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Rahul Onkon mostra“Carne da Memória”

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Autor também retrata espaços identitários das Caldas como a Praça, os Pavilhões e o Parque

“Flesh of Memory”, do artista Rahul Onkon abriu as suas portas a 2 de outubro, na galeria do Turismo, numa mostra bastante participada por amigos e alunos do pintor.
É a primeira grande mostra deste autor, natural de Calcutá (Índia), que tem o seu atelier nos Silos. Além do seu trabalho, Rahul Onkon também ensina técnicas de pintura, sobretudo aguarela.
As obras, algumas mais intimistas, outras de cariz político, refletem sobre os mais variados temas.
O artista defende, por exemplo, o sistema matriarcal contra o patriarcado e que se encontra expresso nas suas pinturas onde usa técnica mista.
“Este é um dos meus últimos trabalhos”, contou o autor que também apresenta outro tipo de reflexões, seja questionando o género seja tomando uma posição política, retratando muitos líderes do mundo, sobretudo ditadores, junto a Satanás.
“Se estivesse na Índia poderia ser preso só por causa desta pintura”, explicou o autor à Gazeta das Caldas. E é por isso que gosta tanto de Portugal e das Caldas. “Aqui sinto-me livre. Posso expressar-me como entendo que o devo fazer”, acrescentou.
Em grande parte das suas pinturas, os protogonistas “são sempre pessoas comuns”. Há por exemplo um pescador da Nazaré, um amolador, que Rahul encontra em Portugal, mas também no México, país onde viveu anteriormente. Aprecia também retratar pessoas mais velhas pois as suas rugas “contam muitas histórias”.
O tema da guerra acaba por surgir em vários dos trabalhos pois “decorre em várias parte do mundo e deveria implicar reflexão e ação de todos nós”.
Presente estão também obras que refletem sobre o caso de se estar desenraizado, alguns dípticos relacionados com o género e ainda pinturas de Bordalo Pinheiro, Pavilhões do Parque e Praça da Fruta. “Todas as pinturas em que retrato as Caldas e a região são as que vendo em primeiro lugar”, contou o autor que estudou Economia, Ciência Política e Estatística e que trocou empregos estáveis em multinacionais, na área das vendas, como a Vodafone e a Pepsi pelas artes.
Rahul Onkon que representou a Índia em eventos internacionais de aguarela que tiveram lugar em países como Israel, Alemanha e Itália.
As suas obras integram coleções privadas de muitos países como Portugal, Brasil, EUA, Malásia ou Bulgária.
“Estou orgulhoso por poder fazer esta mostra que estava a preparar há três anos. Sou muito acarinhado por cá!”, referiu o artista. A exposição-venda “Flesh of Memory” vai estar patente na Galeria do Posto de Turismo até 30 de outubro.
nnarciso@gazetadascaldas.pt

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