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Quando a escola “quebra o molde”

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Para estas jornadas, Rui Correia convidou diversos oradores que o ajudaram a refletir sobre como tornar a profissão de professor com “mais serventia”

Saber como nos comportamos quando temos pessoas que saem do “nosso molde” e têm um próprio foi a ideia que norteou as jornadas pedagógicas do Agrupamento de Escolas Raul Proença, que decorreram no CCC a 10 de setembro. A metáfora do molde foi utilizada pelo professor Rui Correia (que mais uma vez organizou as jornadas) para falar da importância do erro e também de como os professores podem mudar, “não para que os miúdos tenham melhores aulas, mas para que nós nos sintamos mais felizes”. Dirigindo-se a uma plateia repleta de docentes (que este ano letivo integram o agrupamento) o professor de História falou da necessidade de também se falar de “infelicidade e mal-estar”, que fazem parte da vida e há que educar os alunos não apenas para a diversidade, mas para a adversidade. “É muito importante perceberem que as coisas não são fáceis, são complicadas e que a gente está cá para dar uma ajuda”, salientou.
Para Rui Correia, os professores deviam de ter um uniforme: vestir diariamente uns calções de cor de laranja e uma t-shirt amarela com duas palavras escritas nas costas: nadador salvador. “Todos nós já salvámos vidas”, disse, referindo-se a frases bem escolhidas no momento certo, mas o contrário também acontece, alertou o orador, para quem “não há nada melhor do que ser professor”.

Educação ao serviço da felicidade
Para Filipa Louro, presidente da Associação de Pais, a educação deve estar ao serviço da “felicidade”, “pessoal e intransmissível” e não de um qualquer “molde” que a sociedade atual quer “vender”, de que esta é “um pack que se compra, vem com um bom ordenado, reconhecimento público, uns quantos filhos, bonitos e brilhantes, e múltiplas experiências bem fotografadas para fazer inveja aos outros”.
Entende que a felicidade é “trabalhosa” e que a escola pode cumprir esse desígnio tratando os alunos com “respeito e consideração, falando-lhes com verdade e transparência, explicando-lhes a razão das regras e das consequências do seu incumprimento”. “Por cada crítica, pelo menos, um elogio. Num país de invejosos, não há cultura do elogio, como se a virtude do outro nos enfraquecesse”, considera, defendendo “menos ocorrências, mais estratégias pedagógicas” e “mais empatia, menos ironia”.
Filipa Louro considera que há que promover o sentido crítico e sentimento de justiça dos alunos, “elogiando a motivação, ainda que explicando que o comportamento em si não pode ser tolerado” e, sobretudo, estar atento aos sinais de abusos e de maus tratos, e denunciá-los. “Não há dor pior do que a certeza de que toda a comunidade foi conivente com o abuso e de que a criança ou jovem não foi suficientemente importante para ser protegido”, alerta a também juíza, defendendo tolerância zero a todas as formas de discriminação, principalmente à violência de género.
“A escola é um espaço de liberdade cultural, intelectual e emocional” realçou, lembrando que há informações que, se não forem transmitidas na escola, elas não terão essa oportunidade em casa, e enalteceu o trabalho dos professores.
Antes, já o diretor do Agrupamento tinha referido que estas jornadas não tinham por objetivo “dar receitas” a ninguém, mas “criar espaços de reflexão” sobre o caminho que estão a percorrer e como querem formar os alunos. “Acho que temos que formar pessoas que possam questionar as coisas, que não acreditem em tudo o que lhes apareça à frente e que tenham a determinação para lutar e conseguir”, referiu João Silva que, embora sem certezas de qual o molde para o fazer, acredita que só se conseguirá com empatia.

Autarquia garante obras prioritárias
Também presente na sessão, o presidente da Câmara, Vítor Marques, destacou a atratividade do concelho, que resulta também da qualidade da sua educação. Partilhou a preocupação com o investimento que tem de ser feito nesta área, sobretudo ao nível dos equipamentos e que é, em cerca de um milhão de euros, superior ao valor da transferência de competências por parte do Estado.
O autarca partilhou ainda a reivindicação, junto da tutela, de obras para a Escola Secundária Raul Proença,estimadas em 12 milhões de euros e que tinham sido abrangidas por uma candidatura total na ordem dos 300 milhões, para vários equipamentos de ensino. No entanto, o valor total já diminuiu para 100 milhões e o autarca teme que não haja verba desta candidatura para a escola caldense. Desafiou, por isso, o diretor do agrupamento a ver o que é prioritário fazer, que será garantido pela autarquia.

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