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Valvian quer fazer de Óbidos um centro europeu de biotecnologia

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Nuno Prego Ramos (o primeiro à esquerda), fundador e CEO da Valvian, na cerimónia do 10.º aniversário do Parque Tecnológico de Óbidos, no início deste ano

Projeto liderado por Nuno Prego Ramos prevê investigação, desenvolvimento e produção de medicamentos biológicos, biossimilares e terapêuticas celulares. Já existem investidores, empresas farmacêuticas e equipa de gestão identificados, mas o processo está ainda na fase de licenciamento e estruturação

A Valvian está a preparar um projeto que pretende juntar, no Parque Tecnológico de Óbidos, investigação científica, desenvolvimento tecnológico e produção de medicamentos avançados, com capacidade para trabalhar para empresas e mercados internacionais.

“O que nós queremos não é produzir apenas uma fábrica de medicamentos. Nós queremos mesmo ter um centro avançado de investigação tecnológica que também produz medicamentos avançados e complexos”, explica o empresário à Gazeta das Caldas.

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O projeto está ainda numa fase de licenciamento e estruturação e não tem, por enquanto, uma data definida para avançar para a construção. Mas já tem terrenos adquiridos, investidores alinhados, empresas farmacêuticas interessadas e uma equipa de gestão identificada. A ambição passa por criar em Portugal capacidade para investigar e produzir medicamentos biológicos, biossimilares e terapêuticas celulares.

A aposta tem uma ligação direta ao percurso empresarial de Nuno Prego Ramos. Antes da Valvian, o empresário esteve ligado à CellmAbs, empresa de biotecnologia que desenvolveu investigação na área da oncologia e que acabou por vender à gigante alemã BioNTech, uma tecnologia e um candidato terapêutico.

“Se nós conseguirmos ter a capacidade de investigar e produzir em Portugal, para nós, Valvian, mas também para outras empresas, temos aqui uma excelente oportunidade”, considera.

Óbidos já esteve ligado a esse percurso da CellmAbs, e volta a ser central para o empresário. “Óbidos continuou a ser sempre um local que nós vimos como estratégico para trabalhar”, afirma Nuno Prego Ramos, destacando a forma como o concelho e os seus autarcas encaram a inovação e acolhem projetos tecnológicos.

Da investigação à produção
O projeto previsto para Óbidos resulta da articulação entre diferentes estruturas empresariais. A Valvian, que atualmente tem atividade em Lisboa, está centrada na investigação e desenvolvimento de novas terapêuticas, enquanto a Orbigen será o braço associado à componente de produção.

A empresa pretende trabalhar com medicamentos biológicos, biossimilares e terapêuticas celulares. São áreas particularmente relevantes para o tratamento de doenças complexas e para uma medicina cada vez mais personalizada.
No caso da oncologia, essa evolução pode significar tratamentos mais adaptados às características de cada doente e do seu tumor. As terapêuticas celulares são uma das áreas mais avançadas neste domínio, enquanto a inteligência artificial deverá assumir um papel importante na investigação e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Ainda sem data para arrancar
Apesar da dimensão da ambição, o centro de Óbidos, anunciado há cerca de um ano, ainda não está em construção. O processo encontra-se numa fase de preparação do licenciamento e estruturação do projeto, para o qual já foram adquiridos cinco lotes no Parque Tecnológico. “Já temos muitos investidores alinhados”, empresas farmacêuticas interessadas em trabalhar com o projeto e uma equipa de gestão identificada, constituída por profissionais com experiência internacional, adianta.

A empresa ainda não quer avançar com uma data para o início da construção, ou da entrada em funcionamento. A razão é evitar anunciar prazos antes de estarem reunidas todas as condições. “Não queremos estar a criar castelos no ar”, afirma o responsável, que reconhece que o projeto envolve um conjunto de fatores nacionais e internacionais que têm de ser articulados.

A produção para diferentes mercados implica ainda o cumprimento de exigências regulamentares distintas. Nuno Prego Ramos refere contactos e discussões com a FDA (Food and Drug Administration) norte-americana e outras entidades internacionais, numa fase em que a futura infraestrutura está a ser pensada para responder a padrões de produção internacionais.

Outra das áreas previstas para a futura unidade poderá ter impacto direto na acessibilidade dos medicamentos. Trata-se dos biossimilares, alternativas a medicamentos biológicos de referência cujas patentes estão a terminar.

Os medicamentos biológicos são utilizados em algumas das doenças mais complexas, incluindo diferentes tipos de cancro, mas podem representar custos elevados. A entrada de biossimilares no mercado permite criar alternativas terapêuticas e pode contribuir para reduzir a despesa.

“Muitos deles vão perder a patente em breve”, explica o empresário. A oportunidade, defende, passa por desenvolver e produzir essas alternativas em Portugal e na Europa.

A Valvian pretende, justamente, posicionar a futura unidade como uma alternativa para empresas que procuram capacidade de produção europeia. “A Europa precisa de capacidade própria para produzir medicamentos avançados e de alternativas aos mercados externos, protegendo simultaneamente a propriedade intelectual”, defende.

Atrair quem saiu e fixar quem chega
Mas o objetivo não é apenas trazer tecnologia para a região, a ideia é também criar condições para que investigadores e profissionais altamente qualificados possam desenvolver aqui parte do trabalho que atualmente é feito noutros centros internacionais.

A questão do talento é, aliás, uma das preocupações centrais de Nuno Prego Ramos. A empresa está a procurar profissionais com experiência internacional e pretende também aproveitar a diáspora científica portuguesa.

“Uma das coisas que para nós era importante era garantir que tínhamos condições em Portugal para receber os talentos de todo o mundo que a diáspora tem”, afirma.

A ligação às instituições de ensino da região será outra componente do projeto. A empresa pretende trabalhar com os centros de inovação e formação locais, criando oportunidades para estudantes e profissionais que queiram desenvolver a sua carreira na região.

A proximidade à Universidade de Leiria e Oeste é vista como uma oportunidade para aprofundar essa relação. O empresário considera que o futuro centro poderá igualmente ser um destino profissional para jovens formados na região.

Essa estratégia ultrapassa, na perspetiva do empresário, os limites de Óbidos. O centro poderá contribuir para criar uma rede de conhecimento e inovação com impacto em toda a região, até Leiria. “Eu gostava muito que isto pudesse também ser um projeto legacy”, com capacidade para gerar impacto positivo e transformar a região “a todos os níveis”, diz.

Uma fábrica que não quer parecer uma fábrica
Outra particularidade que Nuno Prego Ramos adianta que o projeto tem é o sentido de responsabilidade arquitetónico. O edificado terá uma grande dimensão, mas o empresário assegura que a relação com a paisagem e a identidade de Óbidos é um ponto de honra.

A proximidade ao castelo – que estará visível por cima do edifício na perspetiva de quem está de frente para a fachada -, obriga a que a futura construção seja pensada para se integrar de forma perfeita. Para tal, a empresa está a trabalhar o projeto com o arquiteto João Vieira Costa, procurando uma solução que combine uma linguagem contemporânea com sustentabilidade e integração no espaço envolvente.

“Nós temos que respeitar o espaço, não queremos que Óbidos seja um centro industrial feio e cinzento”, afirma Nuno Prego Ramos.

A preocupação estende-se ao próprio espaço de trabalho. A ideia é criar instalações tecnologicamente avançadas, mas também um ambiente em que os profissionais gostem de trabalhar. “Estamos a pedir às pessoas para saírem de casa para vir trabalhar diariamente para um sítio e queremos que as pessoas se sintam realizadas”, explica.

No entanto, o impacto que o empresário procura não é apenas o de criar um edifício diferente. A ambição é deixar uma estrutura de conhecimento e produção que permaneça no território. “Gostava mesmo muito que os nossos filhos tivessem a possibilidade de ficar em Portugal e que não precisassem de sair para prosseguirem os seus sonhos”, conclui.

A empresa adquiriu, no ano passado, cinco lotes no PTO para instalar um centro de biotecnologia
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