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Oeste junta-se ao Centro pela abertura do aeroporto de Monte Real ao tráfego civil

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A Turismo do Oeste foi convidada para integrar o Fórum Centro de Portugal a fim de dinamizar a participação de estruturas da região Oeste naquela entidade, que foi criada há dois anos com o objectivo de abrir o aeroporto de Monte Real ao tráfego civil.

A entrada do Oeste – que tem interesse num aeroporto mais próximo da região desde que perdeu a Ota em favor de Alcochete – naquele fórum deverá formalizar-se numa reunião prevista para 23 de Outubro na Figueira da Foz.

O lobby do Centro reúne um conjunto alargado de personalidades de todos os partidos, bem como autarcas de toda a região e associações empresariais. Criado em 2008, tem vindo a fazer um trabalho discreto, conseguindo convencer o antigo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, a envolver-se nos estudos sobre a exploração comercial do aeroporto de Monte Real.

Os mesmos foram entretanto interrompidos desde que António Mendonça ficou com aquela pasta, mas o grupo conseguiu ser recebido na Assembleia da República por todos os partidos e pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates que, de forma directa e franca, disse ter “muitas dúvidas” sobre o projecto, mas se prontificou a colaborar com os estudos e a avançar com um investimento inicial se aqueles viessem a provar que o aeroporto aberto ao tráfego civil seria viável.

Ao que a Gazeta das Caldas apurou, José Sócrates foi confrontado com o flop da abertura da base aérea de Beja ao tráfego civil (uma decisão voluntarista de resultados praticamente nulos) e com o adiamento do aeroporto de Alcochete como dois argumentos para a emergência de uma nova infra-estrutura aérea na região Centro, visto que entre o Douro e o Tejo, onde vive a maioria da população portuguesa, não existe nenhum aeroporto.

Desta reunião, o Fórum Centro de Portugal obteve a promessa de que o governo continuaria envolvido nos estudos sobre a viabilidade de Monte Real pois só assim este poderá depois empenhar-se no financiamento e dinamização do projecto se aquela for provada.

António Carneiro, presidente da Turismo do Oeste – e que tem vindo a tomar algumas iniciativas avulsas para abrir Monte Real ao tráfego civil – disse que desconhecia a existência deste movimento do Centro porque os oestinos tinham andado muito envolvidos na causa perdida que foi a Ota. Mas agora pretende que o Oeste esteja em força representado naquele lobby para dar um empurrão a uma causa que é comum a ambas regiões.

CONSENSO ALARGADO

O Fórum Centro de Portugal tem como rosto mais visível o professor universitário e ex-deputado do CDS/PP, Manuel Queiró, num grupo que é caracterizado por uma grande heterogeneidade e no qual participam também Vital Moreira (eurodeputado pelo PS), Marinho Pinto (presidente da Ordem dos Advogados), Carlos Encarnação (presidente da Câmara de Coimbra), Carlos Fiolhais (professor universitário), o empresário Henrique Neto e vários presidentes de Câmara, professores universitários e associações empresariais.

Manuel Queiró disse à Gazeta das Caldas que este movimento surgiu de forma espontânea pela constatação de que o Centro de Portugal tem vindo a perder peso no que diz respeito aos modos de transporte rápidos do futuro. “O Centro de Portugal, em sentido lato a região que está entre o Douro e o Tejo, tem vindo a ser colocada numa posição complicada porque o futuro das áreas territoriais está hoje ligado a factores que não existiam no passado e que são a comunicabilidade internacional”, disse.

O também investigador na área do Desenvolvimento Regional diz que “é um tolice pensar as regiões portuguesas na sua comunicabilidade interna porque a troca de pessoas, bens e serviços se faz actualmente integrada no espaço europeu”.

Ora entre Vilar Formoso e Elvas não há nenhuma saída rápida para Espanha, nem rodoviária, nem ferroviária, dado que, sobre esta última, o abandono do desenho do “T deitado” (uma linha de alta velocidade Lisboa-Porto com saída a meio para Madrid) fez com que se privilegiasse a ligação Lisboa-Madrid por Badajoz.

Uma forma de quebrar este isolamento é a utilização do aeroporto de Monte Real, que resolve pelo menos o problema de acessibilidade internacional da região Centro Litoral (só no eixo composto por Marinha Grande, Leiria, Pombal e Coimbra vivem 900 mil pessoas).

“O AEROPORTO JÁ LÁ ESTÁ”

Uma das dificuldades do movimento é fazer passar a mensagem de que não se pretende construir mais um aeroporto em Portugal porque ele já existe. O aeroporto está lá, bem como o controlo aéreo e demais equipamentos aeroportuários. Só falta mesmo construir um terminal, o que é relativamente barato. “Não é preciso fazer nenhum aeroporto”, diz Manuel Queiró, arriscando mesmo que o slogan do movimento pode ser “o aeroporto já lá está”.

Este responsável diz que o projecto tem adversários. Há quem receie que o êxito de Monte Real comprometa Alcochete e também é certo que a Cova da Beira pretende ter um aeroporto de carácter regional.

Seja como for, os objectivos do Fórum Centro de Portugal, a que agora o Oeste vai aderir, não se esgotam só no aeroporto. Queiró diz que outras preocupações irão ser colocadas na agenda pública, como o isolamento e desertificação do interior e a necessidade de fazer da Estremadura espanhola um “hinterland” do Centro de Portugal.

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