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Artesanato local em debate no Posto de Turismo

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Famílias experimentaram verguinha

“Continuar a fazer – Artesanato, Transmissão e Transformação” deu o mote ao evento que decorreu no Espaço Turismo a 24 de setembro com o objetivo de celebrar as Jornadas Europeias do Património. Durante a tarde, no pátio do espaço estiveram bancas de demonstração ao vivo de cerâmica, sobretudo de verguinha e também de Bordados das Caldas, com a presença de duas bordadeiras da Associação do bordado local. Presentes estiveram também Paulo Tuna e Carlos Norte em representação do cluster de Cutelaria de Santa Catarina e Benedita. Estiveram pois presentes três diferentes formas de saber-fazer que fazem parte da identidade oestina.
Ana Novais faz escultura e trabalha com Mafalda Balaona que, por seu lado, se dedica à verguinha. Estiveram juntas na Mestra e agora marcaram presença neste evento. Ambas partilham o gosto pelo tradicional e popular e pretendem contribuir para a preservação dos saberes.
Mafalda Balaona aprendeu a fazer verguinha em Óbidos em 2022. Tirou um mestrado em Valorização do Património Histórico e Cultural, e dedicou o seu trabalho académico a esta técnica cerâmica. A jovem estudou o passado da verguinha, feita por mulheres como Luísa Mafra – irmã de Manuel Mafra – e também quem o faz na atualidade como Maria Adélia Martins. Esta autora produz novas peças, dando contemporaneidade às peças de verguinha.
“Trabalho em grés, dando mais resistência às peças”, referiu a autora. Na sua opinião é importante que técnicas tradicionais como a verguinha também possam ser atualizadas.
A vereadora Conceição Henriques, já durante a conversa, que teve lugar na Galeria do Posto de Turismo começou por salientar a inovação que Ana Novais e Mafalda Balaona trazem no aliar da escultura com a verguinha. “Cada vez que vejo o vosso trabalho conjunto há sempre uma nova camada para apreciar”.
Também os bordados das Caldas foram alvo de comentário da autarca que referiu que esta arte local também esteve na base da cidade ter conseguido obter o título de Cidade Criativa da UNESCO.
De regresso às bancas, a AIRO marcou presença destacando os cuteleiros e o cluster de Santa Catarina e Benedita. Presente esteve Carlos Norte que trouxe vários tipos de navalhas, incluindo as várias peças que integram o processo de fazer uma navalha.
“Fazemos muitos trabalhos por encomenda e isto é apenas uma pequena amostra do que se faz na oficina do Lombo do Ferreiro “, disse Carlos Norte que trouxe várias navalhas de ofício usadas na agricultura e na cestaria. Apresentou também uma nova navalha, inspirada na faca seax , de origem viking.
Por seu lado, Paulo Tuna (The BladeSmith) trouxe facas de chef, alguns exemplares utilitários como uma faca de pão e até uma outra, própria para legumes.
“Até trouxe um conjunto de talheres” , contou o autor que considera que este tipo de eventos são importantes para proporcionar o contacto entre criadores e público.
Depois do trabalho ao vivo e de alguma experimentação, foi tempo de conversar e de refletir sobre o artesanato local.
Sob moderação de Celeste Afonso, a conversa contou com a intervenção dos vários criadores que estiveram nas diferentes bancas e também de Rita Jerónimo, da Unidade de Cultura da CCDR-LVT. Na tertúlia, Conceição Henriques ainda comentou que o que as bordadeiras das Caldas fazem “não é é património. É sim matrimónio”. Referia-se ao facto dos bordados serem feitos em exclusivo por mulheres. A autarca que tenha a designação que tiver, o que é importante que se preserve o saber fazer. Na sua opinião, Caldas da Rainha destaca-se pela riqueza do seu património imaterial que foi pois celebrado nesta iniciativa no Posto de Turismo onde houve espaço para a demonstração e para alguma reflexão conjunta entre autores, professores, artesãos, criadores, políticos e cuteleiros.
Entre os vários temas abordados na conversa, e que recolheu o acordo dos participantes é de como é importante aliar o artesanato e a criação artística à educação. Para os convidados faz sentido que haja um contacto mais próximo entre os autores que deveriam dar a conhecer os seus trabalhos nas escolas.

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