
“Dançar é a arte de comunicar pelo corpo os sentimentos intrínsecos”
GAZETA DAS CALDAS – Como surgiu o gosto pela dança?
MARGARIDA COSTA – Desde criança que assisto a muitos espectáculos não só de dança, como teatro, música e performance. É algo que tenho a agradecer à minha família. O meu percurso na dança foi paralelo à actividade escolar. Ainda nem tinha quatro anos quando me estreei (graças à minha mãe) no Atelier da Dança. Sou diplomada pela Royal Academy of Dance e sempre frequentei workshops de dança nacionais e internacionais. Em 2004 ingressei como bailarina no Grupo Experimental de Dança da Escola Vocacional de Danças das Caldas da Rainha onde tive a oportunidade de dançar várias peças.
GC: O que sentiu quando soube que era uma das seleccionadas do projecto Box Nova do CCB?
MC: Foi uma das oportunidades que procurei. É uma plataforma de dança onde jovens criadores apresentam as suas peças. Eu concorri tendo em conta que é uma das plataformas mais conceituadas em Portugal, por isso não estava ansiosa porque o “não” é sempre garantido. Quando recebi o e-mail a confirmar a minha participação, fiquei surpresa e muito feliz!
GC – Como vai ser a coreografia que vai apresentar no espectáculo? Onde se inspirou?
MC – Inspirei-me na simplicidade da vida quotidiana da sociedade actual. “Displaced episodes” é uma peça que reúne simples acontecimentos quotidianos, onde os intérpretes são personagens de quadros verídicos, transportando para o espaço cénico o panorama original levado ao extremo e para além da realidade.
É uma peça de dança contemporânea com cinco bailarinos que dançam ao som de vários artistas internacionais e que apresentam uma homogeneidade entre movimento contínuo e ligado com acções repentinas, que cortam o ambiente e a atenção do público.
GC – Gostaria de apresentar este novo espectáculo nas Caldas ou noutras localidade?
MC – Sim, este projecto é para circular pelo país e se possível “lá fora”! Depois da estreia vou contactar com vários festivais e teatros para poder apresentar a peça.
Depois vou enviar a minha proposta para o CCC pois seria um prazer regressar a “casa” depois de alguns anos fora. Um dos sítios onde penso levar a peça é Leiria, pois o Luís e Bruno, dois dos meus intérpretes são naturais de lá.
GC – O que é a dança para si?
MC – Dançar está nos genes de todos, nem que seja um abanar da cabeça a ouvir o rádio! A dança consegue levar-nos a expelir os nossos estados de espírito e a abstrair de inúmeras coisas…
Para mim, dançar é a arte de comunicar pelo corpo os sentimentos intrínsecos e saber “falar” exactamente aquilo que se ambiciona para o público entender a nossa “linguagem”.
GC -O que gostaria de fazer no futuro?
MC – Quero avançar com novos projectos e parcerias, fazendo co-produções com outras áreas como o teatro e as artes plásticas.
GC -Quer trabalhar em Portugal ou está nos seus planos trabalhar lá fora?
MC – Neste momento pretendo ficar por Lisboa, saindo apenas para fazer digressões internacionais com os meus projectos e como bailarina convidada. Em Junho irei para a Roménia com o Quórum Ballet dançar a peça “Swan Lake” de Daniel Cardoso. Como freelancer vou estar atenta a audições internacionais.





