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“É preciso perpetuar o legado de A. Variações”

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Responsáveis que tornaram possível a vinda da mostra às Caldas

A exposição Meu Nome António – Fotografias de Teresa Couto Pinto 1981-1983 feita em 2025 para celebrar o génio e o legado de António Variações (1944–1984) pode agora ser vista na galeria do CCC.
A mostra, que abriu portas no sábado, 2 de outubro e teve uma inauguração muito participada é uma iniciativa do MUDE – Museu do Design e da Terra Esplêndida que a coorganizaram. Com curadoria de Bárbara Coutinho, diretora do MUDE, a mostra reúne 88 fotografias de Teresa Couto Pinto que revelam importantes momentos cruciais da carreira de Variações, assim como outros, da intimidade da sua casa.
A vereadora da Cultura, Conceição Henriques classificou o artista como “excêntrico” pois na sua atitude ele era “anti-cânone” e “impactou a arte da sua época”. Para a autarca, tudo o que ele fazia “tinha uma criatividade informada, nada daquilo era casual, ele próprio era um meio pois usava o seu corpo para se diferenciar”. Por seu lado, a fotógrafa Teresa Couto Pinto referiu-se ao seu amigo como “uma figura insubstituível na música portuguesa”. Apesar da sua carreira ter sido curta “foi muito intensa”. Ele era “muito boa gente”, um ser humano “à maneira” e “nós temos que continuar a perpetuar o seu legado pois este é transversal a várias gerações”.
A curadora, Bárbara Coutinho, considera que Variações “foi um pioneiro e um visionário e influenciou a moda, o design e a música”. E partilhou que, de facto, existiu uma enorme cumplicidade entre fotógrafa e o retratado e que a própria Teresa o ajudou a criar a sua persona artística. Foi a fotógrafa que lhe chamou a atenção para o facto da tesoura aberta ter um A e V, as letras do seu nome e o cantor quis logo começar a retratar-se com tal objeto, como aliás se pode apreciar na exposição.
Presentes estão também momentos do artista na intimidade da sua casa e também retratado nas ruas de Lisboa. Junta-se ainda a atualidade dos temas das suas canções desde a identidade de género, à guerra e à violência que são atuais nos dias de hoje. Se tivesse que resumir o artista a uma só palavra, a curadora escolheria “autenticidade”. Por seu lado, Rui Pereira, da Terra Esplendida, contou que estão a trabalhar com a fotógrafa e que há um espólio de 300 imagens que necessitam de ser preservadas pois foram captadas há 40 anos.
“Não usámos novas tecnologias para recuperar as fotos analógicas que queremos que possam ser usufruídas pelas novas gerações”, rematou o fotógrafo.
No final da apresentação, Teresa Couto Pinto partilhou que há anda há 40 anos a tentar salvaguardar este património fotográfico e agradece ao MUDE e à Terra Esplendida por se terem aliado e concretizado esta primeira exposição.
Todos gostariam que a exposição se tornasse itinerante e pudesse ser conhecida por todos. “Se fosse vivo, o António teria 83 anos”, disse a fotógrafa que considera muito importante assegurar este legado. Teresa Couto, que também foi amiga e confidente do artista, recordou que é preciso preservar esta mostra, dado que há poucas fotografias de Variações. “Sempre estive numa luta constante para as poder recuperar”, rematou a autora que possui 300 negativos de imagens do artista. Rui Pereira, da Terra Esplendida diz que aos poucos se têm recuperado as imagens, “com qualidade”. Pretende-se recuperar as 220 fotografias que faltam e que possam “aumentar esta mostra ou dar origem a novas exposições”, rematou.
“Meu nome António” vai estar patente no CCC até 3 de janeiro de 2027.
nnarciso@gazetadascaldas.pt

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