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Caldas e Mafra empatam a três num jogo de fortes emoções

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Foto: FPF

Gonçalo Chaves bisou e Duarte Almeida esteve em grande destaque na baliza

O Caldas esteve a vencer por 2-0, permitiu a reviravolta ao Mafra na segunda parte, mas ainda conseguiu ir buscar um ponto com o bis de Gonçalo Chaves. O resultado pode ter deixado as duas equipas com o sentimento de que podiam ter vencido a partida, mas foi, principalmente, um belo jogo de futebol.

A equipa alvinegra entrou melhor, solta e com um futebol positivo, procurando explorar as liberdades que o Mafra estava a dar no ataque à profundidade. Guilherme Pio esteve perto de marcar por duas vezes, aos 3 e aos 7 minutos, mas não acertou no alvo. Também Filipe Oliveira, aos 10 minutos, tentou a sua sorte, mas o remate da zona frontal também errou o alvo.

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O Mafra começou por sentir dificuldades para travar a iniciativa caldense, mas foi crescendo no encontro e aos 16 minutos, na sequência de um lançamento lateral, Gonçalo Cardoso obrigou Duarte Almeida à primeira de um conjunto de grandes defesas.

A eficácia que faltou ao Caldas no quarto de hora inicial da partida, surgiu nos 15 minutos finais do primeiro tempo. Guilherme Pio transportou a bola pela esquerda e encontrou Edson Mucuana do lado oposto, o internacional moçambicano recebeu e cruzou para a área, onde Guilherme Pio apareceu entre os “postes” do Mafra e cabeceou de cima para baixo, batendo Pedro Silva para o 1-0.

Na resposta do Mafra, Duarte Almeida voltou a brilhar ao defender com o pé direito o desvio de Niang a um cruzamento da direita.

À beira do intervalo, o Caldas sublinhava a boa primeira parte com o segundo golo. Mérito total de Matheus Palmério no desarme a Sambú, o médio embalou para a área e à saída do guarda-redes ofereceu o golo a Gonçalo Chaves.

O Caldas saía com mérito e justiça em vantagem para o intervalo, mas o Mafra tinha troco para dar. Tim Sparv lançou Lénio e Ngom e colocou total tração dianteira na equipa do Mafra. A pressão asfixiante, alavancada pelo 2-1 obtido logo no primeiro minuto, obrigou o Caldas a recuar ao seu terço defensivo. A jogada foi de Rodrigo Matos, pela esquerda, Lénio finalizou na pequena área.

Os pelicanos eram incapazes de sacudir a pressão, não só do adversário, mas também a de manter a vantagem. Só assim se explica a forma como sofreu o segundo golo. Duarte Almeida ainda fez uma defesa por instinto a um remate de Niang, mas na insistência de Ngom, depois de o Caldas ter falhado em pôr fim ao lance, deu segunda oportunidade ao avançado para fazer o empate, e desta vez não desperdiçou.

Ngom seria novamente decisivo no golo que permitiu ao Mafra a reviravolta. Novamente o Caldas a não conseguir resolver um lance defensivo, desta vez num canto, o Mafra recuperou facilmente a bola, Ngom cruzou a preceito para o golo de Goba, que também tinha acabado de entrar. Dois golos e duas assistências do Mafra a partir do banco.

O Caldas ficava em maus lençóis, depois de ter tido uma vantagem aparentemente segura.

Mas o jogo ainda tinha mais para dar. João Aguiar já tinha procurado dar capacidade de posse de bola com o regresso de Pepo à competição. Colocou, depois, Dani e João Vieira no ataque. O Caldas voltou a conseguir sair do casulo e ao minuto 84 voltou a empatar o jogo. Pepo bateu um canto, Pedro Silva afastou, mas o ressalto ficou na posse de Ricky, o médio caldense devolveu para a área e Gonçalo Chaves marcou com um belo golpe de cabeça.

Com o jogo equilibrado até final, o Caldas podia ter desfeito a igualdade ao cair do pano, num canto batido bem chegado à baliza por Pepo, Pedro Silva sacudiu como pôde e a bola caiu perto de Matheus, mas o médio, com vários adversários em redor, não conseguiu chegar à bola para a emenda.

Liga 3 – Série B, 7.ª jornada
Caldas 3-3 Mafra
CALDAS
: Duarte Almeida; Gonças, Nando (João Vieira, 82’), Diogo Nascimento, Tiago Serrazina; Matheus Palmério, Clemente (Dani, 82’); Edson Mucuana (Diogo Izata, 64’), Filipe Oliveira (Pepo, 73’), Guilherme Pio (Ricky 64’); Gonçalo Chaves (cap.)
Suplentes: Wilson Soares, Rodrigo Correia, Guilherme Lopes, Farinha
Treinador: João Aguiar
MAFRA: Pedro Silva; Celso Raposo (Lénio Neves, int.), Moussa Camara, Kauê Alves, Gonçalo Cardoso (Adama Ngom, int.); João Silva (João Ferreira, 81’), Amadou Ba, Rodrigo Matos (Yacouba Maiga, 81’); Braíma Sambú (cap.), Leandro Alves (Goba Zakpa, 70’), Mamor Niang
Suplentes: Francisco Lemos, Lucas Gabriel, Alassana Baldé, Rafael Moreira
Treinador: Tim Sparv

Campo da Mata, Caldas da Rainha
Árbitro: André Carvalho (AF Viana do Castelo). Assistentes: Bruno Rocha e Luís Lopes
Intervalo: 2-0. Marcadores: 1-0 Guilherme Pio (32’), 2-0 Gonçalo Chaves (43’), 2-1 Lénio (46’), 2-2 Niang (63’), 2-3 Goba Zakpa (78’), 3-3 Gonçalo Chaves (84’)
Disciplina: amarelo a Goba Zakpa (79’) e Lénio (89’).

João Aguiar: “São jogos de crescimento”

O treinador do Caldas considerou que a equipa fez uma das melhores primeiras partes da época frente ao Mafra, mas reconheceu que ainda precisa de ganhar consistência para evitar oscilações como as que permitiram ao adversário recuperar de uma desvantagem de dois golos.

“Foi uma primeira parte muito bem conseguida da nossa parte. É verdade que o Duarte [Almeida] tem algumas defesas, mas também é verdade que, antes disso, nós temos três ocasiões para poder fazer golo, claras na cara do guarda-redes, e não fazemos”, analisou João Aguiar no final do encontro.

O treinador considerou que a vantagem de 2-0 ao intervalo era justa, mas reconheceu que o golo sofrido logo no início da segunda parte teve consequências no comportamento da equipa. “Alertámos que o Mafra, que não é uma equipa qualquer, como todos nós sabemos, ia ter uma entrada forte na segunda parte. Estávamos preparados para isso, o que é facto é que aquele golo logo aos dois minutos da segunda parte deitou a equipa um bocadinho abaixo anímicamente, foi buscar alguns fantasmas do passado, provavelmente.”

O Mafra chegou ao 2-3 aos 78 minutos, mas o Caldas conseguiu reagir e fixar o resultado em 3-3, por Gonçalo Chaves, aos 84. “Só uma equipa com um espírito que sabemos que esta equipa tem, com os adeptos a torcer por nós até ao último minuto, é que conseguiria, depois de ter sofrido uma reviravolta, chegar ao empate e ainda estivemos perto também do 4-3, no último canto do jogo e em mais alguns lances”, afirmou.

Para João Aguiar, a capacidade de reação demonstrada pelos pelicanos é um sinal da evolução de um grupo jovem, que ainda está a ganhar experiência na Liga 3. “São jogos de crescimento, e foi aquilo que eu lhes disse lá dentro. É o sentimento cada vez maior de que podemos bater-nos contra qualquer equipa.”

O técnico acredita que o trabalho desenvolvido permitirá à equipa chegar à fase decisiva da competição mais preparada para discutir os resultados. “Sabemos que isso leva o seu tempo, se eles fizerem o trabalho da forma como têm estado a fazer, vamos chegar à fase de decisões e vamos conseguir bater-nos contra qualquer adversário da forma como nos batemos aqui hoje com o Mafra.”

“Estas paragens às vezes também são boas para pararmos um bocadinho, refletir, os próprios jogadores ganharem confiança”, afirmou, lembrando que, há cerca de um mês, o plantel tinha jogadores com pouca experiência no terceiro escalão e a lomnga interrupção na prova permitiu o regresso de alguns jogadores que estavam lesionados. “Há um mês atrás, tínhamos jogadores com muito pouca experiência de Liga 3, jogadores que se calhar não estavam tão confortáveis nesse momento”, explicou, destacando também a importância dos elementos mais experientes do grupo.

O treinador reconhece, contudo, que a equipa ainda tem de melhorar a capacidade para controlar os diferentes momentos das partidas. “Aquilo que nós queremos é ser mais consistentes nestes momentos e não andarmos ainda entre altos e baixos, como aconteceu neste jogo, termos mais capacidade para ter bola e para ferir o adversário.”

Tim Sparv: “Sofrer o golo do empate deixou-me frustrado”

O treinador do Mafra destacou a resposta da equipa na segunda parte, depois de uma entrada em falso que permitiu ao Caldas chegar ao intervalo a vencer por 2-0.

“Estou desapontado com a primeira parte, com a forma como entrámos. Tudo aquilo de que falámos antes do jogo, trazer energia e intensidade, não aconteceu”, afirmou o treinador, que identificou uma tendência que pretende corrigir na equipa.

“Precisamos de sofrer algum tipo de revés antes de começarmos a jogar o nosso futebol, da forma como sabemos jogar. Hoje aconteceu novamente”, lamentou.

Em contrapartida, o técnico destacou a exibição dos seus jogadores após o intervalo. “Adorei a reação da equipa. Durante meia hora na segunda parte jogámos muito bom futebol, colocámos muita pressão sobre o adversário e devíamos ter marcado mais do que os três golos que conseguimos”, considerou, lembrando ainda que o Mafra também dispôs de boas oportunidades na primeira parte.

Tim Sparv sublinhou que, em termos ofensivos, a equipa criou situações de perigo em quantidade, considerando que os indicadores estatísticos do encontro apontam para uma exibição com potencial para construir resultados positivos.

Ainda assim, o treinador não escondeu a frustração por o Mafra ter permitido que o Caldas chegasse ao empate, depois de ter conseguido consumar a reviravolta. “Foi algo que me magoou e me deixou frustrado”, admitiu.

Apesar disso, o técnico considera que a equipa está no caminho certo, apontando os resultados e as exibições recentes como sinais positivos. “Depois da pausa para as seleções, tivemos o Belenenses em casa, com um empate a dois golos, jogámos bom futebol, eliminámos o Santa Clara na Taça e agora tivemos este jogo contra o Caldas. Acho que estamos no caminho certo, estamos definitivamente a evoluir na direção certa.”

O objetivo passa agora por conseguir transportar esse crescimento para os jogos fora de casa. “Precisamos de encontrar uma forma de ganhar estes jogos também, e temos de o fazer rapidamente. Não queremos ser apenas uma equipa capaz de jogar em casa, queremos também ser fortes fora”, afirmou.

O treinador destacou também o contributo dos jogadores lançados durante a partida, que tiveram influência direta nos golos do Mafra e na reviravolta no marcador.

“Às vezes, é preciso fazer alterações que pensamos que vão ser benéficas para a equipa. Neste caso, trazer jogadores mais ofensivos. Não é nada contra o Celso ou o Gonçalo, trata-se apenas de ter mais jogadores de ataque em campo”, explicou.

Tim Sparv lembrou que todos os elementos do plantel têm um papel a desempenhar, independentemente de integrarem o onze inicial ou entrarem durante o encontro. “Falamos muito sobre os papéis dentro da equipa. Temos os titulares, os onze que começam o jogo, e depois temos os jogadores que entram para o terminar.”

O técnico mostrou-se satisfeito com a resposta dos suplentes, considerando que a sua contribuição demonstra a união necessária para enfrentar uma competição exigente.

“Hoje entraram e mostraram aquilo que conseguem fazer. Isso deixa-me extremamente feliz, porque demonstra que somos uma unidade, e é disso que vamos precisar no futuro”, afirmou.

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