Museu de História Natural de Londres, as masmorras “London Dungeon”, os mercados de Camden Town e de Covent Garden, assistiram ao render da guarda, efectuaram um passeio de barco no rio Tamisa e pelo parque de S. James. Para além das compras, também teve lugar um jantar no Hard Rock Café e os alunos também assistiram ao conhecido musical “Thriller” em Piccadilly Circus.
Para as professoras Anabela Botas e Ana Serrenho, esta visita de estudo constituiu “um acto de cidadania europeia”.
Na semana anterior, um grupo de 17 alunos de cinco turmas dos 10º e 11º anos de escolaridade da mesma escola, acompanhados por dois professores, partiram para uma aventura: um intercâmbio com alunos da escola Secundair Onderwijs Groenhove, da cidade de Waregem, na região da Flandres, na Bélgica.
Conheceram a escola e o sistema de ensino, assistiram a aulas e tiveram sessões de apresentação de projectos dos alunos belgas, além depasseios culturais nas cidades de Gent (com visita ao castelo de Gravensteen e passeio de barco pelos canais), Brugge e Bruxelas (com destaque para o Parlamentarium).
O intercâmbio incluiu um workshop de culinária, em que cozinharam uma refeição belga para 36 pessoas, com sopa de legumes, puré de batata com almôndegas em molho de tomate e bolo de maçã.
A visita ao Hippo-War Museum de Waregem foi outro dos pontos altos da iniciativa, dado que a cidade tem uma forte tradição ligada à equitação e possui um dos maiores hipódromos da Europa.
Além do programa oficial em Waregem, os alunos valorizam a vivência nas famílias de acolhimento. “Fomos surpreendidos com hábitos e perspetivas de vida diferentes. Desde a alimentação (os pequenos-almoços foram uma descoberta!), a formas de deslocação (alguns de nós fizeram percursos de mais de 10km de bicicleta para a escola!), à maneira de estar em família”, notam os alunos.
A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, esteve na Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio, a assistir à cerimónia de abertura do ano lectivo 2018/2019, no passado dia 14 de Setembro.
Aquela escola, que é sede do agrupamento, foi alvo de obras de beneficiação que permitiram, por exemplo, a instalação do ensino secundário público, o que aconteceu pela primeira vez na história do ensino público do concelho, tendo em conta que até agora era garantido pelo Externato D. Fuas Roupinho. “Queremos que a Nazaré conste no mapa também por apresentar uma escola de excelência”, referiu João Magueta, da direção do Agrupamento de Escolas da Nazaré, citado em nota de imprensa da autarquia.
Na abertura do ano lectivo, o professor falou do “trabalho de equipa” que uniu esforços da Câmara, agrupamento e Ministério da Educação para a realização das obras de beneficiação da escola e anunciou que o controlo de entradas na escola passará em breve a ser feito eletronicamente.
O presidente da Câmara, Walter Chicharro, agradeceu à governante a sua presença, assim como a “proximidade, sensibilidade e abertura às necessidades do concelho em matéria de ensino”.
A secretária de Estado, Alexandra Leitão, referiu que o novo ano lectivo é marcado pela chegada da flexibilidade a uma escola mais inclusiva e em que a Educação Física volta a contar para a média. A governante garantiu ainda que a parceria com a autarquia local e o agrupamento de escolas “irá continuar a dar frutos”, prometendo uma nova visita à Nazaré “talvez no final do ano lectivo”, refere a mesma nota de imprensa.
“Já é possível imprimir casas e peças de automóveis e, em breve, órgãos humanos”, diz João Mateus, professor que ensina a tecnologia 3D há dez anos na ESAD.
As indústrias dentária, médica e aeronáutica são das mais avançadas nesta área.
No laboratório de fabricação aditiva há peças feitas por alunos que foram premiadas em concursos
“Quando começámos nesta área, a tecnologia chamava-se prototipagem rápida pois foi criada para produzir os protótipos que era necessário visualizar”. Quem o diz é o professor João Mateus (ver caixa) acrescentando que, com a evolução dos materiais, se passou da prototipagem para a fabricação aditiva, dado que agora as impressoras já conseguem produzir os objectos finais. “A impressão funciona por camadas”, disse o professor que ensina estas técnicas há uma década na escola de artes.
A fabricação aditiva é o processo de criar objectos a partir de modelos digitais criados em três dimensões. As tecnologias de fabricação aditiva compreendem a fusão a laser, fundição a vácuo e moldagem por injecção. A fusão a laser é um processo de fabricação aditiva digital que utiliza energia laser concentrada para fundir pós metálicos em objectos 3D. Trata-se de uma tecnologia de fabricação emergente, com presença na indústria médica (ortopedia), aeroespacial, assim como nos sectores de engenharia de alta tecnologia e electrónica.
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João Mateus é engenheiro eletrotécnico e veio do Cencal para a ESAD, introduzindo em cursos de design as tecnologias CAD (desenho e fabricação por computador).
“Para que tudo funcione é necessário software 3D, é necessário que haja o modelo digital”, disse o docente, explicando que actualmente já se pode descarregar peças e imprimir em casa desde que se tenha uma impressora 3D.
“No futuro vão existir bases de dados de peças que precisamos nos nossos lares e que vamos imprimir a partir da internet”, disse. Hoje já se faz isso com pequenos objectos para a cozinha ou para consertar prateleiras. “Já se encontram algumas peças de automóveis que não têm direitos de autor e que podemos descarregar para imprimir”, disse João Mateus.
A primeira impressora que veio para a ESAD em 2008 trabalha com pó cerâmico que é endurecido com água, camada a camada. Numa das máquinas mais recentes que permite o uso de materiais em plástico, produziram-se peças para colocar os cortinados que existem nas muitas salas da ESAD.
Produzir design inclusivo
As potencialidades desta tecnologia são imensas pois vai permitir que não seja necessário transportar peças do outro lado do mundo dado que é só imprimir, bastando para tal ter o software adequado. “Vai também permitir reduzir a pegada de carbono do produto e melhorar a sustentabilidade”, disse o professor, que não imaginava que em 10 anos fosse possível “imprimir quase tudo”, incluindo a produção de órgãos humanos usando biotecidos (biomateriais que não rejeitados pelo organismo).
“Na Holanda já se está a construir toda uma urbanização em impressão 3D. É possível fazer toda a casa com peças impressas”, disse o docente. Uma área também em desenvolvimento é a do design inclusivo dado que é possível mandar imprimir peças como cabos que podem ser calibrados para quem não consegue, por exemplo, segurar os talheres por causa de doenças como o Parkinson. “A peça foi desenvolvida por um aluno para o seu avô”, disse o professor, comentando que já desenvolveram outros projectos de criação de imagens tácteis para os cegos.
“Na ESAD damos aos alunos modelação 3D que é a base de trabalho desta técnica”, prosseguiu o docente, explicando que este é uma disciplinas dos cursos de Design de Cerâmica e Vidro e de Design Industrial. Os alunos fazem vários exercícios com o objectivo de melhorar os objectos, diminuindo-lhes, por exemplo, o peso. “Há uma grande preocupação com a sustentabilidade”, referiu o docente, acrescentando que esta nova tecnologia também se preocupa com as questões dos impactos ambientais.
A investigação que permite imprimir em novos materiais vai continuar a evoluir e é na área da medicina que há cada vez maiores avanços. “Um dia vai ser possível criar orgãos como um fígado a partir de células do próprio indivíduo”, disse o docente. Há também bicicletas de competição, cujos componentes foram impressos em 3D e até um automóvel cujas peças foram todas impressas na China. Na medicina dentária há avanços diários. E até marcas como a Nike ou a Adidas já fazem sapatilhas à medida de cada utilizador, usando a fabricação aditiva sob a medida de cada utilizador.
Da tecnologia cerâmica à impressão 3D
As fotografias tácteis da ESAD permitem aos cegos “sentir” como é a arquitectura do edifício
Em 1987 o engenheiro electrónico João Mateus foi convidado a colaborar com o Cencal na área da Informática e Projecto Assistido por Computador. Em 1988 desenvolveu um projeto de aplicação de novas tecnologias no sector cerâmico, o CAD/CAM e foi gestor de projectos desta área, tendo criado um núcleo para prestação de serviços a empresas de cerâmica e a designers.
Em 1990, foi convidado a leccionar Produção Assistida por Computador na ESAD e em 2005 integrou o grupo do IPL responsável pela candidatura à OTIC (Oficinas de Transferência de Tecnologia e Conhecimento) que foi aceite. Em 2006 foi adquirida a primeira impressora 3D que deu origem ao actual Laboratório de Prototipagem Digital da ESAD, que o próprio tem coordenado. João Mateus tem um doutoramento em Técnicas e Métodos de Design Industrial e Gráfico da Universidade Politécnica de Valência, que concluiu em 2016.
Atualmente é subdirector da escola e professor adjunto. Coordena o TeSP de Prototipagem Digital e Desenho 3D.
A Câmara de Óbidos criou a Divisão de Educação, uma estrutura que pretende responder a um trabalho de continuidade na construção do projecto educativo das Escolas D`Óbidos. Nesse sentido, todas as quintas-feiras, há atendimento aos pais e encarregados de educação, no Complexo dos Arcos, entre as 9h00 e as 19h00, mediante marcação prévia.
Os interessados poderão entrar em contacto com Ana Sofia Godinho, chefe de Divisão de Educação, através do 262955480, 937755597, ou ana.godinho@cm-obidos.pt.
A Brigada da Cantina está de volta à Escola Josefa d’Óbidos, agora aumentada e com mais tarefas a desempenhar. O projecto, que arrancou no ano passado com perto de 20 alunos do 3º ciclo e ensino secundário, volta neste ano lectivo com a missão de combater o desperdício alimentar, verificar como são feitas as refeições e até ajudar na criação das ementas.
Este foi um dos projectos criados para sensibilizar para uma maior utilização dos refeitórios escolares e também para incutir hábitos de alimentação saudável junto dos alunos.
Os alunos a confeccionar ementas de alimentação saudável
Durante a manhã a brigada ia ao refeitório e tomava contacto com o que acontecia aos alimentos até à sua confecção. Depois, observavam o desperdício alimentar, questionavam os colegas porque não comiam a sopa ou terminado prato e viam quais as alternativas escolhidas no bar para o almoço. Também se aperceberam que as refeições eram preparadas na escola e não vinham pré-confeccionadas do exterior pela empresa que presta o serviço.
A sensibilização que estes jovens ganharam, e que passaram aos colegas, permitiu que mais 30 alunos passassem a utilizar regularmente o refeitório da Josefa d’Óbidos durante o decorrer do ano lectivo passado, num total de 250 alunos.
“Constatámos que havia alunos que tinham subsídio e, com isso, direito à senha de almoço, mas que não usufruíam dela”, conta Margarida Reis, vereadora da Câmara de Óbidos, que tem um projecto ligado à nutrição com as escolas do concelho.
A responsável contou que, em vez de irem à cantina, os alunos procuravam produtos mais aliciantes nos supermercados e cafés das proximidades da escola.
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Tendo em conta o sucesso do projecto no ano lectivo passado, a Brigada da Cantina vai voltar à escola este ano revista e aumentada. Ou seja, para além do trabalho de verificação e sensibilização, os jovens também irão, juntamente com a equipa de nutrição, fazer as ementas. “Já no ano passado foram convidados a dar o seu parecer sobre o que estava a funcionar bem e o que se devia melhorar”, disse a vereadora, acrescentando que tendo em conta as suas opiniões investiram mais junto da empresa que presta o serviço de refeições, a Gertal – Companhia Geral de Restaurantes e Alimentação, SA.
De acordo com Margarida Reis, foi feito um investimento, por parte do município, na comparticipação das refeições escolares, tanto ao nível da matéria prima como da categoria dos cozinheiros, que passou a ser superior. A Câmara tem um valor contratual com a empresa de 1,64 euros + IVA por aluno, que se traduz num aumento de 50 cêntimos em relação ao ano passado.
“Tivemos a preocupação, neste caderno de encargos, em não ter um exagero ao nível da variedade, mas ter alimentos que fossem bem confeccionados e aceites pelos alunos”, disse Margarida Reis, especificando que apostaram em produtos mais conhecidos pelos jovens, que têm mais aceitação e são mais saudáveis.
O plástico praticamente não entra no refeitório, a não ser nos tabuleiros. Todos os outros objectos são de vidro ou metal, no intuito de minimizar o uso deste produto poluente.
Este ano regista-se também uma maior exigência ao nível do bar, por produtos mais saudáveis, como é o caso do tipo de pão e dos ingredientes para fazer as sandes, e numa maior aposta em sumos naturais. Na Josefa haverá ofertas diferentes em três menus saudáveis, com salada de fruta, gelatinas, fruta e sumos naturais.
É também tido em conta o tipo de bolo do dia, que é confeccionado na cantina a vendido à fatia, podendo ser de cenoura, espinafres, ou de legumes. “Para não abdicarmos da totalidade dos bolos, tentámos apostar nos que oferecem menos calorias”, explicou a responsável.
Medidas preventivas do excesso de peso
A valorização das refeições na cantina foi também feita pelos próprios pais dos alunos, depois de terem sido convidados a almoçar na escola. “A mensagem que chegava a casa era de que a comida não prestava mas, curiosamente, os pais acharam que a comida satisfazia e não houve nenhuns a apontar problemas”, disse a autarca. Também ainda no ano lectivo passado foi realizado um encontro de dois dias, que juntou alunos, pais e entidades públicas, onde discutiram a problemática dos refeitórios e foi partilhado o testemunho da Brigada da Cantina.
Estas medidas, também pretendem ser preventivas do excesso de peso. O ano passado começou ser feito um acompanhamento personalizado no combate à obesidade, trabalhando com o próprio aluno, ao nível da nutrição, psicologia e actividade física, mas também incutindo hábitos de vida saudável na própria família.
“Acompanhámos quatro alunos e os resultados foram visíveis”, disse a vereadora, pelo que agora querem aumentar o número de alunos a acompanhar, num trabalho conjunto com o agrupamento e centro de saúde.
Durante o ano escolar está também previsto que as turmas visitem os refeitórios dos complexos escolares para verem como é feita a confecção dos alimentos e a preocupação que há em termos de higiene.
Outra das preocupações deste ano é com os lanches escolares, no sentido de alertar as famílias para o que é aconselhável colocar na lancheira.
O novo ano lectivo leva os pais a procurar actividades de complemento para a educação dos seus filhos. Aprender línguas é uma das opções e nas Caldas a oferta é ampla. As escolas de línguas permitem essa aprendizagem desde idades do pré-escolar até à idade adulta e direccionadas a vários níveis de aprendizagem.
A escola de línguas mais antiga nas Caldas é a Alliance Française, já com mais de meio século de experiência nesta área. Como o nome indica, esta escola ensina o francês. As inscrições estão abertas para crianças (a partir dos seis anos de idade), jovens e adultos, de todos os níveis de aprendizagem. O curso tem início na primeira semana de Outubro.
Nesse mesmo mês inicia-se um curso de português para estrangeiros e também já está garantido o início de uma outra classe em Novembro.
A Alliance das Caldas também faz cursos direccionados a profissionais e é centro de exame do Ministério da Educação Nacional Francês. As inscrições podem ser feitas directamente na Rua Miguel Bombarda, nº 11, 1º, ou através dos contactos 910092840 ou info.caldas@alliancefr.pt
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A escola de línguas The English Centre também já abriu as inscrições para o novo ano lectivo, tanto nas Caldas, como na Benedita, para cursos de ingês e espanhol. No inglês existem cursos para crianças a partir dos seis anos, jovens e adultos, consoante o nível de conhecimentos. A escola faz ainda preparação para os exames Cambridge, aulas individuais e para grupos com necessidades específicas. Os cursos de espanhol são direccionados a adolescentes e adultos.
Esta escola lecciona igualmente português para estrangeiros. Mais informações pelo tel. 262842924 ou através do site www.the-english-centre.com.
Ainda no inglês, o Wall Street English Caldas da Rainha disponibiliza aos cursos personalizados de inglês para todos os níveis, incluindo certificação. A qualquer altura do ano os interessados, com mais de 16 anos poderão integrar a escola de línguas. Informações pelo telefone 262889310.
O Lancaster College das Caldas da Rainha é o que tem maior variedade de líbguas estrangeiras pra aprendizagem. Além do inglês, francês e espanhol, esta escola lecciona cursos de alemão, italiano, russo e mandarim. A idade mínima para frequentar os cursos é de três anos e os interessados podem fazer uma pré-inscrição no facebook da escola, ou inscrever-se directamente na sede, ou pelos contactos 262408739, 917056270 ou caldas.rainha@lancastercollege.pt.
Cem por cento de positivas nos exames de inglês
Em 2018 os alunos do The English Centre obtiveram uma taxa de aprovação de 100% nos exames do Cambridge English Language Assessment, um resultado que confirma um ano bem sucedido para a escola de inglês, sediada nas Caldas.
Com uma média de 97% de aprovação nos últimos 10 anos, a escola de línguas “comprova a qualidade do seu ensino e a excelência na forma como são preparados os alunos para os exigentes exames Cambridge”, informa nota de imprensa daquela entidade. O The English Centre é um centro oficial de preparação de exames reconhecido pelo Cambridge English Language Assessment. A certificação do Cambridge é reconhecida em todo o mundo e comprova o bom conhecimento da língua inglesa. Saber esta língua de forma fluente é cada vez mais importante para uma carreira de sucesso, em Portugal e no estrangeiro.
Há nas Caldas novos espaços dedicados ao apoio ao estudo ou ateliers onde crianças, jovens e adultos podem aprender a especializar-se numa vertente artística. Gazeta das Caldas foi conhecer alguns projectos que mudaram de lugar ou de conceito e dá a conhecer aos pais e encarregados de educação quanto podem custar explicações, aulas de apoio ao estudo ou de aprendizagem artística.
Rita e Bruno Prates coordenam o espaço “Desenhos do Bruno”
Minela Reis lidera o projecto Tela – Espaço de Criação Artística
A caldense Mariana Coelho é a coordenadora da Brain Academy
Jorge Pina, Célia Pina e Isabel Miguel são os coordenadores da Academia do Aprender
Abriu portas na Rua da Praça de Touros, por cima da Pizzaria Novo Mundo, a Brain Academy que se assume como especializada na aprendizagem e desenvolvimento.
A diretora, Mariana Coelho, é caldense e formou-se em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento. Nos últimos anos, a psicóloga de 31 anos, foi professora universitária em Angola, coordenadora pedagógica da licenciatura em Psicologia e Didáctica.
Mariana Coelho diz que chegou o momento de abrir o seu espaço, apostando “num conceito de educação e desenvolvimento diferenciador”. A Brain Academy oferece apoio ao estudo (individualizado ou em pequenos grupos). A cada aluno que entra é feito um plano individual de estudo. “Usamos a Metodologia MSC (Metodologia Social e Cognitiva) pois além das competências de estudo, os nossos alunos também desenvolvem as suas componentes sociais e emocionais”, disse Mariana Coelho, acrescentando que para alguns estudantes é necessário “aprender a aprender”.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
Esta academia funciona em horário alargado, das 8h00 às 21h00 e destina-se a alunos do 1º ciclo ao secundário. “Os pais podem escolher um pack mensal à medida das necessidades dos seus filhos, que podem vir uma a cinco vezes por semana”, disse a psicóloga, acrescentando que os responsáveis da academia reúnem periodicamente com os encarregados de educação e quando é necessário, recomendam explicações aos alunos que precisam de ajuda específica em determinada disciplina.
Paralelamente, a academia tem também o serviço de Psicologia. São feitas avaliações psicológicas e psicopedagógicas, assim como elaboração de relatórios a pedido de diferentes entidades desde escolas, pediatras ou tribunais. Também realizam consultas de intervenção a crianças e jovens com problemas de comportamento, atenção e hiperactividade, dislexia e sobredotação. Há também o serviço de aconselhamento parental e de orientação escolar e profissional.
Sob responsabilidade da caldense Mónica Gaspari, especialista na área de recursos humanos e formação, está a ser criada a Brain Training & Development que se vai dedicar à formação, para empresas e instituições que queiram investir no seu capital humano.
Na Brain Academy as aulas de apoio ao estudo podem custar entre os 36 euros (1h30 por semana) até 135 euros por mês, para um aluno que vá para a academia todos os dias da semana.
A importância de brincar
A Academia de Aprender – situada na Rua Raul Proença 58, 1º andar – iniciou a actividade no ano passado, mas era mais direcionada para o desenho. “Este ano fizemos um up-grade das actividades, acrescentando sala de estudo, apoio individual e explicações”, disse Jorge Pina que, com a mulher, Célia Pina, são os responsáveis pelo espaço. Pretendem ajudar os alunos desde o 1º ciclo até ao 3º ciclo, permitindo-lhes sucesso no percurso escolar. Oferecem actividades lúdicas, como jogos de tabuleiro, jogos electrónicos e actividades ao ar livre.
“É preciso também ter tempo para brincar”, alertou Isabel Miguel, professora de 1º e 2º ciclo que agora trabalha a tempo inteiro na Academia do Aprender. A docente deixou o ensino público onde acha que há cada vez mais conteúdos para leccionar e cada vez menos tempo para o fazer. Defende que a brincar também se aprende muito e “se desenvolvem competências e aptidões”.
Na Academia do Aprender trabalha-se para o sucesso escolar dos estudantes, assim como “pela sua felicidade e autoestima”, referiu a docente.
No apoio ao estudo trabalham com grupos pequenos, cinco a seis elementos no máximo para que consigam alcançar bons resultados escolares.
Jorge Pina é professor de Informática no secundário. “Vejo que no espaço escola há cada vez menos autonomia e liberdade”, disse. Na sua opinião, os alunos “saem saturados das aulas” e precisam destes tipos de espaços que os apoiam “a nível educativo, mas onde é também um espaço onde gostam de estar”.
Nesta academia funcionam aulas de desenho com Sofia Coto.
Na Academia de Aprender as mensalidades podem variar entre os 28 euros (uma hora e meia por semana) até aos 140 euros (vindo todos os dias da semana) e o espaço oferece packs que englobam apoio a estudo e actividades lúdicas, onde providenciam também o lanche aos alunos. As explicações têm preços que variam entre os 10 e os 15 euros, dependendo da disciplina.
Neste espaço, além de oferecer actividades para as Férias de Natal, Páscoa e durante o Verão, também se prestam serviços de informática, sobretudo a nível institucional.
Aprender a fazer cartoon
Abriu no dia 1 de Setembro, o espaço Desenhos do Bruno, da responsabilidade do cartoonista Bruno Prates. Antes, o autor esteve na Academia Desenhos do Bruno, espaço que agora é a Academia do Aprender.
Neste novo espaço funcionam aulas de Desenho, de Cartoon, de Banda Desenhada, de Ilustração e de Caricatura. A idade mínima dos alunos é seis anos, mas também são aceites jovens e adultos. O aluno mais velho do atelier tem 34 anos.
Além das aulas, é neste local que o cartoonista, Bruno Prates, colaborador da Gazeta das Caldas, desenvolve o seu trabalho de autor. As paredes do novo espaço estão cheias de propostas e funcionam como montra do tipo de trabalhos que se podem realizar.
“O desenho é a base de tudo”, disse Bruno Prates, explicando que pretende leccionar a quem nunca desenhou como a quem pretende melhorar o seu traço.
Segundo este professor, no local poderão decorrer oficinas de outras expressões, além das actividades para os pais.
“Neste atelier aprende-se desenho tal como se aprende dança ou música”, disse o cartoonista, que quer auxiliar alunos interessados em seguir percursos artísticos. “Quando era miúdo e queria desenhar senti dificuldade por não ter um espaço deste tipo nas Caldas”, disse o autor.
O espaço voltado para o exterior é envidraçado e permite aos transeuntes ver como funciona por dentro um atelier dedicado ao desenho. O atelier dispõe de um espaço de biblioteca para os seus alunos sobre cartoon, BD e sobre as Caldas.
Também há uma galeria que agora tem uma exposição dos alunos e que, em Outubro, vai acolher “uma exposição de desenhos meus sobre o festival de Jazz do ano passado”, disse o cartoonista, acrescentando que está aberto a outras propostas artísticas.
Outras das facetas do atelier é auxiliar os alunos que querem participar em concursos relacionados com desenho e expressão plástica. Uma das alunas do atelier, Sofia Carlos, de 11 anos, venceu recentemente uma menção honrosa no concurso da Visão Júnior que implicava fazer um comando para a Nintendo com materiais recicláveis. A caldense obteve uma menção honrosa com a sua proposta inspirada em animais e ganhou uma assinatura durante três meses da Visão Júnior.
Frequentar as aulas nos Desenhos do Bruno (que fica na Rua 15 de Maio 1B r/c) custa 35 euros por mês, uma vez por semana (aulas de hora e meia). Dois dias por semana (três horas) custa 45 euros. As aulas decorrem entre as 17h00 e as 19h00 ou aos sábados entre as 10h00 e as 13h00.
“Aprendem-se todas as técnicas de pintura”
“Aqui ensinam-se todas as técnicas de pintura”, diz Minela Reis, a pintora e coordenadora da Tela – Espaço de Criação Artística que se mudou recentemente para a Rua General Amílcar Mota nº 16 r/c, em frente ao restaurante indiano. “Tive necessidade de mais espaço”, disse a artista que antes tinha estado na Rua 15 de Maio, próximo da Praça de Touros.
Além da pintora ensinar a trabalhar a carvão, grafite, aguarela, óleo e técnicas mistas, há mais dois formadores que leccionam naquele espaço: o aguarelista António Bártolo e a professora Cláudia Santos. Esta última ensina pintura e fotografia, sobretudo a crianças.
“Temos muitos alunos estrangeiros e alguns que vêm da ESAD”, disse Minela Reis que trabalhou durante vários anos, de forma colaborativa, em Óbidos.
O espaço Tela tem espaço para vários cavaletes onde decorrem as aulas de pintura, mas também tem área de galeria e espaço para a realização de actividades culturais com palestras, lançamentos de livros ou eventos de poesia. Minela Reis gostaria de receber propostas de realizações culturais, assim como de quem queira expor pintura ou trabalhos de outras artes como, por exemplo, cerâmica.
As aulas da pintora são frequentadas por quem mora no Oeste, mas não só. Este espaço de criação artística é frequentado por alunos que vêm de Santarém, Loures, Alcobaça e da Marinha Grande. “Cada pessoa leva o seu ritmo e tempo de aprendizagem”, disse a responsável, acrescentando que nas suas lições “não há ritmo de escola”.
Minela Reis veio de Angola, mas vive há mais de 30 anos em Óbidos e aprecia ter gente de todas as idades nas sua aulas, onde se incluem jovens do secundário que querem seguir artes e vêm para este espaço para realizar as preparações técnicas para os exames que precisam.
Cada aula de pintura na Tela tem a duração de quatro horas. O preço é de 50 euros mensais. As aulas de aguarela de António Bártolo – coordenador dos Encontros Internacionais de Aguarela das Caldas da Rainha que decorrem no CCC – custam 60 euros por mês. Cláudia Santos é professora e ensina pintura na Tela aos sábados. Aceita ensinar crianças até aos 16 anos e as aulas custam 45 euros por mês.
Ajustado o binóculo do tempo para a escola pública das próximas duas ou três décadas, o que vejo são os efeitos desastrosos de uma política que os nossos governantes iniciaram sensivelmente há cerca de 15 anos e que está a tornar impossível a vida dentro e fora das salas de aula.
A profusão de legislação, alguma pouco exequível e até contraditória, vai continuar a infernizar o trabalho nas escolas. As mudanças sistemáticas de orientações programáticas e metodológicas motivarão hesitações nos professores relativamente às matérias que hão-de privilegiar, mesmo havendo definição de “Aprendizagens Essenciais”. A construção dos publicitados projectos “inovadores” a partir de retalhos velhos e diversos, de difícil ajuste entre si trará indecisões aos alunos, que não saberão escolher entre o que desejam e o que precisam. A criação de mega-agrupamentos sem critério, que juntaram realidades diferentes e distantes, tornando muitas vezes difícil conciliar vontades e interesses potenciará dificuldades de gestão e aumentará conflitos mais facilmente resolvidos numa escala menor. A prevista municipalização, rotulada agora de “descentralização”, há-de ajudar ao nepotismo e criar pressões sobre as estruturas de gestão dos agrupamentos e das escolas. E o desprezo a que os professores têm sido votados, tanto pelo poder político como pela opinião pública e publicada, acentuará o mal-estar que grassa entre a classe, influenciando negativamente o seu trabalho e diluindo a sua resiliência.
António Almendra
Professor de Português
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O fim da turma como forma de organização
Nos próximos 20 anos, a educação continuará a ter professores e alunos. Aos primeiros, competirá cada vez mais a criação de situações que justificam o trabalho e o estudo dos segundos e, cada vez menos, a mera transmissão de informação.
Para acomodar estas atividades, a sala de aula será um espaço mais mutável e flexível onde os manuais escolares e os livros em papel serão substituídos por dispositivos eletrónicos e pela Internet.
O currículo mudará em alguns itens, mas a base essencial está estabelecida nas atuais disciplinas do ensino básico, ainda que os conteúdos sejam distribuídos por temas e projetos transversais. A programação de computadores será uma dimensão a acrescentar à matemática. As artes e as técnicas, as competências, o “saber fazer”, etc. desenvolvem-se com o domínio da informação e não no vazio.
A individualização implicará o fim da turma como forma de organização que será substituída por pequenos grupos e a gestão do percurso escolar deixará de incluir a “retenção”.
Luís Redes
Professor de Português
Veremos um ensino mais assimétrico
É difícil perspetivar, mas se recuarmos 20 anos, conseguimos perceber que à parte da adaptação das novas tecnologias à nova realidade escolar e de reformas educacionais avulso patrocinadas pelas cores políticas, tudo o resto mudou pouco no que respeita aos objetivos gerais que a escola pretende alcançar.
Vê-se hoje um ensino mais prático e técnico, mas será que isso traduz mais-valias individuais? Aparentemente sim, mas a realidade pós escola não é isso que mostra.
Os alunos são importantes enquanto candidatos à frequência da escola, depois são pouco mais que números da estatística de sucesso exigida.
Veremos um ensino mais assimétrico tendo em conta a condição social, com tentativa de oferta mais individualizada. Assistiremos a uma concorrência feroz pela angariação de alunos.
Se queremos que a escola tenha um papel mais determinante na formação de cidadãos, é preciso que esta tenha uma utilidade e importância muito diferente da que tem hoje e isso não imagino nem daqui a 20 anos.
Carlos Alves
Professor de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação
(Re)pensar o ensino
Perspetivar a Escola do Futuro não é tarefa fácil, nesta sociedade em constante transformação, escrava da ebulição tecnológica e onde a efemeridade prevalece. Ideais, políticas e crenças sofrem contínuas mutações e os valores surgem distorcidos.
Nesta época de transição de paradigmas sociais, culturais, entre outros, em que os conflitos geracionais já não respeitam espaços temporais, importa questionar o futuro da educação e do ensino. Educar para quê? O que ensinar e como ensinar?
Temos de (Re)pensar o ensino, a relação aluno/professor/escola, privilegiando a vertente humanista que tem caído no esquecimento, a favor, infelizmente, da apologia frenética da tecnologia. Não se pretende um professor “Velho do Restelo”, avesso ao avanço tecnológico, mas, antes pelo contrário, um docente capaz de entender a realidade dos seus alunos, capaz de formar cidadãos que aprendam com gosto, com emoção e com discernimento.
Daqui a 20 anos, não me vejo a lecionar numa qualquer plataforma, através de um ecrã, projetando apenas conteúdos. Preciso do espaço da sala de aula, preciso do relacionamento com os alunos, preciso da partilha, preciso de alegrias, tristezas, encantamentos e deceções, preciso de sentir. Vejo-me a desafiar para a “humanização”.
Catarina Rodrigues
Professora de Português/Francês
A desmaterialização da escola
A escola existente daqui a 20 anos resultará das transformações sócio-culturais impostas pela sociedade do conhecimento, com o progressivo desaparecimento do papel da esfera educativa. No plano teórico-conceptual, tenderá a operar uma ruptura definitiva com o paradigma racional-moderno, valorizando-se as soft skills em detrimento das hard skills e das emoções em detrimento da razão. No campo metodológico, aprofundar-se-á o ensino baseado em redes de ensino e aprendizagem envolvendo alunos e docentes em fluxos transnacionais. Em consequência, a escola tenderá a uma desmaterialização e consequente supressão dos edifícios públicos – para os governos haverá significativa poupança em nome da redução do défice público – rompendo-se com o modelo da escola socializadora e construtora de cidadãos. Outra consequência, já visível, será o esfacelo da esfera privada e o aumento do controlo estatal sobre os indivíduos, que será potencialmente mitigado com a eventual recuperação do ensino doméstico, de tradição greco-romana. Admirável mundo novo.
Miguel Santos
Professor de História
Aprender experienciando
As “minhas” escolas-futuro do 1.º ciclo, sem exceção, executam planos curriculares gerais de forma integrada e integradora; são tecnologicamente equipadas [não digo “estações espaciais”, apenas as condições necessárias para orientar as aprendizagens essenciais dos alunos, quer sejam de modo presencial e/ou até virtual, para que cada vez menos alunos e cidadãos, fiquem para trás];- praticam o lema: Aprender experienciando.
As escolas não podem depender de voluntarismos erráticos; precisam, ao invés, de se adaptar física e tecnologicamente; ter gestão responsável, responsabilizada, e apreciada também; e dispor de mais/adequados recursos humanos (professores, técnicos, auxiliares, psicólogos, etc) formados e motivados para trabalharem em equipa.
Nestes 16 anos como professora já vi de tudo um pouco, faltar-me-á ver muito, espero; porque assim ensinam os que também querem aprender, assim eu faço e mostro aos meus alunos. Vivendo e aprendendo.
Acordo todos os dias, seja em que morada for, feliz por ir dar aulas aos meus alunos na “minha” escola do futuro!
Maria da Silva Gomes
Professora do 1.º ciclo
Papel activo na promoção da saúde
Nos próximos 20 anos a escola terá que encontrar os meios que permitam o desenvolvimento de sensações de bem estar tanto para quem ensina, como para quem aprende. Vivemos tempos em que os professores e a sua carreira têm sido repetidamente vilipendiados, o que levou a um menosprezo gradual do seu papel. É necessário valorizar e definir junto da sociedade a função dos docentes, pois a sua definição é fundamental para o relacionamento que tem que se criar entre professores e alunos. É essencial adaptar a escola e os seus currículos às novas realidades e aos interesses dos alunos, e conseguir introduzir as tecnologias que estes usam no seu dia a dia, de modo a que sejam uma ferramenta e não uma distração. O processo ensino/aprendizagem deverá proporcionar aos alunos experiências que os ajudem a desenvolver a sua criatividade.
Sendo o aumento da obesidade infantil um problema do presente, a escola deverá ainda assumir um papel mais activo na promoção da saúde, estimulando o desenvolvimento de hábitos de vida de saudável, que passa obrigatoriamente pelo aumento do número de horas de prática de actividade física.
Luís Lalanda Ribeiro
Professor de Educação Física
Do muito positivo ao caótico
Partindo da “Quarta Revolução Industrial” em curso, prevê-se que os resultados na sociedade da generalização das tecnologias possa oscilar entre extremos (do muito positivo ao caótico), com consequências no imperativo da igualdade de oportunidades. Há, contudo, uma zona cinzenta na prospecção detalhada. A escola integra esse universo de incertezas. Por exemplo, os professores não constam das profissões em “crescimento” ou propensas a desaparecerem com a automatização. Mas muitas outras constam, o que ajuda a organizar a escola do futuro – currículos, ofertas e programas de orientação profissional -, com forte referência à dimensão civilizada, democrática, desburocratizada e autónoma.
A regra, a finalidade e a exigência são património da cultura da escola, em paralelo com o erro, o drama, o afecto e a amizade. Para alunos, professores e outros profissionais, construir bons modelos de aprendizagem será sempre uma tarefa árdua. Por isso, a ideia de escola nunca prescindirá do dever de apoiar as necessidades de uns e de outros.
Paulo Prudêncio
Professor de Educação Física
Privilegiar competências Transversais
Tendo em conta que a evolução social é galopante e que estamos a falar de educar crianças e jovens para um futuro desconhecido, com profissões que passaram a ter uma dimensão global e outras que ainda não existem, perspetivo que a escola terá de adaptar os currículos e as formas de ensinar, privilegiando o desenvolvimento de competências que são e serão sempre importantes e transversais em qualquer profissão, em qualquer lado do mundo, como sejam a capacidade de adaptação, de trabalhar em equipa, de questionar, de resolver problemas, a criatividade, a responsabilidade, etc.
Enfim, penso que este processo está em curso, tendo em atenção, por exemplo, as alterações legislativas já para este ano letivo, na tentativa de adequar o perfil dos alunos na saída da escolaridade obrigatória à complexidade dos desafios que lhes vão surgindo. É para seguir este caminho, dando o maior e melhor contributo possível à educação, que trabalhamos todos os dias!
Mariana Maia
Professora de Direito
Uma Escola mais inclusiva
Ao pensar como perspetivo a Escola nos próximos 20 anos, não posso deixar de pensar no que aconteceu nos últimos 20. Na minha área, na educação especial, verifico que os professores têm vindo a preocupar-se com os alunos com dificuldades e a envolver-se na procura de soluções, existindo maior sensibilidade do que havia há 20 anos atrás.
Nos próximos 20 anos, acredito que as mudanças serão mais acentuadas até porque vamos iniciar uma nova legislação. Perspetivo uma escola mais inclusiva que cria, de facto, oportunidades para todos os alunos aprenderem independentemente da dificuldade ou da deficiência. Acredito que a escola irá ter capacidade organizativa para criar valências e percursos que permitam que todos os alunos tenham sucesso e que haverá mais autonomia das escolas na definição dos currículos. A obrigatoriedade de todos os jovens frequentarem a escola até ao 12º ano vai obrigar a encontrar respostas educativas diversificadas.
Maria Leonor Pereira Pires
Professora de Educação Especial.
O edifício do jardim-de-infância e escola básica de Tornada foi inaugurado na tarde de 14 de Setembro, depois das obras de requalificação de que foi alvo. A intervenção, orçada em cerca de 200 mil euros, demorou cerca de dois anos, período durante o qual as crianças tiveram aulas no grupo desportivo da localidade.
Durante a inauguração, o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, destacou a aposta do município numa educação de proximidade.
Uma dezena de alunos do pré-escolar e 21 do 1º ciclo começaram esta semana as suas aulas numa escola mais bonita e com melhores condições físicas para a aprendizagem. A intervenção, que custou cerca de 200 mil euros (130 mil garantidos por fundos comunitários) e que tinha um prazo de execução de seis meses, acabou por demorar dois anos a concretizar por causa de dificuldades da empresa responsável pela obra, GAR-Five, Lda, do Fundão.
Houve um acordo tácito entre a autarquia e a empresa no sentido destes concluírem os trabalhos, sem que fosse accionada a garantia bancária (sob pena dos trabalhos ficarem suspensos). De acordo com
Dezenas de pessoas marcaram presença na inauguração da escola depois da requalificação
o presidente da Câmara, Tinta Ferreira, se tivessem rescindido contrato com a empresa e lançado novo concurso, teria demorado mais tempo e os custos seriam acrescidos.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
O autarca aproveitou a inauguração para agradecer aos pais e ao Grupo Desportivo de Tornada, que possibilitou as condições para as aulas decorrerem nas suas instalações durante o período em que decorreram as obras.
O presidente da Câmara falou também da aposta que o município faz numa educação de proximidade, ao investir na requalificação das escolas do 1º ciclo pelo concelho. “Estamos convictos de que estabelecimentos de dimensão exagerada, grandes centros escolares, não são uma boa política em termos de educação”, disse Tinta Ferreira, que é favorável à proximidade entre professores, alunos e famílias na concretização do processo educativo.
Referindo-se concretamente a Tornada, o autarca disse que ao invés de discutirem se valia a pena encaminhar os alunos para outras zonas, entenderam que sendo esta localidade a sede da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, fazia todo o sentido ter o estabelecimento de ensino a funcionar. Tinta Ferreira diz estar consciente de que há oscilações do número de alunos de ano para ano e que a natalidade não está a aumentar. Contudo, dada a proximidade da localidade às Caldas e o crescimento do sector da construção na freguesia, está confiante de que a escola terá condições para continuar a funcionar. Deixou, por isso, um apelo aos pais para que se interessem por aquela escola, que agora está como nova, e ali inscrevam os seus filhos.
Também os presidentes da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, Arnaldo Custódio, e do agrupamento de escolas D. João II, Jorge Graça, destacaram a requalificação de que a escola foi alvo e mostraram o seu agrado com a continuidade do seu funcionamento em Tornada.
Mais obras em escolas básicas
Em Janeiro do próximo ano deverá começar a obra de requalificação da Escola Básica da Encosta do Sol. Depois de um primeiro concurso ter ficado deserto (por nenhuma empresa concorrer com o valor proposto), já foi feito um segundo concurso e a obra será executada por um valor de 1,4 milhões de euros, após o visto do Tribunal de Contas. De acordo com Tinta Ferreira a obra deverá estar totalmente concluída no início do ano lectivo 2020/2021, mas as aulas irão decorrer durante a intervenção, dado que esta será feita de forma faseada.
Está também a ser elaborado o projecto para a requalificação da escola do Avenal, cujo concurso deverá ser aberto no primeiro trimestre do próximo ano. A Câmara está ainda a começar os levantamentos topográficos e os estudos para a construção de um pequeno centro escolar em A-dos Francos, de forma a poder juntar os alunos daquela freguesia.
Infiltrações nas escolas de Santa Catarina e de A-dos-Francos resolvidas
Em Março deste ano, Gazeta das Caldas noticiou as infiltrações graves na escola de Santa Catarina
No início do ano lectivo estão resolvidos os problemas de falta de manutenção em algumas escolas. Em Santa Catarina o telhado da escola foi reparado, tendo sido colocado um novo revestimento para a impermeabilização, numa obra de 4500 euros que ficou concluída em finais de Agosto.
Em Março deste ano Gazeta das Caldas tinha noticiado as más condições naquela escola, onde as infiltrações ameaçavam danificar a estrutura. A chuva caía pelos tectos, depois de se infiltrar nas quatro clarabóias do edifício principal. O problema surgiu pela primeira vez em 2001, mas no ano seguinte foi colocado um barramento que resolveu a questão. Só que essa solução tinha uma validade de dez anos e passaram 15 sem nada ter sido feito. Até agora.
Os problemas de infiltrações ficaram, assim, resolvidos naquele estabelecimento de ensino ainda antes do início do ano lectivo. O mesmo aconteceu na escola de A-dos-Francos, onde já não chove nos contentores exteriores. Segundo disse Alexandra Reis, da direcção do Agrupamento Bordalo Pinheiro à Gazeta das Caldas, o problema foi resolvido.
Em Abril deste ano, na sessão pública da Câmara das Caldas, a oposição PS havia alertado para a necessidade de obras nos contentores exteriores da Escola Básica de A-dos-Francos, que apresentavam infiltrações graves. Também ali se recorria aos baldes para conter a água.
A Câmara da Nazaré vai disponibilizar um gabinete de apoio a alunos, pais e encarregados de educação do pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico. Este irá funcionar no edifício da Biblioteca Municipal de segunda a sexta-feira, entre as 9h30 e as 13h00 e das 14h00 às 18h00.
De acordo com nota de imprensa da autarquia, este serviço tem por objectivo informar a comunidade sobre o funcionamento dos vários aspectos do ano lectivo e dos serviços prestados pela autarquia durante as aulas e as pausas escolares. Os transportes, a supervisão do recreio na hora de almoço, acompanhamento dos alunos na realização dos trabalhos de casa, apoio social e ao estudo, são alguns dos assuntos que os encarregados de educação podem ali tratar.
Neste novo ano lectivo funcionam no concelho da Nazaré o centro escolar e três jardins de infância, assim como o centro escolar de Valado dos Frades e dois jardins de infância e as escolas do ensino básico de Famalicão e pré-escolar.
Todos os equipamentos foram alvo de readaptações, beneficiações e reequipamento no ano lectivo anterior, nomeadamente ao nível das coberturas exteriores e a colocação de equipamentos no recreio, assim como a instalação de novas ferramentas digitais de apoio ao estudo.
Em 2015/16 dos 112.338 professores que leccionavam no ensino público apenas 399 tinham menos de 30 anos. Um cenário que muda completamente de figura quando se olha para os professores com mais de 50 anos: 51.649, ou seja, praticamente 46% dos docentes.
Dados que preocupam Manuel Micaelo, professor das Caldas da Rainha e dirigente do Sindicato de Professores da Grande Lisboa (SPGL), que defende medidas legislativas mais favoráveis para a classe, com o combate à precariedade e uma redução da carga horária dos professores em fim de carreira, para acompanhar os docentes jovens na adaptação à escola.
“Às vezes pedem-nos [ao sindicato] professores mais novos para representarem a classe em encontros de jovens e nós não temos, a não ser que os consideremos jovens até aos 40 anos”, ironiza Manuel Micaelo, tendo por base os dados da OCDE, que dizem que apenas 1% dos docentes portugueses tem menos de 30 anos.
De acordo com os números do documento, entre 2005 e 2016 a percentagem de docentes com mais de 50 anos aumentou 16% em Portugal, enquanto no espaço da OCDE a subida foi de apenas 3%. Representavam, ao todo, 38% de todos os que estavam a dar aulas no ensino básico e secundário. Por outro lado, apenas 1% tinha menos de 30 anos, contra uma média na OCDE de 11%.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
“Praticamente não há professores novos e isso acarreta uma série de problemas”, diz Manuel Micaelo, acrescentando que a situação irá rebentar na próxima década. Entende que não se criam condições para ingresso e, por outro lado, há precariedade. “Pessoas mal pagas, a irem para muito longe e sem estabilidade nenhuma, com contratos precários e horários incompletos”, explica, acrescentando que nos últimos anos cerca de 21 mil jovens docentes abandonaram a profissão – uns foram para o estrangeiro e outros estão a trabalhar até como caixas nos supermercados.
O dirigente sindical ainda não conhece os dados das colocações deste ano, mas diz que é provável que haja grupos disciplinares que não tenham professores para garantir as aulas. “Há locais, como Lisboa e Porto, onde as pessoas gastam mais no alojamento do que ganham. Ninguém aceita um horário incompleto num sítio onde vai gastar mais para alugar um quarto do que o seu ordenado”, denuncia, fazendo notar que existe um desrespeito pelos professores que põe em causa a escola pública.
Menos procura pelos cursos de ensino
O dirigente sindical refere que actualmente a docência é uma área que não é atractiva para os jovens e isso vê-se no número de candidatos ao ensino superior. Dados divulgados recentemente pela Direcção Geral do Ensino Superior mostram que as áreas de formação de professores colocaram apenas 693 estudantes na primeira fase, deixando por preencher quase metade das vagas. Estes cursos foram a primeira opção para 519 candidatos, “uma quebra acentuada face a 2017”, revela o dirigente sindical, acrescentando que os “os alunos não querem ir para os cursos e a idade da reforma tem vindo a aumentar todos os anos”.
De acordo com Manuel Micaelo, enquanto que até 2005 os professores do 1º ciclo e educadores de infância não podiam aposentar-se depois dos 65 anos, agora só podem fazê-lo a partir dos 66 anos e uns meses, caso contrário sofrem penalizações nas pensões.
O dirigente do SPGL considera que nos próximos anos haverá um número muito elevado de professores a aposentar-se e, “não havendo este passar do testemunho, haverá uma altura em que teremos sérios problemas”. Defende, por isso, medidas legislativas para que os professores possam ter uma carga horária mais leve nos últimos anos, ao mesmo tempo que acompanham os docentes jovens na adaptação à escola. Por outro lado, entende que os mais novos devem ir tomando conta de cargos de coordenação, que normalmente são sempre entregues aos docentes com mais anos de serviço.
Manuel Micaelo acrescenta ainda que um docente com 65 anos, apesar de possuir todas as competências, tem limitações físicas que lhe dificultam o trabalho, dando os exemplos das educadoras de infância e professoras primárias.
Trata-se, na sua opinião, de um desrespeito do governo para com a classe dos professores, mas que não encontra correspondência junto dos pais e alunos, tendo em conta um inquérito feito recentemente e que mostra que esta é uma das mais respeitadas.
A universidade da avó
A história passou-se na semana passada, à porta de uma escola secundária das Caldas da Rainha, em dia de reunião geral de professores. Uma criança de 13 anos passava no local com a mãe e pergunta-lhe que ajuntamento era aquele. “Deve ser uma reunião de professores, filha”, explica a mãe. “Ah! Pensava que era uma excursão da universidade [sénior] da avó”.
Rui Marques é caldense. Joana Portela, natural de Sintra. O jovem casal de professores partilha com a Gazeta das Caldas o seu testemunho de emigrantes que um dia espera regressar a Portugal.
A aventura começou na China, atualmente desenrola-se no Qatar, mas o objetivo é continuar a crescer profissionalmente em novos países até fazer as malas de volta às Caldas da Rainha.
Rui Marques e Joana Portela vivem atualmente no Qatar, mas a sua aventura enquanto professores emigrantes começou na China. Pelo meio, têm aproveitado para conhecer mais países.
Rui Marques e Joana Portela vivem atualmente no Qatar, mas a sua aventura enquanto professores emigrantes começou na China. Pelo meio, têm aproveitado para conhecer mais países.
Rui Marques e Joana Portela vivem atualmente no Qatar, mas a sua aventura enquanto professores emigrantes começou na China. Pelo meio, têm aproveitado para conhecer mais países.
Rui Marques e Joana Portela vivem atualmente no Qatar, mas a sua aventura enquanto professores emigrantes começou na China. Pelo meio, têm aproveitado para conhecer mais países.
Rui Marques e Joana Portela vivem atualmente no Qatar, mas a sua aventura enquanto professores emigrantes começou na China. Pelo meio, têm aproveitado para conhecer mais países.
Normalmente comprar orégãos num supermercado é uma tarefa simples. Encontramos o corredor das ervas aromáticas, pegamos no frasco e dirigimo-nos à caixa para pagar. Levamos o quê? Cinco minutos, se não houver muita fila. Mas na China, do outro lado do mundo, algo tão simples como comprar orégãos pode tornar-se um verdadeiro desafio. “Os supermercados têm três andares e assim que os chineses percebem que somos estrangeiros, mostram-se pouco disponíveis para ajudar”, conta o caldense Rui Marques, acrescentando que nem fotografias ou traduções se mostraram úteis quando viveu esta situação.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
Rui Marques tem 37 anos, é professor de Educação Física e em 2015 aceitou uma proposta que o levou até Pequim. O caldense descreve a experiência como “um passo de fé”, embora reconheça que emigrou em condições muito diferentes da geração dos seus pais, por exemplo, que se aventurou “a salto” para França. Na China, além de um bom leque de palavras em mandarim, foi obrigado a acrescentar uma nova palavra ao seu dicionário: resiliência.
Nos primeiros tempos é preciso ser paciente porque a comunicação é difícil (poucas pessoas sabem falar inglês) e o cidadão chinês não é tão simpático como o português. “Não existe o calor humano que encontramos no nosso país, e embora os chineses sejam muito boa gente, ao princípio não se aproximam muito”, revela Rui Marques, confessando que a adaptação inicial foi “dura”.
Viu-se sozinho no meio de uma multidão avassaladora, numa cidade onde nunca há silêncio e em que é preciso usar máscara quase todos os dias da semana para conseguir respirar sem poluição. “Depois de te habituares, começas a aproveitar o dia-a-dia, consegues abstrair-te daquela gente toda, compreendes o que está escrito numa placa e sentes-te feliz”, explica o caldense, que antes de partir para Pequim trabalhava na Câmara de Óbidos.
À procura de novos desafios profissionais, Rui Marques pediu licença sem vencimento, inscreveu-se numa agência de recrutamento internacional – a Search Associates – e começou a construir um bom currículo. A oportunidade de leccionar numa escola primária na capital chinesa surgiu após centenas de candidaturas enviadas. Joana Portela, 33 anos, educadora de infância e sua esposa – natural de Sintra mas apaixonada pelas Caldas da Rainha – seguiu o mesmo caminho no ano seguinte. “Acho que tomámos a decisão de emigrar porque precisávamos de sair da nossa zona de conforto e tínhamos muita vontade de crescer profissionalmente, de conhecer novas realidades na área do ensino”, conta Joana Portela, realçando que a escola chinesa é muito diferente da portuguesa. Mais competitiva, os alunos são educados desde crianças para serem os melhores da sala de aula. Por isso, os pais investem bastante na educação dos filhos. “Eles são tantos, que ter um filho numa das melhores universidades do país é um grande motivo de orgulho”, explica a educadora, a quem impressionou o facto das crianças brincarem muito pouco no jardim de infância. “Passam a maior parte do tempo a fazer fichas. E embora a sala tenha imensos brinquedos, basicamente é como se estivessem em exposição porque os meninos raramente pegam neles para brincar”, revela.
DA CHINA PARA O QATAR
Depois da experiência na China, o casal decidiu o ano passado abraçar um novo desafio no Qatar (médio Oriente). Pequim deixaria saudades pelas amizades criadas com os colegas de trabalho – que costumavam socializar nas casas uns dos outros e juntar-se num bar que às quintas-feiras promovia noites de quizz –, pelo pato à Pequim e o frango com amendoins, ou pela velha mota que foi o meio de transporte para muitos passeios, incluindo até às muralhas da China.
No Qatar, Rui Marques e Joana Portela dão aulas na escola que é frequentada pela família real. E o seu dia-a-dia é completamente diferente da rotina chinesa. Faz tanto calor que andar uma distância equivalente ao percurso entre o CCC e a Praça da Fruta é um verdadeiro pesadelo. As temperaturas são tão altas que o calor derrete a sola dos sapatos e o sol é tão brilhante que custa abrir os olhos na rua.
Por outro lado, as pessoas têm sempre um sorriso na cara. São realmente simpáticas e a maioria fala inglês. O ambiente é mais cosmopolita que em Pequim e na escola há um enorme respeito pela criança, que é incentivada a brincar e a explorar a sua criatividade.
Depois do calor, a segunda maior dificuldade no Qatar é circular na estrada. “Embora o povo seja bastante calmo, no trânsito torna-se impaciente e agressivo”, conta Rui Marques, que primeiro alugou uma pequena Suzuki Swift, mas rapidamente se apercebeu que era mais seguro conduzir um carro maior.
Nos últimos dois anos, Rui e Joana também têm aproveitado as pausas do período lectivo para viajar: Harbin e Xangai (China), Japão, República Checa, Vietname, Indonésia, Tailândia e Turquia são os destinos que já visitaram.
Sobre o futuro, o jovem casal só tem uma certeza: um dia querem regressar ao seu país. E essa certeza cresce sempre que vêm passar férias a Portugal. Até lá, não há nenhum país onde sonhem trabalhar como professores, por isso o objetivo é viver o dia-a-dia consoante as oportunidades que se forem atravessando no seu caminho.
Os manuais escolares gratuitos chegaram este ano até ao sexto ano de escolaridade. Os vouchers emitidos pelo Ministério da Educação permitem poupanças de 50% no 1º ciclo do ensino básico, mas o valor aumenta bastante quando se tratam de alunos do 5º e do 6º ano, nos quais a poupança chega a cerca de 160 euros. Gazeta das Caldas fez as contas e diz-lhe quanto gastam os portugueses por aluno por cada ano escolar, do primeiro ao 12º ano. É entre o 7º e o 10º que os gastos são maiores, acima dos 300 euros.
“Manuais escolares gratuitos” não significa que as famílias não precisem de gastar dinheiro no início do ano lectivo. É que para praticamente todos os manuais existem associados cadernos de fichas de exercícios e esses não estão incluídos na oferta do governo. No entanto, a poupança é significativa, sempre acima dos 50%.
É no primeiro ciclo do ensino básico (entre o 1º e o 4º ano de escolaridade) que os pais menos gastam na aquisição dos livros escolares. O valor começa nos 26 euros para quem acede aos manuais gratuitos, e passa para o dobro para quem, apesar da oferta do Estado, prefere adquirir os manuais. Pode parecer um contrassenso ainda haver quem compre os manuais quando estes são oferecidos gratuitamente, mas isso continua a acontecer até porque os livros têm que ser entregues reutilizáveis, o que nem sempre é possível quando se trata de crianças do primeiro ciclo, e a consequência se não estiverem em condições é a obrigatoriedade da sua aquisição.[shc_shortcode class=”shc_mybox”]
No 2º ano o valor aumenta dois euros, para os 28 (ou 56 euros sem os vouchers). A introdução do Inglês no programa curricular faz aumentar a conta para cerca de 39 euros no 3º ano e de 42 euros no 4º ano. Sem os vouchers o valor sobe, respectivamente, para 81 e 88 euros.
A entrada no segundo ciclo do ensino básico aumenta as disciplinas do programa curricular de quatro para nove e os custos disparam também. É, por isso, no 5º e no 6º ano que a carteira dos encarregados de educação mais “agradece” a oferta dos manuais escolares.
Sem este desconto a aquisição dos livros poderia escalar para perto dos 230 euros nestes dois anos de escolaridade. Porém, como nem todos os manuais têm cadernos de fichas associados, o valor do desconto aumenta. Assim, a conta a pagar por quem adere aos manuais gratuitos fica-se entre os 65 e os 70 euros, ou seja, o valor poupado sobe para perto dos 70%.
É na passagem para o 7º ano que a oferta dos manuais termina, pelo menos por enquanto, e neste ano de escolaridade há um agravamento considerável nos custos a assumir com os livros escolares. Nos três anos do terceiro ciclo do ensino básico (7º, 8º e 9º), os valores a gastar podem oscilar entre os 325 euros e os 340 euros.
AUGE NO 10º ANO
E os valores continuam a subir quando se chega ao ensino secundário regular. Os valores mais altos para os manuais escolares atingem-se mesmo no 10º ano, embora isso varie consoante a área escolhida. Quem segue o Curso de Ciências e Tecnologias é quem tem os gastos mais elevados. Tivemos como referência os alunos que seguem as disciplinas de Física e Química e, para estes, a conta sobe aos 365 euros. No curso de Línguas e Humanidades o valor é apenas 15 euros mais baixo, e desce para os 343 euros quando a opção são as Ciências Socioeconómicas, na vertente de Direito. Já quem segue Artes Visuais sente um alívio na carteira. A conta desce para a casa dos 260 euros.
No 11º ano os valores baixam, graças à disciplina de Educação Física, cujo manual adquirido no início do secundário é válido até ao 12º ano. Ciências e Tecnologias mantém-se o curso mais caro, com um custo dos manuais escolares de 337 euros. Em Línguas e Humanidades e nas Ciências Socioeconómicas o valor fica ligeiramente abaixo dos 300 euros, enquanto em Artes Visuais desce para os 230 euros.
No 12º ano diminui o número de disciplinas e, por arrasto, o investimento também. Os encarregados de educação dos alunos de Ciências e Tecnologias gastam cerca de 128 euros, os de Ciências Socioeconómicas gastam cerca de 110 euros, os de Línguas e Humanidades 98 euros e os de Artes Visuais 80 euros.
Para encontrar estes valores não foram incluídos os manuais das disciplinas facultativas, como Educação Moral e Religiosa. Apesar da Gazeta das Caldas ter utilizado nesta pesquisa escolhas de todos os agrupamentos de escolas públicos do concelho das Caldas da Rainha, os valores podem ser diferentes caso a caso, uma vez que nem todos os agrupamentos escolhem os mesmos manuais. Também pode haver variações face à escolha das disciplinas no ensino secundário.
Aos valores dos manuais há a acrescentar custos com o material escolar, que também varia de ano para ano e das próprias disciplinas.
Uma MEGA confusão
Pelo terceiro ano consecutivo o Ministério da Educação proporcionou manuais escolares gratuitos, tendo este ano alargado a cobertura desta iniciativa ao sexto ano de escolaridade. A novidade foi que o processo não foi coordenado pelas escolas, como nos anos anteriores, mas sim por uma plataforma online que acabou por falhar, provocando uma série de problemas e atrasos na distribuição dos livros.
O portal MEGA (de Manuais Escolares Gratuitos) foi então lançado este ano para concentrar todo o processo de candidatura aos manuais escolares gratuitos. A plataforma pode ser acessada através de computador, na página manuaisescolares.pt, ou através de uma aplicação para aparelhos móveis, como um smartphone.
A partir da MEGA os encarregados de educação fazem a requisição dos manuais. O processo passa então pelos serviços centrais, que indicam se haverá lugar ao levantamento de manuais reutilizados na respectiva escola, ou a emissão de um voucher para a aquisição de manuais escolares novos, numa papelaria aderente. Nas Caldas as papelarias onde é possível levantar os manuais gratuitamente são a Pitau, a Jardim e a Grapel, assim como a livraria Bertrand.
A plataforma MEGA vem simplificar todo o processo, uma vez que dispensa deslocações à escola e permite que os encarregados de educação possam escolher onde querem levantar os livros, o que não acontecia anteriormente.
Atrasos
No entanto, tal como sucede quase sempre que o Estado lança serviços online, a MEGA não estava preparada para a enorme afluência de pedidos e os problemas foram diversos.
Houve dias em que a plataforma foi abaixo e não funcionou. Houve encarregados de educação que não conseguiram concretizar os seus pedidos, apesar de supostamente terem completado a requisição. Muitos dos que o conseguiram fazer, viram demoras prolongadas na emissão dos vouchers.
Os atrasos sucessivos no desenrolar do processo acabou também por sobrecarregar as papelarias onde era possível levantar os livros, que sem os vouchers não podiam encomendar os manuais aos fornecedores. Isto levou a atrasos nas entregas, pelo que algumas crianças tiveram que arrancar o ano lectivo sem livros. Para contornar o problema, alguns encarregados de educação acabaram por desistir dos vouchers e adquirir os livros pelos próprios meios.