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Sp. Caldas começa época com aposta na formação e na recuperação das contas

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A foto da família Sporting Clube das Caldas, na apresentação realizada no passado sábado

O Sporting Clube das Caldas começou no passado sábado uma nova época desportiva num momento em que o clube procura recuperar dos problemas financeiros e diretivos que afetaram a última temporada. Em finais de abril do ano passado a direção do clube caiu devido à situação financeira difícil e está a ser gerido por uma Comissão Administrativa, que garante já ter regularizado grande parte dos pagamentos em atraso.
A equipa sénior masculina de voleibol, que tem sido porta-estandarte do clube, conseguiu a manutenção na 2.ª Divisão Nacional na época passada, mas a situação do clube obrigou a uma decisão difícil. Para já o clube está inscrito na 3.ª Divisão, mas ainda não há garantia de que venha a competir.
“Às vezes temos que dar um passo atrás para poder dar dois à frente”, resume Mário Pedro, membro da Comissão Administrativa que tem assegurado a gestão do clube. A decisão de baixar o nível competitivo da equipa sénior masculina surge, segundo o responsável, das circunstâncias financeiras e desportivas encontradas pelo clube, obrigando a “reajustar” modalidades e escalões.
A equipa, que está a ser constituída, será formada essencialmente por atletas da casa e da região, sem recurso a jogadores estrangeiros ou contratações fora do contexto local. “Temos que apertar um bocadinho o cinto neste preciso momento”, admite o dirigente.
No voleibol, o clube mantém ainda as equipas femininas de iniciadas e cadetes, ambas a competir na primeira divisão nacional dos respetivos escalões, além das duas equipas seniores. Já no basquetebol, o clube segue o caminho inverso e pretende não só manter os escalões da época passada, como acompanhar a subida de escalão de alguns dos atletas..
“Se não fizermos esse trabalho, quando chegam ali aos sub-14, param e não pode ser, têm que progredir”, defende Ana Pedro, também da Comissão Administrativa.
O clube mantém ainda o ténis de mesa, com uma componente de veteranos, e prepara o crescimento de uma parceria na área do jiu-jitsu.
A componente financeira é, contudo, uma das principais preocupações desta fase. A Comissão Administrativa encontrou um conjunto de problemas herdados da anterior gestão e tem procurado resolvê-los através de negociações e planos de pagamento.
Mário Pedro garante que as situações pendentes com atletas e treinadores da época passada estão regularizadas. “Nós fizemos um plano de pagamentos. Propusemos os momentos que achávamos que íamos conseguir. E aquilo que nós estabelecemos, nós cumprimos”, afirma, acrescentando que a última parte foi liquidada no mês de setembro.
Segundo o responsável, também a situação dos principais fornecedores foi sendo regularizada, através de pagamentos ou de acordos. “Os maiores problemas também já foram resolvidos”, garante.
A Comissão Administrativa conta, neste processo, com o apoio do Município das Caldas da Rainha e dos parceiros do clube, procurando agora iniciar a época dentro das limitações financeiras existentes. O objetivo passa por deixar uma situação mais sustentável. Mesmo assim, Mário Pedro realça que o clube terá uma temporada de orçamento condicionado. “O clube terá de apertar o cinto durante algum tempo”, refere, acreditando que, no início do próximo ano, será possível começar a trabalhar “com alguma normalidade”.
O atual quadro dirigente assumiu inicialmente a gestão do clube com a expectativa de permanecer em funções apenas durante cerca de três meses. Esse prazo acabou por ser ultrapassado perante a ausência de uma lista disponível para assumir os órgãos sociais, pelo que, em assembleia-geral, ficou estabelecido que a comissão poderá manter-se em funções até dezembro, altura em que deverá ser convocada nova assembleia eleitoral.

Recuperar os sócios e juntar o clube
O trabalho de recuperação encetado pela Comissão Administrativa não se resume, no entanto, à parte financeira, pretende ainda reconstruir a ligação entre o clube, os atletas e as famílias. Uma das medidas passa por uma campanha de angariação de sócios junto dos pais dos atletas. Neste sentido, a quota de sócio dos pais passou a estar integrada na quota paga pelos atletas e o objetivo é voltar a aumentar uma base associativa que, no passado, chegou a ultrapassar os 500 sócios. “Temos que dar vida novamente a este clube. Temos que ter sócios”, defende Mário Pedro, reconhecendo que o número atual não está sequer totalmente identificado.
O arranque da época, com o primeiro jogo em casa da equipa feminina de basquetebol de Sub-16 – contra o Gaeiras Basket – serviu igualmente para realizar um convívio a juntar toda a família do clube, com atletas, pais e diferentes modalidades, pretendeu precisamente recuperar esse sentido de pertença. Houve repasto com um javali assado no espeto e, no final, a apresentação de todas as equipas do clube.
“Não é o basquete, nem o voleibol, nem o ténis de mesa, somos todos Sporting Clube das Caldas”, sublinha Ana Pedro.
A responsável reconhece que existia algum afastamento entre as modalidades, mas considera que a situação já está a mudar.

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